Notas iniciais
Espero que gostem ;)
Relevem, se tiver algum erro ^^

Anos após anos crianças desaparecem em seus próprios quartos, o fato já é comum, muitas dessas crianças são sequestradas e muitas simplesmente somem.

Algumas dessas crianças reaparecem sozinhas nas ruas, com o olhar fixo e chorando muito e todas elas descrevem um rosto. O rosto é desconfigurado, olhos vermelhos e pelagem preta, eles o descrevem como um demônio. Esse demônio os leva por uma porta que se abre dentro de seus armários ao inferno, vária por criança, ele lhes mostra o seu maior medo, seja escuro, cobras até mesmo pessoas mortas. Pode até se a pessoa que você mais ama...

- Mãe!- O pequeno Michel gritou assustado depois de um pesadelo, ele percebeu que seu quarto estava escuro.

Ele ouviu passos apressados vindo em direção ao seu quarto. Sua mãe abriu a porta e a luz do corredor iluminou o ambiente e ele protegeu seus olhos com as mãos.

-O que foi?- A mãe disse sonolenta- Teve outro pesadelo?- Era comum Michel ter pesadelo com vozes que diziam querer leva-lo, ele sempre dormia com a luz ligada e quando a mãe tentando desliga-lo ele acordava no meio da noite gritando. Ela não sabia o que a fazia ainda tentar.

-Foi!- Michel estava esgotado, não aguentava mais não conseguir dormir. Ele dormia na sala de aula, não conseguia comer direito e tudo o lembrava dos sonhos. As vozes pareciam segui-lo, a mãe até já tinha o levado ao psicólogo que disse que ele era uma criança normal que precisava de mais atenção.

- O querido, quer tomar remédios novamente?- A mãe perguntou calmamente, ela sabia que calmantes o fariam dormir, mas Michel não gostava de calmantes, o deixavam com o raciocínio mais lerdo do que quando não dorme.

- Não precisa mãe, eu volto a dormir- Ele acalmou a mãe e se cobriu mais com seu cobertor azul.

- Está bem. Qualquer coisa é só me gritar.

-Deixa a luz ligada- Michel gritou assim que a mãe passou pela porta ligando a luz de seu quarto- Obrigado- Ele suspirou aliviado e a mãe fechou a sua porta.

Michel rolou de um lado pro outro na cama e não conseguia dormir. Ele ouviu um barulho no seu armário e se encolheu de medo.

- Vá embora!- Ele estava aterrorizado, sabia que era algo ruim ali dentro.

As luzes começaram a piscar e Michel ouviu um barulho em sua porta.

-MÃE- Ele gritou com toda energia que tinha e sabia que o bicho dos seus pesadelos estava querendo leva-lo.

As luzes se apagaram de vez e o menino só ouviu seu coração batendo fortemente. A porta do seu armário se abriu e ele olhou com pavor uma criatura de pelagem preta rastejar até onde ele estava.

Michel começou a gritar, gritos agonizantes. Sua mãe se levantou assustada e correu até o quarto de Michel e tentou abrir sua porta, mas estava fechada e ela bateu os punhos contra a porta, mas de nada adiantou, ela entrou em desespero.

Michel ouvia a sua mãe atrás da porta, mas não conseguia abri-lo.

O bicho ainda rastejava deixando um rastro de sangue no chão por onde passava, quando Michel piscou o bicho já tinha agarrado seus tornozelos com suas mãos que obtinham garras e o puxado para o chão.

Michel gritou agoniado, ele caiu e bateu à cabeça no piso, Ele colocou suas unhas no chão com força enquanto o bicho o arrastava e seus dedos ficaram feridos e seu sangue se espalhava pelo piso, tanto o do tornozelo quanto o da sua unha.

Suas unhas se soltavam da carne e ele gritava de dor e o bicho continuava a arrasta-lo até o armário. Michel observava uma porta parecendo um buraco negro dentro do seu armário. Era tudo escuro, Michel tinha medo do escuro.

O bicho o arrastou até lá e o jogou no seu próprio inferno para testa-lo, se ele tivesse medo ele morreria, se ele superasse, ele poderia viver.

