O Mundo de Pocema
27 Capítulo 27: Festa?
— Sexta-feira! — A Bruna deu um grito.
— Sabe o que isso quer dizer? — Perguntei, já sabendo a resposta.
— Festa do pijama! — Carol se exaltou. — Não era para a gente falar ao mesmo tempo? — Carol estava vermelha de vergonha.
— Era. — Disse Nina. — Hoje à noite na minha casa! — Droga, vou ter que limpar a casa.
Caímos na gargalhada.
— Minha mãe vai me obrigar a arrumar a casa. Ela vê sujeira onde não tem!
— Acho que você que se acostumou com a sujeira. — Brinquei.
Depois da escola, eu fui para a casa jogar um novo jogo de vídeo game que o Daniel economizou duro para comprar!
O jogo era muito bom, mesmo! Era de piratas que invadiam cidades, outros barcos, carros etc... para pegar tesouros e depois voltar para o navio pirata!
— Oi, oi! — Era a Carlota, entrando no quarto do Daniel, pelada.
— Carlota! — Daniel ficou bravo.
— Põe uma toalinha, Carlota! — Disse.
— Não!
Era engraçado ela batendo na sua bundinha pelada como se fosse um tambor.
— Carlota! Vem se trocar! — Mamãe a pegou depressa.
Não demorou muito para a Carlota (e a mamãe) voltarem.
— A Carlota está agitada, hoje! — Disse o Daniel, tentando jogar.
— A irmã de vocês quer dizer uma coisa.
— Sou uma caixa!
Eu e o Daniel nos olhamos e rir não era uma opção.
— Vai haver um teatrinho na escolinha e a Carlota vai ser uma caixa!
— Caixa, sério? — Perguntei.
— É uma história inventada pelos professores e os objetos inanimados serão animados.
Eu separei um pijama rosinha e de morangos e guardei tudo na minha mochila.
O papai me levou de carro para a casa da Nina.
— Ei!
— Que foi, pai?
— Você não me deu um beijo.
MUAK
— Amanhã eu te busco.
Fui recebida pela própria dona da festa.
— Seja bem-vinda!
Cumprimentei a mãe da Nina e subimos a escadas, quando eu disse algo:
— Cadê aquele berimbau que seu pai tocou quando estávamos brincando de capoeira?
Todos olharam para mim, impressionados.
— Está na casa do meu pai.
— Ah, sinto muito! — Estou muito envergonhada, agora!
— Não sinta. — Disse a mãe da Nina. — O importante é que lembrou disso.
— Você contou para a sua mãe?
— Não escondo nada da mamãe! — Ela me abraçou.
Caraca, eu lembrei de uma memória!
— Vou preparar o lanche de vocês, bye bye!
Esqueci de contar que entrei no carro de pijama, então eu nem me troquei. Todas já haviam chegado.
Maquiamos umas as outras e disso que a Carol parecia uma profissional e comemos pão de queijo, refri e sanduíches!
— O Roberto é mó gatinho! — A Nina deu gritinhos.
— O Miguel é mó gatinho!! — Imitei a Nina, mas não deixa de ser verdade.
— Meninas — A mãe da Nina entrou. — Eu trouxe poncã, vocês querem?
— Claro! — Disse Bruna.
— Vocês sabiam que a bergamota é nativa da Ásia? — Disse Carol.
— Pensei que a tangerina era da África. — Disse, interessada
— Vamos parar de falar de mexerica e vamos nos focar sobre o aniversário desta segunda.
— Que aniversário? — Perguntei.
— Do Miguel, ué. Esqueceu?
— Ah, o tempo passa tão rápido que nem notei.
Não tô sabendo de aniversário nenhum!
A noite do pijama foi sem graça, mal dormir direito. — De manhã, eu torcia para o papai me buscar logo.
Depois que cheguei em casa, eu me troquei e logo saí de novo.
— Preciso de um presente. — Parei no meio da calçada. — Do que o Miguel gosta mesmo?
Eu corri para uma banca de jornal para comprar o lançamento mais novo da revista de heróis que ele tanto gosta. O Miguel estava sem dinheiro para comprá-la.
Quando eu cheguei em casa eu embrulhei com todo o carinho.
No dia seguinte, depois do culto, fui conversar com ele do lado de fora da igreja.
— Você esqueceu de me convidar para a festa! — Disse, bem brava.
— Como não?
— Fiquei sabendo ontem, Miguel! Ontem!
— Ah é? — Ele procurou nos bolsos e tirou o convite de dentro. — Parece que não a convidei. Desculpa. — Ele me abraçou.
— Mas logo eu? A sua namorada?
— Que a gente faz nos nossos encontros?
Pensei um pouco:
— Falamos de coisas engraçadas e beijos.
— Só lembrei disso também.
— Miguel — Me acendeu uma luz—, eu pensei da gente fazer côrte.
Ele arregalou os olhos.
— Ah não! Demoramos tanto para ficarmos juntos!
— Que tal, fizermos uma côrte temporária?
Ele ficou mais alegre.
— Que tal até sete de setembro, depois do desfile do colégio?
Ele concordou e me deu um abraço apertado.
A festa foi na casa do Miguel, mesmo. Parecia uma mini-boate, mas sem álcool e com os pais dele.
Era hora de abrir os presente:
— Você comprou a última edição da minha revista! — O Miguel ficou maravilhado.
— Gostou? — Perguntei o óbvio.
— Claro! — Ele me deu um beijo.
— Ei! — Dei um soquinho no braço dele. — Estamos fazendo côrte!
— Desculpa, desculpa!
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