O Mito das Guerras Santas - Primevas
23 Capítulo 23: O Real Poder do Justo
Notas iniciais
O dragão, agora materializado, criado por Ágape, voava em direção da Berseker.
— Maldito! Como é capaz de conjurar tais criaturas?!
Ela saltou se desviando da fera que se desmaterializou ao embater com uma das cachoeiras. Pousando num dos picos superiores da cachoeira ela ainda tinha visão vantajosa do cavaleiro de Libra e de Ryuma.
— Eu vou acabar com os dois e depois destruirei a armadura de Dragão!
— Poupe seu tempo berseker! Eu não deixarei que faça nada com a armadura.
Ela saltou para o nível de Ágape. Sua Fúria era de um azul escuro profundo. A única entre os capitães de Batalhão que não trajava uma fúria vermelha. Sob as ombreiras uma capa azul não muito ostentosa. No peito era possível distinguir a face de uma fera, talvez um dragão ou uma serpente marinha. O elmo era em tiara com adornos simétricos. Sua arma era a Lança Ivory. Seus cabelos castanhos curtos combinavam com os olhos fortes na mesma cor.
— Ágatha, porque quer destruir a armadura de dragão? — indagou conciso, Ágape.
— Assim fui ordenada pelo meu superior Phobos. E por isso atacarei sem dó! Infelizmente para você Ágape de Libra, estamos num território muito favorável a mim. — ela novamente girou a lança com destreza e a cravou no solo.
A água começou a se levantar sozinha como se fosse viva. Tomou forma. Réplicas de Ágatha.
— Clones de Água!
— Técnica curiosa, berseker. É engraçado, mesmo estando agora nas hostes de Áres, mantém as técnicas de seu mestre Ivo. Será que ele como fiel soldado de Poseidon admitiria você como uma Berseker do deus da guerra?
— Cale-se você não sabe nada sobre meu mestre ou sobre mim!
Ela avançou com velocidade espantosa.
— Você me obriga…
Ágape avançou com tamanha velocidade que parecia deslizar sobre as águas. Sacou de um dos vincos espaciais a barra tripla da armadura de Libra. Atingiu o primeiro dos clones com a ponta em alta velocidade. Girou movendo a arma com suprema maestria. Na volta seguinte ele passou a arma por trás do corpo acertando mais um dos clones que se desfez. Ágape tomou impulso e saltou se apoiando em um dos vincos da rocha, trocou a barra tripla pelo tridente e saltou novamente para baixo. Na queda três clones surgiram em meio às quedas d’água e tentaram o alvejar com suas lanças. Ágape, no entanto girou o corpo no ar e se apoiou sobre as lanças cruzadas, forçando para baixo ele parou no meio dos três clones os empalou com o tridente de Libra.
Novamente ele estava no nível de Ágatha.
— Chicote de Água!
Fios d’água prenderam Ágape, pelos punhos, tornozelos e pescoço.
— Droga o que está acontecendo?
— Eu vou atravessar seu coração com a minha lança, cavaleiro!
No santuário…
— Ashur, foi uma grande demonstração de força.
— Não deveria se espantar Asclépio, ou posso chama-lo de Lúcifer?
— Então Afrodite fez o que eu imaginava, quando viu que estava acuada diante do Ashura Abraxas…
Ashur riu com leveza apesar do tom ameaçador do diálogo não ter desaparecido.
— Me diga Lúcifer, o que o fez se curvar diante de Athena?
— Athena é uma deusa sábia e justa e até o momento tem lutado pela estabilidade do planeta e da raça humana.
— Você que causou uma guerra entre os Anjos, agora é um defensor da justiça?
— E você Ashur, acha tão errado assim o que eu fiz?
— Eu estou ao lado de Athena praticamente desde que ela desceu ao mundo dos homens!
— E eu fui a primeira pessoa que ela viu ao chegar neste mundo!
— Teria sido mesmo coincidência?
— Pare com esta teoria da conspiração… — o tom de Lúcifer era irônico agora — Eu não estou tramando nada, apenas estou cumprindo uma promessa que fiz a Athena!
