O Mito das Guerras Santas - Primevas

9 Capítulo 9 - Embate Divino: A Origem


Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas Primevas Athena revelou a Sraosha a identidade de seu irmão desaparecido. O cavaleiro de Gêmeos, decidi ir atrás de seu ente. Melkabah de Áries, Canaã de Leão e Selkh de Escorpião se oferecem para ajudá-lo, mesmo contra a vontade do geminiano. A comitiva parte para o continente de Telúria. Assim que chegam a terra natal eles se pegam numa armadilha. O mentor é descoberto por Selkh e se revela ser Aesma o irmão de Sraosha. O Cavaleiro de Gêmeos fica furioso ao saber que o irmão o deixou perdido deliberadamente e deflagra uma batalha. Devido ao descomunal poder dos irmãos, os outros cavaleiros optam por interromper a luta e recura inicialmente; usando os poderes de Sraosha eles retornam ao Santuário onde o horizonte previa sinais de guerra...

O Santuário fora construído no topo de um monte numa das ilhas de Temíscira. Lá seria a primeira localização do Santuário de Athena, mudando posteriormente para Athenas na Grécia quando esta viesse a surgir.

13 casas adornavam o caminho de subida até o templo em si, em cada uma delas um cavaleiro regido sob uma das constelações da elíptica, os signos zodiacais.

No templo de Athena, presidia Niké, Deusa da Vitória e fiel escudeira de Athena. Tinha os cabelos cor de trigo novo, os olhos num tom de cinza quase prateado. Sempre trajava sua armadura prateada, que na verdade era feita de Platina pura, dada a ela por Hefesto. Junto da armadura o deus das Armas, concedeu a Niké a Lança do Destino. Um artefato sagrada que era capaz de ferir mortalmente o corpo de um deus.

Seguindo-se para a parte de trás do templo, num local um pouco mais afastado das doze casas existia uma construção que Athena deu o nome de Star Hill, ali estavam guardados segredos da Guerra com Poseidon e o local também era uma ponte de acesso ao Olimpo.

Ninguém fora Athena, Niké e os cavaleiros sabiam da localização do templo, mas isso estava prestes a mudar.

– Diga logo, cavaleiro de bronze! — o homem tinha os olhos num tom violento de âmbar. Seus cabelos eram curtos num tom de areia praiana. A barba volumosa seguia o mesmo padrão. Ele trajava uma amadura em tom de vermelho escuro, como se houvesse sido banhada em sangue.

O cavaleiro preso pelos punhos unidos acima da cabeça, estava dependurado, já sem forças. O homem deu-lhe um chute no estômago. Cuspiu sangue.

– Eu morro, mas não revelarei o local do santuário.

– Pois bem, então que morra!

– Espere, Deimos, meu irmão. — O jovem que se aproximava era Phobos. Cabelos longos brancos. — Eu me encarrego de fazer esse cavalariço falar.

Phobos sacou sua espada, a Terror Carmesim. Cravou a lâmina no peito do cavaleiro de bronze. As imagens do puro horror tomaram conta da mente do jovem cavaleiro e se manifestavam em seu rosto. Ele não aguentava mais e finalmente a palavra fugiu de sua boca.

– Te… Temíscira…

– Avise a nosso pai. Iremos junto de alguns de nossos irmãos.

O céu se tingira de cores escarlates. Era como se todo o solo tremesse ante ao que estava por vir. Athena imediatamente reuniu seus cavaleiros de ouro, de prata e os poucos de bronze que já estavam no santuário.

– Defenderemos Athena a todo custo! — bradou Canaã.

– Nossas vidas para proteger a deusa! — vociferou Ixeon.

Melkabah, Armegin, Sraosha, Thithonos com Eos, Canaã, Salem, Ágape, Selkh, Ashura, Ixeon, Anathema e Enoch os doze cavaleiros de ouro estavam lá. Entre os prateados Vivian de Águia, Sargo de Sagitta, Kha de Altar e Ohn de Taça estavam já reunidos à deusa.

Em meio a um relâmpago vermelho que singrou as nuvens negras e densas surgiram os quatro.

