Olá mais uma vez, caros leitores! Estou começando a me acostumar com a presença de vocês aqui, então já consigo falar um pouco mais à vontade. Bem, onde paramos? Ah, sim. Aposto que você ficou no mínimo curioso para saber quem seria essa pessoa no mundo do nosso colega Caio. Pois é! Ao que parece, é a única coisa que parece fugir ao controle do nosso amiguinho. Mas não vamos nos deter sobre isso ainda. Não. Quero te apresentar hoje um pouco mais de Caio. Éééé!! Hoje vamos conhecer mais um pouco dele e como em momento algum eu quis que essa apresentação fosse forçada, esperei todo esse tempo, pois é o momento compatível com a história. Começarei então com um homem de terno, cujo mesmo está ensopado de água. Caio está sentado sobre uma poça que se formou em meio aquele longo tapete de grama verde e brilhante. Sua cabeça refletia sobre aqueles últimos momentos que vivera até então.

—Onde eu estou afinal? – ele se perguntou.

Ainda chovia forte. As gotas pesadas se chocavam contra o rapaz, fazendo-o sentir um pouco de dor e frio. Seu cabelo estava completamente molhado, pendendo para baixo e até mesmo uma de suas madeixas caia sobre a testa do homem fazendo escorrer água sobre os olhos e o resto do rosto. Levou à mão a testa e afastou a mecha, jogando-a para trás de sua orelha. Sim, Caio tinha o cabelo um tanto grande. Não tão grande para lhe cair sobre os ombros, mas o suficiente para pender para baixo quando molhado.

Respirou fundo. Olhou para a vasta floresta, com as folhas se agitando com o vento e o impacto da água. Algumas caíam com o forte toque das gotas. Enquanto observava, os olhos castanhos do rapaz, que se fixavam naquelas árvores, começaram a ficar úmidos. Mas não por causa da chuva. Caio estava chorando. Pela primeira vez desde que acordara naquele lugar maluco, o jovem se sentiu perdido. Sentia falta de algo e não conseguia nem ao menos responder quem era. Estava sozinho, e a primeira pessoa que conseguiu ver deixou mais dúvidas do que respostas, e nem mesmo sabia se ela era real.

Ficou alguns momentos ainda sentado. Enquanto pensava, novamente uma madeixa de seus cabelos pretos caiu sobre testa. Novamente tentou afastá-la com sua mão, mas quando a levou até sua testa, seus olhos a fitaram. Percebeu que seus dedos eram um tanto finos e longos, que havia um “M” na sua palma. Olhou agora para as duas. Observou sua cor branca, as pontas de seus dedos enrugadas e mais brancas do que o resto deles. Desceu seu olhar pelos braços e notou que eram mediamente peludos. Desceu um pouco as mangas do terno e viu que sua cor nem era tão branca como as palmas das mãos. Voltou a olhá-las. Observou o dorso, que tinha a mesma cor queimada de sol que os braços.

Caio sorriu. Foi aí que entendeu que talvez as respostas primeiras estivessem ali, com ele. Olhou para o céu e com isso fez que a chuva e as nuvens se dissipassem, dando novamente abertura para o céu azul e o dia ensolarado. O rapaz em seguida olhou em direção as árvores e logo começou a ouvir um forte barulho de água. Na sua frente, algo como um tsunami passou, cavando uma forte abertura no tapete verde e dando lugar a um belo rio. Alguns minutos depois, a água estabilizou e começou a refletir tudo em volta. Caio ficou diante da margem e olhou em direção à água. Foi aí que ele se viu pela primeira vez desde que acordou naquele lugar.

Ele percebeu que era bonito. Bem, não quero discutir muito sobre isso, pois acredito que beleza é algo relativo, mas no momento, posso dizer que Caio se achou bonito e tudo está de certa forma ligada à sociedade que ele vivia antes de parar nesse lugar. O que quer dizer? Quero dizer, caro leitor, que a sociedade que Caio vivia antes de parar nesse lugar é exatamente a que você vive hoje. Qual é o padrão de homem bonito para você? Bem, posso dizer que para a maioria da sociedade na qual você vive, querido leitor, é usar barba (bem feita, sempre), rosto simétrico, lábios nem tão finos e nem tão grossos, ser alto, corpo um tanto musculoso (não demais) e um pouco (pouco mesmo) de pelo. Não quero dizer que todo mundo pensa assim, não me interprete mal (eu mesmo nem sou tudo isso), mas a sociedade em que você vive, sim! Procure os homens que mais tem seguidores no instagram, ou que são admirados como os caras mais bonitos pelas pessoas que você conhece e vai encontrar essas características.

Bom, só posso dizer que Caio tem a maioria dessas coisas que descrevi no capítulo anterior. Quando viu seu reflexo, viu seu terno preto primeiro. Em seguida, viu seu rosto. Era simétrico, composto de olhos um pouco grandes e castanhos. Seu nariz, apenas um pouco achatado, era maior que o normal e apontava para frente. Abaixo dele, um bigode que se ligava a sua barba preta, que contornava boa parte das suas bochechas e todo o seu queixo, descendo um pouco para o pescoço. Caio sorriu, pois viu que era bonito. Sem pensar duas vezes, pulou dentro da água que agora aquecia por causa do tempo aberto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.