O Mito das Guerras Santas - Primevas

39 Capítulo 39: O Elo de Andrômeda. O Sacrifício do Carneiro


Notas iniciais
Os cavaleiros prosseguem no embate contra as forças de Éris. Agora cientes de seus sentimentos negativos os cavaleiros tem de superar seus limites para proteger Athena. Melkabah de Áries fará o sacrifício final.

Era como ter todos os sentidos bloqueados.

— Sabe, Anfilogias, está técnica priva você dos seus sentidos. Mas isso é apenas o princípio. Com o passar do tempo irá perceber que o peso gravitacional começará a aumentar aqui dentro. Porque aqui é uma parte de outra dimensão.

— Você não poderá me vencer apenas com isso.

— Eu não disse que isso seria o fim. Você me fez pensar numa coisa este tempo todo. O Pomo de Ouro de Éris apenas conjurou você aqui devido às minhas incertezas. Você é apenas uma representação delas. E eu vou destruir isso de uma forma que não haja dúvidas que sou e sempre serei um guerreiro da justiça!

Nesse instante a dríade começou a sentir como se corpo fosse comprimido por uma força externa vinda de todas as direções.

— Você sabe que a única coisa capaz de parar a luz é a gravidade, não é mesmo? A gravidade é a força das trevas.

Ela se ajoelhou não conseguia mais estar de pé.

— Eu vou acabar com você cavaleiro insolente!

— Não. Você não vai!

Ela sentiu um corte próximo ao rosto. Logo em seguida um novo corte próximo ao ombro. Mais um na coxa.

— Como é possível?

— É bem simples, a Excalibur, que me foi dada por Athena, se fundiu ao meu poder. A escuridão que eu controlo.

Ela agora não é mais uma espada física. Está ligada a constelação de Capricórnio.

Anfilogias não conseguia mais se mover.

— Maldição! Eu vou destruir você.

Nesse momento vinhas gigantescas emergiram do solo para todas as direções. Uma delas se envolveu no corpo do cavaleiro.

Maldição!

Na casa de Leão uma tempestade elétrica e luminosa acometia Athé.

Eu não conseguirei desviar os golpes parecem somente aumentar em quantidade e velocidade.

O estrondo das energias combinadas de Julian e Canaã era como o rugido de mil feras. Ao fim do ataque os cavaleiros estavam parados lado a lado.

— Conseguimos. — disseram em uníssono.

— Conseguiram? — ela estava rindo. — Eu disse a vocês que quanto mais próximos estamos da Deusa Éris e quanto mais poderosa ela está mais nos estamos. Eu poderia sozinha vencer Athena. Dois cavaleiros não podem me vencer.

Uma imensa serpente formada de madeira e vinhas.

— Sinta o poder da minha Hera Venenosa!

A imensa serpente avançou com ímpeto em direção aos cavaleiros. Sua mandíbula aberta foi parada por Julian.

— Julian!

— Eu vou acabar com você! — o Pomo Dourado que flutuava na altura do peito de Éris e começou a refletir a imagem de Melkabah.

— Éris não adianta tentar invocar uma Dríade através dos meus sentimentos negativos. Isso não será possível.

— Melkabah não é capaz de sentir nenhum sentimento. Ele abdicou de todos. O que restou em seu coração foi um protecionismo para com os mais próximos. Assim como o que sentiu por sua discípula Lita. — explicou Enoch aos cavaleiros.

— Melkabah teve uma discípula? — indagou Perseu de Pégaso.

— Sim ela era a primeira Amazona de Bronze. Regida pela constelação de Andrômeda.

— A fim de conseguir poder eu abdiquei de muitos sentimentos. E finalmente consegui dominar a energia Telúrica e Cósmica. Quando encontrei Lita, pensei que não poderia sentir mais nada, mas eu estava enganado. Eu amei como minha filha, mas era tudo obra sua Éris. Você planejava tomar o corpo dela a qualquer momento. Quando tudo aconteceu eu sacrifiquei o último resquício de sentimento que havia em mim para me tornar ainda mais poderoso e assim proteger aqueles que estão ao meu redor. Eu sou apenas um guerreiro vazio de qualquer sentimento, seja ele bom ou ruim. Por isso não pode usar seu poder de chamar as dríades em mim.

Pouco a pouco os cabelos de Éris começaram a alternar de cor.

— O… o que está acontecendo?

— Me parece que você ainda não entendeu o poder o Velocino de Ouro, Éris.

O brilho em torno da deusa começou a se intensificar.

— O Velocino de Ouro recupera um fato a partir de um determinado ponto no tecido do tempo espaço. É uma técnica de rejeição, porém para usá-la eu preciso cumprir totalmente meu sacrifício.

