Notas iniciais
O cavaleiro de Gêmeos que havia sido designado para uma missão chega a Ilha da Rainha da Morte. O lugar trás atona memórias dolorosas para Damien.

Ilha da Rainha da Morte 3 anos atrás

Os cabelos que emolduravam a máscara demoníaca, tinham um tom de preto acinzentado. A armadura que ele trajava refletia um brilho negro macabro.

— Cosmo…

— Damien…

— Largue ela! — ordenou o cavaleiro de ouro.

A resposta do mascarado foi uma gargalhada maligna.

— Nossa pobre irmãzinha e sua discípula, Helga… não imaginei que ela fosse mesmo se tornar uma amazona…

Ele puxou os cabelos da garota fazendo-a olhara para ele.

— Veja… ela é realmente poderosa meu irmão…, contudo, não é poderosa suficiente, ela deu cabo de meus cavaleiros negros, porém não conseguiu enfrentar o irmão mais velho que é tão poderoso quanto um cavaleiro de Ouro.

— Cosmo, seu dever aqui era proteger a ilha e manter selados os Cavaleiros Negros.

— Sabe, Damien, eu cansei disso…

— O que… do que está falando?

Neste momento o homem retirou a máscara revelando rosto idêntico ao do Cavaleiro de Gêmeos.

— Este homem… é Cosmo, o aspirante a cavaleiro de gêmeos? — indagou Cefeu.

— O mesmo que foi vencido pelo Senhor Damien na batalha pela armadura de Gêmeos! — exclamou Cães de Caça.

— Quando a Aurum Probatio da Armadura de Gêmeos foi vencida por mim, o Grande Mestre recebeu em seguida a notícia de que o Cavaleiro que guardava a Ilha da Rainha da Morte havia falecido. Para substituí-lo ele elegeu Cosmo, meu irmão que perdera a prova para mim. Eu mesmo o trouxe para este lugar e vi Cosmo colocar a Máscara que representa o Selo de Athena neste lugar infernal.

— Sim… irmãozinho, eu deveria ter ficado no Santuário quem sabe assumir uma outra armadura, mas você me convenceu que a decisão tomada pelo maldito Itia era a mais acertada.

Eu deveria viver nesse maldito inferno impedindo esses desgraçados de saírem daqui.

— Esse modo de falar… essas atitudes… em nada você se parece com meu irmão.

— Você realmente não conhece o destino não é mesmo Damien… de geração em geração a constelação de Gêmeos escolhe dois candidatos, irmãos gêmeos para ser mais óbvia, um deles é agraciado com poder e glória, o outro tem seu destino amaldiçoado pelo lado corrompido da constelação. O Santuário nunca sabe quem dos irmãos será o Santo e quem será o amaldiçoado… até o momento do Aurum Probatio. Nessa era, eu sou o aquele que teve o destino amaldiçoado e você fez parte disso Damien! — ele vociferou como um demônio.

— Cosmo… você foi corrompido…

— Sim… sim… eu fui corrompido… ao longo dos anos lutando incessantemente com esses desgraçados, tendo minha vida roubada, tendo meus anseios destruídos por este lugar. Até que um dia eu encontrei isto.

Damien passou a reparar nos detalhes da armadura negra trajada pelo irmão.

— Esta… esta…

— Sim esta é uma Armadura Negra de Gêmeos e foi criada e escondida no fundo daquele vulcão. Somente alguém realmente poderoso poderia encontra-la e vesti-la. Acho que me caiu muito bem não é mesmo irmãozinho?

— O Santuário disse que apenas armaduras de bronze e armaduras de prata foram copiadas pelos ferreiros renegados de Mu.

— Sim e estavam certos, mas as coisas mudam, não é mesmo? Pelo que li nos inscritos da cripta onde se encontrava esta armadura, o seu criador era o mais exímio dos ferreiros renegados, por séculos ele tentou copiar uma armadura de ouro, sendo que no fim da vida ele conseguiu finalmente criar a Armadura Negra de Gêmeos, infelizmente, seu corpo já estava velho e decrepito e ele se quer conseguiu trajá-la, mas tão ganancioso era o maldito que antes de morrer ele levou para a sua cripta nas câmaras subterrâneas do vulcão e selou a si junto de sua criação para que nenhum outro tivesse seu poder. Seu testamento diz que somente um homem poderoso e ambicioso seria digno de trajar a mais poderosa das armaduras negras.

