O Mundo de Pocema

3 Capítulo 3: Festa de irmãos


— Meninas, acordem! — Disse Lokita.

— Pô, me acordou! — Talita jogou um travesseiro na irmã e Pocema riu das palhaçadas delas.

— Agora, SEM MAIS INTERRUPÇÕES, vou ler este convite....RAM RAM!

" Queridas irmãs Lokita e Talita, convidamos vocês para a nossa festa do chá de irmãos Ass: Irmãos Roberto e Bob."

— Os gêmeos mais lindos e de paletó do mundo! — Talita solta um gritinho histérico.

— E eles tem uma etiqueta de primeira! — Lokita corava ao lembrar dos bons modos deles.

— Que bom! Vão se divertir! — Pocema um tanto decepcionada.

Lokita balançou o seu "dedo feliz" em negação:

— Mocinha, você vem com a gente!

— Mas eu não tenho irmão.

Talita fazia rotação e translação em volta da Pocema, super feliz.

— Amiga, somos praticamente irmãs, só muda o nome!

As três meninas tocaram a campainha, felizes da vida.

— Sinto o cheiro dos brigadeiros daqui! — Talita batia palmas de alegria.

— Brigadeiro tem cheiro? — Lokita perguntou. Pois é curioso mesmo.

— Acho que só no fogo.— Pocema.

E os irmãos atenderam a porta.

— Bob, Roberto! —Talita e Lokita abraçaram os irmãos, e eles retribuíram.

— Talita, Lokita! Como estão?

— Bem, obrigada! — Ambas disseram mui felizes da vida.

— Am... Quem é ela? — Disse um dos irmãos.

— É a Pocema. Está com a gente. — Talita.

E elas entraram na festa.

Ambos fecharam a porta com cara de bunda.

— Então essa é a garota acolhida pelas irmãs, ahn?

— Uma mendiga aqui, irmão, eca!

Os gêmeos sentaram na mesa delas.

— Olá, meninas. Estão gostando da festa? — Bob perguntou.

— Está ótima! — Disse Pocema tomando um refrigerante. — Obrigada por convidar a gente!

— Eu perguntei para a Talita. — Bob afiou sua língua chula.

— Mas... mas você falou no plural... — O desespero tomou conta da Pocema. Ela não sabia o que fazer.

— Eu perguntei para a Lokita.

— O quê?— Pocema continua sem entender.

— Enfim,— continuou o Roberto. — aqui tem uma lista de jogos.

— Hum, que tal tênis? — Lokita.

— Ótima ideia! — Pocema se empolgou novamente.

— Não dá, somos cinco. — Roberto.

— É só chamar mais uma pessoa. — Pocema achando que resolveu o problema. — Ai ai, que inocente.

— É só para os irmãos. — Disse os gêmeos.

— Basquete! — A morena ainda continuava.

— É só para os irmãos. — Ambos.

— Brincar no escorregador? — Sua voz diminuiu. Ela já entendeu. Estava com o choro entalado na garganta.

— É só para os irmãos. — Ambos.

Pocema se levantou e disse:

— O problema sou eu. Não se preocupem, eu vou embora.

Ela saiu correndo, porém a chave de casa das três não estava com ela, então sentou-se em uma árvore no jardim dos irmãos, de costas para a casa deles. Ficando assim, invisível para os convidados.

Infelizmente, as lágrimas não podiam ser contidas. Logo suas múltiplas lágrimas regaram uma parte do quintal.

— Pocema? Não chore, minha linda! — Disse uma voz doce.

Ela abriu os olhos no mesmo instante.

— Você é a Dona Branca? — Ela lembrara da revista na banca.

— Sou. — Seu sorriso era acolhedor.

— Co-como sabe o meu nome?

Dona Branca só sorriu e sentou ao seu lado.

— Eu vi o que aconteceu.

— Eu só quero ir para casa.

— Você vai embora sem ter comido os salgadinhos de queijo?

— Como é que você sabe que... você estava na festa?

— Aham.

— Dona Branca, você têm irmãos?

— Milhares.

Pocema olhou devagar para a Dona Branca, de olhos arregalados. Ela lembrou, de relance, dos coelhos.

Sua nova amiga pôs sua mão em seu ombro e disse:

— Você pode tudo naquele que te fortalece.

— Obrigada. — Pocema deu um soluço em agradecimento.

Algo bom transbordava nela. Sua alma estava no mesmo ritmo que seu coração.

— Bem, eu já vou indo.

— Espere! Minhas amigas querem te conhecer!

— Não se preocupe, elas já me conhecem. Até loguinho!

Pocema fungou e ouviu suas amigas lhe chamar.

— Pocema! — Ambas deram quase que um "aleluia" ao encontrá-la.

— Estou aqui, meninas. — Disse se levantando.

— Como você tá, Pocy? — Lokita perguntou. — Vamos esquecer isso e voltar para casa.

— Nada disso! — Talita gritou. — Vamos lá e acabar com eles! — Talita tira uma espada do cabelo.

— Nada de violência! — Exclamou Lokita. — Eles não são os monstros que enfrentamos! — São só garotos imaturos!

— Talita tem razão. — Pocema cerrou os punhos.

— Ahn?! — Lokita quase deu um berro.

— Não desse jeito. Do meu jeito!

Talita escancarou a porta da festa com seu chute e foram em direção aos gêmeos.

— Lá vem a mendiga, irmão.

— Festa bonita, gêmeos. Mas são vocês que estão estragando ela! — Disse Pocema de forma empoderada.

A verdade era que ninguém estava se importando com a situação.

— Ha! A única barulhenta aqui é você! — Disse Roberto.

— Vocês me chamam de mendiga, mas nós três construímos a nossa casa, juntas! Então, praticamente, somos três mendigas!

— Rebobina a fita aí, Pocema. — Disse Talita com o gesto de girando as mãos.

— Certo. — se corrigindo. — Não tem nenhuma mendiga aqui!

Lokita deu um soquinho na barriga da Talita, que cuspiu óculos escuros e colocou na Pocema, que foram andando em direção a saída.

— Credo, você não é nada humilde! — Disse um dos irmãos.

Pocema virou o seu rosto e disse:

— Não confunda humildade com baixa auto estima. Agora com licença que vou tomar o meu suco de laranja na laranja. — E foram embora.

Lokita voltou e disse:

— Nada adianta ter etiqueta, se ela não se aplica nas pessoas. — E saiu de nariz empinado.

Logo Talita entrou e pegou um prato com os salgadinhos de queijo.

— Merecemos, fui!

Os outros irmãos de festa começaram a rir demasiadamente dos gêmeos!

Logo, no conforto de casa, as amigas estavam bem.

— Não sei porque, mas o suco tá muito bom. — Pocema degustava com sabedoria.

— Eu sei, minha heroína, ha ha! — Talita deu um abraço bem apertado.

— Mesmo não tendo um irmão, sinto ter amor fraternal.

As irmãs se olharam por um instante.

— Bom, eu só digo de nada! — Talita debochou.

— Você faz parte da família, ué! — Lokita.

— Obrigada, meninas!

E se abraçaram.