O Monstro Embaixo Da Cama

1 Tem Um Monstro Embaixo Da Cama?


Notas iniciais
Uma pequena one de terror

—Tem um monstro embaixo da minha cama, eu juro!

—Filho, vá dormir. Você tá meio grande pra acreditar em monstro embaixo da cama.

—É sério mãe!

Cansada, sem paciência com o filho e tendo em mente que amanhã ela teria hora extra, a mãe levou o filho para o quarto, levantou o lençol e viu por lá.

—Não tem nada filho, dorme por favor. A mamãe e o papai estão cansados. Para com isso.

Sem opção, quando a mãe saiu do quarto o menino tentou dormir, mas o medo ainda o dominava.

Não podia ser só sua imaginação, ele viu!

Se revirou de um lado para o outro, mas o sono não vinha, pois o medo lhe bombeava adrenalina pelo corpo.

Por fim, resolveu investigar por conta própria, e olhou para baixo.

Uma mão deformada se arrastava lentamente para fora.

—Eu sabia!

A mão voltou para baixo da cama.

—Não adianta esconder! Eu sei que está aí, seu monstro!

—Não era para você ter me visto. — disse uma voz infantil –Como eu vou fazer o meu trabalho?

—Espera! Você fala?

—Claro que falo! Por que eu não falaria?

O menino pensou, mas realmente não havia motivos para o monstro não falar.

—É verdade. Mas por que o senhor está no meu quarto, seu monstro?

—Estou aqui para fazer o meu trabalho ué. Já te disse. E agora estou ferrado, por que alguém que não podia me ver acabou me vendo e vai falar pra todo mundo! Posso perder o emprego!

—Não seu monstro, eu juro que não falo pra ninguém, não quero que perca seu emprego!

—Ufa! Fico aliviado!

—Mas afinal, por que está aqui?

—Para o meu trabalho.

—Ué, não entendi.

—Eu trabalho assustando pessoas muito más.

O garoto ficou assustado.

—Veio me assustar, eu sou mau?

O monstro riu, achando graça de sua inocência.

—Não querido. Eu não vim te assustar. Eu vim para assustar outra pessoa.

—O meu papai?

—Não.

—A minha mamãe?

—Também não.

—Então quem?

—O homem malvado com uma faca escondido dentro do seu armário.

O menino ficou assustado.

—Ele pretende te fazer mal quando você dormir. Eu vim aqui impedir, esse é meu trabalho.

—Eu tenho que avisar o papai e a mamãe!

—Não vai dar tempo. Até lá, ele já te machucou.

—Então o que eu faço?

—Finge que está dormindo. Eu vou te proteger, eu prometo.

—Tá bom, seu monstro.

Ele se deitou, se cobrindo até a cabeça com a coberta, o coraçãozinho disparado.

Ouviu os passos pesados se aproximando.

A respiração próxima.

Sentiu a mão dele puxar sua coberta.

Depois um enorme barulho de golpe. Um grito alto. Um barulho de vidro se quebrando.

Seus pais, assustados, acenderam a luz, vendo a janela quebrada e sangue pelo quarto.

—Mas o que aconteceu? Tinha alguém aqui?

—Sim papai, um homem.

Os dois empalideceram.

A mãe ficou com ele e o abraçou, o pai saiu, pegando o telefone.

Cerca de uma hora depois, um homem ferido, com pedaços de vidro ainda presos ao corpo foi encontrado. Com ele, uma faca, e uma corda.

Atrás da casa da família tinha um carro, com um vidro de clorofórmio.

O homem foi descoberto como um criminoso e já tinha vitimado outras quatro crianças.

Ele foi preso, e julgado, mas estava tão insano com o chamado "monstro que saiu debaixo da cama" que foi transferido para um hospício, onde dormia em um colchão e se escolhia apavorado quando a noite chegava.

Quanto ao garoto, nunca mais teve medo do monstro embaixo da cama.

Afinal, haviam monstros piores para ter medo neste mundo.

FIM

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