O Mundo de Greta
2 Dirty Street, Sweet Home.
Notas iniciais
E pela aurora que anunciava o início de um dia ensolarado, típico de Seattle, estavam lá, dois homens e uma gata, perambulando pelas ruas. Eles estavam sem perspectiva nenhuma do que iriam encontrar. Eu não sabia para onde estavam me levando ao certo. Senti um apreço por aquele olhar tristonho, cálido e sóbrio de Kurt. Mas ainda sentia medo de apenas estar trocando de local para qualquer tortura.Confiança. Um gato nunca tem confiança o bastante em qualquer mortal que seja. Virando uns quarteirões, entrei num prédio semi-abandonado, perto da escola do bairro.Ao subir as escadas, senti medo. Apertei minhas garras entre o cobertor que me encontrava, e Kurt me olhou. Ele fez um sussurro com os lábios como forma de me acalantar em seus braços. "Tá tudo bem", da maneira mais verdadeira que pude sentir. Ele foi até um apartamento, enquanto Krist parou diante da escada e ficou o esperando. O loiro foi atendido por um homem de aparência cansada. E o cheiro de maconha que saía de sua sala, me fez enjoar. Kurt pegou um pequeno pacote e o homem lhe perguntou:- E este bichano, de quem é?- É meu. É minha — Kurt ditou- Ele achou na mecânica do Marchie, Rob. — disse Krist, da escada. Kurt fez uma breve despedida com o cara do apartamento, e desceu as escadas com Krist. Me impressionou. Me impressiona a normalidade que ele se deixava tomar, como se comprar cocaína fosse como comprar um pãozinho para o café da manhã. Aquela animação, ou aquela aparência tão cotidiana me fazia pensar que..aquilo era comum na vida dele. Ele era um viciado e não tinha a menor exaltação com isso. Continuamos andando pelas ruas de Abberden..vendo jovens voltando das velhas casas de rock, sem camisa, sem rumo algum; Kurt olhava como se estivesse procurando alguém. Seu olhar era distante. Parece que ele via tudo além do que era. Via garrafas vazias, via meninas jovens e bonitas vomitando na roda das caminhonetes e achava que aquilo..simplesmente não fazia sentido. Não fazia mais. Por mim, entramos numa casa, que logo pensei que fosse dele. Ele fez um carinho na minha cabeça, ligou as luzes da varanda e entrou pela porta dos fundos, que entrava na cozinha. — Greta, seu novo lar. Bem vinda.Krist, fechando a porta, disse sarcástico:- Calma, Kurt..você tá chapado e trouxe um gato pra sua casa!- Ela vai ficar aqui.. -e ele me carregou até seus braços- eu sei o que você sentiu.E pela segunda vez, vi aqueles grandes olhos azuis olharem fixamente para mim. Como sempre, queria sentir a confiança no brilho do seu olhar..e senti. Senti mais que isso. Aquele homem tinha algo que os outros humanos nunca me provaram ter.
Empatia.
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