Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas - O Legado dos Gêmeos: Após ter sido banido pelo antigo Cavaleiro de Virgem, Brafmah, Valentine de Harpia retorna para se vingar dos gêmeos Sage e Hakurei, no entanto é surpreendido pela manifestação de um poder diferente por parte dos gêmeos e pela intervenção de Olivier de Órion. Os gêmeos chegam ao Santuário e se deparam com a imagem de Itia, o Grande Mestre do Santuário

O Grande Mestre finalmente surgiu diante dos gêmeos. Imediatamente eles ajoelharam diante da figura imponente de Itia.

O velho tinha um semblante sereno, a pele muito enrugada e os olhos acinzentados. Ostentava o elmo sagrado e a túnica escura do grande mestre, assim como uma dúzia de adornos no pescoço. Caminhava sem dificuldades, mas com o apoio de uma bengala de madeira.

— Podem se levantar, garotos. Você também Olivier.

Eles se levantaram.

— Me acompanhem até o Salão do Grande Mestre.

— Mestre Itia, posso dar uma palavrinha com o senhor.

— Sim Olivier.

Eles se achegaram mais afastados dos dois.

— Mestre Itia, esses garotos eles manifestaram um poder…

— Sim, meu jovem Olivier, eu sei exatamente o poder que eles manifestaram…

— Eles…

— Eles são predestinados, mas somente eles poderão definir totalmente o traçado desse destino.

No Salão do Grande Mestre Itia se sentou no trono e olhou diretamente para os garotos ajoelhados diante dele.

Esses garotos estão indo muito bem… ainda que jovens possuem um cosmo grande do qual eles mesmos não tem ciência. Eles controlam um grande poder, dignos de serem discípulos do Mestre de Jamir, Brafmah de Virgem, meu companheiro de batalha.

— Porém só precisamos de um de vocês…

— ham?!

Nesse momento dois soldados poderosos, com corpos imensos e músculos bem definidos atacaram os garotos por trás.

— O que é isso?!

Hakurei respondeu rapidamente a investida desviando do golpe do soldado e se infiltrando em uma brecha na sua postura acertou o meio do peito do adversário com a mão espalmada o lançando para longe no salão.

Sage por sua vez saltou para o lado com destreza fazendo o homem acertar o chão com o punho e revidou em seguida em alta velocidade acertando-o no pescoço com um golpe potente.

— É assim que o Santuário recebe seus convidados?! — indagou furioso o gêmeo mais novo.

Itia, no entanto, respondeu com uma risada leve.

— Pare de rir, velho, e nos explique do que se trata tudo isso…

— Nada mal… — respondeu o Papa com simplicidade.
— Seu velhote…!

Hakurei avançou contra o Mestre do Santuário.

Repentinamente ele para no ar, seu corpo parece imóvel paralisado no ar diante da figura calma do grande Mestre que o encara diretamente.

— O que você fez com meu irmão? — Sage surgiu por trás do irmão avançando contra o Grande Mestre.

Porém o garoto foi paralisado no ar tal qual o irmão; seus braços se dobraram e um estalo pode ser ouvido, eram seus ossos estalando.

— Sage!

— É assim que vocês pretendem lutar contra mim? — o semblante do Papa mudou completamente, seus olhos serenos se tornaram firmes e sérios — Os fracos são inúteis para a Guerra Santa que se aproxima… agora me mostrem quem vai viver e quem vai morrer?

Não podemos lutar contra todo esse poder… se é assim eu pelo menos protegerei meu irmão, Hakurei…

Eu…

— Eu sou mesmo um fraco! — a declaração de Hakurei pegou Sage de surpresa. — Sage é o mais esperto de nós dois. Ele com certeza será mais útil que eu na Guerra!

— Não é verdade! — Sage interveio na fala do irmão.

— Sage?

— Meu irmão mais velho tem mais coragem e a pureza que eu não possuo. Contudo com esta mesma pureza ele, provavelmente, será capaz de reunir as pessoas necessárias para mudar o Mundo e o rumo dessa Guerra. Então eu prefiro morrer, com toda certeza!

— Pare de falar besteiras! — Hakurei esbravejou — Se é assim que as coisas são, vamos morrer juntos!!!

O Ancião bateu com a ponta do suporte de madeira no piso o que levou todos ao imediato silêncio. Este mesmo foi quebrado pela risada ampla do Patriarca.

— Eu definitivamente não esperava tantos sentimentos.

— Meus… meus movimentos…

— Eu posso me mover…

— Irei ordenar que preparem seus quartos enquanto lhes mostro o local de treino dos aspirantes. — ele ia se virando quando retornou com um sorriso malicioso olhando pelo canto do olho — Eu acredito que estejam aptos a um nível superior.

Ele se virou completamente caminhando em direção aos gêmeos.

— Acredito que devo participar do treino…

— Como… como assim?

— Primeiramente, sinto muito. Eu estava testando vocês um pouco. — ele tocou a cabeça dos dois afagando seus cabelos — Vocês se completam muito bem. Apreciem suas diferenças e fortaleçam seus laços, essas coisas são importantes para a Guerra vindoura. Laços são essenciais. — os olhos novamente estavam repletos de paz e serenidade e seu tom de voz era cheio de sabedoria — Para a guerra e para o futuro da humanidade. Vocês dois são meu ideal, a chave para a paz.

— Paz? -indagaram em uníssono.

— Não se trata apenas de se limitar a conseguir a paz lutando para proteger apenas certas coisas. Não há sentido se a sua proteção não ajuda os outros sem discriminação. — a cada palavra o discurso de Itia se enchia de ideais — É um ideal mais complexo do que somente derrotar um inimigo e vencer…

Essa paz… é o ideal que este homem busca.

—Não percam esse vínculo entre vocês. — ele aconselhou — Quaisquer que sejam suas provas acreditem um no outro… e em seus companheiros. Agora me acompanhem.

França

O Castelo imponente se erguia em meio ao campo. Grandes arados de plantações se estendiam e morriam a cada passo da garotinha.

Mas não eram somente as plantações. As pessoas que trabalhavam, com nítido cansaço na terra, caíam sem vida.

— Meu senhor, estamos próximos não é mesmo? Eu sinto… sinto seu poder grandemente.

A aura negra chegou antes da imagem da garota e a luz negra matou os soldados. Ela adentrou o castelo sem dificuldade.

— Lá em cima? — perguntou para o envolto nos seus braços com um sorriso inocente no rosto.

Olhou para cima e subiu a escadaria.

— Garotinha! Onde vai? — perguntou um soldado.

— Eu vou entregar meu Senhor ao seu corpo.

O soldado morreu tão logo as palavras da garota entraram em seus ouvidos.

Como alguém que conhecia o Castelo, ela caminhou diretamente para o quarto. Abriu a porta. Lá estava o berço iluminado pela luz tênue que se derramava pela janela. O envolto flutuou dos braços da menina e se desfraldou liberando uma energia divinamente maligna. A aura negra avançou sobre o berço.

— Meu senhor! Finalmente! O Senhor está pronto! Onde estão?! — ela perguntou.

Um homem se achegou a porta trazendo em sua mão cabeças seguras pelos cabelos.

— Eliminamos os laços humanos.

— Muito bem Radamanthys. Jogue os corpos na terra. O Imperador está cansado e vai descansar.

Ao se aproximar do berço ela viu o bebê adormecido serenamente. Em suas mãos, ela vislumbrou o brilho do colar de pentagrama inscrito “Yours Ever”.

Notas finais
Na semana que vem: Capitulo VI: O Discípulo Fiel