O Mito do Olimpo

10 Memórias do trovão


Notas iniciais
A História a ser postada é de minha autoria

22/12/3230, esta é a data atual deste mundo. Já se faz vinte dias que Crystal e eu chegamos neste mundo. Faz-se hoje, dez dias que Crystal desapareceu. Desde então, não consigo parar de pensar nela, estava sofrendo. As buscas por ela ainda continua, alguns membros do grupo dos cavaleiros banidos já perderam a esperança. Encontrar o amor da minha vida se tornou prioridade para mim.

— Raphael. – O líder dos cavaleiros banidos me chama, ando em direção a ele. – Sente-se. –

Sento ao lado dele. Observo as pessoas que estavam no bar.

— Garçom. – Diz ele. O garçom se aproxima. – Traga a bebida mais forte que tiver aqui. –

— Certo. – Diz ele.

Olho com um olhar triste para a mesa em que estávamos. Ele percebe o meu olhar.

— Está triste? – Pergunta ele. – Estás assim desde o dia em que Crystal sumiu. –

— Desde o dia em que ela sumiu, abriu-se um buraco em meu coração. – Digo. O Garçom trás a nós a garrafa de bebida e dois copos, colocando-os em nossa mesa. O Líder coloca a bebida em seu copo e depois me serve. Tiro um cigarro da carteira e acendo. Ainda bem que eu trousse do nosso mundo vários maços de cigarro.

— Pelo menos você consegue ser romântico. – Diz ele bebendo.

— E você ainda consegue ser irônico. – Dou um sorriso. Dou um trago no cigarro.

— Raphael, sabe que os outros podem ter desistido, não é? Mas, eu ainda estou aqui para ter ajudar cara. – Ele me observa tragando o cigarro.

— Eu sei. – Bebo a bebida que estava no copo. O Líder se “apaixonou” por uma moça que estava no bar. Ele dá um sorriso para ela, que retribui.

— Já volto. – Diz ele saindo da mesa em que estávamos e indo em direção a moça.

Volto a beber. As horas foram se passando e as pessoas que estavam no bar começaram a ir embora para suas casas. Não vejo o tempo passar, até que vejo que sou o único cliente que estava no bar. Continuo bebendo e fumando outros cigarros.

— Com licença, senhor vamos fechar. – O Garçom me olha. Fico em silêncio por alguns segundos e me levanto.

— Já estou indo. – Digo. Aproximo-me do caixa, pago o dinheiro na moeda daquele mundo. Eles usam uma moeda chamada de “Kérmata”. Pego a garrafa de bebida. Saio do bar, a chuva começa a cair, olho para o relógio na rua, o horário era 03h35min da madrugada. A Imagem de Crystal começa a invadir meu pensamento novamente. Paro por um momento, a chuva começa a cair. O Barulho do trovão invade os meus ouvidos.

— Crystal!? – A Imagem dela aparece me observando do outro lado da rua. Atravesso a rua nas pressas. Ouço o galopear dos cavalos, tomo cuidado para não ser atropelado, as ruas daquela cidade são asfaltadas. Agora só era eu e a imagem de Crystal.

— É Você? – Digo. Tento a abraçar, mas antes que conseguisse, a imagem dela desaparece novamente. Caio de joelhos no chão. Fico ali por alguns segundos. Sigo em direção a sede dos cavaleiros banidos. Olho para a garrafa de bebida que estava em minha mão. Bebo a. Jogo a garrafa vazia no meio da estrada, ela se quebra em mil pedaços. Quando percebi já estava em frente à sede, com a roupa completamente molhada por causa da chuva que ainda estava caindo. Entro na sede a camareira me trás uma toalha.

— Aqui senhor. – Diz uma jovem e cabelos longos e loiros, olhos negros.

Agradeço. Subo para o quarto em que eu e o líder estávamos, tiro a chave do meu bolso e abro a porta. Pego outra roupa, vou para o banheiro, faço o que tinha que fazer e tomo um banho. Como eu estava muito cansado, foi só eu encostar o rosto no travesseiro que acabei dormindo. O outro dia estava mais ensolarado que os anteriores. O Sol estava tão belo e o céu sem nuvens que dava até a impressão de que não choveu no dia anterior. Escovo os dentes e faço o que tinha que fazer no banheiro. Desço as escadas. Olhei para o relógio na parede, era 07h09minh da manhã. Noah ainda não apareceu na sede. Talvez esteja em algum bordel com alguma mulher. Sento-me em uma das cadeiras. Algum segundo depois foi servido o café da manhã. A sede estava bem movimentada e barulhenta. Como a minha mão refeição e vou até o balcão.

— Deseja algo para beber senhor? – Um rapaz me pergunta.

— Só um copo da bebida mais forte que tiver, por favor. – Digo.

Sou servido. Bebo aos poucos. Ainda havia algumas horas para o banco em que eu trabalhava se abrisse. Desde que Crystal sumiu me encaixei perfeitamente na rotina daquele mundo. Nas horas em que eu largava do trabalho, ia procurar algo que me levasse a Crystal, ou algum livro antigo de feitiços para tentar localizar Crystal. Neste mundo em qual estou, ele condena a feitiçaria, bruxaria e a magia. Categorizam eles como um ‘”Meio de adoração a seres ruins``. Bebo mais alguns copos da bebida e saio da sede. Caminho em direção ao banco da cidade. Observo como as pessoas deste mundo são felizes. Poucas pessoas vivem na miséria neste mundo, ouvi dizer que o deus que o novo rei cultua trás a prosperidade para este país enquanto alguns dos outros países vivem em desgraça. Os semideuses aqui são caçados, mas tenho disfarçado muito bem. Achei que Crystal foi capturada por eles, mas ouvi rumores de que não foi. Chego no banco, ele é o maior da cidade. Havia alguns amigos que eu fiz naquele mundo do lado de fora do banco.

— Bom dia, Raphael. – Diz Caim.

— Bom dia. – Respondo. Entro no banco. Algumas pessoas já haviam chegado, sou responsável pelo setor de contabilidade, o mais lucrativo naquele mundo (Não sei como eu consegui este emprego, pois não sabia nem o que era este setor). Entro no banco e ando em direção a sala de contabilidades, abro a porta e entro, sento na minha cadeira que ficava na primeira fileira, os abajures estavam ligados. Começo a fazer as minhas obrigações.

— Raphael? – Escuto alguém me chamar.

— Oi! Desculpa! Eu não te vi aí. – Viro-me e olho para a mulher que estava atrás de mim. – Oi Sandra. –

— Oi... Tudo bem com você? – Sandra sai da sua cadeira e vem até a minha fileira, sentando do meu lado.

— Estou bem... E você? – Olho para os olhos negros dela.

— Bem. – Ela sorri. – E então, como foi seu dia? –

— A mesma rotina de sempre. – Respondo. – E a sua? –

— Bom, fora o fato de que estou tão cansada, a mesma de sempre. – Sandra dá uma risada. – Descobriu mais algo... Da sua namorada? –

Rapidamente as palavras saem da minha boca.

— Não... Ultimamente não tenho progredido em nada... – Digo. Precisei mentir. Claro que não vou contar nada para uma pessoa que conheci á alguns dias. – Estou em uma ressaca do caralho, vim trabalhar hoje no sufoco.

— Entendo bem como é, na última vez que bebi você nem imagina o estado em que fiquei... – Sandra alisa o meu rosto. – Garoto, se anima. – O Sino toca para o intervalo. Vou para fora do banco comprar algum lanche para comer.

— Raphael? – Derry me chama.

— Oi Derry. – Desço a pequena rampa do banco.

Derry me acompanha.

— Como vai cara? – Derry tropica.

— Bem. E você? – Respondo.

— Ótimo. Viu o Noah por aí? – Paramos em frente a uma pequena venda de lanches.

– Faz uns dois dias que não o vejo. – Chamo à senhora dos lanches. – Senhora. – Ela vem até mim, faço o meu pedido.

— E não está preocupado com ele? – Derry pede um copo de suco.

— Não. Não é a primeira vez que ele some do mapa. Talvez esteja em alguma daquelas casas daquelas mulheres lá. – Pago o lanche.

— Nas casas de prostitutas? – Derry bebe o copo de suco.

— É. – Como o meu lanche.

— Se ver ele, poderia dizer que eu quero falar com ele, urgentemente? Ele sabe onde me encontrar. – Derry paga o lanche dele.

— Direi sim. – Derry aperta a minha mão e vai para casa. O turno dele já havia acabado. Volto para o meu trabalho, algumas horas depois vou em direção a sede no caminho compro uma garrafa de bebida e entro na sede. Chego em meu quarto, tomo banho e troco de roupa.

