O Mundo de Pocema
35 Capítulo 35: Eu não sabia disso!
Eu não sabia que havia adormecido, até a minha mãe me acordar:
— Filha, seus olhos estão inchados. — Ela me abraçou. — Brigou com o Miguel?
— Não. — É que uma garota, na escola, estava defendendo o aborto e ainda dizendo isso para as crianças. — Mas parece que uma parte de mim concorda com ela.
— Que parte você concordou? — Minha mãe estava alisando.
— Que ela disse sobre a mulher ficar sem futuro, e o bebê vira ladrão e etc...
— Que bom que essa sua colega não é Deus! — Ela deu uma risadinha. — Ela não pode saber quem vira ladrão ou não!
— Por esse lado faz sentido...
— Deixe-me contar uma história.
Minha mãe tentou achar uma posição boa na cama. Ela parecia envergonhada.
— Eu conheci seu pai na igreja. Orávamos juntos, dávamos o dízimo, líamos a Bíblia. Mesmo a gente sendo tão aplicados, nós não tínhamos santidade. — Nesse sentido mesmo que você tá pensando, minha filha.
Fiquei boquiaberta!
— A gente achava que era bobeira esperar até o casamento, até que a gente terminou.
— Ah não! — Aí eu lembrei que estamos falando do meu pai, então fiquei feliz de novo.
— Então eu tive aquele sentimento de que me entreguei a toa. — No dia seguinte, fui conversar com o seu pai e ele sentia o mesmo e que me amava ainda. Aí reatamos.
Oba!
— Mas continuamos fazendo sexo como antes, até que eu engravidei e, só então, que caiu a ficha para nós dois! — Estamos no século XXI, mas se guardar para o casamento é a coisa mais sábia a se fazer.
— Conta o resto! — Insisti.
— Seus avós pagaram o nosso casamento. Eu e o seu pai nos respeitamos até lá e fim! — Mamãe estava vermelha ao lembrar do melhor dia de sua vida.
— Quando foi o casamento?
— Quando você fez um aninho, Pocy. — Eu engoli seco.
— Eu era o bebê daquelas fotos?! — Disse, chocada.
— Claro, né? Você é a mais velha! Pensou que era quem, hein?
— Ah, sei lá. Um bebê perdido...aí....na...vida...
— Ok. Agora para de chorar e vai estudar!
No dia seguinte, eu estava à procura daquela garota e, olha só, estava no mesmo lugar, falando sobre o mesmo assunto.
— Vai fugir de novo? — Perguntou, com sarcasmo, a loira.
— Não! Estou percebendo que a maioria ainda são crianças de onze anos. Está tentando impor sua ideologia à elas!
— E você que defende bandidos?!
— Eu não defendo bandido! Pobreza é só falta de dinheiro e caráter vem de dentro! Você não sabe quem vira bandido ou não. Bandido são pessoas que se corromperam e não vem de nascimento! — E sobre "meu corpo, minhas regras", se fosse suas regras, você nunca engravidaria, nem pegaria uma gripe! E o corpo não é seu, é do Espírito Santo e Ele quer que todos nós nos guardemos para os nossos cônjuges! — Garota, eu não sei o seu nome e nada sobre você, mas você é a princesinha de Jesus! E Ele quer o melhor para a jóia preciosa, chamada de filha. — Não a esperei responder e fui embora. Meu trabalho acabou!
Mais tarde fui me encontrar com o Miguel em uma sorveteria.
— O tempo passa tão rápido, não é? — Disse olhando para os seus lindos olhos.
— Pois é! Daqui há uma semana é sete de setembro.
— Sacanojo!
— O-O que foi amor? — Miguel pegou na minha mão.
— Eu esqueci de comprar o abrigo!
— Como você é bundones!
— Ei, para de debochar de mim!
Depois do nosso sorvete, Miguel me levou de volta para casa:
— Ei, não é aquela garota que você brigou esses dias?
— Ahn?
Eu me virei e, do outro lado da rua, a garota loira, com os olhos da Lokita, estava saindo de uma missa.
Eu só sorri. Acho que ela entendeu a sua preciosidade.
Fale com o autor