Phobos, o Medo, Deimon, a destruição, Ênio a deusa do Horror, General do Fogo Vermelho e por fim Anteros, o Anti-amor General da Chama.

Suas roupas e seus cabelos esvoaçavam ante ao forte vento que soprava no alto do Santuário.

Foi quando Athena e seus cavaleiros sentiram o cosmo mais intenso, poderoso e violento que já sentiram. Aquele era o cosmo do Deus da Guerra, Áres.

Finalmente o irmão de Athena se manifestara. Trajava uma armadura completa, escarlate com adornos dourados. O capacete com a crina em detalhes pontiagudos. Asas com o contorno da envergadura dourado e formação vermelha. A parte central do peitoral e o abdômen a mostra. Em sua mão direita a lança com a lâmina vermelha. Na esquerda o escudo imenso quase de sua altura.

O deus prendeu o escudo nas costas entre as asas da armadura, retirou o capacete revelando os cabelos arruivados que ornavam perfeitamente com seus olhos vermelhos.

– Athena! Finalmente posso vê-la novamente minha irmã… — o tom de Áres era de certa forma irônico. — Pensei que não iríamos mais ter uma reunião de família descente.

– Áres, o que te trás ao meu Santuário.

– Estamos em Guerra, minha irmãzinha. — nesse momento os deuses já estavam com os narizes colados e Áres disse entre dentes as palavras carregadas de ódio. — Finalmente reuniu seus cavaleiros não é mesmo… homens fortes. Mas não vencerão essa guerra. Vou dizimar cada um dos seus homens e quando não sobrar mais nenhum nós lutaremos, Athena, até a morte e eu arrancarei sua cabeça e entregarei a nosso pai, aquele covarde. Vou ascender ao trono não somente da terra, mas de todo o Olimpo.

Athena conhecia a raiz do ódio de seu irmão era algo começado num tempo anterior aos preceitos da humanidade. A Guerra dos Olimpianos, conhecida como Gigantomaquia.

“A última titã viva era Gaia, a terra mãe de todos os titãs. Ela criou de si mesma seres inigualavelmente poderosos, chamados de Gigantes e os ordenou que destruíssem os deuses olimpianos. No panteão do Olimpo as divindades se preparavam para a guerra vindoura. Entre os deuses Áres era o mais ávido pelos confrontos, sendo por vezes dado como mais sanguinário que seu tio Hades. Tenaz nas artes da batalha, Hades recomendou ao irmão Zeus, que escolhesse o filho para comandar o exército em batalha. Zeus, porém, diz que Athena quem devia liderar as hostes uma vez que ela é muito mais calculista. Poseidon intervém na contenda que começava a esquentar e afirma que Zeus tem razão, Hades fica furioso, e Poseidon ameniza dizendo que ainda que Athena seja calculista, Áres é com certeza o mais apropriado para ser o homem de frente das batalhas. Áres se manifesta provocando diretamente a Athena dizendo que a mesma nunca estaria pronta para uma batalha. Athena respondi ao irmão afirmando que nem só de sanguinolência se vivem as lutas. Zeus esbraveja dizendo que as crianças devem se calar e deixar os adultos resolverem. Poseidon por sua vez reafirma sua posição ao lado de Zeus, deixando Hades como voto vencido.

Assim a grande guerra da Gigantomaquia se inicia. Os gigantes eram inimigos formidáveis, mas os olimpianos eram os dominadores do nono sentido. Hades com sua espada cortou ao meio pelo menos 30 monstros, enquanto Poseidon empalou pelo menos mais 20. Áres era de longe o mais matador de todos tendo ele sozinho dizimado com uma centena dos inimigos. Quanto mais sangue inundava o campo de batalha mais parecia que o corpo de Áres respondia ficando mais violento e mortal.

Vislumbrando sua derrota, Gaia usa sua divindade mais poderosa causando um terremoto magnânimo que derruba Zeus o deixando a mercê de um ataque. Quando um dos gigantes estava prestes a decepar a cabeça do rei dos deuses, Athena o defende com seu escudo divino e acerta o monstro o destruindo completamente. Nesse mesmo interim Áres destroça um dos gingantes que quase conseguira arrancar o coração do Hades. Depois de derrubar o último dos monstros, uma fera de quatro braços e olhos de fogo, Áres o trespaçou com sua lança mesmo depois do inimigo abatido o deus continuou a cortá-lo com fúria e voracidade, decepando os membros e a cabeça e fazendo em pedaços cada parte do corpo do inimigo.

