O Mundo de Lena - Bahia

1 Capítulo 1 - Escreva Sobre Nós


Notas iniciais
Olá leitores...
Depois de mais de nove meses, finalmente terminei essa one... O resultado me agradou bastante, espero que agrade vcs também, mas qualquer crítica CONSTRUTIVA, estamos aí...
Enfim, boa leitura...

O dia estava absurdamente quente no Rio de Janeiro quando Maria Fernanda Santana suspirou de alívio ao entrar debaixo do chuveiro depois de horas cansativas de aula, demorou algum tempo ali e em seguida foi para o quarto.

Já vestida com uma camisa larguinha e confortável do Homem de Ferro e uma calça de moletom para o adorável frio de sua central de ar, Nanda sentou de frente para o computador e o ligou. Como em todos os outros dias, a primeira pessoa que procurou se estava online no facebook era sua grande amiga virtual, Lena (que na verdade era Déborah) Magalhães.

“Chegou a minha carioca linda...”, a mensagem chegou assim que Maria abriu o bate-papo de Lena.

“Oiiieeeee! Como está a roraimense da minha vida?”, respondeu com um sorriso largo enfeitando o rosto, mesmo que a outra não pudesse ver, não conseguia evitar.

“Melhor agora... (risos) E esse “oi”? Quer me beijar? Se quiser, também quero...”, Lena sempre fazia esse tipo de brincadeira e a reação de Fernanda era sempre a mesma.

“~SINAL VERMELHO~”

“(risos) FOFA!”

“Não sou”

“É sim e nada do que diga vai me convencer do contrário...”

“Mudando de assunto (por favor), é incrível como as duas últimas semanas de aula demoram pra passar, né? Afs”

“Pois num é? (rindo pra não chorar)”

“Tem alguma ideia do que vai fazer nas férias?”

"Ainda não... Minha mãe tá tentando me subornar pra ir numa viagem chata pra visitar os parentes do digníssimo dela... 19 anos e ela acha que não posso ficar sozinha em casa (revirando os olhos)"

"Como eu tenho 14, não tenho escolha... Passar as férias com minha avó... De novo"

“Haha... As propostas da minha mãe estão quase me convencendo, então espero que ao menos vc se divirta por nós duas...”

A conversa continuou por mais duas ou três horas até que Nanda e Lena tivessem que se despedir a contragosto.

***

Três semanas e meia haviam se passado e Lena estava dentro do avião com destino a Salvador – Bahia.

— To muito feliz que você decidiu vir com a gente, meu amor. — Fran, sua mãe, disse sorrindo para ela.

— Eu também to muito feliz que vou ter dinheiro pra comprar um montão de camisas e moletons de heróis para ir assistir os filmes maneiros que vão sair em 2016 e já faz parte do combinado que a senhora não vai poder reclamar. — Lena respondeu retribuindo o sorriso.

— Ai ai, c não tem jeito, hein menina? — Fran revirou os olhos e riu.

— Noup. Mas sou um amorzinho. Vou colocar os fones de ouvido, tá?

— Ok. Você sabe que pode usar o celular se colocar em “modo avião”, né?

— Sei, mas prefiro usar o mp4 porque, A- eu sou paranoica e B- porque a bateria dele dura bem mais. — Dito isso, Lena piscou e ligou o aparelho, mantendo a mente desligada até a aeronave pousar.

Os dois primeiros dias foram normais, mas no terceiro, Lena achou quase absurdo ter que acordar cedo em um domingo, coisa que não tinha costume de fazer em casa por ser seu dia de descanso absoluto. Porém, logo Fran explicou que chegaria mais um pequeno grupo de pessoas naquela manhã e todos deveriam estar de pé para recebê-lo.

Não que a garota tivesse ligado muito para isso, na verdade, estava mais concentrada em ouvir as músicas de seu mp4 enquanto jogava Tom no celular sentada em uma cadeira de balanço na varanda.

Eram pouco mais de onze horas quando Tamires, uma das anfitriãs, pediu para que Lena ajudasse com o almoço e ela foi sem reclamar. E sequer haviam se passado cinco minutos que estava na cozinha quando pôde ouvir o tal grupo de novos hospedes da casa chegarem, porém continuou o que estava fazendo sem se importar muito em conhecê-los.

