O Mundo de Pocema

24 Capítulo 24: Distância


Fiquei um bom tempo olhando pra Carlota dormindo. As estrelas iluminavam o seu rosto inocente e sem preocupações.

Tudo bem, eram postes de luz, na verdade.

— Tenho que me trocar.

Não valia a pena se preocupar tanto. O Miguel está bem e o Daniel com gesso, mas bem. E a Bruna está resolvendo seus problemas do coração.

Coloquei as mãos na cintura e disse:

— Bora!

Enquanto íamos de carro para o colégio, fiz uns desenhos no gesso do Daniel. Ele ia mostrá-lo para todos os seus amigos de como defendeu sua irmãzinha de um "monstro". Ele se sente Ô homenzarrão! Adorei!

Quando entrei na sala, vi a Bruna lá no fundão, junto com a Carol.

— Psiu, Pocema!

— Oi, Nina! — Sentei ao seu lado. — Então a Bruna quer se afastar mesmo, não é?

— Sim, ela precisa. — A Carol tá fazendo companhia pra ela. Os amigos são essenciais para tudo!

— Então por que você está comigo?

Ela me deu um soquinho no ombro e riu:

— Somos suas amigas também, ora bolas!

— Obrigada! — Au, meu ombro, Nina! — Rimos da minha dor.

No recreio, foi a vez da Carol ficar comigo.

— Bom dia, ruiva.

— Bom dia, morena. — Sentou-se ao meu lado. — Isso é uma coxinha?

— Aham. Quer?

— Não, valeu.

— Como é que tá a Bruna?

— É melhor não se preocupar com isso, ela vai melhorar. Não é a primeira decepção amorosa dela.

— Mas como eu posso ajudar? Não tem como eu não me preocupar.

— Ficando bem longe dela! — Desculpe minha grosseria, mas vai ser melhor para vocês duas.

— É... nem sempre ajudar, necessariamente, precisa ser junto. — Que bom que estou ajudando. — Ri.

— Você não tem uma memória para recuperar?

Engoli minha coxinha e disse:

— Tô cansada de pensar.

— Mas você está se preocupando mais com os outros do que com você mesma! — Creio que seu cansaço mental sejam pelos problemas dos outros.

— Hum, pode ser. — Dei de ombros.

O resto do dia foi calmo, até que tedioso. Estava ouvindo música no meu quarto, com os meus fones e o meu conforto. O que a Carol disse foi tão verdade, que não estou pensando em, absolutamente, nada!

Nem Bruna, nem memórias, nem mesmo os estudos! Bom, pelo menos hoje, né? Ninguém é de ferro!

— Nunca pensei que escutaria música clássica.

Me virei e vi dois passarinhos na minha janela e tirei os fones.

— Mas o clássico da natureza é melhor.

Me virei para dormir, mas veio um pequenino desejo de comer chocolate.

— Mãe, tem chocolate?

— Só um minuto, filha.

Enquanto ela falava no telefone, eu procurava alimento.

— Vai essas batatinhas mesmo.

Vocês não estão entendendo. Eu abri a porta e fechei! Estava indo em direção a cama, feliz, até que a mamãe interrompe esse momento divino.

— O Miguel faltou hoje porque pegou um resfriado terrível!

Eu me troquei e peguei o chocolate. Sim, a minha mãe achou! Pessoas doentes adoram chocolate!

— Onde vocês duas vão? — Perguntou papai.

— Amor, vamos ver o Miguel!

— Pocema está de castigo, esqueceu, querida?

— Por favor, pai. Mesmo que você não aprove os nossos sentimentos, ele ainda é meu amigo! E que, ainda por cima, me defendeu de um garoto. — Por favor, papai...

Ele só bufou e nos mandou chispar daqui com a mão.

— Que bom! Vocês vieram! — Disse a mãe do Miguel.

As duas ficaram na sala e eu subi para o quarto dele e bati na porta:

— Miguel, sou eu.

— Pode entrar!

Diferentemente do Daniel, o Miguel não havia quebrado nada, mas partes do seu corpo estavam roxos.

— Então, como você está?

— Melhor, agora. — Não pude deixar de sorrir.

— Me desculpe, por isso. — Disse, olhando para o seu braço, com pena.

— Sem problemas. Eu só estou de cama mais pela essa gripe. — Todo o cavalheiro tem que salvar uma dama em perigo, não é verdade?

Eu só sorri e lembrei:

— Eu trouxe uma barra de chocolate para você!

Fomos para a sala e dividimos a barra entre nós quatro. Uma tarde fria com as pessoas que eu gosto e com chocolate.

Depois a campainha tocou.

— Será que ele esqueceu as chaves? — Perguntou a mãe do Miguel, abrindo a porta.

— Pai? — Disse, surpresa.

— Não precisava se preocupar, querido! — Disse a mamãe. — Nós já estávamos de saída.

— É que eu preciso falar com o Miguel. — Disse papai sério.

— Sim, senhor? — Senti o Miguel nervoso.

Ele se sentou na ponta do sofá e começou a pensar no que dizer:

— Agradeço por salvar a minha filha. — Ele olhou para o lado, tentando não sorrir.

— Por nada, senhor! — Miguel continuava nervoso.

— Se vocês namorassem, como seria?

— Com propósito.

Meu pai aparentava um tanto feliz.

— Mas não é um pouco jovem para isso?

— Sei que um namoro com propósito de casamento é, geralmente, com pessoas mais velhas. Mas há exceções.— Ele respirou e voltou a falar. — E, se nós fizermos parte dessa exceção, eu esperarei o que for! — Seu tom ficou mais confiante.

Papai ficou pensativo:

— Se só falta a minha permissão, então vocês... podem... namorar.

Fiquei de boca aberta, corada e paralisada! Todos estavam gritando, batendo palma e muita animação.

Obrigada, Deus! Então essa era a confirmação!

— Poceminha! — Miguel me abraçou e me deu um beijo na bochecha. — Esperei tanto para dizer isso!

— Calma! — Disse meu pai e o barulho cessou imediatamente.

— O que foi agora, amor? — Disse mamãe.

— A Pocema vai fazer faculdade e trabalhar.

— Claro, senhor!

— Papai! — Disse envergonhada.

— E a tarefa também é sua de cuidar da casa! Submissão bíblico é diferente do dicionário! — Não esqueça de Efésios 5:21.

Eu só tenho quinze anos! Só vou namorar como adolescente! Não precisa disso!

— Pode deixar! — O Miguel achou legal as advertências do meu pai. Isso é um bom sinal de aceitação.

A mamãe estava mais empolgada com isso do que com a sua novela. É mais interessante!

— É isso que eu queria dizer. Agora vamos para a casa!

Notas finais
me segue aqui no nya pra saber o dia da publicacao na amazom bjssss