Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras - Primevas Os cavaleiros descobrem o que aconteceu com Athena em seu paradeiro e o por quê de ela ter retornado como bebê. Salem de Virgem explica a todos que foi uma forma que a deusa Niké encontrou de proteger Athena, criando um ciclo de encarnações para a deusa. Que decidiu por se tornar humana. Ao mesmo tempo Lúcifer conversa com Kha e Ohm sobre manter sua identidade sob sigilo, passando a chamá-lo de Asclépio. Os cavaleiros de Ouro decidem criar um novo posto de comando que seria equivalente ao da deusa Niké e elegem Lúcifer, agora Asclépio, como o primeiro Grande Mestre do Santuário. Selkh permanece alheio a tudo. Andando pela floresta o Escorpiano e sua discípula Clair de Tarântula se deparam com uma Berseker do batalhão do medo. Ela de apresenta como Ayame de Deathbringer e promete assassinar ambos com crueldade.

No Santuário:

Melkabah meditava na casa de Aries. Seu cosmo era profundo, como um lago sem nenhuma agitação, límpido.

– Você tem um belo cosmo… — disse uma voz infantil de menina.

Melkabah abriu os olhos e se deparou com uma garotinha de cabelos curtos. Os olhos grandes da cor de ametista. Devia ter no máximo 5 ou 6 anos.

– O senhor é muito bonito. — ela se aproximou e tocou o rosto do cavaleiro afagando o cabelo vermelho selvagem.

Ele enrubesceu. Estava desconcertado com o fato de aquela garotinha tão pequena e inocente estar ali sem problema algum.

– De onde você vem garotinha?

– Eu sou daqui mesmo. Estava passando quando senti seu cosmo… é lindo. — ela sorriu com doçura.

– Como sabe o que é cosmo?

– Todos sabem, aqui é o Santuário, não é? Você é cavaleiro de Athena?

– Sim. Sou Melkabah de Áries. — ele seguia o diálogo desconcertado com a garotinha.

– Senhor Melakabah. — ela sorriu e rodeou o cavaleiro pulando em seus ombros.

– Mas você não me disse seu nome, mocinha…

– É que… — ela pousou o dedo indicador sobre os lábios. — É que eu não me lembro.

Na floresta Selkh e Clair finalmente encaravam a inimiga.

– Ela é muito perigosa. Esse veneno que ela usa eu só o vi ser usado uma vez. É o veneno da víbora de Ophir.

– A lendária víbora criada por Nix?

– Sim. Um humano normal teria sucumbido.

– Como sabe que é este veneno específico, Mestre Selkh?

– Eu já provei de todos os venenos do mundo. Sou imune a praticamente tudo. Talvez uma exceção sejam as rosas venenosas que Enoch plantou entre a casa de Peixes e o Templo de Athena. Mas acredito que com o tempo eu me torne imune àquelas rosas.

Naquele momento Ayame concentrou seu cosmo e se preparou para lançar sua técnica.

– Lótus Venenosa!

Ela lançou um incontável número de kunais ninjas.

– Comece Clair…

A amazona ergueu um dos braços. A atmosfera começou a mudar… como que por geração espontânea teias de aranha começaram a surgir em todas as partes à volta dos lutadores. Muitas das adagas ficaram presas nos emaranhados.

– Como isso é possível?

– Meu nome é Clair, eu sou a Amazona de Tarântula. E eu estou só começando…

– Vocês dois seus malditos!

“A sinfonia da morte de Jean Pierre parecia alfinetar cada célula nervosa de Selkh.

– Você é mesmo valoroso cavaleiro de Athena… vê-se que realmente é digno de seu posto como cavaleiro de ouro.
Selkh estava de joelhos com as mãos prensadas tapando os ouvidos.

– Mal… Maldito…

Selkh começou a sentir que perdia os sentidos. E foi quando ele desmaiou.

– Mesmo um cavaleiro de ouro não pode resistir ao poder da minha flauta.

O Marina já se afastava…

– Não é bem assim, Jean Pierre!

Como? — O Marina sentiu um frio percorrer sua coluna. Como era possível alguém resistir a sua técnica?

– Quem é você cavaleiro?

– Meu nome Selkh. Selkh de Escorpião, o Escorpião Rei.

– Você não pode ser… o famoso Escorpião Rei!

– Sim. Necromante das terras de Nod. E foi assim que eu venci sua técnica.

– O que você quer dizer, Cavaleiro de Escorpião?

– Nunca foi minha intenção entrar em Atlântida fisicamente, mas eu precisava me aproximar o máximo possível para projetar meu espírito para dentro dos muros.

– Projeção Astral?!