Depois de terminar de fazer o que lhe foi pedido, Lena se virou para sair do cômodo no mesmo instante em que uma garota entrava pela porta e seus olhares se encontraram.

— Nanda.

— Lena.

As duas disseram ao mesmo tempo enquanto corriam para se abraçar.

— Carioca gostosa da minha vida, o que tu tá fazendo aqui?! — Sussurrou acariciando o rosto pálido de sua amiga.

— Eu te disse, roraimense, o fim de ano sempre é na casa da minha avó Joana. — Ela respondeu sorrindo grande.

— Então a prima do marido da minha mãe é sua avó?! Cara, se eu soubesse não tinha nem pestanejado antes de aceitar. Foi bom saber agora, assim ainda ganho o dinheiro e essas férias vão ser bem melhores do que eu pensava. — Lena riu e abraçou Fernanda de novo.

— Bem que eu tinha achado aquela mulher lá na sala muito parecida com você.

A conversa foi longe, o assunto não acabava nunca com aquelas duas, porém tiveram que sair da cozinha quando o almoço foi servido na sala de jantar. Logo vieram as perguntas quando todos perceberam que Lena e Maria eram amigas, e os sermões preocupados por causa dessa “mania dos jovens de hoje em dia” de ficar conhecendo estranhos pela internet, mas não demorou muito para que a mesa estivesse preenchida por risos e assuntos alegres.

***

A véspera de natal não demorou muito a chegar e como a vizinhança era muito unida, a ceia era feita em uma casa só, a de dona Joana que era a maior de todas. Como a maioria das mulheres estava se empenhando em fazer o jantar, restava aos adolescentes a tarefa de fazer o almoço na casa da vizinha, dona Clarisse.

Lena e Fernanda não reclamaram pelo fato de já terem conhecido as gêmeas daquela residência e as quatro utilizavam o mesmo site de fanfics, então o silêncio nunca dominava o ambiente.

— Eu não postei um capítulo sequer há semanas, quando voltar pra Boa Vista e abrir meu perfil, as Debonatics vão estar me tacando milhares de pedras virtuais. — Lena comentou rindo.

— Ainda bem que todas as minhas fics já estão encerradas e agora só tenho o dever de cobrar atualização dos outros. — Sabrina, a mais velha, disse recebendo um toca aqui da irmã, Larissa.

— Mo! — Nanda exclamou como se tivesse acabado de ter um estalo. — Quando você voltar, deveria escrever sobre nós.

— Claro, amor. Só esse lindo mar verde dos seus olhos são inspiração pra mil capítulos. — Lena sorriu de lado e inclinou a cabeça para a esquerda percebendo a expressão de Maria mudar por um instante, então questionou. — O que foi?

— Nada. É que quando você escrevia “sorriso torto” no facebook, eu imaginava uma coisa charmosinha. — A carioca respondeu constrangida.

— E não é?

— Não. É charmosíssima. — As bochechas da roraimense assumiram uma coloração avermelhada. — E muito, muito fofa vermelha.

— Espera, vocês são um casal? — Larissa arregalou os olhos esboçando sua surpresa.

— Tem quanto tempo? As suas mães já sabem sobre o namoro? Já rolou uns Orange? — Sabrina bateu palmas, empolgada, estava apenas esperando a caçulinha perceber para abordar o assunto com as garotas.

— O que?! Não! Não. — Lena replicou com ar riso.

— Nós somos só amigas. — Fernanda completou rindo também.

— Só que a gente se shippa. — A roraimense murmurou.

— Exato. — A carioca confirmou.

— Como assim? — Sabrina franziu o cenho.

— Isso aí mesmo. — Lena e Nanda disseram ao mesmo tempo.

— Mas se vocês são as meninas do ship e se shippam... — Larissa começou.

— Porque não se tornam canon? — A outra gêmea concluiu.

— É complicado, né? Somos um amor impossível. Moramos muito longe, temos certa diferença de idade, não somos apaixonadas... — Lena listava nos dedos ao falar.

— Essa última parte tem controvérsias.

