Notas iniciais
Regressando do recesso de Fim de Ano... Anteriormente em o Mito das Guerras Santas - Primevas Canaã e Selkh juraram sobre o túmulo de Clair, não perderem a guerra santa. Canaã entra em combate com um poderoso Berseker. No desenrolar da batalha ele descobre que Julian, na verdade foi um desertor dos Guerreiros Imperiais de Izanami, um dos deuses de Rondínia. Canaã revela seu passado nas terras orientais onde buscou auxílio junto "Daquele que Convida" Os dois guerreiros são igualmente poderosos. E a batalha permanece extremamente acirrada.

– Você realmente é um inimigo formidável Julian…

O berseker multiplicou seus clones. Agora, Canaã estava diante de um pequeno batalhão.

– Mas mesmo que você divida sua alma em cem partes…

Ele se movimentou muito rápida, de forma que não chegava a ser um borrão dourado, mas apenas um traço no ar. Em seguida todos os clones se desfizeram.

– Eu posso ver perfeitamente quem é o original agora. — suas garras estavam a centímetros da garganta do inimigo.

– Mortal… como se espera de um leão. — o seguidor de Áres sorriu. De fato nunca tinha se deparado antes com um inimigo tão formidável como aquele cavaleiro. — Em tão pouco tempo, conseguiu enxergar através da minha técnica e agora consegue ultrapassá-la com tanta facilidade.

Canaã se recompôs. Seu sangue fervilhava, ele podia sentir seu coração pulsando adrenalina por todo seu corpo. Aquilo era o combate. Aquela sensação que alimentava todo guerreiro de verdade, que o impelia a luta, energizando mais que qualquer descanso paradisíaco. Ele sabia e conhecia.

“Um animal imenso. Ele espreitava. Uma fera que estava pronta a fazer mais uma presa. Mas não era qualquer presa. Era o líder. Um igual. Ele saltou do penhasco com tamanha velocidade que nada o pararia. Derrubou o leão com voracidade tamanha que a fera se quer teve tempo de revidar. Estava pronto a esmagar sua jugular…

– Pare! — a voz feminina estalou e ele parou sem pensar.

– A… Athena…

– Por favor, Canaã, o que está fazendo?

– Eu estou treinando. Esses animais me reconhecerão como seu líder se eu depuser o líder atual deles.

A deusa sorriu levemente.

– Nem sempre para se conquistar um povo se usa força Canaã. Você melhor do que ninguém deveria saber disso.

A deusa se aproximou dos leões e o cavaleiro ficou impressionado com a falta de medo dela para com as feras. De forma dócil ela se abaixou na altura dos olhos da fera e lhe afagou a parte de baixo da mandíbula como quem acariciava um animal doméstico.

– Como… — o cavaleiro murmurou para si mesmo.

O leão líder que havia sido atacado pelo cavaleiro se curvou diante da Deusa e todos os outros, machos e fêmeas, fizeram o mesmo por sua vez.

– Muitas das vezes o mundo precisa de amor mais do que de força, Canaã. E acredito que seja por isso que meu pai me incumbiu de proteger e guiar os seres humanos. Ele sabia que haveria muitas guerras entre eles. Eu não sou nem de longe a deusa mais poderosa. Meus tios Hades e Poseidon tem poder infinitamente maior que os meus. Meu irmão Áres é extremamente mais forte e Apollo ainda mais imponente. Como deuses eles são muito mais adequados. Mas eu descobri que o que meu pai planejava para os humanos era o amor. Era que eles pudessem ser guiados para longe desse caminho sanguinário que os próprios deuses trilharam e trilham desde que a Suprema Virtude deu origem a vida.”

Garras e lâmina se cruzavam num embate invisível aos olhos comuns. Apenas dois brilhos, um dourado e outro prateado cortavam os céus.

– Você realmente faz jus a este combate Guerreiro Imperial.

Julian girou o corpo com a espada em riste para acertar o cavaleiro de ouro.

– Eu não sou mais um Guerreiro Imperial de Izanami. — o dourado bloqueou a espada com as mãos nuas na horizontal.

Fez força para que o ataque fosse repelido. — Agora sou um Berseker. Seguidor de Áres. — Ele falava entre os dentes forçando o ataque. — Agora sou Julian de Ultimablade! — ele conseguiu se desvencilhar da pegada do Leão. — Sinta o poder da minha técnica mais poderosa!

Ele girou a espada na frente do corpo formando um círculo perfeito. O cosmo formou uma aura em torno dele.