Vou em direção a mesa em que eu havia anotado os últimos passos de Crystal antes de sumir. Pego o caderno que eu havia anotado algumas coisas, ouvi boatos de que ela foi vista pela última vez ao redor das ruínas da sede da magia. Passei horas procurando por ela ou por algo que apontasse de que ela apareceu por lá, ou, onde poderia estar. Tentei procurar algum livro de feitiços para achar a localização dela, ou, algo que apontasse pra onde ela estava, mas não consegui, por que a feitiçaria neste mundo em que eu estava é proibida, feitiçaria, magia, bruxaria... Tentei achar alguém que soubesse de feitiçaria, mas não encontrei nada. Nas últimas décadas muitas pessoas morreram por praticar o uso de feitiçaria ou qualquer tipo de arte mágica. É um desses o motivo das pessoas deste mundo não quererem praticar feitiçaria novamente. Várias mulheres e homens “acusados” de feitiçaria foram esquartejados, decapitados e queimados vivo na fogueira, parecia mais uma caça as bruxas de Salem. Ouvi dizer que o pior modo de morrer se você fosse um praticante de feitiçaria seria torturado. Alguns que morreram decapitados tiveram obviamente, a cabeça decapitada e dada para os cães. Vários livros que foram utilizados por feiticeiros, magos, bruxos, foram queimados. Deixo o que eu havia descoberto sobre onde Crystal poderia estar em cima da mesa, passo pelo corredor da sede e vou até a sala de refeições. Procuro a mesa mais vazia, sento-me no banco que é feito de madeira. A Sala de refeições era aberta para o público, ou seja, você não precisava estar hospedado na sede para jantar. Havia vários homens bárbaros bebendo e cantarolando. Pergunto-me se Lorranea já está melhor do coma em que ela se encontrava. Abro a minha garrafa de bebida e a bebo comendo o meu jantar. Depois de ter jantado, resolvo dar uma volta pela cidade, mas antes pego um casaco, pois estava fazendo frio demais lá fora. Dou uma volta rápida pelo centro. Retorno por outro caminho por que houve uma morte na estrada que dava para a sede, um homem foi pisoteado por cavalos, seu crânio e cérebro ficaram esfarelados pelo chão. Acendo um cigarro, diminuo meus passos, ando cabisbaixo, pensando na vida.

— Moço... – Alguém me chama. Viro-me, era uma criança.

— Sim, pequeno? – Pergunto.

— Poderia... Arranjar algo para comer, minha família está morrendo de fome... – O garoto me olha com um olhar de tristeza profunda. Coloco a mão em meu bolso, tirando várias moedas de Kérmata e dando ao garoto.

— Mas... Isto é muito... – O Garoto se impressiona com a quantidade de moedas.

— Não se preocupe com isto. Tenho certeza que vai dar para você e sua família ficarem bem por algum tempo.

— Muito obrigado... Mesmo! – O Garoto me abraça. Abraço-o colocando a mão em sua cabeça, dando um abraço rápido. Vejo o garoto indo em direção a sua mãe que estava pedindo esmolas. Ele mostra à quantidade de moedas a mãe e ela se impressiona. Passo direto. Passo por um pequeno beco estreito. Diminuo os meus passos. Até que escuto algo.

— Você foi alertado. Se não entregasse a pedra até o prazo indicado, sabia o que poderia acontecer. – Aproximo-me lentamente para ouvir a conversa.

— Mas como vou entregar algo que não está comigo? Eu não sei onde ela está, à última vez que eu vi a pedra do abismo foi á alguns meses. Estava saindo do castelo do rei, ocorreu uma festa lá, comi e bebi muito, até que quando eu saí do castelo para ir para minha casa, fui atacado e desacordado por algo ou alguém, a rua estava muito escura por que já haviam apagado as luzes do caminho para o palácio.

— Os meus chefes disseram que você está com ela. – O Homem coloca um punhal sob o pescoço do homem, fazendo um pequeno corte.

— Não está comigo... Estou dizendo a verdade! – O Homem que estava com o punhal no pescoço é empurrado fortemente contra a parede.

— Espero que esteja falando a verdade mesmo, se não a sua família vai acabar como você. – Já imaginando o que o homem armado com o punhal iria fazer, corro até ele e empurro-o, ele cai no chão com força, alguns segundos depois ele começa a se levantar.

— Base, AA71 contatando, suspeito salvo, repito, salvo. – O Homem fala por um Walkie-Talkie. – Agora posso cuidar de você. Vai se arrepender de ter feito isto. – Ele coloca o punhal na mão e corre em minha direção. Esquivo-me, mas ele é mais rápido e tenta dar um soco em mim, por pouco não me acerta. Defendo-me do soco e dou um chute em sua barriga, ele recua alguns passos para trás, sou pego de surpresa e ele me dá um soco no rosto. Ele se põe de pé novamente e tenta me acertar com o punhal, por pouco não sou atingido. Utilizo alguns golpes que eu havia aprendido, consigo desarmar ele. Vou para cima dele, sou derrubado no chão novamente, não conseguia me levantar, o homem levanta a mão com o punhal para me acertar, mas antes de me apunhalar, o outro homem o atinge com uma paulada na cabeça. O Homem acaba desmaiando. O rapaz que me ajudou me oferece a mão, seguro e me levanto.

— Obrigado. – Digo apertando a mão dele.

— O Mesmo. Por sua causa não morri. – O homem dá um sorriso.

— Quem era ele? – Pergunto. Ele olha para os lados.

— Vamos para outro lugar, aqui não é seguro. – Diz ele. Decidimos ir até a sede, ficamos na sala de refeições, naquele horário havia poucas pessoas por lá. Pedi algo ele comer e beber.

— Poderia começar me dizendo quem é você. – Digo. A Escuridão do beco havia me atrapalhado de ver a característica física dele, branco, olhos pretos, cabelos pretos, alto, magro e cabelo ondulado.

— Ele era um dos homens que caça a Pedra Primordial. – A comida e a bebida foram colocadas na mesa, pego a minha garrafa de bebida, o rapaz optou pelo copo de suco.

— O que é essa tal de “Pedra Primordial”? – Pergunto bebendo.

— Sério que nunca ouviu falar dela nas lendas por aí? Nem por boatos? – Ele me olha com um olhar sério.

— Não, nunca ouvi falar. Estou ouvindo falar agora. – Olho nos olhos negros dele.

— A Pedra primordial diz a localização de objetos extremamente perigosos e raros. Mas há coisas que a pedra não é capaz de revelar onde está. – Observo ele comer a coxa da galinha. Pergunto-me se a pedra releva a localização da caixa de Pandora.

— Então ela diz onde se encontra coisas como tipo... A caixa de Pandora? – Pergunto.

Ele me olha por um momento seriamente, depois ri.

— O que foi? – Olho para ele seriamente.

— A caixa de Pandora não existe. É só uma lenda. – Ele ainda estava rindo.

— É. Assim como um homem louco foi atrás de você hoje em busca de uma “Pedra”. – Bebo a minha bebida.

— Bom, de onde eu vim não acreditamos em algumas coisas. – Ele termina de comer.

— Já que você sabe o que é então está com ela. – Digo.

— Estava. – Ele suspira.

— O que aconteceu? – Termino de beber.

— Eu dei fim nela. Estava com ela até algumas semanas, nunca achei que uma pedra daria tantos problemas que nem ela. – Ele dá um sorriso.

— Que tipo de problema? – Pego um cigarro do bolso, tiro o isqueiro e acendo.

— Estranhamente começou a morrer pessoas, animais e plantações na vila onde eu morava. – Ele olha fixamente para a mesa. – A minha família também morreu... –

— E como sabe que é culpa da pedra? – Pergunto.

— Por que as mortes começaram após eu achar a pedra, a encontrei em uma cachoeira, estava brilhando muito. Achei que fosse algo precioso, mas senti algo diferente ao segurar ela na mão, uma sensação de poder... – Ele me olha tragando o cigarro. – O que é isso? –

— Cigarro. Quer? – Ofereço. Ele aceita e acaba engasgando, ensino o jeito certo de tragar.

— O que fez com a pedra? – Acendo um cigarro para mim.

— É... – Ele olha para algum lugar tentando lembrar-se de algo.

—? – Espero ele responder.

— Joguei de um penhasco. – Ele me pede outro cigarro, dou a ele.

— E por que ele disse que estava com você? – Trago o cigarro.

— Acho que... Por causa dos métodos que eles usam mostrar onde está o objeto só uma vez, já que eu joguei em um penhasco ontem, ainda está dizendo que está comigo por eu ser o último a estar com ela. – Ele suspira.

— Me ajude a encontrar? Preciso encontrar algo. – Sou direto e pergunto.

— É... Eu não quero mais nada com aquele troço não. Aquilo lá parece ser mais um instrumento dos seres das trevas. – Ele traga o cigarro.

— Por favor. – Olho sério para ele.

—... –

—... –

— Tudo bem. Mas depois não diga que eu não te avisei. – Ele termina de fumar o cigarro e joga fora.

— Certo. – Jogo o resto do cigarro fora.

— Vamos amanhã, ao meio-dia. – Diz ele.

— Ótimo. – Digo. – Vai ficar hospedado aqui mesmo? –

— Sim. – Responde ele.

— E, aliás, como você se chama mesmo? – Pergunto.

— Vander. – Ele olha em meus olhos. – E você? –

— Raphael. – Sorrio.

Ficamos ali por alguns minutos, depois fomos cada um pro seu quarto. Acordo-me muito antes da hora combinada, passo no meu trabalho e digo aos superiores de que não poderei trabalhar por alguns dias. Retorno para a sede, pego algumas coisas que achei importante para a viagem, tomo um banho e troco de roupa. Passo o tempo lendo um livro até chegar na hora combinada. Escrevo uma carta para Noah, dizendo onde fui e com quem fui, caso ele apareça. Pego o que eu havia separado e desço para frente da sede, Vander estava sentado na escadaria

— Até que enfim. – Vander se levanta.

— Vamos a pé? – Pergunto.

— Não. Vamos de carruagem. – Ele responde. Vander já havia chamado o homem que nos levaria até lá. Colocamos as nossas coisas na carruagem e entramos. Sento-me, começamos a nos movimentar, observo a paisagem do lado de fora da cabine.

— Em quantas horas chegaremos? – Pergunto.

