Notas iniciais
O caminho até aqui: Finalmente Shiva termina sua missão no submundo, conseguindo replantar a semente da Mokurenji próxima da Cachoeira de Sangue. O antigo cavaleiro de Câncer se compromete a proteger a árvore até que seja chegado o momento dela ser usada. Agora uma nova missão se abria para Sage e Hakurei

Itia estava sentado no trono do Grande Mestre, apoiada a sua frente estava a bengala que lhe dava suporte.

Itia… Itia… seu tempo está findando sabemos disso, estamos do outro lado. E quando você atravessar estaremos aqui para receber sua alma.

— Mestre Itia, Mestre Itia!

A voz de Hakurei quebrou o fluxo de pensamentos e irrompeu sobre a voz na cabeça de Itia, ele encarou os três garotos a sua frente como quem emerge de um mergulho profundo.

— Tudo bem com o senhor Mestre Itia? — perguntou Sage se aproximando do Papa.

Suas pernas hesitaram quando sentiram o grande cosmo denso e pesado que cercava o corpo de Itia.

— Me… Mestre Itia… — o chamado saiu como um sussurro.

Naquele instante Sage se viu conectado à alma de Itia. A imagem formada a sua frente era quase divina, um homem jovem que envergava o elmo de Grande Mestre, flutuando sobre o mundo inteiro aos pés de Itia era possível ver os doze cavaleiros de Ouro e dos pés deles partiam linhas douradas que dividiam o globo em doze partes.

Acontece que ainda que toda aquela imagem fosse impressionante Sage percebeu que o cavaleiro que ocupava o posto de Câncer era Hakurei.

Quando seus olhos encontraram com os do irmão ele acordou.

— O… o que aconteceu…?

— O Senhor está bem, Grande Mestre Itia? — indagou Ângelo de Peixes.

— Sim, sim… eu estou bem…

Nesse momento Itia se recompôs e se levantou do trono entregando a Ângelo um pergaminho.

— A missão de vocês é ir até a Ilha de Avalon.

— Avalon? No Reino Unido?

— Justamente…

— Alguma missão se incide nesse local, Grande Mestre?

— Sim. Eu enviei o Albert de Capricórnio até um Templo nessa Ilha. Porém eu identifiquei que existem forças de Hades se direcionando para aquele local atraídas pelo poder de Albert.

— Poder de Albert?

— O Santo de Ouro de Capricórnio detém duas espadas lendárias. Em seu braço direito reside a sagrada Excalibur e no seu braço esquerdo reside a espada corrompida chamada de Merodach, conhecida como a Pecado Original. A Merodach é corrompida pelas energias que emergem das fendas malignas que levam ao Submundo. As almas mortas e que não encontraram seu caminho para os tribunais de Hades, são consumidas pela lâmina da Merodach.

— Suponho que enviou para Avalon para domínio desse poder…

— Justamente. E como eu não sei qual o nível de treinamento de Albert sobre esse poder vou enviá-los até lá para suporte.

— Sim, senhor! — afirmaram em uníssono.

Quando os cavaleiros saíram da sala do Grande Mestre, Itia se virou.

— Quer mesmo que eu os acompanhe?

— Krest-san, não que eles não sejam capazes de lidar, mas você, assim como eu, também percebeu não é mesmo?

— Sim…

— Eu partirei em breve. — disse o Cavaleiro.

Krest era o cavaleiro de Aquário por quase duas gerações. Tendo participado das Guerras Santas contra Poseidon, Hades e Ares anteriormente. O poder do cavaleiro era tão grande que o mesmo era respeitado em todo o Santuário e até mesmo por Itia de quem foi companheiro de batalha e sobrevivente da Guerra Santa anterior a esta.

Europa — Reino Unido

O mar parecia mais agitado do que de costume. Sob o lençol azul que lambia a areia branca da praia um cosmo lancinante podia ser sentido.

A silhueta esguia caminhava, agora, num caminho sinuoso pavimentado de pedras brancas. Seu corpo era protegido por uma armadura dourada, com adornos azuis e brancos. Seus longos cabelos eram brancos com mechas azuladas e seus olhos eram como dois topázios encrustados num rosto tão branco e límpido quando a neve de inverno.
Ela caminhava olhando tudo em volta, os pilares que erguiam as estruturas, as rochas suntuosas e finalmente o templo ostentoso que se erguia no centro de todo aquele reino. Atlântida.

— Finalmente eu consegui chegar ao reino de meu pai…

Ela adentrou o Templo principal e caminhou pelos corredores e câmaras até alcançar seu objetivo final.
O imenso salão era adornado por sete armaduras em ouro reluzente.

— As poderosas Escamas dos Marinas…

No fundo do salão no pedestal mais alto se encontrava uma outra armadura, a mais poderosa das escamas…

Ela atravessou o salão com graça e calma até se aproximar da Escama Divina. A frente do grande pedestal estava um ânfora com um selo onde era possível ler a inscrição em Ikhor: Athena.
— Sinto muito papai, mas ainda não é hora de você despertar…

Quando levantou os olhos lá estava o objeto de seu desejo. A arma mais poderosa sob os Sete Mares.
— O Tridente de Poseidon. Finalmente tomarei posse daquilo que é meu por direito.

Seus dedos envolveram a arma com firmeza e com um pouco de força ela o retirou de seu suporte nesse momento as águas dos mares se agitaram como se respondendo a arma de seu comandante.

— Um poder muito grande despertou…

O cavaleiro de Aquário pousava através de uma fenda interespacial sobre um penhasco acima de um vilarejo inglês.

— Esse poder vem da praia… talvez eu tenha que me focar nisso, Ângelo e os gêmeos de Jamir ficaram bem.

No lado oposto do vale onde se localizava o vilarejo, um batalhão de espectros era liderado por um dos Três Juízes do Inferno.

— É hora de tomar o poder da Espada Corrompida, conforme ordenou o Imperador Hades. Ao corromper o coração de um cavaleiro daremos início a vitória sobre os Exércitos de Athena.

“ — Eu tive um vislumbre… — disse Hades de seu trono — O caminho para a vitória nessa guerra é corromper o coração de um cavaleiro. O puro coração de um Santo norteado pelo amor, pela justiça e pelo senso de proteger a paz na Terra, deve ser invadido pelas trevas mais absolutas e a partir disso nossa vitória sobre as forças de Athena estará garantida!

Sob o discurso do Deus dos Mortos, um exército entrava em frenesi.

— Juízes do Inferno essa ordem é expressamente direta a vocês!

Os três Espectros se ajoelharam diante de seus Imperador e declamaram em uníssono:
— Sim Senhor, Imperador Hades!”

Castelo de Hades, França

— Senhor você acredita que os Juízes do Inferno poderão corromper o coração de um Santo de Athena?

— Pandora, minha querida, Pandora… obviamente que o meu plano principal não é que os juízes façam isso…

— Exatamente mulher… — a voz veio de trás dela como que açoitando sua própria alma. O corpo de Pandora se estremeceu inteiro com a mera presença daqueles dois seres.

— Vocês… Vocês… são…

— Sim… — outra voz falava agora… — Somos os Deuses Gêmeos que acompanham Hades em suas batalhas contra Athena desde era Mitológicas.

— Thanatos. Hipnos. — Hades cumprimentou os deuses — Me digam do que precisam para cumprir o planejado.

— Imperador Hades, o melhor de seus Espectros já está atuando ao nosso lado.

— As Fadas do Inferno irão quebrar o coração do mais nobre dos Santos… e assim o Santuário cairá em desgraça…

Notas finais
No próximo capítulo: Capítulo XXXI: A Espada onde o Demônio Habita