O Monstro
2 Conhecimento
Notas iniciais
Ok, prometo que vou tentar mais! Espero que gostem, e boa leitura, shadowgods ( v )/
Ele via algumas lágrimas escorrerem dos olhos dela, mas não conseguia tomar nenhuma ação. Seus braços estavam congelados, a cabeça girando, o chão lá em baixo chamando-o e parecia que John estava sendo comprimido entre duas rochas de mármore sólido. O que Mary acabara de lhe contar não fazia sentido.
-Como assim? Não é você que é a mestiça do poema? — Ele perguntou, franzindo o cenho involuntariamente.
Mary fechou os olhos e deu um suspiro que parecia entediado enquanto secava as lágrimas com as mãos.
-Profecia. É profecia, não poema, e você é quem mais deveria saber disto.
-Não pega pesado, eu ainda não sei de nada – ele murmurou, olhando para o Sol, agora mais alto.
-Desculpe... Eu só... Estou com medo e perder-te.
John olhou para ela, e se lembrou que ela era somente uma garota. Podia até ter vivido bastante, mas fora sozinha, sem ninguém como companhia para todos os momentos. E, vendo seus olhos, agora cinzas, pensou que ela talvez já teve alguém.
Mas pelo jeito, perdeu-o.
Ele tocou sua bochecha com o polegar.
-Calma. Eu volto. Está na profecia, não? E elas sempre se cumprem.
Mary fechou os olhos e apoiou a cabeça no ombro do garoto.
-Nenhum almoço é de graça.
O Sol já estava levemente alto quando todos que ela havia convidado entraram na biblioteca.
John ficou em silêncio, durante todo o tempo. Como ele havia escapado do Instituto por um tempo, teve que explicar tudo o que sabiam quando chegaram. Mas não fizeram exatamente isso.
Mary, pelo o que ele percebeu, era boa com palavras. Ela não mentiu exatamente, mas também não disse tudo o que sabiam. Até agora, as únicas pessoas que conheciam toda a história além dos dois, eram o centauro (a quem Mary se dirigia de Mestre Quíron, apesar de John ter achado ele estranho para um tutor), e a estranha garota de Hécate. Mas ele também não tinha certeza se sabiam da última novidade.
Grissom foi o último a entrar. Ele estava coberto por seu terno de linho, com os cabelos grisalhos penteados para trás, e olheiras no rosto, que já teve seus bons tempos. Quando entrou, encaminhou-se para a cadeira atrás da escrivaninha e se sentou. Agora, estavam ele, John, Mary, Percy e Sara na sala. Os outros não foram convidados, pois todos já sabiam que algo estava acontecendo, mas era mantido em extremo segredo para quem conhecia alguma parte da história.
Mary, que estava no divã de veludo vermelho abaixo da janela, respirou fundo e começou a falar.
-Bem, vocês já sabem que eu sou uma semideusa. Eu fui enviada para cá por conta de um acontecimento que pode realmente mudar a história. Há uma guerra vindo, envolvendo semideuses e Nelphilins.
“Logo depois do primeiro ataque de monstros, onde os vampiros pensaram que nós havíamos incomodado-os, um Oráculo apareceu. Elas são garotas devotas à Apolo, e o espírito de Delfos, detentor das profecias, é seu hospedeiro. Eu não contei isso a ninguém pois a profecia recitada assustou bastante.
“Ela confirmava a guerra e a junção dos povos, mas falava de algo a mais. A morte e a ressurreição do mestiço.”
Um silêncio cobriu a sala, enquanto as feições de confusão se transformavam e piedade quando olhavam para Mary. John teve que segurar uma enorme vontade de dar uma gargalhada. Era ele que morreria, e tudo o que estava sentindo era graça.
-Então, depois de um tempo, tive um sonho, onde Apolo me avisou. 'Profecias são traiçoeiras', ele havia dito. No início, eu não entendi direito. Somente depois, em um ataque que tive, fui perceber um pouco mais do que ele falava. Mas não havia pego completamente a notícia.