Por fim Athena deu um basta no irmão.

A Guerra de Gigantomaquia estava ganha pelos Olimpianos.

Passadas algumas eras desde o confronto com os asseclas de Gaia, Zeus tomou a decisão de se afastar do Olimpo e se refugiar aos confins do universo, esta decisão mudaria tudo o que a seguiria.

Sentado em sua cadeira suprema no controle do Olimpo, Zeus anunciou que abdicaria do comando da terra para que um novo deus assumisse.

Seus irmãos, Hades e Poseidon, logicamente imaginaram que seriam um deles a se tornar o governante do Olimpo. Contudo Zeus proclamou Athena a herdeira do trono da Terra, mantendo a divisão dos reinos da mesma forma como era.

Poseidon se mostrou irado dizendo que aquilo era uma afronta barata de Zeus. Já Hades levantou armas contra o irmão, contudo ambos sabiam que não poderiam se debater com o Supremo Deus sem sair lesionados ou perdendo sua hegemonia sobre os reinos que já possuíam. Poseidon então prometeu voltar e tomar o trono do Olimpo para si. Hades disse que ali Zeus desafiara seu pior inimigo e que nada estava acabado.

Passada a contenda da tríade, Áres resolveu se manifestar contra a vontade do pai. Dizendo que ele era o mais apto ao comando, afinal ele fora o fator decisivo da Gigantomaquia, mas Zeus afirmou que era muito pelo contrário que quem ganhou a Guerra fora Athena e ela sim era a deusa da Guerra.

Áres revoltado, mas sabendo de sua impotência contra o pai, diz que não mais estaria junto da família no Olimpo, e que iria se abrigar no reino do Submundo, onde Hades o reconhecia pelo poder que tinha verdadeiramente.”

– Finalmente depois de tantos anos, nós iremos nos confrontar, Athena, e desta vez não haverá a cobertura do papaizinho para você. — Áres saltou se afastando de Athena ele fez mira e arremessou a lança contra a deusa. Naquele instante um guerreiro correu em direção a Athena, o mais rápido que conseguia um cavaleiro de Bronze. Ele não tinha o que fazer só pensava em parar a lança de Áres, fosse como fosse.

A lança arremeteu cavaleiro e deusa ao mesmo tempo. E depois de abrir a ferida em ambos desapareceu voltando ao poderio de seu mestre que desapareceu deixando seus guerreiros para dizimar o que restaria do exército sem líder.

Sangue de Cavaleiro e Deusa vazavam pela ferida no peito de ambos e se misturava.

Kha e Ohm se aproximaram e transportaram Athena e o Cavaleiro de Bronze para longe dali, porque sabiam que a explosão que viria acabaria com muito do já construído.

Sraosha foi o primeiro…

– Outra Dimensão! Preservaremos o que Athena nos deixou. Seu Santuário. Mas não vai sobrar nada dos filhos daquele maldito!

– Cavaleiros se preparem para a luta! — bradou Armegin.

Notas finais
ÁRES - DEUS DA GUERRA O irmão gêmeo de Athena ficou conhecido nos tempos atuais como o oposto da deusa. Áres é conhecido por ser o mais cruel dos deuses. Sua sede de sangue e avidez pela morte e pelo sofrimento chegam a superar os de seu tio Hades. Ares é muito belo por isso seduziu Afrodite com teve quatro filhos: Phobos e Deimos, já citados. Ênio a única mulher entre os filhos da cópula desses dois deuses, é a deusa da carnificina e Anteros, o opositor de Eros, o Anti-amor. Somente os dois primeiros participaram efetivamente da Guerra contra Athena. A Kamui de Áres é dotada de um escudo tão poderoso quanto o de Athena. E ele carrega consigo a Lança Octane Serpent, matadora de divindades forjada por Efesto para que Áres usasse na Gigantomaquia.