Notas iniciais
Divididos em grupo, estrategicamente enviados em inimigos prontos para derrotá-los, os cavaleiros de Athena seguem para o interior de Sparta, o reino de Áres. Ixeon e Melkabah estavam em embate contra Deimos, que não havia sido completamente derrotado por Enoch. Anathema e Canaã por sua vez enfrentavam outro dos Deuses, Generais de Áres, Deimos e sua terrível espada, a Terror Carmesin. Armegin por sua vez havia sido aprisionado num labirinto e estava diante de uma das Queres, quando estava diante derrota Selkh, o Cavaleiro de Escorpião surgi em seu auxílio.

Capítulo 54: Fome

Assim que a escuridão se adensou, o Rei de Drakala perdeu-se dos companheiros de bronze. Não podia mais sentir seus cosmos, nem suas presenças.

A partir dali ele sabia que havia assumido o risco de entrar na armadilha do inimigo. Por um segundo refletiu sobre a inscrição em seu portal: “Fome”.

Sim, ele tinha fome, sua alma amaldiçoada clamava por mais almas e assim a própria armadura que o escolhera como seu mestre detinha o poder de controlar as almas para si.

Em meio a esse devaneio Thithonos se viu arrebatado através do universo. E lá estava ele diante da constelação de Câncer. Como se diante de um painel ele podia ver as estrelas organizadas num único plano, bem como vislumbramos no céu noturno. Em meio a constelação um aglomerado de estrelas emanava uma energia densa e poderosa, diferente de tudo qualquer cosmo. Ali era uma entrada para o além.

De volta a si, Thithonos sentia como se sua alma tremesse. A necessidade parecia cada vez mais vil. Até que sentiu o toque emoldurando seu rosto.

— Thithonos… — chamou a voz doce e melódica.

— Ahm… — seus olhos vislumbravam o espectro de sua amada Eos — Eos…

— Você é mais forte que isso…

— Eu pensei que tivesse me perdido de você assim como me perdi dos cavaleiros de bronze.

— Não podemos nos perder, meu amor, estamos unidos por um laço de almas.

Seus lábios espectrais tocaram os do mortal e naquele instante, somente naquele instante ele sentiu como sua alma submergisse num bálsamo de calma e tranquilidade.

Contudo o que estava por vir era terrível…

— Confesso que sua ansiedade para se saciar é maior do que qualquer desejo que eu já encontrei… — a voz era fina e um pouco esganiçada, porém vinha de um ser imenso. Obeso, a pele esverdeada e pútrida, vasos sanguíneos em tom de púrpura se espalhavam pelo torso grande e mole. A cabeça desprovida de cabelos parecia um pequeno adorno no alto do corpanzil.

— Quem é você? — indagou o dourado, sentiu as mãos suando.

— Eu sou Limos, a Fome… a fome que os guerreiros sentem quando estão há dias batalhando sem cessar, para vencer. A fome da saudade da tranquilidade de longe da guerra, a fome do sangue do adversário. Eu sou a personificação dos desejos mais incontroláveis, bestiais dos seres humanos. E o seu, cavaleiro de Ouro, é algo tão vil que confesso que me assustaria, não fosse eu uma divindade…

Ainda gigante o monstro era rápido e sem que Thithonos percebesse, uma vez que seu corpo estava sob os efeitos da abstinência de sua alma, portanto seus reflexos estavam retardados, o atingiu com o punho bem no estômago. Fazendo Thithonos se curvar e cair de joelhos.

— Sabe, Cavaleiro… — ele tomou o rosto de Thithonos pelo queixo com uma das mãos, trazendo os olhos do cavaleiro para os seus. — eu sou um deus, mas eu sinto cheiro da imortalidade em você. Será que você é…

Thithonos podia sentir o fedor que vinha da boca larga do monstro, percebeu que dali escorria um líquido viscoso e roxo de onde tal odor repugnante emanava. Seus olhos tinham as tinha aparte branca salta de veias roxas.

O monstro deu as costas se afastando em saltos empolgados enquanto batia palmas animado.