— Com intervalos, provavelmente dentro de duas horas e meia. – Vander procura algo na mala que ele trouxe. Vejo que é um livro.

— Trouxe livros? – Digo.

— Sim... Ajuda há passar o tempo. – Diz ele. – Quer um? –

Aceito o livro. Passamos por um bosque, adentramos em meio a uma floresta nevoada que dava medo só de olhar. A velocidade diminui, contei que isto seria um atraso de quinze minutos. Ouço o barulho dos animais da floresta. Olhei para a floresta, o pouco de luz que iluminava o lugar nos ajudava a não bater em algo ou em alguém. Fiquei com um sentimento ruim por causa daquela floresta... O Cavalo bufa e de repente a carruagem para, escuto passos ao redor da cabine em que estávamos.

— O que foi isto? – Pergunta Vander.

— Vou ver. – Olho para Vander.

— Espera. – Vander segura minha mão. – E se... Alguém estiver lá fora? Alguém que possa nos fazer mal? –

— Relaxa. – Por fora eu não aparentava estar com medo, mas por dentro eu estava.

— Eu é que não vou ficar aqui sozinho. – Noah se levanta.

Ficamos em frente à porta.

— No três. – Digo. – Um, dois, três! – Tento abrir a porta.

— Ué? – Noah empurra a porta, mas ela não se abre. – Droga... –

Começo a chutar a porta até ela quebrar. Fomos para fora.

— Finalmente! Eu estava quase tendo um ataque de nervos ali dentro. – Ando em direção a onde o cocheiro ficava assentado.

— Vander! – Digo alto. Percebi Vander observando a floresta. Ele vem em minha direção.

— Cadê o cocheiro? – Pergunta Vander.

Aponto para uma pequena trilha de sangue que levava para o interior da floresta. Corro em direção a ela.

— Ei! Me espera! – Vander me segue. Correndo até onde o sangue levava, acabei me arranhando no espinho de uma roseira, diminuo meus passos para Vander me alcançar. Chego até onde o sangue levava, o cocheiro estava morto no chão. Viro-me para falar com Vander.

— — Ai! E agora? – Vander se desespera. O Corpo do cocheiro estava completamente despedaçado no chão, em um lado estavam seus órgãos, do lado seu coração, estômago, a cabeça dele estava completamente destruída no chão.

— Que caralhos você acha que fez isso? – Pergunto a Vander. Vander estava me olhando com um olhar terrível de medo.

— O que foi? – Pergunto.

— Atrás de você! – Ele grita. Viro-me, me deparei com uma terrível criatura com garras enormes, asas negras, a criatura se assemelhava a um corvo grande e voador, seus olhos tinham uma cor muito forte de vermelho, um vermelho brilhante. O monstro faz um som horrível e avança em cima de mim, esquivo-me a tempo. Caio no chão, o monstro plana acima de mim, o que eu só poderia fazer era me defender dos ataques.

— Corre! – Digo a Vander. Levanto-me e corro na mesma direção que Vander, a criatura faz o mesmo barulho novamente. Aquele som que o monstro fazia me enchia de medo. Ficamos atrás de uma árvore, conseguimos despistar o monstro, mas eu sabia que não por muito tempo, ele pousa no chão novamente. Fazendo novamente o mesmo barulho. O monstro observa o local, olho para Vander, ele estava quase chorando de medo. Olho seriamente para ele.

— Calma. – Sussurro baixo.

Ele balança a cabeça, coloca a cabeça e olho de lado para ver onde o monstro estava.

— Socorro! – Ouço Vander gritando. O monstro com aparência de corvo faz novamente o mesmo barulho. Ele crava as unhas nos dois ombros de Vander, o sangue dele começa a escorrer. O monstro faz força para voar com Vander. Fico parado observando. Eu sabia como poderia salvar minha vida, e a do meu amigo. Olho para o céu nublado. Concentro-me. O Som do trovão preenche os céus. Sinto a energia do trovão percorrer em meu corpo, ergo uma de minhas mãos, a luz branca preenche os meus olhos, um trovão cai sobre o monstro que na mesma hora larga Vander no chão. Observo Vander, talvez ele esteja desacordado. O corpo do monstro alguns segundos depois explode, o sangue dele espirra um pouco em minha camisa branca, os órgãos e o coração se chocaram contra uma das árvores da floresta. Ando até Vander, o céu ainda trovejava.

— Vander? — Digo balançando ele.

Não obtive resposta. Checo o pulso dele. Ele ainda estava vivo. Coloco Vander sob meu ombro, precisava levar ele até um local em que ele possa se recuperar. Lembrei-me que antes de passarmos pela trilha de sangue havia uma casa abandonada. Corro em direção a ela, passo na carruagem e pego o que eu conseguia levar comigo, corro em direção a casa abandonada, a chuva começa a cair fortemente. Dou alguns chutes na porta até ela se quebrar. Coloco Vander deitado no chão, a casa estava escura, procuro na bolsa algo que ilumine o local, achei quatro velas, acendo duas. Eu sabia que tinha que fechar o ferimento que o monstro havia deixado em Vander. Pego a garrafa de bebida que eu havia trazido, derramo sob minha mão para evitar que infeccione. Vander acorda.

— Calma, não se mexe, vou tratar a sua ferida. – Digo.

— Você já fez isso alguma outra vez? – Ele pergunta.

— É minha primeira vez. Farei meu melhor. – Respondo. Minha mãe era médica, lembro-me de alguns procedimentos que ela fazia. – Isso vai arder pra caralho. –

Derramo sob o ombro de Vander um pouco da bebida que eu havia trazido na garrafa, ele grita de dor. Derramo o líquido nos dois ombros, a ferida estava muito profunda.

— Porra... – Digo me lembrando de que preciso de algo para fechar a ferida. Procuro na bolsa rapidamente. Encontro uma agulha e um rolo de linha. Derramo a bebida em minhas mãos e na agulha.

— Não... – Vander estava com lágrimas nos olhos.

— Preciso fazer isso... Certo? – Respondo olhando nos olhos dele. – Não vou deixar você morrer. – Ele não responde. Minha mão começa a tremer, enfio a linha no buraco da agulha.

— No três. – Digo. Ele balança a cabeça.

— Um, dois, três! – Enfio a agulha na pele de Vander e começa a costurar eu sabia que a linha não poderia adiantar. Vander se segurava para não gritar de dor, costuro devagar para não perfurar algum vaso sanguíneo, a ferida estava começando a fechar, o outro ombro estava sangrando muito, termino de costurar um dos ombros dele.

Vander suspira, vou para o próximo. Levanto a agulha.

— Calma. – Diz Vander suspirando. – Pode. –

Percebi que o ombro estava mais infectado que o outro que já estava costurado, pego a vela. Aproximo-a da ferida, com cuidado para não queimar Vander que estava rangendo os dentes e se contorcendo. Deixo a vela por perto para iluminar o local. Perfuro a pele de Vander, o sangramento havia parado. Jogo a bebida novamente sobre o ombro dele. Termino de costurar o ombro dele, Vander desmaia de dor. Procuro algo que pudesse limpar todo aquele sangue no chão, encontro um pano velho na casa, limpo o chão. Pego da mochila uma roupa para me trocar, lembrei-me que ali perto havia um lago de água limpa, vou até o lago, deixei Vander na casa abandonada até acordar, o chão que dava para o lago estava molhado da chuva que caiu há uma hora, cheguei no lago, a paisagem do lado era belíssima, a luz do luar refletia no lago. Tiro a roupa e entro na água, olho para a lua, estava cheia e no ponto mais alto do céu, mesmo com algumas nuvens no céu eu conseguia vê-la. A lua naquele mundo ficava tão perto que parecia que você poderia tocar ela com a mão. Olhar para a lua me fez lembrar de meus pais...

"Florida City, nove de setembro de 2032"

— Raphael querido, está na hora de acordar. – Vejo minha mãe entrar em meu quarto e abrir as cortinas das janelas, a luz do sol me ofuscou um pouco. Minha mãe olha em meus olhos.

— Bom dia, meu amor. – Ela me abraça.

— Bom dia. – Digo.

— Tome um banho e escove os dentes. Daqui a pouco é a hora de sua escola. – Minha mãe dá um beijo em minha cabeça e sai do quarto. Pego uma toalha e vou até o banheiro, faço o que tinha que fazer, tomo um banho e escovo os dentes, enxugo-me, saio do banheiro e visto a farda da escola. Estava estudando na “Catholic School of Florida” sempre acordei neste horário, às nove horas da manhã, as aulas começavam as dez e largava às três horas da tarde. Assisto alguns desenhos que passava na TV. Ando em direção a cozinha.

— Já está pronto? – Minha mãe estava fazendo algo para comermos.

— Já... O pai já apareceu? – Pergunto.

—... – Minha mãe fica em silêncio.

— Ele está trabalhando, você sabe. – Ela responde. Vejo uma pequena marca roxa perto do olho de minha mãe, mas não pergunto o que causou isto.

— Sempre está trabalhando. – Digo e sento-me na cadeira da mesa que ficava mais perto da janela para ver a paisagem do lado de fora. – Parece até que ele morreu! –

— Não diga mais isto. – Minha mãe coloca a comida no prato e coloca na mesa em que eu estava.

— Desculpe... – Digo.

— Não precisa se desculpar, meu amor. – Minha mãe fica rosto a rosto comigo, de perto consegui ver mais ainda a mancha roxa em seu rosto, mesmo coberta de maquiagem.

— Que mancha é esta? – Pergunto.

