Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas - O Legado dos Gêmeos: Sage, Hakurei e Ângelo, o futuro cavaleiro de Peixes, emboscados pelo Espectro de Elfo vão parar na colina do Yomotsu através dos poderes de Sage. Na colina dos mortos, os gêmeos se deparam com a impossibilidade de sair do encalço dos esqueletos de Hades. Athena revela aos gêmeos que a constelação de Câncer os escolheu, e assim ambos tomam consciência de seu verdadeiro poder...

— Ângelo acredito que você tenha um compromisso importante… — disse Itia com um tom amigável na voz.

— Sim, Senhor Itia!

— Então suba até o Templo de Peixes.

— Sim!

Ângelo saiu da Casa de Câncer.

— Então vocês finalmente despertaram o poder da Constelação regente de vocês…

Quando Ângelo chegou ao Templo de Peixes se deparou com a imagem imponente de Itia. O patriarca envergava suas vestes papais escuras, os ombros encimados pela estola com bordados dourados circulares que pendia até a altura dos tornozelos. Em seu pescoço adornos dourados com pedras preciosas, assim como contas de pérolas pendiam até a altura do peito. Os dois braços estavam na frente do corpo, com as mãos repousadas sobre sua bengala também a frente do corpo. Ao destaque o elmo do Grande Mestre, o símbolo da autoridade suprema do Santuário, reluzia áureo ocultando parte do rosto envelhecido de Itia.

— Co… como?

— Eu apenas realizei uma projeção para a casa de Câncer. Mas meu principal afazer hoje era falar com você Ângelo.

— Me sinto honrado, Grande Mestre Itia. — Ângelo se ajoelhou diante do Papa.

— Como você sabe o Cavaleiro de Peixes vive na décima segunda casa do Santuário, a que antecede o Salão do Grande Mestre. Entre as duas edificações existe o Jardim de Rosas Venenosas, uma proteção do Santuário contra invasores. O veneno dessas rosas é extremamente letal para qualquer um que tenha o mínimo contato com ele. — os olhos de Ângelo estavam focados em Itia. — Mas acredito que disso você já saiba, faz alguns anos que você treina para dominar as técnicas do Santo de Peixes, e tem realizado tal feito com sucesso. Dominou as Rosas Sangrentas, as Rosas Piranhas e as Rosas Diabólicas Reais, que compõe o Jardim. Contudo você ainda não é imune ao veneno e como será sua responsabilidade a manutenção desse Jardim você precisa de imunidade a tal veneno. Mas isso tem um preço Ângelo.

— Um… preço?

— Sim. Seu sangue vai se tornar venenoso… tão venenoso quanto as próprias rosas. O que tornará impossível que você tenha contato com outros seres vivos.

— Com… ninguém?

— Não, talvez até mesmo respirar o mesmo ar que você seja mortal. Mas é sua decisão aceitar ou não o Elo Carmesim.

— Senhor Itia eu sou destinado a ser um Santo de Athena. Eu não abdicaria de tal destino por nada!

— O Elo Carmesim é um ritual onde o herdeiro da Armadura de Peixes troca uma gota de sangue com o cavaleiro atual. Afim de adquirir imunidade.

— Mas senhor Itia, o cavaleiro de Peixes não está mais entre nós.

— Eu sei disso. — Itia foi até um compartimento onde retirou um vaso. — Todo cavaleiro de Peixes antes de sua morte tira parte de seu sangue e deixa guardado nesse compartimento. Uma herança a ser recebida para aquele que aceitar o Ritual do Elo Carmesim. Caso tenha um sucessor em vida o ritual é feito dia a dia, uma gota de sangue é trocada pelos dois até que o corpo do Aspirante não sinta mais os efeitos do Veneno. O ritual é extremamente doloroso e pode ser mortal. Vou perguntar novamente…

— Não precisa perguntar senhor. Eu tenho certeza do meu chamado. Mas…

— Você precisa de um tempo… com seus companheiros.

— Sim… Senhor. — ele falou baixo como se tivesse vergonha de seus sentimentos.

