O Mundo do Amanhã

18 Capítulo 17 - Primeira Missão


Quando Lucca acordou ele percebeu que não estava na sua cama. Ele olhou os arredores de onde estava e imediatamente reconheceu o tubarão de pelúcia que dividia a cama com ele. Este era o quarto de Mayron, mas Mayron parecia não estar ali. Lucca estava com as mesmas roupas do dia anterior só que sem as botas. O que ele estava fazendo ali na casa de Mayron? Ele sentou na cama e viu que tinha um bilhete cheio de coraçõezinhos no criado-mudo. Ele pegou o bilhete e leu.

"Lucca, você provavelmente está se perguntando o que está fazendo na minha cama. Caso tenha esquecido, ontem você dormiu escorado em mim, e depois eu te trouxe pra minha cama porque... bem, você estava tão fofinho dormindo e eu queria ver você dormir... de toda forma, você está dispensado de suas tarefas até de tarde, mas me encontre as 2 na sala-da-fofoca. Beijinhos"

Eu dormi... escorado nele? Escorado? Eu acho que ele não quis dizer "no meu colo" para não me perturbar... — pensou Lucca corando.

Lucca levantou e procurou pelas botas. Ele as encontrou ao lado da porta e as vestiu, depois ele espiou pela janela para ver se não tinha nenhuma testemunha por perto e saiu correndo dali. Não queria ter que dar explicações constrangedoras.

Lucca resolveu aproveitar o tempo que tinha livre para fazer uma coisa que já tinha um tempo que ele não fazia e isso começava a incomoda-lo. Lucca foi furtivamente até o lugar onde ele tinha escondido o frasco com liquido roxo dentro de uma árvore oca. Ele enfiou a mão no buraco da árvore e pegou a pequena bolsinha de couro preto. Dentro dela tinha algumas seringas com agulhas um frasco cheio daquela coisa da qual Lucca não podia ficar sem, uma variante do veneno de suas agulhas, que não era letal, mas viciante, feita principalmente de amostras de sangue alienígena, que agora Lucca conseguia com mais facilidade ainda já que ele estava na divisão química do exército.

Lucca sorriu quando a droga adentrou seu sistema circulatório e suas veias brilharam em um tom de roxo muito anti-natural. Ele sabia que estava viciado não precisava que ninguém lhe dissesse isso, mas não conseguia se livrar do desejo de sentir aquela coisa circulando em suas veias. E os efeitos colaterais nem eram tantos; Lucca tinha reparado que seus cabelos estavam cada vez mais parecidos com tentáculos, Lucca conseguia move-los livremente e até mesmo pegar coisas com eles e, além disso, seu corpo tinha agora algumas manchas roxas que, por sorte, ficavam escondidas por baixo das roupas. Mas nem era grande coisa...

Depois de esconder de novo a bolsinha na árvore, Lucca foi até o laboratório, onde ele era livre pra fazer suas próprias pesquisas, e analisou discretamente uma amostra do seu sangue, depois comparou com sangue humano e com sangue alienígena, o dele parecia uma mistura dos dois. Ok, talvez isso fosse um pouquinho preocupante...

Depois de sair do laboratório, Lucca aproveitou que já tinha passado do horário de almoço para comer sozinho no refeitório sem a bagunça tradicional. Quando ele viu já eram quase duas horas, hora de descobrir o que Mayron queria.

Quando Lucca entrou na sala onde ele e Mayron tinham feito aquela confusão com a fumaça no dia da iniciação, ele não pode deixar de rir da lembrança. Mayron estava falando com o capitão Allison que, Lucca agora sabia, tinha se passado por novato para ajudar na avaliação do Monte Salgado. Lucca se aproximou dos dois.

— Lucca! — como sempre, Mayron parecia à pessoa mais feliz do mundo perto de Lucca. Mayron abraçou Lucca com força — Aproveitou bem o seu tempo livre?

— Sim... obrigado por... — Lucca corou — você sabe, conseguir um tempo livre pra mim e também... pela outra coisa...

Mayron sorriu.

— Claro.

— Me desculpem por atrapalhar, pombinhos, mas alguns de nós aqui tem trabalho! — disse o capitão Allison — Então, como eu ia dizendo, Mayron, essa arqueóloga encontrou um objeto que parece perigoso, e como você gosta dessas coisas do mundo antigo, eu queria que você investigasse.

— Tudo bem. — disse Mayron — Mas e quanto à primeira missão do Lucca?

— Você pode levar ele com você pra essa missão, não tem grandes riscos e a chance de encontrar aliens é bem baixa.

— Mas eu quero encontrar aliens! — intrometeu-se Lucca.

— Você vai ter tempo pra isso Lucca, acredite. Você está só começando no exército e uma missão inicial mais segura é o ideal.

Lucca não gostou, mas não discutiu.

— Explique a missão pra ele, então. — disse Mayron.

— Sim, eu ia explicar. Qual a necessidade de ser apressado? — Allison, como muita gente, parecia não muita paciência com Mayron, mas também parecia longe de odiá-lo — Bom, Lucca, é uma missão simples, uma arqueóloga encontrou um objeto que ela considerou perigoso, então ela pediu pra nós darmos uma olhada. Não é a primeira e nem vai ser a última vez que isso acontece. Pra essa missão vocês vão para o deserto a sudoeste, a chance de encontrar aliens a paisana por lá é mínima. Vocês partem amanhã, boa sorte. — e com isso, ele se retirou.

— Bom, não era o que você queria, mas é uma missão.

— Sim... eu acho que é melhor que nada...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.