— Eu escorreguei em um chão molhado e acabei batendo este lado do rosto. – Algumas vezes, quando meu pai dava sinal de vida em casa, eu via minha mãe e meu pai brigando, quando ele chegava bêbado ele batia em minha mãe. Algumas vezes quando levantava da cama, ele, mas minha mãe me defendia. Ela percebeu que eu estava olhando para a mancha roxa perto de seu olho.

— Não se preocupe com isto. – Ela dá um sorriso. Olho em seus olhos cor de esmeralda. Pego o garfo que estava ao lado da mesa e como meu café da manhã, era panquecas, a minha comida preferida. Coloco o prato na pia e vou para o lado de fora da casa. Espero a minha mãe. Enquanto isso observo o jardim da casa. Ela fecha a porta da casa, antes de sair ela sussurrava algo que eu não entendia, mas sabia que era em outra língua. Entramos no carro, após onze minutos chegamos em frente da escola.

— Tome cuidado. Se alguma coisa acontecer, já sabe o que fazer. – Ouço minha mãe dizer e apenas faço um sinal de sim com a cabeça. Abro a porta do carro, mas antes de descer minha mãe segura pelo braço.

— Sabe que eu te amo, não é? – Minha mãe me abraça.

— Também te amo. – Dou um abraço rápido nela e saio do carro, percebo que ela me observava entrar na escola, vou para a sala de aula, a professora ainda não havia chegado. Como de costume, sento-me na primeira fileira, havia algumas garotas na sala, reparo em uma delas, ela se chama “Lizzie” a mais bonita da sala. A professora entra na sala. O assunto de hoje foi sobre matemática, já estamos estudando matemática há algum tempo. Horas depois, o sinal para o recreio acabará de tocar, naquela hora ainda havia alguns alunos do terceiro ano do ensino médio que ficavam perturbando alunos de séries mais baixas. Vou até o refeitório, tiro o lanche que estava na minha mochila e começo a comer, era um sanduíche de queijo. Tento pensar em algo para me distrair, me lembrei de que minha mãe havia me dito que jantaríamos fora hoje a noite. Devo confessar, estava muito ansioso para que esta hora chegasse, raramente saímos para jantar fora. Sinto que alguém estava se aproximando, olho para trás.

— Este é o pivete? – Ouço um garoto que raramente via na escola dizer.

— É sim, Tyler... – Ouço outro garoto menor que o outro garoto dizer.

O Tyler se aproxima de mim, me puxa de onde eu estava sentado e me empurra contra a parede.

— Quem é você? – Pergunto.

— Sou o irmão da Lizzie. “Fiquei sabendo que você estava dando em cima” da minha irmã. –

Ele me empurra mais forte ainda contra a parede.

— Eu? Não! Só somos colegas de sala. – Fiquei nervoso. Ele coloca a mão em meu pescoço e começa a apertar.

— Você está me machucando! – Tento tirar as mãos dele de meu pescoço. Minha visão começa a escurecer.

— Para! – Sinto lágrimas escorrer pelo meu rosto. Tyler ri.

— Me deixe assumir, terei controle sobre a situação. – Ouço alguém dizer.

— O quê? – Digo fraco.

— Deixe-me dar um troco nele, mas aviso logo, o que acontecer é responsabilidade sua. –

— Certo! – De repente eu apago.

Quando acordei estava na sala da diretoria, das poucas vezes que eu estive lá, sempre senti o cheiro de mofo, talvez seja as poltronas que tinham esse cheiro. Olho para os quadros com algumas fotos da diretora Mary.

— Então é isto... Um rapaz desse tamanho vai se trocar com meu filho que é praticamente uma criança e para que se defender acaba batendo nele e meu filho que acaba levando a culpa? – Vejo minha mãe entrar na sala seguida atrás pela diretora, por último vinha o Tyler com marcas roxas em seu rosto.

— Senhorita Mia se acalme, por favor! – A Velha diretora Irmã Mary tenta acalmar minha mãe. – Sente-se, por favor. – Minha mãe fica em pé ao meu lado.

— Raphael, conte a nós o que aconteceu. – Diz a diretora.

— Eu estava no refeitório... Me virei para trás e ele me agarrou dizendo que eu estava dando em cima da irmã dele. Ele apertou meu pescoço... – Digo tentando lembrar o que aconteceu após isto. Lembro-me daquela voz, mas não conto nada a Mary, com certeza ela iria me recomendar um psiquiatra ou algo do tipo.

— E depois? – Ela espera ouvir a continuação.

— Eu não me lembro... – Digo. – Eu acho que... Desmaiei... –

— Como não lembra? Vimos o que fez com Tyler! – Mary ajeita seus óculos.

— Eu não me lembro... – Digo com um olhar triste.

— Mas... – Mary é interrompida por minha mãe.

— Meu filho já disse que não se lembra. – Diz minha mãe.

— Senhorita Mia, eu não estou culpando seu filho, só estou tentando ouvir da parte dele para resolver isto.

— Este assunto se encerra aqui. Vem filho. – Minha mãe pega a minha mochila, passo pela porta e minha mãe fecha. Andamos em direção a saída da escola, fomos até o estacionamento que ficava em frente à escola. Entramos no carro. Após alguns minutos de silêncio pergunto algo.

— Está brava comigo? – Pergunto.

— Não querido. – Ela sorri. Aquele sorriso da minha mãe sempre me acalmava. Percebi que ela estava um pouco estranha.

— Está tudo bem? – Pergunto.

— Está querido... Vai tudo ficar bem... – Diz ela. Chegamos em casa, novamente meu pai não estava lá. Tomo um banho e troco de roupa, vou para o meu quarto e faço as atividades que a professora escreveu no quadro. Termino de fazer as atividades, deito-me na cama, me lembro da voz que eu havia escutado na escola. Tento fazer algo que quem me visse iria achar que eu estava louco.

— É... Você está ai? – Digo sentando na cama.

—... – Silêncio. Repito novamente. – Voz, você está ai? – Digo. Não escutando nada vou em direção a porta para sair do meu quarto. Abro a porta. Quando coloco meu pé para sair do quarto...

— Me chamou? – Viro-me, a voz que eu havia escutado agora havia aparecido para mim. Olho para ele. Ele tinha uma pele branca, lábios em um tom rosado, cabelos negros e lisos, olhos azuis com um tom escuro.

— Chamei... Quem é você? – Pergunto.

— Eu sou uma parte sua. – Ele responde sentando na cama ao meu lado. Me aproximo dele.

— Parte minha? – Pergunto curioso.

— É... Digamos que eu sou uma parte de você sendo que mais forte. – Ele sorri.

— Entendi... Eu acho... Como você se chama? – Pergunto.

— Eu tenho vários nomes. – Ele cruza os braços. – Mas não gostei de nenhum dos nomes que já me deram. –

— Vou te dar um nome então. – Penso em um nome para ele.

— Pode ser. – Ele ri.

— Winter... – Digo.

— Winter? – Ele me olha seriamente. – É legal. –

— E... – Minha mãe entra no quarto antes de eu terminar o que ia dizer.

— Com quem estava conversando? – Ela pergunta.

— Estava ensaiando para um trabalho que vai haver na escola... – Invento uma desculpa.

— Ah. Tudo bem. Daqui a pouco vamos ir jantar. – Minha mãe me olha.

— Certo. – Olho para os lados. Minha mãe pega a roupa suja e sai do quarto. Ando até a porta para ver se ela estava escondida me observando.

— Winter? – Digo.

— Estou aqui. – Ele responde. – Ela é sua mãe? –

— Sim... – Digo.

— Posso te pedir uma coisa? – Ele pergunta vindo em minha direção e ficando frente a frente comigo.

— Sim. – Olho nos olhos azul escuro dele.

— Não fale sobre mim a sua mãe. – Ele me olha em meus olhos.

— Tudo bem... Mas, por quê? – Pergunto querendo saber o motivo.

— Para que ela não tem chame de louco. Ok? – Ele responde.

— Certo. – Digo.

— Se precisar de mim é só me chamar. Você pode não estar me vendo, mas estarei sempre perto de você. – Winter sorri.

Me arrumo para irmos jantar, saio pela porta e desço as escadas, minha mãe estava me esperando. Fomos até um restaurante a meia hora de distância de nossa casa. Chegamos no restaurante, era o melhor da cidade. Ficamos nas últimas mesas, sentamos na cadeira e pedimos algo para comer e beber. Fomos servidos minutos depois.

— Mia? – Ouço alguém chamar a minha mãe.

Minha mãe se levanta, era Rose.

— Oi Raphael. – Rose dá um beijo em minha bochecha.

— Oi Tia Rose. – Digo.

— Oi Tia Rose. – Digo. Ela não era minha tia de sangue, mas para mim era como se fosse.

— Oi Rose! – Minha mãe estava surpresa. – Já volto querido. – Diz ela.

— Posso pedir um sorvete? – Pergunto antes de ela levantar.

— Pode sim querido. – Minha mãe se levanta e vai até um lugar afastado na mesa.

— O que acha que elas estão conversando? – Winter me dá um susto ao aparecer na frente da
mesa.

— Que susto! – Digo com o coração acelerado.

— Desculpe. Melhor se acostumar, posso aparecer a qualquer hora. E então, sobre o quê você acha que elas estão conversando? – Ele pergunta.

— Não sei, mas deve ser algo importante, para elas terem que se afastar da mesa. – Termino de comer o meu jantar.

— Garçom! Me trás um sorvete, por favor. – Digo.

***

— Como soube que eu estaria aqui? – Pergunto a Rose.

— Mia, você melhor que ninguém sabe que eu tenho meus métodos. – Rose cruza os braços.

