O Mito das Guerras Santas - O Legado dos Gêmeos
17 Capítulo XVII: Momento de Hesitação
Notas iniciais
Parece que quanto mais eu treino, ainda que a esquerda melhore… o selo da direita… é como se a espada ficasse mais forte. Ela não pode ficar mais forte…
O garoto de cabelos negros e olhos púrpuros seguia caminhando, a manga direita da camisa rasgada, o braço tatuado a mostra.
— Que poder é esse? Um cosmo grande acaba de se apagar…
Naquele momento em que um tremendo baque açoitava o peito dos dois, eles ouviram as batidas da porta.
— Sage, Hakurei…
— Mestre Itia… — os olhos de Hakurei já lacrimejavam.
O rosto de Itia, porém, não esboçava nenhuma reação. No entanto Sage percebeu uma amargura perdida no olhar do Grande Mestre, que era diferente do olhar gélido e distante que sempre carregava.
— Sentimos o cosmo do Mestre Brafmah se apagando.
— Brafmah se sacrificou para selar o poder Hades que despertava as Estrelas Malignas.
— Ele… ele… se sacrificou…
— Cavaleiros, — quem entrou na sala foi Athena a garota de cabelos um pouco abaixo dos ombros e olhos ternos segurava o báculo: Niké, a Deusa da Vitória — eu peço perdão.
— Senhorita Athena… — ambos se ajoelharam diante da Deusa.
— Não se ajoelhem. Este não é o momento. Perdemos uma importante proteção do Santuário. O mestre de Jamir, Brafmah, faleceu em prol de proteger a paz e a justiça.
— Senhorita Athena, — Hakurei tomou a frente — o sacrifício do Mestre Brafmah…
— Brafmah conseguiu conter a libertação de algumas das Estrelas Malignas, prendendo-as no eterno Ciclo das Seis Existências e não permitindo que Hades as libertasse para possuir os humanos destinados a ser seus hospedeiros. — quem tomou a explicação foi Itia.
— Porém isso não irá durar muito se não terminarmos a Guerra Santa o quanto antes elas irão e libertar. Hades é um deus muito poderoso, que tem total domínio sobre a Vida e a Morte, mesmo que Brafmah os tenha prendido no Ciclo das Seis existências, o Imperador do Submundo vai encontrar um jeito de destruir o poder do Mestre de Jamir.
— Nós vamos acabar com esta guerra.
— Não permitiremos que o sacrifício do Mestre Brafmah seja em vão!
Os punhos de ambos se fecharam com determinação.
— No entanto, não quero omitir nenhuma informação de vocês dois. — completou Athena. — Um número considerável de Estrelas Malignas rompeu o selo.
— Esses Espectros escaparam e estão livre no mundo…
— Eles irão possuir seus receptáculos…
Cabo Sunion — Santuário.
As ondas quebravam nas pedras da pedra.
— Queen!
O rapaz olhou para trás. Tinha os cabelos rosáceos e os olhos em um tom de violeta acinzentado.
— Albert…
As linhas de energia negra começaram a transladar pelo céu.
— O que… o que é isso?
Uma delas desceu num pilar sobre o corpo do jovem Queen. Nesse momento ele sentiu uma dor alucinante que parecia atingir individualmente cada célula do seu corpo. Seu grito reverberou maculando o som das ondas quebrando.
— Queen! — gritou o amigo correndo em direção.
A vida parecia um incrível desespero naquele instante que parecia eterno. Incrivelmente ele sentiu como se seus pensamentos e vontades fossem pouco a pouco sendo suprimidos e apagados. Ele sentiu que ali não havia volta, sua consciência estava subjugada.
Ele não sentia mais o corpo.
Se viu numa escuridão absurda.