— Então você é aquele de quem todo inferno fala! Eu não acredito, eu não acredito — as palavras saíam ainda mais esganiçadas e emboladas em meio ao riso frenético. — Você é rei amaldiçoado pelo Imperador Hades, o amado da Deusa Eos. Thithonos, Senhor de Drakala, o Rei Imortal!

Finalmente o cosmo de Athena parecia estar um pouco mais próximo. Com suas negras, Lúcifer voava rapidamente pela Hiperdimensão, seguindo ao seu lado trajando uma veste cujo o brilho parecia refletir o de várias constelações estava Éther, o Primordial que ocultara sua identidade entre os cavaleiros de Athena, trajando sua Ars Magna Éden Celestial.

— Falta pouco, o cosmo de Athena parece estar mais próximo agora.

— Sim bem mais próximo. Ainda que estejamos voando em velocidade divina este lugar é maior do que me lembrava — respondeu o primordial.

— O Caminho dos Deus… — divagou o portador da Luz.

— É dali! O resquício do cosmo de Athena vem daquela fenda dimensional.

Os seres alados fizeram uma curva sinuosa pelo espaço interdimensional, desviando-se de corpos celestes entre estrelas, quasares e planetas para adentrar num novo fluxo espaço-temporal com destino a uma fenda.

Ao atravessarem a distorção eles estavam num cenário horrendo.

Os céus pareciam ter sido tingidos de sangue. Corpos nem vivos e nem mortos sangravam banhando o solo, empalados por armas, como lanças, espadas, massas… alguns tinham perfurações em seus corpos em pontos vitais. Tudo parecia um horrendo cenário de guerra.

Quando deixaram de lado a paisagem dantesca eles vislumbraram o corpo de Athena sustentado por cruz. As mãos presas às pontas mantendo seus braços abertos. A cabeça tombada, a deusa estava sem poder, mas não estava morta eles sentiram.

De volta a Thithonos: o cavaleiro ainda tentava superar o baque do golpe do ser divino. Seu corpo estava, certamente, mais debilitado do que ele mesmo imaginara. Sentiu as pernas falhar quando tentou se reeguer.

— Eu não posso mensurar o prazer que tenho em receber tal presente do Senhor Áres. Certamente foi Lorde Hades quem lhe sugeriu que eu fosse o adversário do Cavaleiro de Câncer. Pois bem irem cumprir as expectativas dos Deuses Gêmeos, do Senhor Áres e do Imperador Hades e acabarei com sua vida! — o rosto horrível se transformou numa monstruosidade sem tamanho. A voz antes esganiçada terminara a frase demoníaca. Seus olhos agora eram negros sem nenhuma parte branca, a boca se enchera de dentes e babava ainda mais do sulco viscoso, ele se curvou para frente deixando dorso a mostra. E naquele instante os olhos de Thithonos foram testemunhas de uma cena das mais dantescas.

Ao longo do eixo vertebral a carne pútrida do monstro se descosturou abrindo-se e revelando uma imensa garra que parecia óssea, mas ao mesmo tempo lembra hastes vegetais.

A garra gigante que emergiu do dorso da Queres se fixou no chão espalhando uma onda de energia avermelhada que parecia sugar tudo que fosse vivo naquele local. Nesse momento o monstro novamente abriu sua boca gigantesca e disparou uma rajada de cosmo imensurável.

— Droga! Sekishiki Mekai Há!

O golpe do cavaleiro abriu uma fenda diante dele que engoliu o golpe do adversário.

— Você é bom cavaleiro, conseguiu escapar da minha técnica. Mas isso não irá se repetir.

Nesse momento o mostro exibiu empalados nas 3 pontas de sua garra dorsal os cavaleiros de bronze de quem Thithonos se perdera.

— Maldito…

Notas finais
Estamos de volta com pelo menos um capítulo por semana confirmados até o final de Fevereiro. Obrigado pelas mensagens de incentivo, elogio e apreço a esta história que, ainda que sem tempo, eu amo escrever. Continuem nos acompanhando... o clímax está chegando.