Lena olhou para Maria Fernanda com os olhos arregalados recebendo um sorriso e uma piscadela como resposta. Isso fez com que a roraimense agarrasse a carioca e enchesse seu rosto de beijinhos enquanto dizia. — Ai meu Deus, que fofa, fofa, fofa...

Nanda ria se divertindo com a situação. — Para, para, para. Eu já devo tá um pimentão de não vermelha.

— Tá legal, parei. — Lena murmurou também rindo, então pegou a mão da carioca, entrelaçou seus dedos e virou para as gêmeas. — Como eu dizia, somos só amigas.

Sabrina estava abrindo a boca para fazer um comentário cético, porém Fran entrou pela porta naquele instante.

— O almoço já ficou pronto, Déborah?

— Mãe! Não diga meu nome. — Lena sussurrou entredentes. — Sim, eu lhe mandei uma mensagem avisando tem uns 15 minutos.

— Você lembrou-se de apertar enviar? — Fernanda franziu o cenho, desconfiada.

— Sim. Pera, não. Droga.

— Ok, eu vou avisar as outras. — Fran se retirou depois de rir com as meninas.

***

Durante a festa de natal, todos estavam incluídos em conversas com seus respectivos grupos de amigos quando Lena olhou no relógio e percebeu que faltava uma hora para a ceia que seria seguida da troca de presentes, porém um dos seus para Fernanda era mais pessoal, então aquele era o momento perfeito para dá-lo.

— Vem comigo um minuto. — Sussurrou no ouvido dela que estava bem ao seu lado.

Seguiram caminhando lentamente até o quarto no qual Lena estava hospedada, onde Nanda perguntou. — O que foi, minha linda?

— Eu tenho uma coisa pra você. — A roraimense disse baixo enquanto fechava a porta e pegava o violão bem ao lado, depois foi para a cama e deu um tapinha no espaço à esquerda. — Vem cá.

— Tá bom. — A carioca sorriu e sentou bem próxima à amiga.

— Eu decidi colocar uma música na fiction que vou escrever sobre nós quando voltar pra Boa Vista. E essa é a tradução. — Lena puxou um envelope que repousava entre as cordas e o braço do instrumento em seu colo. — É um presente pra você se lembrar de mim, já que sempre me lembro de ti quando escuto, não sei bem o porquê, mas fico sorrindo feito besta mesmo assim. Escrevi a mão porque acho que fica mais pessoal, besteira minha. Mas espero que curta, por que achei uma canção realmente bela.

— O seu gesto é realmente belo. — Nanda sorriu toda boba pressionando o envelope contra o peito e, logo em seguida, abraçando Lena de um jeito desajeitado por causa do violão.

— Obrigada. — A roraimense retribuiu o abraço de olhos fechados. — Agora deixa eu te mostrar? Ensaio essa música desde que descobri a existência dela.

— Ok, pode tocar.

Lena posicionou os dedos da mão esquerda formando um Lá menor e deu introdução à música, entrando com sua voz pouco depois.

Anywhere you go, anyone you meet

Remember that your eyes, can be your enemies

I said, hell is so Close, and heaven's out of reach

But I ain't givin' up quite yet

I've got too much to lose

Hold me down, sweet and low, little girl

Hold me down, sweet and low, and I'll carry you home

Hold me down, sweet and low, little girl

Hold me down and I'll carry you home

The rain is gonna fall

The sun is gonna shine

The wind is gonna blow

The water's gonna rise

she said, when that day comes,

look into my eyes, no one's givin' up quite yet, we've go too much to lose

Hold me down, sweet and low, little girl

Hold me down, sweet and low, and I'll carry you home

Hold me down, sweet and low, little girl

Hold me down and I'll carry you

All the way,

And you say your fine

But your still young

And out of line

When all I need's to turn around

To make it last to make it count

I ain't gonna make the same mistakes that put my mama in her grave

I don't wanna be alone

Hold me down, sweet and low, little girl

Hold me down, sweet and low, and I'll carry you home

Hold me down, sweet and low, little girl

Hold me down and I'll carry you home

Maria Fernanda estava quase hipnotizada por Lena enquanto ela cantava de forma tão suave e serena. Assim que os últimos acordes de violão soaram, ela se aproximou quase que inconscientemente até que sua testa estivesse encostada a da outra e suas respirações começassem a se misturar, os olhos de ambas se fechando devagar.