— Descobriu algo? – Indago.

— E Você acha que eu viria aqui arriscando a minha vida à toa? – Rose ri. – Se bem que na verdade estava com saudades do pequeno playboy. –

— O que descobriu? – Olho nos olhos negros de Rose. Rose é filha de Hécate.

— Há uma sede te investigando. Eu não sei quem são ou como se chamam, mas o que descobri.... É que eles mexem com magia negra... E das pesadas. Eles moram a alguns metros da sua casa, você está em perigo aqui. – Rose me olha seriamente, mas com um olhar de preocupação.

— Talvez eles acham que eu sei onde Aura está. – Digo.

— Não sei não em... Logo um bando de pessoas que mexem com magia negra pesada... Talvez outra coisa que você não lembra... Ou, pode ser isso mesmo que você disse. Mas me escute quando estou dizendo que você está correndo perigo aqui. Principalmente seu filho. Melhor você se mudar para fora da cidade dou do país... – Rose olha para Raphael que estava tomando seu sorvete.

— Se eu for tentar sair do país eles vão saber facilmente que eu fugi. Até no governo, fora do país, na aviação o senhor do submundo tem seus capangas. – Observo Rose.

— Tome cuidado. Se eu souber mais de alguma coisa, te avisarei. – Rose se despede de mim com um abraço. Vejo ela sair do restaurante e volto para a mesa.

***

— Mamãe? – Digo.

— Sim? – Ela me olha.

— O que ela queria? – Olho em seus olhos verdes.

— Ela veio falar sobre uma casa que está para alugar no interior. – olho para os olhos de minha mãe, sei quando ela estava mentindo.

— Vamos nos mudar novamente? – Pergunto.

— Provavelmente sim... Tenho que falar com seu pai antes. – Minha mãe se senta na cadeira.

— Mas já faz algum tempo que o pai não aparece. Onde será que ele está? – Estava quase terminando de tomar meu sorvete.

— Filho, já te disse que ele está trabalhando. – Minha mãe cruza os braços

.

— Que trabalho é esse em, que não volta para casa? – Digo irritado. – Se aconteceu algo com ele é melhor falar... –

— Ele está bem. – Olho nos olhos dela, ela estava falando a verdade. Minha mãe pagou a conta do restaurante, aproximadamente às oito horas da noite estávamos em casa. Tomo outro banho, troco de roupa e cai de cara na cama. Acordo-me na madrugada com alguns barulhos vindo da sala, a luz da sala estava acesa, desço a escadaria devagar e fico escondido para ouvir algo.

— Isso é totalmente desnecessário, Mia. – Ouço a voz de alguém familiar.

— Desnecessário? É a vida do nosso filho que está em jogo, sabíamos que nosso futuro não ia ser fácil, principalmente com um filho para criar. Temos que proteger ele a todo custo. – Minha mãe estava sentada na poltrona.

— Estou cansado dessa vida de fugir. Uma hora ou outra vamos ser pegos mesmo, está escrito na profecia que os guardiões tentarão proteger a caixa, mas sempre falharão. – Reconheço a voz, era a voz do meu pai.

— Até que surjam os verdadeiros e dignos guardiões. Bom, essa vida de fugir começou desde que descobrimos quem realmente somos não adianta querer fugir dessa vida agora. – Vejo que minha mãe estava brava. – Rose veio me ver hoje. –

— Sério? Ela esteve aqui? – Meu pai se senta na poltrona.

— Na verdade encontrei com ela no restaurante, quando fui jantar com o nosso filho. – Minha mãe cruza as pernas.

— E o que ela disse? – Meu pai pergunta.

— Disse que há um grupo de magia negra das pesadas nos vigiando. – Diz minha mãe.

— E... ? – Meu pai acende um cigarro.

— Viu? Mais um motivo para se mudarmos daqui. – Minha mãe estava muito inquieta, sai da poltrona para o sofá. – Seu filho sente falta de você... Sabia? Nem para dar um oi pra ele você dá... – Minha mãe cruza as pernas novamente.

— Tenho mais o que fazer. Estou ocupado procurando algo que me diga sobre o paradeiro do oráculo. – Vejo meu pai dá um trago no cigarro.

— Oráculo? Para que você quer encontrar ele? – Vejo que minha mãe olhava nos olhos negros de meu pai.

— Preciso saber quem está por trás do roubo da Chave Abissal. – Meu pai cruza as pernas.

— A Chave Abissal! Ela foi roubada? – Minha mãe se espanta.

— Não está sabendo? – Meu pai se espanta pelo motivo de minha mãe não está sabendo do roubo desta tal chave.

— Não. Se a chave cair nas mãos de Hades... Vai ser o fim de tudo. – Ouço minha mãe dizer.

— Rose te disse algo mais? – Meu pai pergunta.

— Não. Só me contou isto dos caras que mexem com magia negra. Tenho um palpite, talvez estejam atrás de nós para descobrir o paradeiro de Aura e do Dan. – Percebo que minha mãe estava amedrontada.

— Aura e Dan é? Ou pode ser por causa do pergaminho dos deuses. – Meu pai ri.

— O Pergaminho dos deuses? Disseram que ele voltou para a morada de Zeus. Sinceramente, espero que realmente esteja com ele. – Minha mãe se treme por conta do frio.

— E então, vamos nos mudar? – Minha mãe pergunta.

— Quem sabe é você. Tenho que ir. Estou atrasado. – Meu pai veste uma camisa. – Diga ao Raphael que eu amo ele. –

— Certo. – Minha mãe se levanta e vai até a porta, abrindo para que meu pai passasse.

— Newton? – Diz minha mãe.

— Oi? – Diz meu pai. Minha mãe se aproxima dele e o beija.

— Toma cuidado. – Ouço minha mãe dizer. Meu pai apenas balança a cabeça para cima e para baixo. Escuto o barulho de carro ligando. Ando até a sala.

— Filho? Que faz acordado essa hora? – Minha mãe se assusta.

— Você mentiu. – Digo. – Disse que a Rose foi falar sobre uma casa... Mentirosa! –

— Raphael... – Minha mãe tenta se aproximar.

— Sai de perto de mim! – Corro de volta para o meu quarto. Tranco a porta do quarto e deito na cama.

— Ei, garoto. O que houve? – Escuto a voz de Winter.

— Minha mãe... Ela mentiu para mim... – Digo. Estava triste com uma besteira.

— Mentiu? – Ele pergunta. – Como assim? –

— Mentiu sobre meu pai, sobre Rose, sobre várias coisas. – Digo abraçando o travesseiro.

— Nossa... Sabe se lá em quê mais ela está mentindo... – Winter se deita na cama ao meu lado.

— Ainda bem que tenho você como amigo! – Subo em cima de Winter e o abraço.

— E eu a você. – Winter sorri. – Você é bem pesado. –

— Bobo. – Saio de cima dele.

Winter acaricia meus cabelos, fecho os olhos e caio no sono. Sou o primeiro na casa a acordar, faço o que tinha que fazer, escovo os dentes, tomo banho e troco de roupa. Minha mãe avisou que chegaria somente no outro dia e que eu não saísse de casa. Procurei algo para assistir, dia de sábado é um saco, não se passa quase nada de bom na TV. Vou ao computador, mas estava sem internet. Decido procurar algo para fazer, não havia nada que me chamasse à atenção. Decido sair de casa, ao menos ir ao parque para andar. Visto uma calça jeans e uma camisa vermelha. Pego algumas notas de dinheiro e coloco no bolso, fecho a casa e coloco as chaves no lugar que minha mãe mandava, dentro do vaso de flores que ficava ao lado da porta. Ando em direção ao parque da cidade, a rua estava pouco movimentada, talvez a maioria das pessoas estejam no parque.

— Você não deveria sair. – Ouço Winter, ele estava do meu lado.

— É. Não deveria, mas eu quis sair. – Digo. -

— Mas sua mãe disse... — O interrompo.

— Eu quis sair e pronto! – Digo. Ele suspira.

— Tudo bem. Qualquer coisa me chame... – Winter coloca a mão em meu ombro e desaparece. Chego no parque, havia poucas pessoas, me enganei ao ter pensado que estariam no parque. Brinco nos brinquedos que haviam por lá, olho para o horário em meu relógio, era exatamente 12h45min. Fico até uma hora da tarde no parque, retorno para casa, no caminho para casa ando distraído.

— Raphael! – Escuto alguém me chamar. Olho para o outro lado da rua. Atravesso a rua rapidamente.

— Desculpe Senhora Jefferson, estava distraído, não vi a senhora me chamar. – Digo. – A Senhora precisa de algo? –

— Poderia me ajudar a levar estas compras até na minha casa? Estou com as costas um pouco dolorida. – Ela passa as mãos nas costas.

— Sim. – Respondo. Pego as compras e começamos a andar. Observo as belíssimas árvores que enfeitavam a rua do bairro em que eu morava.

— Como está a sua mãe? – Ela pergunta.

— Está dormindo em casa. – Minto.

— Faz algumas horas que eu vi seu pai, ele estava na rodoviária para outro estado... – Ela me olha.

— É? Faz alguns dias que não o vejo... – Tento fingir que estou com saudades dele.

— Ah, entendo. Faz alguns dias que não vejo o meu marido. – Ela suspira.

— Ele está bem? – Pergunto.

— Não sei. – Chegamos em frente a casa.

— Quer entrar querido? – Ela pergunta tirando a chave da bolsa.

— Tenho que ir, minha mãe vai acordar a qualquer momento. – Olho nos olhos dela.

