O Mundo das Sombras: Imortais
2 Capitulo 1
Notas iniciais
Acordei sobressaltada, meu coração batia em um ritmo frenético e meu corpo esta completamente suado. Havia me debatido durante as horas de sono perturbadas pelo estranho sonho que venho tendo ou melhor pelas lembranças que vem me perturbando. Minha respiração continua acelerada a adrenalina liberada pelo sonho ainda esta super em alta, foi quando mãos encostaram-se aos meus ombros e em um movimento ágil já estava prensando, o rapaz que dormia ao meu lado, com toda força na parede e com a adaga que sempre esta ao lado da cama forçando ela contra a pele dele. Não conseguia me concentrar em quem ele realmente era via apenas o homem que a havia me empunha lado no sonho.
– Amara... Abaixa está adaga. – disse o rapaz enquanto eu apertava ainda mais a adaga no seu pescoço.
Minha mão começou a fraquejar e a adaga caiu no chão, me afastei dele cambaleando e antes de chegar ao chão Miguel me segurou pelo braço e trouxe – me para perto abraçando – me forte contra o seu peito. Comecei a choramingar baixinho.
–Ei se acalma. Eu to aqui do seu lado. – disse ele fazendo cafuné ma minha cabeça.
–Não aguento mais Miguel, estes sonhos estão me enlouquecendo.
–Você já foi procurar os antigos? – perguntou Miguel parado na porta do banheiro.
Depois de quase degola – ló fui tomar um banho para tirar o suor e relaxar toda a tensão. Agora estava parada enfrente ao espelho penteando meu cabelo e o amarrando em um rabo de cavalo bem alto. Terminei de prender o cabelo e olhei para ele incrédula.
– Vivi milhares de anos assim e nunca, nunca mesmo eu pedi a ajuda deles e não vai ser agora que eu vou pedir. – respondi ríspida e voltei a me olhar no espelho.
Miguel entrou no banheiro e colocou a mão no meu ombro eu me virei e olhei diretamente no olho.
–Só me preocupo com você, não quis ofende lá. Sei que sobreviveu a isto milhares de vezes. – disse ele apoiando sua testa na minha, fechei meus olhos e me concentrei na sua respiração controlada.
Coloquei minha mão no seu rosto e encostei meus lábios nos dele, primeiro foi um beijo leve delicado, mas logo ele me atacou com um desejo enorme, um beijo cheio de calor que fez minha respiração fraquejar.
– Não quero perde lá Nádia – sussurrou no meu ouvido.
Meu coração apertou quando ouvi meu verdadeiro nome sair da boca dela, já tive vários nomes em varias vidas, mas o nome Nadia sempre me vinha atormentar.
***
Nádia a esperança ainda podia ouvir sua voz viva em meus pensamentos, era o que ele havia me dito no nosso primeiro encontro, ele perguntou meu nome eu disse e ele sussurrou seu significo bem próximo ao meu ouvido fazendo meu coração saltar.
Seu nome era Ezra o rei dos Maledictus que viva além das montanhas protegidas.
Lembro-me que nem fosse hoje a primeira vez que nos encontramos, eu havia fugido das proteções dos anciões para poder me banhar no rio longe das montanhas, às vezes queria apenas me sentir livre. Nesta noite de lua cheia o rei que dominava o poder além das montanhas saiu para caçar, o barulho que vinha do rio chamou sua atenção e ele foi ao me encontro. No primeiro momento ele se espantou a me ver banhando no lago apenas um tipo de mulher se banhava nos rios as súcubos, mas logo ele percebeu que eu não era uma a energia que exilava de mim era diferente e o intrigou.
Ele se aproximou e eu nem percebi. Só fui perceber sua presença quando ele estava sentado em cima da rocha ao lado da cascata da cachoeira.
–Pelos deuses! — berrei emergindo meu corpo nu dentro da água.
–O que uma jovem dama faz sozinha por estas redondezas? – ele perguntou com um sorriso encantador no rosto.
–Não lhe devo satisfação – disse tendo parecer determinada, mas na real estava morrendo de medo. Fui me afastando indo para margem na direção das minhas roupas.
Ele pulou da rocha e parou a alguns centímetros das minhas roupas, levei um susto só um tipo de pessoas que pode fazer o que ele acabou de fazer, os Maledictus. Ele pegou meu vestido e cheirou.
– Você não é daqui – ele disse mais como uma afirmação do que uma interrogação.
–Não. E você poderia largar meu vestido e se virar?
O sorriso que estava estampado no seu rosto se abriu ainda mais.
–Te devolvo o livro, mas não vou virar. – disse ele me entregando o vestido
Olhei fundo nos seus olhos castanhos, sacudi a mão no ar e ele virou com minha ordem. Ele começou a gargalhar. Sai da água e coloquei a roupa.
–Como é seu nome feiticeira?
***
–Você vai perder a primeira aula – disse Miguel me tirando do transe que a lembrança havia me levado. Ele voltou no banheiro a onde eu continuava encarando o espelho agora todo arrumado pronto para sair. – Vai sair hoje?