— Onde eu estou? Essa escuridão…
Diante dele, viu a imagem de uma imensa flor negra, estava com as pétalas fechadas, como um botão. Ao se aproximar sentiu a cosmo-energia horripilante dos Espectros, a planta se moveu, e abriu as pétalas revelando uma silhueta humanoide de traços femininos, cintura curvilínea e seios rijos. Os braços finos e os cabelos longos e negros, o ser emergido da flor abriu os olhos encarando o próprio Queen. E assim avançou, voraz, em sua direção.
— Queen! — Albert tentou se aproximar, mas a cosmo energia explodiu ainda mais poderosa levantando areia da praia e partindo os pedregulhos. Alterando até mesmo o fluxo marinho.
— O que é esse poder que Queen está manifestando? É diferente de seu cosmo original…
Finalmente o fluxo violento de energia pareceu cessar por completo, restando apenas uma aura púrpura em torno do corpo de Queen.
Albert deu um passo adiante ainda hesitante, o amigo parecia apenas um corpo desligado. Quando fez menção em tocar o ombro do garoto, Albert sentiu a energia explosiva por vir… ele saltou segundos antes de tal poder o lançar a distância, mas ainda sentiu o resvalar da onda de choque emanada. Ele caiu com um dos joelhos apoiado no chão os braços cruzados frente ao rosto.
Foi nessa hora que ele percebeu as marcas no braço a mostra brilhando como se reagissem a energia proveniente de Queen.
Está reagindo…
No momento de distração ele não percebeu quando um corpo obscuro surgiu diante do companheiro se desmontando e acoplando-se como raios luminosos no corpo dele.
— Aquilo é… uma sobrepeliz!
O rosto de Queen agora estava oculto pelo elmo da sobrepeliz que o trajava completamente.
— Não é possível, Queen é um escolhido das 108 Estrelas Malignas de Hades?! — o garoto se ergueu com dificuldade.
A cosmo energia que vinha de Queen era grande e claramente maligna, com um peso de intenção de matar voraz…
— Queen! Não! Você não pode…
— Já chega Albert… — a energia cessou — eu não sou mais apenas Queen. Agora eu sou Queen de Alraune, a Estrela Celeste Demoníaca, um servo fiel do Imperador Hades, o Deus dos Mortos!
— Isso… isso não é possível!
— Não se engane, Albert, meus sentimentos humanos morreram no instante em que fui possuído pela Estrela de Alraune, agora eu sou instrumento para a vitória do Imperador Hades.
— Queen acorde! Você sempre foi uma pessoa gentil e amigável. Todos nós que somos seus companheiros sempre pudemos contar com você!
O garoto deu uma gargalhada carregada de escárnio para com as palavras do antigo amigo.
— Esse Queen… morreu… — disse tirando o capacete.
E foi nesse momento que Albert entendeu que seu amigo realmente havia morrido. A expressão em seu rosto era completamente carregada de maldade. Seu sorriso antes gentil, agora era cheio de um tom maligno e destrutivo. Seus olhos antes serenos e límpidos, carregavam agora o brilho da morte.
— Eu mesmo me encarregarei de apagar todos os traços da vida passada deste Queen começando por você, Albert!
O Espectro avançou com ímpeto, mas seu punho foi parado por um brilho dourado intenso.
Uma garota com cabelos roxos dançando ao vento se punha firme entre o Espectro e Albert.
Usava um longo vestido branco que dançava ao vento praiano, um báculo imponente era ostentando em sua mão direita.
— Athena! — se surpreendeu Albert.
— Infelizmente, Albert, não é hora de hesitar… seu poder é grande, você é o portador da espada sagrada…
Ao soar das palavras da deusa que pareciam vir de uma voz extracorpórea, uma urna dourada surgiu flutuando diante de Albert.
— Isso… isso… é…
A urna se abriu, de onde emergiu um brilho dourado intenso. Em meio ao pilar de luz ascendeu uma armadura de brilho áureo intenso.
— Venha… Capricórnio!
A armadura se dividiu em partes que atenderam ao chamado do cavaleiro como estrelas douradas se acoplando parte a parte em seu corpo.
ALBERT DE CAPRICÓRNIO!
Esse poder… é a… Excalibur…
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