O Mundo de Pocema

16 Capítulo 16: O passado pode ser o futuro presente


— Pocema, acorda. Chegamos!

— Chegamos? — Acordei com baba no meu queixo.

— Sim, sim, vamos! — Daniel estava bem animado. Tenho suspeitas de que ele é um garoto pertencente à cidade grande.

Entramos no aeroporto e ficamos esperando nossas malas chegarem naquela esteira circular.

— Malas prontas. vamos? — Disse meu pai.

Papai chamou um táxi e, ao longo do caminho, o Daniel ficou com uma expressão um tanto estranha.

— Eu conheço esse caminho. — Daniel tampou sua boca, surpreso. Acho que ele deixou cair uma lágrima.

Eu e o Daniel estamos com os mesmos sintomas das nossas emoções, mesmo que opostas.

— Pai, nós vamos morar em nosso antigo apartamento?

— Bom, essa era pra seu uma surpresa.

Ele ficou muito feliz, pois é. — Depois que o papai pagou o taxista, subimos para o quarto andar. Nosso apartamento era bem grandinho. — Fui para o quarto do Daniel e já havia alguns carrinhos e um colchão e, logo em seguida, fui para o meu.

Já estava com a minha mesa de estudos, meu colchão e minha bola de borracha. Mal pisquei meus olhos que já tive uma lembrança, quase uma miragem, eu acho.

— Gostou do seu quarto, Pocema?

— Daniel, você lembra quando pegamos o pote de açúcar na cozinha e trouxemos e comemos tudinho? Mamãe e papai ficaram boquiabertos. Aquilo foi muito ninja! — Botei minhas mãos na barriga de tanto rir. Aquela lembrança foi gostosa, literalmente.

— Eu, ahn — Ele coçou a cabeça. —, vou chamá-los!

Papai veio correndo para me pegar no colo e ficou me jogando no alto, como se eu fosse um bebê, e mamãe me abraçou.

— E você lembra quando eu peguei o cinto, filha? — Não sei porque meu pai disse isso com tanta felicidade.

— Você me bateu?!

— Não, só ameacei.

— Por que eu não me lembro? — Daniel parecia envergonhado.

— Você era muito pequeno, meu bebê! — Disse mamãe.

— Eu estou com fome. — Interrompi o momento.

— Quem quer pizza? — Esse é o meu pai!

— Você disse em melhor momento! — Disse mamãe lhe dando um beijo.

Na manhã seguinte, mamãe acordou quase que aos berros.

— Pocema Pereira...!

— Okay, okay! — Joguei as cobertas para o alto. — Não precisa terminar meu sobrenome! — Tô de pé, já!

— Temos que comprar suas roupas para o colégio amanhã!

— Calma, mãe! Já tenho o uniforme e a blusa branca.

— Menina, falta a mochila preta!

— Só! — Ela nem me ouviu.

— E uma calça jeans!

— Mas eu tenho calça...

— Aquela do ano passado?! — Menina, tu espichou, sabia?! Tu não é mais miúda, não! — Ela bateu sua mão na testa. — A boina! Esqueci completamente da boina! — Pocema vai tomar banho, vai. Senão eu tenho um treco!

Saí correndo! Vish, nem parece que eu que vou estudar. Tomei banho e, para o café da manhã, comi pão com ovo e um achocolatado com leite bem gelado!

— Estou pronta! Vamos, mãe?

— Espera um momento. Estou procurando minhas chaves. — Ela estava revirando sua bolsa inteira.

Eu só apontei para o porta chave.

— Vamos, Pocema. — Entramos no carro.

— Você está calada, filha.

— Estou vendo a paisagem se mexendo. É física.

— Você está tão desanimada. Depois das compras podemos comer uma coxinha, que tal?

— Sim! — Me animei um pouco.

E como prometido, comemos uma coxinha deliciosa!

— Deixa eu ver...— Mainha estava mexendo na sacola de compras. — Você fica bem de boina. Meus filhinhos vão para o Colégio Militar! — Ela batia palminhas frenéticas.

— Eu também estou, mãe!

— Não é você que quer entrar para o exército? É um ótimo começo!

— Concordo!

Depois fomos para a casa e a noite caiu rápido, escovei meus dentes, coloquei meu pijama e pulei de barriga na cama!

— Então você também está animada para amanhã? — Daniel entrou no meu quarto suuuuuper contente!

— Estou! Não acha que dormir às 21:00 é muito cedo? Não estou cansada ainda.

— É bem cedo lá. Também não quero dormir, mas sei que vamos acordar destruídos. — Ele soltou um riso bem engraçado.

— Bem, vamos orar?

— Bora! —Ficamos de joelhos e agradecemos pelo dia, pelas bênçãos e para ter mais conhecimento da Palavra.

— Dorme com Deus, Pocema.

— Você também, irmãozinho.

Eu não conseguia pegar no sono. Lembrei da Ana e resolvi mandar uma mensagem para ela.

— Ela não vai ver agora.

Guardei o celular e fiquei olhando as estrelas pela janela, até pegar no sono.