O Mistério do Orfanato de Hospers
1 Capítulo 1: A porta do corredor 14

25 de Novembro de 1980.
O dia estava chovendo bastante e tendo alguns relâmpagos, mas para Mike, isso não era nada, ele pensava que nada iria estragar o seu dia.
Mike comprava uma maçã do amor na barraca do festival.
"Aqui está, garotão!" O vendedor entregou a maçã do amor para Mike, que logo deu uma grande mordida nela.
"Valeu tio!" Ele saiu pulando de alegria.
Sua mãe, vendo isso, acenou para seu filho que pulava alegremente.
"Ei, Mike! Cuidado para não cair! O chão está escorregadio e tá chovendo muito" A mulher gritou.
"Tudo bem mãe!" Ele gritou de volta, fazendo a outra dar um sorriso.
O pai de Mike apareceu atrás de sua esposa, com algumas sacolas em sua mão.
"Querida, acho melhor irmos antes que a tempestade aumente e a gente fique preso aqui" Ele falou, cruzando os braços.
A tempestade ficava mais forte, som de raios ecoavam pelos seus ouvidos, e gotas de água grossas caíam em seus rostos.
A mulher apenas deu de ombros. "Tudo bem querido" Ela tentou achar Mike no meio da multidão.
"Mike, vamos antes que a tempestade fique mais forte" Ela gritou para seu filho ouvir, que fez bico.
"Ah não, só mais um pouquinho, por favorzinho!" Mike implorou, mas a sua mãe negou com a cabeça.
"É melhor irmos querido" Sua mãe sussurrou indo para o carro onde seu marido já estava.
Mike entrou no banco de trás e sua mãe no banco do passageiro.
"Se divertiu filho? Eu mesmo adorei esse festival, deveríamos vim mais vezes" Seu pai comentou, e Mike deu mais uma mordida em sua maçã.
"Eu também amei papai!" Ele falou de boca cheia, e sua mãe olhou para ele com um olhar de desaprovação.
"Mike! Não fale de boca cheia!" Sua mãe informou.
"Desculpe"
O carro ligou, indo direto para a estrada.
A tempestade aumentava cada vez mais, por sorte, não havia nenhum carro na estrada.
O carro passava por uma ponte, que em baixo, havia um mar.
"Uau, é lindo? Como eu não vi isso antes?" Mike sussurrou.
"Por que você estava dormindo na hora que nós passamos por aqui" Sua mãe respondeu.
"Ah tá!"
Mike viu algo se mexendo debaixo do banco do carro, e se abaixou para ver o que tinha.
"Mike, o que está fazendo?" O pai perguntou, sem desviar o olho da estrada.
Mike se agachou mais para olhar para baixo.
"Mike! Responda a gente!" Sua mãe mandou.
O garoto viu um besouro, e deu um grito, assustando seus pais.
Seu pai olhou para seu filho, assustado e preocupado, sua mãe fez o mesmo.
"Mike! O que tem aí em baixo?" Seu pai gritou, com as mãos tremendo.
O garoto continuava gritando e chorando de medo. Sua maçã do amor? Estava jogada de lado no banco do carro.
A mãe da criança viu um clarão vindo da estrada.
"A estrada Richard!" Ela exclamou, Richard voltou a olhar para frente, e viu um caminho vindo, que bateu na lateral do seu carro.
O carro perdeu o controle, batendo na barreira de proteção da ponte e caindo no mar.
Mike gritava junto com seu pai. Sua mãe tinha desmaiado, ele estava com tanto medo que não sabia o que fazer naquele momento até afundarem na água.
O pai do garoto que estava ferido tirou o cinto dele.
"Querido, você precisa nadar para a superfície como eu te ensinei" Ele disse com dificuldade, a criança já chorava.
"Mas..." Ele tremia...
"Vá agora!"
Mike saiu pela janela do carro, nadando até a superfície, mas uma hora ele olhou para baixo, o carro já havia afundado e nada de sinal de seus pais.
De repente, um peixe mordeu seu braço, fazendo o garoto sangrar.
Mesmo com a dor, Mike voltou a nadar para a superfície, conseguindo se salvar.
Ele olhou para o mar, e seus pais não haviam chegado. E agora? O que iria acontecer com ele? Sua mente estava em caos.
O que ele podia fazer naquele momento era chorar e gritar, não tinha forças para pedir ajuda, seu braço tinha um ferimento que sangrava.
Então, alguns minutos depois, a polícia chegou, e falou para o garoto que seus pais faleceram.
A partir daquele momento, a vida de Mike não seria a mesma de antes.

22 de setembro de 1985, Califórnia.