Sai do banheiro e olhei para ele.
Não respondi apenas sorri.
Segui apressada pelo corredor rezando para o diretor Rupf não me visse, já havia perdido o primeiro horário e os meus magníficos e desordeiros alunos já teriam destruído a escola.
Minha turma formanda é o que se pode dizer de terror da escola principalmente no meio do ano quando as vestividades começam março é um mês é tanto. Conseguia ouvir o falatório que vinha da sala de aula do outro lado do campos quando abri a porta ninguém se quer notou minha presença todos continuaram falando e falando.
Aproximei-me do pequeno quadro e com as unhas arranhei com toda a força, quando o barulho estridente dominou a sala ouvi alguns berros de protesto e depois silencio total.
–Obrigado pelo silêncio – falei em tom de deboche – hoje vamos ver alguns tipos de culturas que eram fortes na época do Império romano.
Apaguei as luzes e no projetor e reproduziu a foto de um homem. A imagem em preto e branco, mas dá para se ver as feições duras do homem que veste roupas de pelos de animais seu cabelo esta a altura do ombro e a barba grande.
–Alguém sabe quem é ele? – perguntei para turma ninguém se manifestou
–Este é Átila. Foi o rei dos hunos de 434 até sua morte em 453 d.c ele ficou conhecido “Flagelo de Deus”, sua possessão de terra ia da Europa central até o Mar Negro. Alguém sabe quem foi os Hunos?
Um aluno no meio da sala ergueu a mão e eu passei a palavra para ele.
–Era uma tribo dos povos bárbaros que espalhava o terror, saqueavam e matavam tudo que vinha pela frente.
Outro aluno no canto esquerdo ao fundo começou a falar logo em seguida
–Mas não eram todos os bárbaros que provocavam isto?
–Não. A dominação “bárbara” era dada a todas as pessoas que morava além da fronteira do império e não falava o latim. Dentre os bárbaros existiu varias tribos, como os Burgúndios e os Suevos. Estes tinham terras fixas já os hunos eram nômades viviam nas suas carruagens e mudavam de um lado para o outro.
Dei uma pausa enquanto escrevia no quadro negro os nomes das vários tribos “bárbaras”. Os múrmuros na sala recomeçaram e uma voz se sobressaltou dentre todas.
–Professora fora os hunos existia outra tribo que espalhava o medo? – era a voz de uma mulher que nunca ouvi entre os meus alunos. Virei-me procurando por ela e deparei com uma mulher com seus trinta anos, cabelos negros e roupas de couro com os olhos tão negros que nem a noite mais escura e um pequeno círculo de uma azul tão claro quanto vidro. Meu coração parou por alguns segundos, uma segunda voz me tirou do transe.
–Existia professora?
–Sim era os Maledictus, mas isto é para próxima aula lenham sobre as civilizações bárbaras e discutiremos depois. Por hoje é só.
Todos os alunos se levantaram para sair alguns pelas portas de baixo outros pelas de cima a mesma que a mulher que invadiu minha aula saiu, subi os degraus de dois em dois passando entre a multidão de alunas tentando alcançar ela, quando finalmente cheguei ao pátio pode a ver virando o corredor leste, corri, quando virei o corredor não havia ninguém usando couro só os alunos deitados no chão em baixo das arvores segui pelo campos ainda na busca dela quando ouvi berrarem o meu nome.
–Senhorita Ivashkov – me virei e dei de cara com a senhora Meyer a inspetora idosa e rabugenta vindo ao meu encontro – estão te procurando na secretaria – disse ela quando chegou perto de mim.
–Quem esta me procurando?
–Ele se identificou como Senhor Westerfild, disse que a senhorita esta o esperando.
Westerfild. Este nome é completamente estranho e nem me lembro de estar esperando alguém.
– Obrigada senhora Meyer.
Voltei para o prédio quando uma sombra chamou minha atenção ao lado, virei a cabeça e lá estava ela encostada em uma arvore sorrindo ela fez uma reverencia e desapareceu no ar.
Passando pelo corredor da diretoria se pode ver toda o tipo de coisa, a sala de professores que deveria ser um lugar calmo estava um falatório e tanto na verdade acho que alguns professores discutiam dei uma espiada na sala e pude ver o senhor “gostoso” Walker e o gênio do Fiennes discutiam ferozmente, mas mesmo com toda esta atitude Fiennes ainda é pequeno demais ao lado de Walker.
Sentados nas cadeiras a frente estava à metade do time de futebol da escola eles nem se falavam, mas encaravam algo um pouco ao longe, quando cheguei ao fim do corredor o clube de química estava sentado e dois dos alunos tinham olhos roxos e sangue secando na camisa agora sei por que os professores discutiam.
Virei à esquerda do corredor e a sala ao fim e a do diretor quando me aproximo a porta se abre e o diretor Dash saiu apresado passou por mim e nem se quer me cumprimentou.
A onde é o incêndio?
Segui até a sala.
–Realmente não me lembro de ter marcado nenhuma reunião, então tenho cinco minutos até a minha próxima aula. – disse entrando na sala.
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