— Nanda. — Lena disse baixinho, quase em um sussurro.

— Sim?

— Se lembra do que eu disse ontem?

— Ontem? — Mesmo de olhos fechados, a carioca franziu o cenho.

— Pras gêmeas. Sobre porque não ficamos juntas.

— É, eu acho sim.

— Muitos motivos. Incluindo um que poderia me fazer ser presa.

— Ahan.

— Então... — Lena engoliu em seco, umedeceu os lábios e respirou fundo antes de concluir sua linha de pensamento. — Ainda bem que nenhuma de nós quer chegar mais perto, não é?

— É. Com certeza. — Nanda suspirou, mas não moveu um músculo para se afastar por longos segundos, talvez minutos.

Porém, muito relutante, Lena foi a primeira a se mover, lançando um sorriso torto para a amiga quando esta abriu os olhos. E nesse momento a porta do quarto se abriu e Vanessa entrou anunciando. — Meninas, já vamos começar a ceia, então é melhor vocês virem logo.

— Sim senhora, mãe. — Nanda se levantou e saiu na frente para guardar o envelope que havia ganhado.

Lena colocou o violão que não era seu de volta em seu lugar ao lado da porta e tomou também seu rumo para a sala de jantar.

***

O natal havia sido absolutamente maravilhoso em todos os sentidos, desde a comida, a troca de presentes, até a companhia. Porém, três dias se passaram e agora se fazia uma grande discussão sobre o ano novo.

— Mas, mãe, eu não quero ir! Eu não gosto de gente, eu gosto de Netflix. — Nanda reclamava pela milionésima vez tentando convencer Vanessa a deixa-la ficar em casa na virada.

— Sem chance de eu te deixar sozinha aqui, Maria Fernanda. — A mulher respondeu calma e irredutível.

— Ela não estaria sozinha. — Lena comentou distraidamente.

— Como assim? — A mãe de Nanda questionou virando a atenção para a roraimense.

— Bom, o ano novo não é lá grande coisa pra mim, então eu sempre passo dormindo ou vendo filmes. Ou seja, se a Fernanda puder ficar, eu estaria aqui de qualquer forma.

— E você aceita numa boa? — Vanessa se dirigiu a Fran.

— Não é como se eu tivesse muita escolha. — A mulher riu. — Ou é isso ou eu tenho ouvir de cinco em cinco minutos “quero ir embora” “to com sono” “ai que tédio” “já podemos ir pra casa” e aturar ela fazendo cara de bunda a noite toda.

— E não se esqueça de mencionar o detalhe de que nunca aconteceu nada, nadinha mesmo comigo em casa de boa vendo filmes e a senhora já foi assaltada duas vezes. — Lena sorriu presunçosa.

— Viu aí, mãe? Me deixa ficar em casa, por favor. — Maria Fernanda juntou as mãos em frente ao rosto em um sinal de súplica.

— Não sei, ainda acho muito perigoso e...

Essa discussão prosseguiu pelos dias que faltavam para o ano novo, mas finalmente Lena e Nanda conseguiram convencer Vanessa a base de muita perturbação de paciência.

— Mantenham as janelas fechadas o tempo todo, não abram a porta pra ninguém a não ser a gente e nada de filmes com a censura muito alta. — Vanessa ia dizendo enquanto ia até a porta.

— A senhora já disse isso cinco vezes. — Fernanda riu e beijou a bochecha de sua mãe. — Relaxa, vai ficar tudo bem, tá? Divirta-se.

— Eu te amo, filha.

— Também te amo. Tchau.

— Nossa.

Vanessa saiu da casa seguindo Fran que já havia se despedido de Lena e as garotas ficaram sozinhas.

— Agora eu vou fazer uma pipoquinha e você coloca o filme. — Disse a roraimense se levantando do sofá.

— C quis dizer “colocar a pipoca no micro-ondas”, né?

— Cala a boca. — Lena revirou os olhos e deu um tapinha no braço de Nanda antes de se encaminhar para a cozinha.