— Você foi mesmo corrompido pela energia negativa impregnada nesta armadura…

— Sim, eu fui corrompido… eu me deixei corromper! Os Cavaleiros treinam arduamente para obter poderes além da imaginação; muitas vezes superando os próprios deuses e depois de tudo isso se rebaixam amargamente para servir, quando deveriam estar comandando!

— Cosmo… você não pode achar isso…

— Eu vivo nesse inferno na terra, dia após dia, lutando incessantemente com esses rebeldes, até que ao tocar a armadura de Gêmeos Negra eu pude abrir minha mente para questionar até que ponto não somos apenas peões nas mãos dos deuses…

— Chega! — Damien explodiu — Another Dimesion…— duas fendas se abriram próximas aos cavaleiros de prata — Santos de Prata preciso que sigam pelo perímetro da Ilha e impeçam que qualquer cavaleiro consiga chegar a costa…

— Mas Senhor Damien…

— Eu posso dar conta de meu irmão sozinho! Vão isso é uma ordem!

Os cavaleiros seguiram contrariados pelas fendas dimensionais. Ao mesmo tempo que uma terceira fenda se abriu, sendo atravessada na velocidade da luz pelo cavaleiro de Gêmeos.

— Desapareceu, irmãozinho covarde…como sempre usando seus truques dimensionais e ilusórios sujos.

Nesse momento Cosmo começou a emanar um cosmo intenso e ofensivo. Puxou ainda mais o cabelo da irmã mais nova.

— Eu abdiquei da Máscara que representa o Selo de Athena nesta ilha, para que o Santuário acreditasse que algo tinha acontecido comigo e enviasse alguém para cá. Eu ansiava que fosse você, mas nunca acreditei que Itia faria mão de alguém tão poderoso como um dos 12 dourados. Porém aquele velho é muito perspicaz. Mas eu vou tirar de você as coisas que você ama, para que descubra como é o sentimento que tenho. Sinta o poder das estrelas a se apagar!
Galaxian Implosion (Implosão Galáctica)!

O golpe fora mirado diretamente na amazona...

— Uma… Fenda! Abduziu meu golpe…

Uma nova fenda se abriu acima dos dois.

— Sinta o poder das estrelas a se estraçalhar! Galaxian Explosion (Explosão Galáctica)!

O cavaleiro negro se afastou tentando evitar o golpe do irmão. No entanto a técnica atingiu o solo abaixo deles rompendo tudo numa cratera imensa.

— Não!

Ambos caíram sob pedras e rochedos.

— O que eu fiz?

Ilha da Rainha da Morte — Tempos atuais

— Naquele dia parte da minha vida se acabou, mas eu jurei proteger Athena e a humanidade. Eu não poderia fraquejar. Então segui em frente…

Ele deu uns passos hesitantes sobre aquela terra desolada. Depois de algum tempo finalmente chegou a um jardim, muito florido, que deveras nem parecia ser possível existir naquele inferno.

Ele se abaixou e apanhou uma das flores. Observando o céu enegrecido acima.

Saindo do jardim, ele caminhou através dos campos secos e quentes até chegar finalmente na boca do vulcão.

— Finalmente chegou até aqui… Damien de Gêmeos.

O cavaleiro de ouro se virou, se deparando com a obscura imagem de uma armadura negra reluzente. O metal de que era composto tal vestimenta parecia absorver toda a luz para si, sem devolver nada. Porém ele também reparou que a Armadura Negra estava diferente. Tinha formas femininas. No entanto o rosto estava oculto sob o elmo e uma máscara também negra.

— Esta armadura… a última vez que a vi estava sendo envergada pelo meu irmão mais velho Cosmo. Claramente você não é ele…

A figura negra não respondeu nada, apenas lançou uma rajada de energia. Que foi rebatida pelo Geminiano dourado.

— Seu poder… diga logo quem é você Amazona Negra!

A figura lentamente retirou a máscara e o elmo que ocultavam seu rosto. Seus cabelos presos caíram sobre o rosto emoldurando-o.

— Não… não é possível…

— Finalmente nos encontramos, meu irmão, Damien de Gêmeos.

Notas finais
Na próxima semana: Capítulo XXI: A Essência do Poder de Gêmeos