— Cumprir totalmente o seu sacrifício?

— Céu Sem Lua…

O braço de Ixeon desceu como o bradar de uma verdadeira espada. Os cortes eram múltiplos e dilaceraram todas as vinhas ao mesmo tempo. O cavaleiro avançou sob a proteção das ondas negras da sua técnica.

— Excalibur!

O braço direito do cavaleiro atravessou o peito da Dríade.

— Canaã… — Julian fazia força para segurar as mandíbulas da imensa serpente. — Eu sou o Samurai de Sussano’o, o deus dos Trovões do Oriente. E você e sua constelação são dignos de receber o poder divino.

— Julian… do que você está falando?

A armadura de Tigre Branco tomou novamente a forma da Imperial de Sussano’o. O espírito do Deus do Trovão se materializou. Tomou a forma de um tigre e incorporou a armadura de Leão.

— Agora você é o senhor dos Trovões.

— Julian! Não!

O cavaleiro cedeu e foi engolido pela serpente. De repente raios poderosos atravessaram o corpo da serpente. Que entrou em combustão.

— Julian… eu vou honrar o seu sacrifício. — o corpo do cavaleiro se cercou de raios e trovões — Sinta a fúria do meu poder! Coroa de Fótons!

O corpo da Dríade foi cercado por partículas de energia, eles começaram a adentrar o corpo da vítima.

— O que está acontecendo?

— Isso são partículas de fótons carregadas de energia. Mas isso ainda não acabou… — o cavaleiro ergueu um dos braços com a mão aberta — Expansão… — em seguida ele fechou a mão. — Explosão de Luz Sólida…

Os fótons dentro do corpo de Athé começaram a se solidificar e expandir em cristais pontiagudos que estraçalharam o corpo da Dríade de dentro para forma formando um esquife de cristal com pontas em todas as direções.

— O que você quer dizer quando diz que precisa cumprir seu sacrifício?

Os olhos de Melkabah mudaram, estavam vazios de qualquer sentimento.

— Os meus sentimentos são a fonte de energia para a rejeição do Velocino. Eu perdi todos os meus sentimentos aprimorando essa técnica. E o último deles acabou de ser apagado!

O corpo de Éris começou a mudar voltando à aparência de Lita.

— Mestre Melkabah…

— Lita…

— Obrigado por trazer meu corpo de volta. Mas infelizmente meu lugar já não é mais no mundo dos vivos.

— Lita…

— Essa luta não acabou! Maldito!

O espírito de Éris estava agora livre na forma de uma serpente com asas.

— Éris é mesmo uma idiota, perdendo um combate com um cavaleiro de ouro…

— O que pretende fazer Thanathos?

— Oras… Éris é nossa irmã tenho de ajuda-la. — disse Thanathos num tom irônico, respondendo ao gêmeo Hypnos.

A alma de Éris foi colocada dentro de um corpo que surgiu da terra. Finalmente a deusa estava em seu corpo divino.

— Vou te destruir!

A investida da Deusa foi parada pelo corpo de Lita.

— Obrigado Mestre Melkabah.

— Lita!

— Já chega Éris! Você foi longe demais! — a voz seguia acompanhada de um imenso cosmo.

No inconsciente de Penélope ela se viu diante de uma garota com a mesma aparência que ela.

— Penélope…

— Você…

— Eu sou Liah, sua irmã. Eu fui a Amazona escolhida pela Armadura de Andrômeda antes de você; finalmente me libertei da prisão de Éris. Mas meu tempo nesse mundo se encerra. Cuide bem da Sagrada Armadura de Andrômeda.

A garota com lágrimas nos olhos fez que sim com a cabeça. E viu sua irmã desaparecer.

Notas finais
Na imagem Melakabah numa arte mais "dark". Melkabah foi o guerreiro escolhido para vestir a sagrada armadura de ouro de Áres. Melkabah é das antigas terras de Telúria (onde hoje é a parte norte da America do Norte, o Canadá e Groelândia) o povo desse continente é dotado de imenso conhecimento sobre a matéria e ainda nos tempos primevos aprenderam a dominá-la completamente. Por conseguinte em seus feitos, dominaram também a energia molecular. Com seus cosmos intensos eles conseguem manipular todo tipo de matéria atômica. Melkabah era o filho mais novo de sua família e viu seu irmão mais velho morrer pelas mãos de uma das sereias de Poseidon, Agnis. Melkabah jurou se vingar, mas para isso sabia que precisaria de poder. Ele viaja, então, de Telúria para o continente Lemúria onde diziam que Athena, a Deusa da Terra, vinha recrutando guerreiros.