Michel olhou pela última vez o bicho.

Olhos vermelhos, dentes afiados como agulhas, rosto desconfigurado com o que parecia cortes de faca em seu rosto, pelagem preta.

Michel fechou os olhos e quando o abriu nada enxergou, ele estava em um local onde estava tudo escuro. Ele se desesperou e começou a gritar.

A porta de seu quarto abriu e sua mãe entrou desesperada gritando seu nome, o quarto do garoto estava banhado de sangue e no piso arranhões e unhas do garoto.

- Ai meu Deus, meu filho!- A mulher chorava inconsolavelmente tentando encontra-lo inutilmente-Michel!

Michel por outro lado procurava cegamente sair daquele lugar onde o monstro brincava com sua mente.

Um, dois, três... Um, dois, Três- O monstro cantava com voz cavernosa.

- Me deixe em paz- Ele chorava fortemente soluçando- Eu quero minha mãe- Ele fez o que toda criança faria, pediria a sua mãe porque sempre significava segurança.

Pobre menino, sua mãe morreu!-O mostro disse ironicamente, ele estava deliciado com a descoberta de outra fraqueza humana.

-Não morreu nada- A voz do menino era puro pavor, a palavra lhe saiu amarga.

As luzes se acenderam e os olhos do menino arderam. Na sua frente estava sua mãe e ele lutou contra a vontade de abraça-la, algo estava errado, ele sentia isso.

Sua mãe possuía uma tesoura, ela deu uma risada curta e passou a lamina em seus dois pulsos, sangue espirrou no piso branco e escorreu rapidamente até o pé do menino e uma frase se formou.MORTA

Em choque o menino se sentou no chão e pôs a cabeça entre seus joelhos, silenciosamente suas lágrimas escorriam, ele não sentia nada, só frio. Sua mente em forma de proteção começou a ficar confusa, ele não tinha pensamentos coerentes e ele repetiu -Não é real, não é real, não é real...

Ele fechou os olhos e quando os abriu, ele estava em seu quarto, continha faixas amarela como ele já tinha visto em filmes policiais. Ele reconhecia seu próprio sangue no chão.

-MÃE- Ele gritou chorando.

-Filho!- A voz da mãe sentada em uma cadeira no canto mais escuro do quarto. Ele olhou e ali estava ela. Ele correu e a abraçou.

-Ele queria me levar, ele queria me levar... Morta, Morta- Ele repetia lembrando-se de tudo.

Cinco Meses depois.

- Ele está melhor?- A mãe de Michel olhava pelo vidro da porta seu filho se debatendo e gritando-Um, dois, Três.

-Está como sempre, ao tentarmos fazer teste com luzes ele grita e começa a se machucar- O psiquiatra disse olhando também pelo vidro- Você vai mesmo autorizar os testes? Teremos que amarra-lo e demonstrar que era ilusão criada pela sua mente.

-Se for para ele melhorar... eu autorizo- A voz dela era de dor, ela queria seu filhinho de volta.

Ela assinou os papeis. Eles prenderam seu filho Michel de apenas sete anos em uma camisa de força para que não se machucassem, colocaram uma sala enquanto Michel ainda cantava a música.

- Está pronta?- O psiquiatra perguntou a mãe de Michel.

-Sim- Ela respondeu com receio de que estivesse fazendo a coisa errada.

Eles desligaram as luzes da sala de Michel e ele começou a gritar.

Michel se debatia cegamente e algo segurou sua perna fazendo-o gemer de dor.

Encontramos-nos de novo Michel só dessa vez sua alma me pertence- O monstro lhe disse com a voz extramente grossa e baixa.

- Me tirem daqui, ele vai me levar.

Um, dois, TRÊS- O monstro gritou novamente arrastando-o a uma porta que se abriu na parede, era uma porta com pessoas gritando enquanto pegavam fogo... O inferno. De repente tudo ficou escuro, sua alma não lhe pertencia mais!

Notas finais
Obrigada para quem leu, espero que tenham gostado ^^

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!