Alex estava trabalhando no seu emprego habitual, de uma forma totalmente convencional e rotineira. Trabalhava em uma grande empresa da área de informatica e todas as noites o som das teclas, mover de cadeiras e os burburinhos ainda ecoavam pela sua mente procurando algo para associar, nunca encontravam, até chegar o momento em que ele fechava os olhos para descobrir que havia voltado para lá, só que desta vez em sonho, com a notável diferença do seu chefe possuir chifres e uma cobra no lugar da lingua, sempre acordava ofegante e desesperado, pensava consigo mesmo "Tanta gente sonha com tramas sem sentido e eu aqui, trabalhando até quando durmo...".

Naquela tarde os pássaros estavam voando de uma forma especialmente elegante pela janela do cubiculo do nosso, agora de olhos vermelhos por noites mal dormidas, amigo e isto o irritava ao extremo. "Olha como são livres e despreocupados, não trabalham mas comem e nunca esperam em filas, sim isto sem dúvidas seria o melhor". Logo após sair da visão daquele frustrado funcionário, o pássaro entrou em uma fila para realizar a migração habitual para o outro lado do país e pensou consigo. "Ah sortudos, sentados e nós aqui voando sem parar só para termos comida", isso claro se pássaros articulassem palavras dentro de suas cabecinhas, o que sabemos que não é verdade, mas ainda assim, eram frases verdadeiras que o passarinho poderia ter dito, claro que com o aparelho de comunicação adequado que só seria inventando daqui a 200 anos por alguém entusiasmado em saber como a vida dos pássaros era fácil e legal, digamos que no primeiro uso do aparelho o criador entrou em depressão pelas palavras que ouviu e se abaixou em um canto chorando por 3 dias seguidos.

Tec, tic, tirim, tirim. O som dos celulares e teclas sendo pressionadas repetidamente entravam dentro da cabeça do nosso futuro herói e despertavam pensamentos reprimidos a muito tempo, normalmente envolvendo muitas palavras não ditas normalmente e que em qualquer contexto não cairiam muito bem.
Olhando para o próprio computador decidiu arrancar os seus próprios olhos, mas como isso seria doloroso demais, se contentou em vira-los para cima e fazer uma cara de enojado. O único problema era que as mãos que enviaram o email que acabará de ter uma recepção não muito calorosa estava sobre a mesa de Alex e mais importante, o corpo atrelado a essa mão e consequentemente a cabeça cujo os olhos estavam fixados em um homem de mais ou menos 1 metro e oitenta com cabelos loiros, e um rosto particulamente enojado, mas o que mais chamava a atenção eram seus olhos totalmente virados para cima.

Após ouvir muitas palavras pouco encorajadoras e resistir a enorme vontade de executar um golpe de karate em um número gigantesco de pessoas ao longo do dia, finalmente ouviu o som habitual do elevador chegando ao térreo, apelidou aquela música de toque da liberdade e é o som que mais desejava ouvir ao longo do dia.
Os raios desfilavam pelo céu e fazendo ziguezague iluminavam uma noite escura e úmida, o nosso futuro herói estava sentado no beco adjacente a sua casa, pensando na sua vida e imaginando como os seus sonhos de criança se perderam ao longo do caminho para nunca mais serem encontrados.

Ele estava deitado sobre uma poça de água enquanto olhava para cima desanimado com o rumo da sua própria vida, até que um dos raios cansou de desfilar e decidiu atingir em cheio um homem esquisito que estava deitado em uma poça de água no meio de uma noite nada agradável. Pelo menos essa foi a impressão de um vizinho que prestou depoimento alguns meses depois, testemunhando o sumiço de Alex.
— Ele é forasteiro, sabe quanto Sadrika podemos fazer vendendo ele para experimentos magicos ou ainda, para o Doutor Desespero, certamente seríamos promovidos.
Ouvindo essas palavras o nosso atualmente inconsciente futuro herói teve a certeza de uma coisa, não ter entendido uma palavra, mas que o que quer que fosse, ninguém que preze pela própria reputação usaria o nome Doutor Desespero.
O nosso herói da futura geração abriu os olhos lentamente e viu que os dois discutiam de costas sobre a opção de jantar um tal de forasteiro, que na hora Alex julgou acertadamente se tratar dele mesmo. Desta forma em um único movimento levantou-se e pulou do penhasco, claro que na hora não sabia que estava no pico de uma montanha e bem próximo da beirada, tão pouco entendeu o por que de estar flutuando e não caindo. Ou ainda, o por que de duas criaturas verdes estarem chorando de grande emoção ao ver aquela cena.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.