— Por favor, eu insisto. – Ela abre a porta e sorri.

— Tudo bem... – Coloco as compras dela para dentro, ouço o barulho da porta se fechando.

Sento-me na poltrona.

— Vou pegar algo para comermos. – Ela anda em direção a cozinha. Olho para as fotos dela com o Sr Jefferson. Olho para a janela, o quintal dos Jefferson é bem grande. A velha de cabelos brancos e gorda retorna com uma torta doce e café para comermos.

— Aceita um pedaço? – Ela se senta na poltrona que ficava em frente a que eu estava sentado.

Apenas balanço a cabeça. A Senhora Jefferson coloca o pedaço de torta doce em um prato que ela havia trazido. Como tudo. Estava muito bom, o gosto me lembrava uma mistura de morango e chocolate ao mesmo tempo.

— Isto está uma delícia! – Digo surpreso com o gosto da deliciosa torta.

— Bom não é? – Ela sorri e também come um pedaço.

— Senhora Jefferson... A Senhora me diz que viu meu pai na rodoviária para ir a outro estado, qual estado era? – Pergunto.

— Bom, meu palpite é Massachusetts ou Oklahoma, por causa da placa que apontava os destinos. – Ela cruza as pernas.

— Seu quintal é muito grande... Não sabia que era deste tamanho todo. – Levanto-me e vou até a janela, olhando pela janela era muito maior.

— É, mas quase não uso o quintal, só uso mesmo para estender roupas e para outras coisas. – Ela come o último pedaço do bolo.

— Ah... – Apenas digo isto.

— Posso recolher? – Ela pergunta.

— Claro. – Respondo. Ela vai até a cozinha. Fico com sede e vou até ela.

— Poderia me arranjar um copo de água? – Pergunto. Ela me dá um copo, o bebedouro ficava no lado esquerdo da parede. Fiquei de costas com a Senhora Jefferson.

Ouço o barulho da Senhora Jefferson mastigando algo, mas não consegui ver o que era. Vejo que uma das portas dos quartos estava um pouco aberta. Aproximo-me, sinto um mau cheiro. Abro aos poucos a porta do quarto. Olho para a Senhora Jefferson que ainda estava comendo algo em frente a pia. Entro no quarto. A Pintura do quarto é roxa, assim como a da sala, havia somente uma janela que estava fechada, olhando para fora, ao lado havia uma cerca de madeira branca, dava para ver um pouco da pista também. Vejo a garagem da casa do vizinho dos Jeffersons, olho para a cama. O Lençol estava escondendo algo, havia muitas moscas em cima do lençol, notei uma pequena mancha vermelha no lençol. Fiquei com nojo daquele lençol, sabe se lá há quanto tempo ele está lá. Também fiquei com nojo das moscas, mas fiquei ainda mais com nojo do lençol. Aproximo-me, uma mosca pousa em meu braço, a espanto. Vou puxando aos poucos o lençol. Até que retiro ele todo e me espanto com o que vejo. O Senhor Jefferson estava deitado na cama com inúmeras moscas sobre o corpo dele, a partir do joelho para baixo não havia mais nada. Olhando para ele deu a mim a impressão de estar morto, mas ele ainda estava vivo. Fico imóvel por alguns segundos.

— Tem algumas coisas que não devem ser descobertas... – A Senhora Jefferson estava parada em frente à porta com a mão para trás e com a boca suja do que parecia ser... Sangue... Ela ri loucamente, mostrando a mão, ela puxa uma faca muito estranha. Ela avança em cima de mim, grito, desvio do ataque dela, mas ainda sofro um pequeno corte no rosto, tento sair pela porta, mas a Sra. Jefferson me puxa pela perna, me fazendo cair e bater a cabeça no chão. Levanto-me rapidamente, passo a mão na cabeça, precisava de algo para me defender, procuro e acho um martelo de ferro, não muito grande. A Sra. Jefferson segura meu braço, dando uma mordida muito forte me fazendo gritar, meto o martelo em sua cabeça, ela anda um pouco para trás. Tento fugir novamente, mas ela me agarra e me dá socos no rosto, o sangue começa a escorrer pelo meu rosto. Ela arremessou o martelo longe. Ela começa a apertar meu pescoço, minha respiração começa a parar. Vejo Winter.

— Me... Ajuda... – Digo com dificuldades.

— Não posso assumir agora. Vou te dar um pouco da minha força para se livrar dessas. – Winter se aproxima de mim e toca em minha cabeça. Um calor e uma sensação terrível invadem o meu cérebro. A sensação de medo que eu estava sentindo mudou. Agora eu só conseguia pensar em sangue.

— Agora sim! – A Jefferson pega a faca. Pego o martelo Ela avança em cima de mim, desvio e bato com a maior força possível em sua cabeça. Ela cai no chão desacordada. Não me conformando, golpeio o rosto dela várias vezes. Na primeira martelada, o nariz dela se quebra. Na segunda vez o sangue espirrou em minha camisa, na terceira vez um buraco ficou no lugar do nariz, na quarta vez os olhos saíram pelos dois orifícios, na quinta vez escuto o crânio rachar. Na sexta vez a mandíbula e a parte de baixo do nariz havia se quebrado e se esfarelado totalmente, na sétima vez vejo o cérebro dela ainda pulsando, com dificuldades, esmago totalmente o cérebro dela até ficar uma massa totalmente mal cheirosa no chão. Termino de fazer aquilo que para mim era uma obra de arte, me dou conta do que fiz... Entro em desespero e começo a chorar olhando para o corpo da senhora Jefferson no chão com a cabeça completamente esfarelada e destruída. Mas eu sabia, era eu ou ela. O quarto ficou completamente ensangüentado. Mesmo com nove anos, sabia que poderia ser e que havia provas contra mim ali. Decido tocar fogo na casa, encontro álcool e derramo sobre tudo na casa, Pego o dinheiro que eu havia visto na prateleira para mim. Guardo no bolso, pego o martelo, olho para o que a Jefferson estava comendo, era metade da perna de seu marido. Saio da casa, olho para a rua para ver se havia alguém, não havia ninguém. Tiro o fósforo do bolso, acendo-o e jogo no álcool, o fogo se espalhou em segundos. Corro para casa, o gás poderia explodir a qualquer momento. Entro na casa, sabia que deveria me livrar do martelo o quanto antes, mas decido fazer isso a noite. Pego a chave da porta de casa que estava escondida, abro e tranco a casa toda. Choro ao pensar no que fiz. Se alguém ligasse para o bombeiro, eles demorariam o tempo necessário para eu me livrar do martelo. Pego uma toalha, uma escova e vou para o banheiro. Tiro a roupa, para tirar o cheiro de sangue que estava em mim tomo um banho, escovo os dentes. O Cheiro da fumaça estava chegando em minha casa. Espero dar onze horas da noite, visto uma calça jeans, uma camisa de um time de futebol que eu gostava. Visto um casaco preto por cima, pego o martelo. Tranco a casa, deixo as luzes acesas, levo a chave comigo. Vou até o parque para pensar em como poderia me livrar daquele martelo.

— Winter. – O chamo.

— Sim? – Ele aparece.

— Tem alguma idéia de como a polícia não poderão encontrar o martelo. – Mostro para ele.

—... – Ele pensa.

— Tem que jogar em algum lugar que nunca encontrem. – Diz Winter. – No centro da cidade tem um lago, pode optar em jogar lá, ele é fundo. – Decido dar fim ao martelo no lago, vou para a parada de ônibus, pago a minha passagem, minutos depois cheguei no parque. Havia alguns homens bêbados, passo por eles. Ando até o lago. O lago da cidade é bem bonito, nos finais de semana as famílias vêem para admirar o lago. Alguns acreditavam que ele o lago possuía poderes místicos. Não penso duas vezes, jogo o martelo no lago e o vejo afundar. Aliviado, sento em um dos bancos do parque, a lembrança de ter assassinado alguém invade a minha mente novamente, fiquei nervoso. Olho uma barraca a alguns metros de distâncias de onde eu estava, decido ir lá.

— Moço, que horas é, por favor? – Pergunto.

— 00h37min – Ouço ele responder olhando para o relógio.

Vejo na prateleira diversos cigarros de vários sabores. Fiquei intrigado para saber o gosto. Se usam é por que é bom.

Peço uma carteira de cigarros com sabor de menta.

— Você fuma? – O Homem me olha espantado.

— Não. É para o meu pai ali. – Aponto para um homem que estava sentado em um dos bancos do lago. Compro uma caixa de fósforos. Fiquei um pouco nervoso, um garoto de nove anos fumando... Quem olhar para mim com certeza vai achar que eu sou algum bandidinho. Foda-se. Vou até o banco, me sento. Tiro um cigarro da carteira, coloco na boca, acendo o fósforo, aproximo do cigarro, puxando o ar pelo cigarro, acendendo-o. Não primeira tentativa acabei me engasgando, depois de algumas tentativas consegui tragar corretamente. Acendo um cigarro após o outro. Volto para casa, estava muito cansado. Abro a porta da casa, tomo um banho rápido para tirar o cheiro de cigarro que estava em mim, visto um calção para dormir, ligo o ar condicionado e caio de cara na cama. Deito-me em meus pensamentos. Lembro-me que hoje é meu aniversário de dez anos... Acabo caindo no sono. Sou acordado de manhã por toques na campainha, me espreguiçando, levanto-me da cama, desço as escadas e olho o horário no relógio, 10h22min da manhã, ando em direção a porta de entrada da casa, o toque na campainha aumenta. Olho pelo olho mágico. Era minha mãe que estava apertando a campainha. Antes que ela apertasse novamente abro a porta.