O CLIMA estava bem fresco e agradável naquela noite, porém, como as duas garotas eram de partes muito quentes do Brasil, ambas estavam com frio, então Fernanda se mantinha aconchegada no corpo de Lena enquanto o balde de pipoca repousava entre suas pernas. O filme escolhido já havia sido comentado no chat do facebook várias vezes e elas costumavam dizer que um dia veriam juntas, só para rir.

Em determinada cena, a carioca falou junto com a televisão, porém com a voz um tanto quanto baixa que combinada ao sotaque deu um tom sexy a frase mesmo sem sentido algum. — Bem-vindo ao meu pesadelo. — E devido à proximidade, Nanda pode sentir a pele de Lena arrepiar. — Amor, é sério isso?

— Qual ééééé? — A roraimense revirou os olhos ao mesmo tempo em que assumia uma coloração avermelhada pouco perceptível em sua tonalidade marrom clarinha natural. — Seu sotaque mexe comigo, posso fazer nada.

Fernanda riu e segurou o queixo de Lena, aproximando seus rostos. — Tudo bem, eu gosto. — E colou seus lábios em um toque doce e delicado.

O mundo parou por um instante, assim como os ponteiros do relógio, a força da gravidade e qualquer vibração de som no universo.

Ao menos essa era a sensação de Lena antes de perceber que estava se deixando retribuir o beijo de uma garotinha de 14 anos.

— Nanda, para. — Puxou a mão dela de seu rosto com delicadeza. — Você sabe muito bem que não podemos.

— Não somos nós que não podemos. Eles que não podem saber. — A carioca sorriu sapeca e quando Lena abriu a boca para responder, tratou de completar. — E, convenhamos, a senhorita é bem mais criança do que eu.

A roraimense reproduziu um som de indignação enquanto semicerrava os olhos. — Cala a boca.

— A minha e a sua. — Fernanda mudou o sorriso para malicioso e mais uma vez colou os lábios aos de Lena, que dessa vez, se deixou levar, colocando o balde de pipoca em cima do braço do sofá, dando assim mais liberdade para deitar a garota no estofado e ficar sobre o corpo dela sem interromper o beijo.

Não havia necessidade de acelerar as coisas, tudo fluía exatamente como deveria ser.

Ao menos até o momento em que alguém gritou no filme, fazendo Lena se assustar e bater com a cabeça no braço do sofá, derrubando todo o resto da pipoca nelas.

Mesmo com os cabelos cheios de sal, ambas riram da situação.

Gabriel desviou os olhos do computador para a garota que o observava sentada na cama, como se esperasse a opinião dele.

— Vai, termina de ler. — Pediu cruzando os braços.

— Lena, você pegou a pirralha.

Embora tivesse sido 95% afirmação e 5% pergunta, Déborah ainda fez questão de replicar. — O que?! Não! Isso é só uma fanfic... — O garoto a olhou com aquela expressão de “fala a verdade que tu já sabe que eu sei”. — Foram só uns beijos, cara.

— Qual o teu problema? A menina tem 14 anos!

— Quase 15.

— Como diria a Rainha Pitty, quase não é lá! — Biel se exaltou, levantando da cadeira do computador e esfregando o rosto com as mãos. — Sabe o que vai acontecer se alguém descobrir sobre isso? Tu vai se foder, Lena! Se foder legal.

— Ninguém tem como saber do que aconteceu antes e, eu sou daqui, ela é de acolá, só Deus sabe se um dia a gente ainda vai se ver.

— Mas eu te conheço. Eu sei que você quer.

— Essas palavras nunca saíram da minha boca, Biel. — Mais um olhar de “a verdade, Lena. Eu sou o mestre dela”. — Talvez...

— Cala a boca. — O garoto apertou o topo do nariz com o polegar e o indicador. — O que c vai fazer agora?

A lembrança do último olhar de Maria Fernanda no aeroporto surgiu na cabeça de Lena, fazendo-a suspirar inquieta.

”Escreva sobre nós” Ela havia sussurrado.

E Lena respondeu “Podexar” com uma piscadela.

— Nada. Nada além do que prometi, pelo menos.

Notas finais
E então? O que vcs acharam desse passeiozinho pela minha imagina louca e levemente interessante?
xoxo
Atenciosamente, Leoa A. Santana
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!