O Mito das Guerras Santas - O Legado dos Gêmeos
46 Capítulo XLVI: Éolos
Notas iniciais
Sem que a deusa se desce conta ela começou a sentir sua pele ser perfurada e rasgada em diversas partes de seu corpo. Percebeu também que sua sobrepeliz sofria danos visíveis.
— O que está acontecendo?
— Você me subestimou Deusa da Cólera, mas eu vou te mostrar meu real poder nessa luta.
— Eu sou uma divindade Genuína não sou um mero semideus como você… em minhas veias corre o Ikhor dos Olimpianos da prole de Cronos!
O cosmo da deusa explodiu sobrepujando a técnica do Cavaleiro de Ouro.
— Alecto… você pune os seres por seus erros, mas também os pune pelo seu simples capricho. Está em você o gosto por ver os outros sofrerem e eu, filho de um deus, não reconheço uma divindade como você!
— Eu vou acabar com todos vocês! SUPREMA CHÓLERA!
O golpe da deusa era como garras e presas formadas pelo próprio cosmo. Elas atingiram Aeras em cheio trincando e quebrando partes de sua armadura. O corpo do cavaleiro foi jogado para trás e naquele momento Aeras pensou ser seu fim.
Aeras!
Aeras!
Essa voz…
Quanto tempo você renegou sua ligação com os deuses?
Eu… eu…
“Aquela mulher era a única figura familiar que eu tinha em minha mente… na realidade eu nunca soube ao certo se ela era minha mãe… saía antes do sol nascer e chegava quando as estrelas já pontilhavam o céu. A única real memória que eu tinha dela era aquela derradeira, onde escorria sangue de sua boca, muito sangue, seus olhos pareciam se apagar. A lança seguia cravada no meio de seu peito e seu corpo preso na parede… se afastando uma outra figura feminina, cercada por uma atmosfera obscura, cabelos longos em tom de negro com um brilho púrpura… ela fez um gesto com a mão e a lança respondeu desprendendo-se do corpo da mulher que era minha família e parando na mão da mulher que a assassinou.
Em suas últimas forças, ela reuniu nas cordas vocais o desejo de falar.
— Seu… pai… — disse com um sussurro quase mudo — Divindade… Éolos.
Minhas lágrimas já encharcavam seu rosto praticamente morto…
— Procure … o… Santuário…”
Desde então eu segui para o Santuário de Athena, o Mestre Itia me acolheu e também foi ele que me contou sobre minhas origens…
Porém aquela mulher, a assassina, para mim era uma divindade, eu sempre achei que fosse uma deusa que assassinara minha mãe… Eu ainda irei a encontrar e me vingar… Por isso eu sempre odiei os deuses. Eu sempre achei que os humanos não precisassem deles para nada… mas Athena me mostrou uma outra face de ser um deus, ela me mostrou o que é uma divindade de verdade… Por isso eu optei por seguir Athena até meus últimos dias…
Enquanto você renegar suas origens, Aeras, seu verdadeiro poder não poderá despertar…
Negar… Origens… Poder…
Sim… você quer poder para proteger aqueles que você ama, quer poder para proteger sua família do Santuário, quer poder para se vingar então aceite… aceite sua gênese e o poder poderá ser seu…
Minha Gênese…
Diga você é Aeras, filho de Éolos, Aeras de Sagitário…
Eu… Eu…
Os olhos dele se abriram, ele sentiu percorrer por todo seu corpo um calor vívido, como se sentisse ali pela primeira vez o poder da vida.
Eu sou Aeras de Sagitário, filho de Éolos!
O sangue que escorria do canto da boca mudou de cor, tingindo um tom de roxo, quase azulado. Os olhos do cavaleiro tingiram-se de um brilho avermelhado. Seus cabelos negros se moviam conforme a enorme energia que fluía do seu corpo. As feridas foram se curando como se evaporassem dele. A armadura pôs-se a se regenerar até estar como antes do ataque.
Vilarejo de Rodório — Limites do Santuário
Os gritos das pessoas do vilarejo ecoavam por toda parte, tudo era fogo, fumaça e gritos atordoantes.
Finalmente os Santos de Ouro se depararam com a imagem da divindade. Flutuava a alguns metros do chão. Sua Sobrepeliz reluzia as chamas a volta e erguendo com seu braço direito estava um homem cujo corpo estava coberto de sangue.
— Finalmente chegaram Cavaleiros de Ouro… — ela jogou o homem como se fosse apenas um estorvo e se virou completamente para os Santos de Athena.
— Maldita, como uma divindade pode ser capaz de fazer tantas atrocidades…
— Os humanos merecem… — ela respondeu de pronto — os humanos deveriam ser perfeitos como deuses, mas são apenas insetos insignificantes, capazes de se matarem, de ferirem, de lesarem seu semelhante para ser maior, mais poderoso… Os humanos são uma raça que tem que ser extirpada da existência, banida para os confins do Submundo paara sofrerem no reino de meu pai.
— Então essa é a visão que você tem de nós… — quem se manifestava era Isis.
— É a realidade, minha cara, nesse momento eu estou me tornando cada vez mais poderosa, pelo simples fato da atmosfera desse planeta transpirar o rancor dos seres humanos, um pelo outro. Pessoas guardando esse sentimento, como se bebessem um veneno esperando a morte do outro. Quando essas almas forem ceifadas, elas caíram diretamente nos meus domínios para serem julgadas e condenadas ao sofrimento correto…
— Eu não posso… e eu não vou permitir que reduza tudo que somos a esse resquício de pensamento que você tem!
— Isis…!
Relógio de Fogo — Santuário
O Cosmo do Cavaleiro transbordava, expandindo-se como se nada o pudesse parar… se sacou o arco dourado e uma flecha de ouro se formou nas suas mãos.
A deusa percebeu que ele estava apenas agindo, sem qualquer tipo de raciocínio.
Ele mirou para o alto ainda olhando para frente, para a direção de Alecto.
— O que está fazendo, perdeu todo seu raciocínio lógico com o meu ataque? — ela perguntou com um tom de desdém.
— Eu vou acabar com você…
Ele disparou a flecha.
— KAUS AUSTRALIS ARROW!
A flecha ascendeu aos céus como um feixe dourado. Em seguida tudo pareceu tremer. Quando a deusa deu por si acima dela havia um corpo celeste dotado de poder incalculável.
— Você vai queimar, você vai ser desintegrada… Nada vai restar de você…
— Maldito mortal… como pode invocar o poder de uma estrela nesse lugar?!
— WIND ARROW — VIA LÁCTEA FORM!
O vento começou a rodear a deusa e subitamente como se fosse um braço de uma espiral a jogou para cima. Seu corpo agora estava indefeso pois aquele poder superava o dela por algum motivo.
A saraiva de flechas começou a atingi-la destruindo parte a parte de sua sobrepeliz. Em seguida começaram a atravessar seu corpo causando queimaduras por onde perfuravam entrando de um lado e saindo pelo lado oposto. Até que sem poder ter qualquer reação ela se viu perto demais do corpo acima dela.
— Não! Eu sou uma divindade, um mero mortal não pode fazer algo assim comigo.
Seu rosto já estava tomado de desespero quando começou a ser engolida pelo corpo plasmático que a consumiu inteira em meio aos seus gritos excruciantes.

KAUS AUSTRALIS ARROW/WIND ARROW — VIA LÁCTEA FORM
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