— Que demora! – Ela entra irritada.

— Estava dormindo. – Digo bocejando.

— Você está bem? – Minha mãe se senta no sofá. Fecho a porta.

— Estou... Por quê? – Pergunto.

— Vim assim que soube do acontecimento com a Sra. Jefferson, fiquei preocupada com você. Vim o mais rápido possível. – Minha mãe cruza as pernas.

— Mas você não ia voltar hoje mesmo? – Pergunto olhando para ela.

— Sim. Resolvi tudo o mais rápido possível. – Ela olha em meus olhos.

— Ah... – Desvio o olhar.

— Antes que eu esqueça... – Ela tira da bolsa dela uma caixa com um celular. – Feliz Aniversário. –

— Obrigado! – Dou um sorriso, era o celular que eu sempre quis. – Infelizmente o pai não se lembrou nem do meu aniversário... –

— Ele está ocupado, mas claro que ele lembrou do seu aniversário. – Minha mãe sorri.

— É. – Digo olhando para algum lugar qualquer dá casa. – Vou me arrumar para ir para a escola... –

— Não quer ficar em casa? – Ela pergunta.

— Não. – Vou para meu quarto, tomo banho, troco de roupa, tomo café da manhã. Pego minha mochila e escondo o resto da carteira de cigarros em algum lugar do quarto. Alguns minutos depois estava na escola, depois de algumas horas retornei para casa. Tive que ir sozinho hoje. Cheguei na porta de casa. Escutei vozes dentro, mas dessa vez decidi entrar.

— Você sabe que o projeto de... – Interrompo alguém.

— Oi... – Digo. Olho para o meu pai. Ele apenas me olha seriamente. Ele gesticula com as mãos para que eu me aproxime dele. O Faço, ele me abraça.

— Oi filho. – Escuto a voz grossa de meu pai dizer enquanto me abraça.

— Oi... – Abraço ele feliz.

— Tudo bem com você? – Ele pergunta ainda me abraçando.

— Sim... E você? – Pergunto.

— Bem. – Ele me solta.

— E como anda a escola? Tudo bem por lá? – Ele dá um sorriso.

— Está sim... – Notei algo diferente em minha mãe e em meu pai também. Minha mãe me olhava assustada, disfarçava o olhar para ela.

— Vem filho, vou botar seu almoço. – Minha mãe me chama e dá um beijo rápido em meu pai. Fomos em direção a cozinha.

Minha mãe pega um prato para mim, ela para a minha frente, a observo.

— Olha para mim e aja naturalmente. – Olho nos olhos de minha mãe.

— Certo. – Sorrio e tento agir naturalmente.

— Esse homem que está aqui em casa, não é seu pai. É ele, mas alguém está controlando ele... – Minha mãe tenta agir naturalmente.

— Percebi algo estranho nele também. – Digo. – O que vamos fazer? –

— Vou tentar descobrir mais algo. – Minha mãe escuta passos atrás.

— Me dá uma sobremesa... – Digo tentando disfarçar.

— Certo. Minha mãe pega o pote de sorvete e coloca o sorvete em um copo para mim. Olho para meu suposto pai. Pego meu almoço e sorvete, subo para meu quarto. Sento na cama e começo a comer.

— Tem uma mala em baixo da cama dá sua mãe e do seu pai. E foi ele que colocou – Winter me assusta.

— Uma mala? – Pergunto. – O que tem dentro? –

— Se eu soubesse já tinha dito. – Winter desaparece. Levanto-me, o quarto de minha mãe ficava alguns metros a frente do meu, olho para a escadaria que ficava próxima ao quarto para ver se havia alguém subindo. Entro no quarto de minha mãe, estava um pouco escuro, tiro a mala que estava em baixo da cama com dificuldades. Havia uma tranca com senha, descubro a senha, era a data de aniversário da mãe de meu pai. Havia algo embrulhado dentro de um pacote preto, abro. Era uma espingarda, havia alguns símbolos que eu não entendia gravado por fora da espingarda.

— Winter... – Digo.

— Oi? – Ele aparece.

— Olha aqui, o que havia dentro. – Digo segurando a espingarda.

— Não estou vendo. – Winter olha para dentro da mala.

— Não? – Me espanto.

— Pode pensar como ela é? – Winter me olha. Penso.

— Está protegida com encantamentos, talvez seja por isto que eu não consigo ver... – Winter suspira. – E tem outra, a espingarda deste tipo é usada para matar semideuses! –

— Como assim? – Pergunto.

—Ele quer te matar, ou matar sua mãe. – Winter me olha seriamente. – Rápido, tem alguém subindo. –

Guardo a espingarda dentro do embrulho, deixo do jeito que estava antes, coloco de volta em baixo da cama, vejo que não dava tempo de sair do quarto, deito-me na cama e começo a mexer no celular que eu havia ganhado.

Era meu suposto pai.

— O que está fazendo aqui? – Ele pergunta. Olho para a pele branca dele.

— Deitado oras. – Sorrio.

Ele apenas me olha e sai do quarto.

— Toma cuidado... – Winter se senta ao meu lado.

— Tomarei. – Digo. Algumas horas depois, durmo. Acordo na madrugada. Escuto passos vindos do corredor, mas ainda disfarço estar dormindo. Vejo alguém parado entre as sombras.

— É seu pai. – Ouço a voz de Winter dizer em meu ouvido. – Ele está armado. –

Ligo a luz.

— Pai? – Digo.

Ele dispara a espingarda. Vejo o clarão e me assusto, fecho os olhos. Achei que partiria desta para pior. O tiro foi desviado. Minha mãe havia usado uma de suas habilidades para desviar o tiro.

— Eu sabia! – Minha mãe fica a minha frente. – Quem é você? Sei que não é o Newton! –

— Eu? Sou um velho amigo seu. Já se esqueceu? – Meu pai, ou seja, lá quem estivesse no corpo dele ri.

— Sem enrolações. – Minha mãe cerra os punhos

— Dissébia. – Ele ri.

— Dissébia? Deveria saber. – Minha mãe fica cautelosa.

— Quem é esse? – Pergunto.

— É um dos daimons fantoches de Hades. – Minha mãe dirige o olhar para Dissébia.

— Querem dar a minha liberdade em troca dá alma do garoto! – Dissébia empunha a espingarda novamente a engatilha e dá outro tiro. A bala é desviada novamente.

Minha mãe me empurra para o chão. Escondo-me em baixo da cama. Consigo ver a luta dos dois, minha mãe conseguiu desarmar Dissébia, estavam em um duelo de golpes agora. Minha mãe prevalecia por ter mais agilidade. Dissébia, porém tinha mais força por estar no corpo do meu pai. Ele dá um soco no nariz de minha mãe, o sangue começa a escorrer. Eu precisava fazer alguma coisa... Dissébia bate com tanta força em minha mãe que ela cai no chão desacordada. Dissébia estava vindo em minha direção. Ele tira de baixo da cama, me suspende no ar puxando meu cabelo.

— Aí! – Dou alguns socos nele, mas não surtiu efeitos.

Dissébia amarra uma corda na telha, a outra em meu pescoço. Ele queria me enforcar. Ele coloca a corda em meu pescoço, me solta, fico pendurado na corda, começo a ser enforcado. A sensação era terrível... Pedi a ajuda de Winter. Depois disso desacordei e não me lembrei do que aconteceu. Acordo ainda de madrugada. Não estava mais em casa e sim em um hospital. Observo o local, vi que estava em algum dos últimos andares do hospital.

— Graças a Deus! – Uma enfermeira com um caderno na mão se espanta ao me ver acordado. – Doutor! – Ela corre. Eu não estava mais deitado na cama, agora estava sentado, com algumas dores na cabeça.

— Até que fim! Está bem? – O Doutor escuta as batidas do meu coração com um estetoscópio.

— Estou... Eu acho... – Ainda estava tonto, parecia que eu havia levado uma pancada muito forte na cabeça.

— Onde estou? – Quanto tento me levantar o doutor me impede.

— Calma... Você acordou agora, fique em repouso mais um pouco. – O Médico me força a deitar.

— Certo... – Digo. Ele se vira para sair do quarto, mas antes que saísse eu o chamo.

— Onde estão meus pais? – Pergunto. Ele simplesmente sai sem responder. Me deito novamente, volto a dormir. Acordo-me já de manhã, me levanto e saio do quarto, vou até o elevador, a recepção ficava no primeiro andar, estava procurando pelo doutor.

Havia uma moça japonesa na recepção, bem bonita, longos cabelos negros, pele branca e lábios rosados. Aproximo-me da recepção.

— O doutor que está cuidando de mim, está ai? – Pergunto.

— Consultório sete. – Ela me olha dando um sorriso. Olho para as câmeras do hospital.

— Certo. – Vou até o consultório sete, havia um homem sendo atendido espero ele sair, entro na sala do consultório, havia uma maca, um armário com vários remédios dentro, o doutor estava sentado em uma cadeira de ferro, o balcão era de madeira. Sento-me em uma das cadeiras que havia, o doutor checa a minha pressão e meus batimentos cardíacos.

— Está bem melhor. Se quiser, já pode ir para casa, mas irei recitar alguns remédios antes. – O Doutor faz uma prescrição médica. Ele termina e me dá alta.

— Doutor, meus pais estão aqui? – Pergunto, o doutor fica em silêncio por alguns segundos.

— Você não sabe? – Ele pergunta.