– Muito bem Jean Pierre! Minha intenção foi sempre projetar meu espírito. Por isso Athena me mandou; porque sabia da minha habilidade. Mas ainda assim a projeção astral não me serve apenas para espionagem. Quando desliguei minha alma do meu corpo automaticamente sua técnica parou de afligir os meus sentidos, por que eu estava tecnicamente morto.

– Maldição! Já que a Sinfonia da Morte não funcionou com você eu vou te dar minha técnica secreta, proibida a mim pelo próprio Imperador Poseidon!

Ele novamente começou a tocar a flauta…

– Já disse que sua música não vai funcionar…

– Esta não é a Sinfonia da Morte que você ouviu antes. Esta é conclusão da Sinfonia Final da Morte. Climax Final da Morte!

As ondas sonoras começaram a quebrar os ossos do cavaleiro de ouro, um a um. Braços, pernas, as juntas dos ombros. A dor era nauseante. Os ossos começaram a se partir mais, Selkh sentia como se fosse se tornar pó a qualquer momento.

Ele caiu com o rosto no chão… e começou a rir.

Sabe, Pierre, eu simplesmente acho que você não entendeu. Eu… — o cavaleiro estava de pé -… sou… — movimentou-se rápido seu cosmo estava atrás do Marina, agora — …Imortal… Agulha Escarlate…”

– Sabe Ayame, seu maior erro foi enfrentar um imortal.

– Do que está falando, cavaleiro? Somente os deuses não podem morrer…

– Ah não, não, não, não… Thithonos é um ótimo exemplo, Zeus o abençoou a pedido de Eos. No meu caso é um pouco diferente. Minha mãe quando eu era jovem me entregou como oferenda ao deus Anubis. Porém antes que minha mãe me matasse o próprio deus da morte do meu povo surgiu e me deu de seu sangue dizendo que daquele momento em diante eu seria seu filho.

– Mestre Selkh o senhor tem sangue de um deus?! — Clair estava espantada.

– Isso não importa, mesmo que eu não possa mata-lo, mestre Áres poderá com a lança dele.

A berseker se movimentou com ímpeto; em certo ponto da trajetória ela saltou girando o corpo por cima dos cavaleiros. Lançou as adagas envenenadas como uma espécie de saraiva de lâminas, porém a Amazona de Tarântula já estava pronta.

– Barreira de Aranha! — o cosmo dela formou uma teia que encobriu mestre e discípula.

– Maldita! Maldita! Maldita!

A berseker desceu girando no ar e rasgou a teia ao meio, atravessando com facilidade. O Cosmo se concentrou na adaga e atingiu o peito da amazona destroçando por completo a armadura. O impacto as levou ao chão. Os olhos de Selkh não conseguiam fugir daquela cena.

– Clair!

Quando a berseker tentou se erguer para atacar o dourado percebeu que estava presa numa teia formada a partir do cosmo da Amazona.

– Você não vai fugir de mim. — a voz da guerreira falhava e uma quantidade absurda de sangue jorrava pela boca.

– Me solte, sua maldita!

– Mestre Selkh não deixe que minha morte seja em vão… obrigado por tudo que me ensinou.

– Clair! — o grito do cavaleiro era cheio de dor e tormento.

Ele avançou rápido e furioso… mortal, como era de se esperar da ira do Escorpião Rei.

– Sinta a fúria do meu cosmo. Troveje meu cosmo! Agulha Escarlate: Antáres!

Selkh acertou os 14 golpes da Agulha Escarlate e finalizou com o ataque direto no coração, tudo isso numa fração de segundos...

– Acabou… Clair…

O corpo da berseker caiu sem vida, os olhos apenas com as partes brancas a mostra. Seu rosto exibiria uma feição castigada pela dor por toda a eternidade.

– Clair, eu deveria ter te protegido, não o contrário.

– Mestre não há o que fazer, veja... até mesmo minha armadura morreu. Ela era mesmo muito poderosa.

– Clair...

– Peça a Anubis para me proteger do submundo de Hades. Peça a Athena que guie minha alma. E novamente obrigado por tudo.

– Clair… não!

A amazona faleceu nos braços de seu mestre.

Para salvar a vida de seu mestre Clair de Tarântula caiu.

Notas finais
SELKH DE ESCORPIÃO Selkh foi o primeiro homem a tomar do Ikohr, o sangue dos deuses, tendo ele provado do sangue de Anúbis e se tornando imortal. Como Áries ameaçava os domínios de Anúbis, o (futuro) deus egípcio convoca seu estimado guerreiro a fazer um pacto com Athena. Obs: Originalmente não existe uma constelação de Tarântula, mas uma nebulosa de Tarântula, na qual está localizada a constelação de Peixe Espada ou Dourado. Por isso a armadura foi morta ao fim da batalha, para representar o fato.