— Lúcifer eu te conheço melhor que qualquer um…
— E por ora acho interessante mantermos tudo como está porque afinal de contas não há necessidade nenhuma dos cavaleiros de ouro saberem de nós entre eles.
— Se você tentar alguma coisa, como tentou nos Elíseos, eu juro que não medirei esforços para acabar com você, Estrela da Manhã.
— Tudo bem Mestre dos Encantos.
Anathema prosseguia sua viagem. Estava agora no litoral congelado do norte acima das terras de Einhgard. À sua frente apenas um horizonte branco… o Mar de Gelo que o cavaleiro teria de atravessar até a Ilha das Sombras.
Nos picos antigos além da muralha de Shengu nas terras de K’um Lung…
Droga eu não consigo me libertar!
O ataque da berseker era direto. A lâmina empunhada na direção do coração de Ágape. Um estalo ensurdecedor!
A lâmina da Irvory se chocou contra um escudo.
Ágape se chocou contra um rochedo e o despedaçou completamente.
— Garoto, como…? — Ágape percebeu que a Armadura de Dragão trajava o corpo de Ryuma. Mas não estava normal, parecia sem cor.
— Ele vestiu a armadura na marra e a envergou com todo peso que ela exerce sobre o corpo de um humano comum, para chegar até aqui!
— Moleque impertinente! Como ousa parar o meu ataque e impedir minha vingança!
— Este garoto tem um nobre coração e grande poder, prova disso é que conseguiu envergar a armadura de Dragão mesmo sem nenhum preparo ou conhecimento do cosmo! Não vou deixar que seu esforço seja em vão cavaleiro.
Ágape repousou o corpo de Ryuma sobre uma pedra. Levantou sem pressa, estava agora tomado por um espírito de luta fervoroso.
— Clones de Água! — dezenas de clones se formaram da água das cachoeiras.
— Eu posso ver… posso ver claramente quais são os corpos de água. É como se meus olhos tivessem ficado mais apurados…
Ágape avançou com extrema velocidade sacou a espada de Libra dos vincos espaciais. Acertou três, mais quatro e mais três dos clones saltou passando por cima de todos e finalmente vislumbrou a verdadeira Berseker.
— Sinta o poder da justiça de Libra! Tigres e Dragões!
Uma centena de tigres e uma centena de dragões avançaram em direção a berseker feitos do cosmo do cavaleiro de Libra.
— Este homem… como pode ter tanto poder!
A berseker criou um muro de água tendo tempo, assim, para escapar do ataque feroz. Porém o embate da barreira defensiva com o poder agressivo de Ágape causou um tremor intenso e os picos antigos foram se desmoronando com a força das águas.
Ao fim do embate Ágatha havia fugido. Ágape estava agora dando assistência a Ryuma.
— Ele morrerá se eu não cuidar dele…
Não posso permitir que ele morra para me proteger.
— Armadura de Dragão responda ao chamado de Libra!
A armadura brilhou e tomou cores novamente num tom de verde profundo parecido com o reflexo das águas das cachoeiras em volta.
— Lhe entrego o sangue de um dos meus dragões para que possa devolver o poder de vida desse rapaz.
A armadura então absorveu o sangue dado por Ágape, o mesmo sangue queimou em cosmo e se fixou nas costas de Ryuma.
Enquanto este dragão estiver nas costas do cavaleiro desta armadura ele resistirá às batalhas. A garra do Dragão é o seu coração Ryma de Dragão…
Anathema estava no meio do oceano congelado, como se estivesse num deserto branco e sombrio. Naquela parte do planeta o Sol brilhava apenas metade do ano. Seu caminho seria árduo.
— Eu não posso enxergar, mas sei muito bem que estão atrás de mim!
Duas figuras encapuzadas surgiram atrás do cavaleiro de Aquário.
— Com esse cosmo ameaçador é impossível se esconderem de mim.
— Revelem-se!
O cosmo dos misteriosos somente crescia.
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