— De quê? – Sinto uma sensação ruim por dentro.

— Seus pais morreram. Sua mãe foi dilacerada, seu pai foi enforcado até a morte.

—... – Fiquei sem reação. Fiz de tudo para não chorar. Meus olhos se arregalaram, começo a tremer, as lágrimas preencheram meus olhos.

— Sinto muito. – Entro em desespero completo e acabo apagando. Quando acordei não estava mais no hospital, estava em casa. Alguns cômodos da casa estavam destruídos, estava caído no chão, me levanto, lembro do que o doutor havia dito sobre meus pais, não contenho minhas lágrimas novamente. O corpo dos meus pais estava no necrotério, o dinheiro que eu estava não era o suficiente para pagar o que precisava. Enterraram os corpos em um cemitério afastado da cidade e sem caixão. Passo alguns dias sem dormir e comer, depois que meus pais morreram, me transformei em um viciado em cigarros. Passei alguns dias indo para a escola, no último dia acabei espancando um garoto até desmaiar, fui levado a uma delegacia, mas como eu menor de idade e meus pais haviam sido assassinados, fui levado a um abrigo de adoção de menores. Como eu era o maior “malandro” do abrigo e sempre aprontava, nunca fui adotado. A cada semana eu era transferido para um novo abrigo por conta dos problemas que eu arranjava. A partir dos quinze anos de idade, quem não fosse adotado estaria fora do sistema de adoção. Com quinze anos de idade retornei para a casa que eu havia morado por quatro anos. Me lembrei que perto da casa havia uma cachoeira, tomo um banho na cachoeira, troco de roupa. Voltei para a casa que eu havia morado, lá havia se tornado um ponto de drogas. No meio da madrugada me acordo com a presença forte de alguém me observando. Não havia ninguém por lá. Acabei lembrando-me de Winter, desde o dia em que meus pais morreram eu não o chamei mais. Mas, por alguma razão, acabo chamando ele.

— Winter? – Digo enxugando o suor com as mãos.

Não obtive resposta, tento uma segunda vez.

— Winter, se estiver aqui, apareça. – Digo mais alto.

— Me chamou? – Ouço a voz de Winter atrás de mim.

—... – Viro as costas e ficamos frente a frente. Ele havia mudado, havia se tornado um adulto, ele era um pouco maior que eu.

— Faz muito tempo... – Winter cruza os braços.

— É... – Pulo em cima dele e o abraço, acabamos caindo no chão, mesmo assim não o solto. – Onde esteve neste tempo todo? –

— Sua voz está muito diferente. – Winter ri. – Estive vagando por aí, como achei que você nunca mais iria querer falar comigo depois do que aconteceu com seus pais, tive que procurar outra pessoa para ligar a minha alma, mas estranhei a ligação não ter sido desfeita, então, parei de procurar alguém para ligar minha alma, pois eu já sabia que em algum momento você precisaria de mim. – Os olhos de Winter brilham.

— Ligação de alma? – Acaricio o rosto de Winter.

— Sim. A sua alma está ligada a minha e a minha a sua. Tudo que você sente, eu sinto, o que eu sentir, você sente. – Ele aproxima o rosto dele do meu.

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— E como eu fiz essa tal ligação de alma com você? – Pergunto tentando saber como eu fiz aquilo.

— E quem disse que foi você que fez? – Ele sussurra em meu ouvido.

— Quem foi então? – Solto Winter, sento ao lado dele, tiro um cigarro do bolso e acendo.

— Seus pais. Eles recorreram a minha ajuda quando você estava no ventre de sua mãe. – Winter se aproxima de mim.

— Por qual motivo eles recorreram a sua ajuda? – Dou um trago no cigarro.

— Por causa do seu... Deus Grego. – Ele dá um sorriso e olha em meus olhos.

— Deus grego? Mas que merda em... – Dou alguns tragos no cigarro.

— Seu Deus Grego é Zeus. – Ele me observa rir.

— Ai meu Deus, acho que o tempo em que eu passei sem chamar você, afetou seu cérebro também... – Caio na risada.

—... – Winter fica em silêncio e me olha tão seriamente, percebi que pelo seu olhar, não gostou do que disse a ele.

— Deixe-me ao menos explicar. – Diz Winter.

— Tudo bem. – Dou o último trago no cigarro e jogo o que restou no chão.

— Por onde posso começar... Quando alguém nasce... Vêm com um deus grego que influência na sua personalidade. Quando se tem um deus grego, ele influência nas características físicas e emocionais de uma pessoa, os filhos dos deuses herdam os seus elementos, por exemplo, uma pessoa de um deus da terra e água, herdará os dois elementos. Seus pais também são filhos de deuses, sua mãe era filha de Afrodite, seu pai era filho de Ares. Dependendo do deus grego, você pode se dar bem ou não com determinada pessoa, por exemplo, filhos de Ares não se dão bem com filhos de Zeus, por isso você não se dava muito bem com seu pai. – Winter me olha seriamente.

— Como eu vou acreditar em você? Você nem existe! É só uma droga de amigo imaginário! – Digo já irritado com aquelas idiotices.

— Amigo imaginário é? Se não acredita em mim, lembra daquela sua pequena marca em formato de águia que tinha em sua cabeça? É um dos símbolos de Zeus, por ele se transfigurar em águia. Dê uma olhada novamente para ver se você ainda possui o símbolo. – Diz Winter. Pego um pequeno espelho que tinha dentro da mochila. Procuro entre meus cabelos o pequeno símbolo de águia, encontrei uma pequena parte do símbolo entre meus cabelos, aquilo me tirou a dúvida sobre o que Winter estava dizendo.

— Digamos que você está dizendo a verdade, então eu tenho os mesmos poderes de Zeus? – Pergunto.

— Os mesmo elementos que ele. Todo poder tem seu lado fraqueza, todo poder tem seu lado bom e mau, toda maldição tem a sua benção, assim como toda benção tem sua maldição. – Os olhos de Winter brilham novamente. – Há quem diga que os poderes dos semideuses são magia das trevas, outros dizem que é magia pura. Alguns dizem que é uma benção dos deuses, no qual é verdade. Como eu disse, toda benção tem sua maldição, os poderes dos semideuses tem seu lado bom e mau, dependendo do tipo de elemento. O lado bom de ser um filho de um Deus com elemento de água é que você herda os mesmos benefícios que ele tiver na água, uma delas é respirar na água, o lado ruim é que você tem propensão a morrer na água, obviamente. – Diz Winter.

— E os de Zeus? – Pergunto.

— Tem vantagens contra os outros elemento, o lado ruim é que existe poucos filhos de Zeus na terra. Os filhos de Zeus não deveriam existir, a maioria não sobrevive ao parto e acaba morrendo. Isto acontece com os filhos de Zeus e os filhos do Deus Primordial Frost, o Deus do gelo. Quando você nasce, a energia do seu Deus entra em você. – Winter acaricia meu rosto. – Todo elemento tem sua vantagem contra o outro, mas isto depende muito da força do Deus. –

— Existe algum filho ou filha deste Deus Primordial, aliás, o que é Deus Primordial? – Pergunto.

— Deus Primordial são as primeiras divindades a nascerem. Sim, existe uma filha de Frost. Eles não têm sorte em nada, amor, família, nada. Há várias outras coisas sobre os filhos de Frost que eu não sei. –

— Nossa... – Suspiro.

— Ouvi dizer que você está atrás de quem matou seus pais. – Winter me olha seriamente.

— É Verdade. – Levanto-me.

— Sabe que você não... – Interrompo Winter.

— Você vai me ajudar? – Estendo a mão a Winter para ele apertar.

— Eu? – Diz Winter.

— Sim. – Olho mais sério ainda para ele.

— Infelizmente sou obrigado. – Winter aperta a minha mão.

— Então... Volte quando eu lhe chamar ou quando descobrir algo no seu “mundinho espiritual”. – Viro as costas para ir procurar algo.

— Espere. – Winter me chama.

— O que foi? – Digo.

— Vamos fazer um pacto de sangue? – Os olhos de Winter brilham mais uma vez.

— Pacto de sangue? Ok. – Digo.

Aproximo-me dele. Ele me dá uma adaga de prata, sem hesitar faço um corte no pulso. Winter faz um corte no pulso dele. Encosto meu pulso que estava sangrando no de Winter.

— Nada se esconde do sangue. Jura, pelo sangue, pela sua alma, que não vai esquecer-se do seu juramento, nem da sua procura pelo assassino dos seus pais? – Sinto o sangue de Winter entra em minha corrente sanguínea.

— Eu juro. — Sinto o sangue dele queimar por dentro de mim.

— Jura total fidelidade a mim e que me ajudará? – Pergunto acrescentando mais algo sem Winter perceber.

— Eu juro, pelo poder do sangue. – Dizemos juntos. O Sangue de Winter parou de entrar em minha corrente sanguínea, onde eu havia cortado o pulso parou de sangrar e se tornou uma cicatriz. Winter me disse que haveria conseqüências terríveis se eu quebrasse o juramento. “

Sinto água dentro de meus pulmões, dou um pulo, estava quase me afogando no lago. Lembrei-me do sonho ou visão que eu tive. Estava quase amanhecendo, acho que passei algumas horas ali no lago. Saio de dentro do lago, me enxugo, estava totalmente pelado, visto uma roupa. Ando em direção a casa que eu havia deixado Vander. No caminho tenho uma dor de cabeça terrível, o sonho que eu tive, aparece como uma lembrança em minha mente. Uma lembrança que eu havia esquecido há muito tempo.

Notas finais
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