O carro passava pelas ruas da Califórnia, com uma música infantil.
Mike estava no banco de trás, com a cabeça encostada na janela, e algumas mochilas no banco ao seu lado. Ele estava com raiva da música.
"Marcos! Que música ridícula é essa? Tire isso"
O motorista Marcos apenas deu uma risada curta.
"Ué, você ainda está virando adolescente, queria ouvir o quê?" Ele perguntou com um tom sarcástico.
Mike já tinha 13 anos. Seu cabelo da cor preta cresceu mais do que antes, agora as laterais e atrás eram mais cheias, e ele tinha uma franja.
Seu tamanho mudou um pouco, antes ele tinha 1,68, agora ele já estava com 1,70, apenas dois centímetros de diferença.
"Já estamos chegando, se prepare" Marcos anunciou, virando o carro na esquina.
O garoto estava indo para um orfanato, falando direito, O Orfanato de Hospers.
"Não sei por que preciso fazer isso" Mike murmurou, e o carro começou a diminuir a velocidade.
"Você que escolheu isso, você machucou aquela criança" as palavras de Marcos fez Mike lembrar do ocorrido.
Flashback:
Um garoto estava seguindo Mike e falando coisas estressantes, como: "você é o culpado", "inútil", "excluído", "estranho"
Nisso, Mike se estressou e se virou para o garoto, dando um grito, seu poder de telecinese ativou, e jogou o garoto na parede.
A cicatriz de Mike começou a sangrar e doer. Ele estava surpreso e com medo do que tinha feito.
Naquele momento, ele descobriu que tinha poderes.
Ninguém sabia dos poderes dele, mas a culpa do garoto ficar machucado foi para Mike, resultando na sua expulsão.
Fim do Flashback.
Para Mike, a culpa da morte de seus pais e de ter machucado o garoto era dele, mesmo que fosse sem querer e ele não sabia de seus poderes.
O carro estacionou em frente a uma construção de um andar.
Marcos saiu do carro, e abriu a porta para Mike sair.
Quando o garoto saiu, Marcos ia pegar as duas mochilas, mas Mike usou telecinese para pegar elas.
"Não faça isso aqui na frente! Ninguém pode saber e sua cicatriz pode sangrar!" Ele exclamou, e Mike deu de ombros.
Os dois foram para a entrada, onde tinha uma mulher e um homem esperando.
Mike parou em frente aos dois, que sorriam.
"Oh, Você deve ser o Mike! Bem vindo ao Orfanato de Hospers, bem, eu sou a diretora Kailane, prazer" Mike apenas acenou com a cabeça.
"Esse é Douglas, o diretor" Ela declarou.
"Bom, por favor entre e faça novos amigos" Informou Douglas, e Mike olhou para Marcos.
"Vá, outro dia eu te visito" Ele se aproximou mais do outro.
"Eu sei que você tem uma grande missão pela frente Mike, se prepare" Ele deu um sorriso largo e foi embora. O órfão apenas deu um suspiro pesado.
Após ele entrar, percebeu que o lugar estava cheio de crianças brincando, e até adolescentes mais velhos.
Alguns dos órfãos olhavam para ele e cochichavam, fazendo o garoto apenas revirar os olhos.
Ele olhou para o lado e viu uma cantina enorme, a cantina tinha chão quadriculado em preto e branco, mesas e bancos, e o lugar da cozinha, que tinha uma tia da cozinha conversando com um dos órfãos.
De repente, 5 garotos pararam na sua frente.
Um deles que estava no meio deu um passo à frente, fazendo Mike dar um para trás.
"Ah! Olá, eu sou Michael, esse é o meu grupo, Grupo dos Zombeteiros" Michael afirmou.
Mike apenas revirou os olhos e franziu a testa.
"Preciso apresentar o resto do grupo... Bem, esse é Lucas, o segundo chefe do grupo" Lucas era um garoto com cabelo raspado e magro. "Esse é Caleb, o mais forte entre a gente" Caleb era um pouco musculoso, mas bem alto e com cabelos cacheados.
"Também temos Gabriel, o mais bagunceiro" Gabriel era mais baixo que todos eles, era gordinho e com cabelos castanhos claros. "E por último, Noah. Ele é o mais inteligente entre nós, mas bastante tímido" Noah tinha mais ou menos 1,65, Cabelos castanhos claros nas pontas e em cima mais escuro, pele parda e magro. O seu rosto era bastante fechado.
"Deu para perceber" Mike falou, e trocou um olhar com Noah, que logo desviou.
"Bom, e você? Qual seu nome e como veio parar aqui?" Michael cruzou os braços.