“Quando eu desapareci por um tempo, eu fui ao Acampamento Meio-Sangue, o lar para semideuses. Precisava conversar com Quíron e mais uma amiga. Para variar, o meu tutor só me deu ouvidos quando John apareceu lá. E... Em um sinal, Apolo me avisou inteiramente sobre a profecia.
“Entendam, nós não temos muito contato com os deuses, principalmente com nossos pais. Eles somente nos enviam sinais, geralmente para reclamar um filho, para avisar a ele e a todos de quem é parente. Nesse dia, o deus do Sol nos avisou que John era seu filho.”
Ele escutou Annie se engasgar e tossir. Mas somente abaixou os olhos, encarando as unhas. Gostava de chamar a atenção, ser conhecido. Mas não por algo ruim. O pior, era que nunca seu pai havia falado com ele, nem lhe dado qualquer outro sinal. Isso era raro, como Mary lhe havia dito milhões de vezes, mas mesmo assim, sentia ressentimento.
Ou talvez não, pensou, olhando a luz que entrava pela janela.
-E... — A garota continuou, com a voz baixa. — John é o mestiço.
O garoto engoliu em seco. Por mais que fosse extremamente necessário, não queria que Mary tivesse falado tudo aquilo. Era confusão demais, era muita responsabilidade, preocupação.
Era muito mórbido.
-John...- Ele escutou Sara. — Eu... Me desculpe...
O garoto ergueu os olhos para ela, e a viu realmente abalada, como se realmente se arrependesse.
Dois dias atrás, eles haviam discutido feio. Sara brigava com ele por ser tão impulsivo, por querer salvar tudo, mesmo se ele conseguisse uma enorme encrenca. Ela culpava-o por ter aceito Mary.
Nunca disse isso a ela, mas fora ele mesmo que fizera a garota ficar no Instituto. Depois de conversar bastante com Grissom, conseguiu convencê-lo de aceitar a garota. Quando ela contou o que era, não se arrependeu.
-Sério John! — Sara gritava, logo que eles estavam longe do Instituto. — Você vai acabar matando todos! Não me olhe assim! É verdade! Desde que aquela garota chegou, o mundo virou de cabeça para baixo! Como se deuses existissem. Rá. Que idiotice. Ela só está alimentando aquela loucura do Percy.
Mas ele não a havia respondido.
Na biblioteca do Instituto, ele igualmente ficou em silêncio. Somente voltou os olhos para seu tutor, mas, apesar de não estarem se encarando, o garoto podia ver a tristeza em seus olhos.
-Mary – ele disse -, poderia recitar a profecia?
A garota olhou para John, que assentiu milimetricamente.
-Numa guerra embarcas, sem final feliz. / Onde há monstros, eis demônios, / Leva dois povos à raiz. / Num golpe desesperado voltarás da Morte, / Mas o preço do mestiço não tem fim.
John sentia seus ouvidos chiarem e a pulsação na cabeça quando ela terminou. Ninguém falou nada durante muito tempo, tentando decifrar a poesia. Ou só mais arrependido, como parecia Sara, com seus olhos cheios de lágrimas.
Os versos sempre ressoaram em uma mente, durante pesadelos ou qualquer outra situação. Já conhecia o significado dos versos. Numa guerra embarcas, sem final feliz. Fora quando conheceu Mary e a fez ficar no Instituto. Onde há monstros, eis demônios, leva dois povos à raiz. O fato de as aberrações estarem invadindo umas o terreno das outras, e com isso fazendo com que dois povos – semideuses e Nelphilins – se juntassem para conseguir vencê-los. Num golpe desesperado voltarás da Morte. Nisso, ele já sabia que morreria e voltaria à vida, de um jeito louco. Mas o preço do mestiço não tem fim.
-A profecia diz que ele ressuscita – ele escutou Grissom dizer. — Mas também diz que isso tem um preço.
Mary abaixou a cabeça, parecendo diminuir. John quase foi até ela e a abraçou, mas não iria fazer isso na frente de todos. Não haviam comentado com ninguém a respeito do envolvimento amoroso.
-Nenhum almoço é de graça – ela repetiu, murmurando.
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