– Assassino de Almas…

Ele movimentou a espada como se cortasse o ar e Canaã viu uma imagem do cavaleiro vindo em ataque na mesma direção da espada. Uma. Duas. Três vezes.

Sem a proteção da armadura de ouro ele teria sido aniquilado ali mesmo, porém ainda que não tivesse sofrido nenhum ataque mortal ele estava ferido.

Droga… esse cara ainda não tinha mostrado nem metade do seu poder.

– Acredito que seja seu fim, cavaleiro de ouro de Leão.

– Meu fim? — ele limpou o sangue escorrendo do canto da boca e lambeu das pontas das garras douradas. — Eu estou apenas no começo. Ataquem meus fiéis! Urro do Rei!

Os leões avançaram com ferocidade para cima do berseker. Ele não teve muito tempo de se defender, conseguiu atingir um talvez dois dos animais, mas o primeiro ataque veio de trás… a mandíbula presa em seu ombro a dor reverberando a partir das presas do leão.

– Como é possível que eu não consiga me livras desses meros animais? — agora já havia um felino agarrado em sua perna, outro na lateral do abdômen e mais um no pulso da mão que segurava a espada.

– Esses animais são meus “fiéis”. Leões… como eu, heróis. Eu divido meu cosmo com cada um deles.

– Dividiu seu cosmo?

– Está vendo os cristais nas testas deles? São luz que eu solidifiquei e liga cada um deles a mim pelo meu cosmo. Por isso você não vai conseguir se desvencilhar deles.

– Você…

– Eu também já fui um cara solitário, Julian de Sussano’o. Já pensei que eu era suficiente para mim. Mas percebi que não é assim. Sem querer eu me tornei um herói alguém que era seguido. E eu resolvi que as pessoas precisavam de mim. E também admiti que haviam poderes maiores que os meus. — nesse momento ele elevou o cosmo. — Mas também sei que o meu poder é necessário! Soltem-no! — os leões obedeceram ao comando — Cápsula do Poder!

O ataque devastador do leão atingiu em cheio o berseker.

A explosão se extinguiu e quando Canaã se aproximou o cavaleiro estava ainda intacto, debilitado fisicamente, mas ainda inteiro. Ao seu lado estava uma garotinha de cabelos lilás.

– Senhor Canaã, porque atacou este nobre homem?

Os olhos do cavaleiro estavam arregalados e não se desgrudavam da menina.

– Ele tem um coração puro. Está apenas enganado sobre o que acredita. — ela se virou para o berseker — Quem é você?

– Eu sou Julian de Ultimablade. — sua voz era quase um sussurro.

– Não. — ela balançou a cabeça firme em sinal negativo. — me diga quem é você de verdade.

– Eu sou Julian de Sussano’o.

– Oh! Você é um dos cavaleiros orientais! Os Guerreiros Imperiais, não é mesmo?

Quem é essa moleca? E como ela está ai? E como Julian não foi desintegrado pelo golpe?

– Senhor Canaã, ele é bom ajude-o, por favor.

– Ele é nosso inimigo… digo, ele é meu inimigo! Pertence aos exércitos do deus da guerra!

– Áres. Ele gosta de… sangue… — ela sussurrou quase para si mesma.

Se abaixou sobre o torso do berseker estava agora nervosa. Como se o medo mais absoluto tivesse tomado conta dela.

Sem perceber as lágrimas da garota começaram a curar o guerreiro abatido.

Como isso é possível? Que cosmo magnânimo é este?

Canaã então entendeu que o coração de Julian estava apenas trilhando o caminho mais fácil, o que se abriu primeiro para ele. No entanto o Imperial tinha como se salvar. Ainda havia tempo.

Julian se levantou com um pouco de dificuldade e abraçou a garotinha.

– Não chore.

Ela finalmente se acalmou. Ele por sua vez a entregou ao dourado e se dirigiu até a espada largada no chão.

– A partir deste momento eu encontrei meu caminho. Eu agora sou um cavaleiro. Um servo inquestionável de Athena.

E quebrou a lâmina da espada com fechando a mão em torno dela.

Naquele instante as vestes do cavaleiro ressonaram e mudaram de forma. Passaram de Fúria à Armadura. No céu brilhava a constelação de Tigre.

Notas finais
CANAÃ DE LEÃO Canaã descobre que Athena havia forjado armaduras banhadas por muito tempo com a luz do sol e que poderiam reproduzi-la através do cosmo assim ele segue ao encontro da deusa. Athena então mostra ao guerreiro seu poder de solidificar a luz e lhe convida a trajar uma de suas armaduras sagradas. Obs: a constelação de Tigre é uma das constelações extintas pela Astrologia Internacional.