"Não vou me abrir facilmente assim para vocês, a única coisa que posso dizer é que meu nome é Mike, e só" Ele exclamou, e Michael fez um sorriso de raiva.
"Olha só pessoal, parece que ele é bem rude... Deixa eu só te avisar uma coisa" Michael se aproximou mais, ficando frente a frente com Mike.
"Ninguém fala desse jeito com nós, e a partir de agora, a nossa mira voltará para você, e vamos fazer da sua vida um inferno!" Michael sussurrou, com uma risada curta. Mike nem piscou.
"Acabou?" O Garoto se afastou, deixando o chefe do grupo confuso.
Antes de Mike falar mais, um garoto adolescente ficou na frente dele.
"Ah, qual é Michael! Deixa ele em paz, ele mal chegou!" O adolescente mandou, e Michael apenas deu uma olhada de raiva para Mike antes de sair da vista dele.
O adolescente então se virou para olhar para o menor.
"Desculpe por eles, são bastantes implicantes... Enfim, meu nome é Henry, prazer" Henry cumprimentou Mike.
"Sou Mike"
"Enfim Mike, seja bem vindo, qualquer coisa é só falar comigo, estou à disposição" Henry deu um sorriso foi embora.
Ele continuou caminhando, passou pelo banheiro, por algumas salas, e subiu as escadas.
Lá em cima, duas garotas impediram dele passar.
"Olá Mike! Seja bem vindo!" Uma delas acenou com a mão.
"Como sabe meu nome?" Ele ergueu uma sobrancelha.
"Eu roubei alguns documentos da diretoria e vi que você seria transferido para cá... Estou surpresa pelo que você fez no seu orfanato anterior" A outra falou com um sorriso curto.
"Desculpe, mas quem é você?" Mike aumentou o tom de voz, já com raiva.
"Foi mal pela a minha interrupção, sou Elisa, sou considerada a que sabe de tudo por aqui, e agora sei mais de você por causa do Documento" Elisa apontou para a outra garota ao seu lado.
"E eu sou Keila, prazer!"
Mike percebeu que as duas eram bem parecidas. Cabelos longos loiros, pele branca, à mesma altura e sorriso iguais.
"São gêmeas?" Mike questionou.
"Sabia que você iria desconfiar, sim, somos gêmeas, incrível né?" Keila falou.
"Nós viramos órfãos de um jeito engraçado" Elisa comentou, esperando Keila continuar.
"Nós fugimos de casa, e não sabíamos que um assassino iria invadir a nossa casa e matar nossos pais, depois de encontrarem a gente, fomos levadas para cá" Keila declarou. "Não precisa dizer o seu motivo, nós já sabemos"
O garoto deu um suspiro longo.
"Vamos mostrar o seu quarto!" Elisa falou alegremente.
Elas abriram uma porta de um quarto, havia vários meninos e meninas.
"Aqui é um dos quartos, nós ficamos aqui também!" Keila disse.
"Sua cama é aquela ali" Elisa apontou para uma cama azul que ficava bem no canto.
O garoto cruzou os braços.
"Uma coisa antes de ir... Não entre na porta do corredor 14, ela é o maior mistério do orfanato, mas a nossa inspetora Camila nunca deixou ninguém entrar lá dentro, disse que era perigoso" Keila anunciou. O garoto apenas pensou como sair daquela situação.
"Boa sorte!" Elisa sussurrou, indo embora com sua irmã.
O menino entrou no quarto, indo em direção a sua cama.
Mais olhares desviaram para Mike. Ele ouvia muitos cochichos, principalmente "Que garoto lindo", "Incrível", "adorei"
Ele chegou na sua cama e sentou, tirando algumas coisas da mochila, e percebeu que Noah estava na cama ao seu lado, mas não deu muita importância.
No dia seguinte, Mike estava se escondendo do grupo dos Zombeteiros.
Mesmo que Henry falou para ele falar com a diretora, ele não queria causar confusão no segundo dia.
Ele correu para um dos corredores, que estava escrito "Corredor 14"
"Mike, onde está você? Eu juro que vou te matar!" Ele ouviu a voz de Michael.
Ele se escondeu atrás de uma planta.
O grupo dos Zombeteiros se aproximou da planta, mas então viram a única porta do corredor.
"Meu Deus! É a porta do corredor 14! Vamos embora" Eles saíram correndo.
Mike suspirou de alívio, e quando passou do lado da porta, ouviu duas batidas vindo dela.
Ele ficou confuso, achando que tava ouvindo coisas, mas então ouviu duas batidas novamente.
O menino olhou em volta, tentou ver se tinha alguém vindo.
Percebendo que ninguém estava vindo, ele abriu a porta por curiosidade, entrando na sala, que era escura.
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