— Vá…

França

— Agora falta bem pouco, meu senhor. Sim os juízes já estão retornando. Um último item? Sim, meu senhor, eu mesma incumbirei de dar a ordem para o espectro certo. Mas aguardarei assim como me pediu, meu senhor.

Santuário — 3 anos depois…

Hakurei chegou ao Salão do Grande Mestre. As portas gigantes que antecediam a Sala do Líder do Exército de Athena eram ostentosas e imponentes como se nada pudesse atravessar aquele lugar.

Ele abriu a porta dupla e se deparou com tapete vermelho que se estendia de um lado a outro do salão. Ladeado por colunas de mármore, o tapete formava um corredor central.

— Sabe Hakurei nesses anos todos eu nunca vi ninguém entrar nesse local, como você.

— Do que está falando Mestre Itia? — Hakurei trajava uma blusa regata escura amarrada na cintura por um cinto de couro claro, calças da mesma cor do adereço; joelheiras protegiam as articulações de impactos. E seus antebraços estavam com faixas amarradas. Seus cabelos prateados estavam muito maiores pendendo nas costas até abaixo da cintura como uma cascata de prata. Estavam presos num rabo no alto da cabeça e duas mexas pendiam divididas na parte da frente emoldurando seu rosto.

Ele se ajoelhou diante de Itia sentado no trono.

— Todos esses anos quando você atravessou essa porta eu percebi que havia um destino maior para você…

— Mestre Itia, eu ainda estou confuso com o que está tentando dizer.

— Eu já estou passando do meu tempo, Hakurei, minha luta foi há mais de duzentos anos.

— Não diga isso, Mestre Itia, o Senhor é com certeza a pessoa mais sábia do planeta.

— A Guerra não precisa apenas de sabedoria, é preciso força. Você será o próximo Patriarca.

— Eh… eu serei o próximo Patriarca?! Deve ser um engano! — a reação de Hakurei era previsível, pensou Itia — Deve ser um engano! Eu ainda sou apenas um aspirante em preparação para ser um Santo de Ouro.

— Você tem o que é preciso. Você tem a capacidade. Foi treinado para ser o sucessor de Brafmah como líder de Jamir, por isso tem a capacidade.

— Mas…
— Escute, Hakurei. Já não há mais tanto tempo. Você é quem carrega as qualidades mais próximas do meu ideal.

— Mas Gateguard…

— Você ama a todos nesse Santuário e pode uni-los em uma missão ainda maior. Por favor, Hakurei, não me diga que não quer continuar.

— É verdade… é verdade que eu quero o bem de todos do Santuário, mas isso não é razão para toda essa fé em mim. Todos o respeitam e falam do Senhor pelos seus ideais. O seguem por isso.

— Eu não posso ver mais a pureza nas pessoas. — Hakurei apertou o maxilar — Vivi por muito tempo confiando nas pessoas. Eu devo abandonar esse posto.

O semblante de Itia era frio nesse momento, talvez como nunca Hakurei havia visto em todos os anos que vivera no Santuário.

— Pense nisso por favor.

Hakurei saiu do Salão do Grande Mestre, desceu as escadas do Templo. Embalado por seus próprios pensamento.

A Esperança é um sentimento confortável… mas a questão é que eu não sou suficiente para unir o santuário sob um único propósito. Eu poderei unir o Santuário?

Naquele instante ele se viu diante da Casa de Peixes sob a obreira da casa uma silhueta dourada reluzia e uma capa dançava com o vento. Os cabelos, agora mais azuis que claros também bailavam ao vento de um céu de cores quase homônimas, porém opostas, ao entardecer.

Ângelo…

O, agora cavaleiro de Peixes, trajava sua armadura completa reluzindo ao sol e contemplava o céu.

É preciso alguém que veja o todo e que ame as pessoas como abdicando de algo. Sem dúvidas é disso que precisamos.

Nesse momento a imagem de Sage no campo de batalha com seus longos cabelos prateados soltos, tomou conta da mente de Hakurei.

As engrenagens do destino se moveram novamente e as estrelas começavam a continuação do conto que revelaram a Itia.

Notas finais
Na próxima semana: Capítulo XIV: A Carne de um Inimigo tirada sem Consentimento