O Mistério De Scarabas
1 Prólogo - A Mulher do Parque
Notas iniciais
Boa leitura! (:
Parque de diversões de Scarabas, 1986.
Eles estavam apaixonados.
O amor parecia transbordar de seus olhos. O sol sumia aos poucos, tudo estava tão tranquilo; tão normal. Dividindo o algodão doce, o casal já começava a admirar as estrelas que serpenteavam o céu. O barulho dos brinquedos e dos risos das crianças era tão intenso, que ela nem se deu conta de que já estava tarde.
- Vamos embora. — ela disse.
- Por quê? — indagou ele, sorrindo. Em seguida, beijou-a e se dirigiu à montanha russa. — Vamos dar uma volta. Só mais essa. Seus pais não podem nos impedir.
Ela quis rir da situação, mas logo voltou a ficar preocupada. Uma névoa nada comum começava a tomar conta do parque. Ela não era supersticiosa, mas as histórias que sua mãe contava a respeito de sombras e coisas que já haviam acontecido por ali...a faziam pensar no assunto.
- Ei, o que foi? — agora ele foi quem se preocupou. — Não está com medo daquelas historiazinhas idiotas, não é?
- Vamos embora, já disse. — ela insistiu. — Você sabe o que dizem sobre esse lugar.
Ele desatou a rir mais uma vez.
- São só histórias bobas... — e começou a fazer cócegas nela, que não resistiu e riu.
- Está bem! — decidiu ela, sem fôlego. — Só mais um pouco.
Decidiram ir na montanha russa. Foram na cabine da frente, que não parecia muito bem ajustada por sinal. O carrinho começou a chacoalhar na primeira subida, e ela suou frio segurando na barra de apoio já enferrujada. A velocidade não lhe caiu bem, e agradeceu aos céus quando chegou ao fim.
- Você está bem? — perguntou ele, preocupado com a tremedeira da namorada.
Ela engoliu em seco, e ele riu, pensando ser o nervosismo causado pelo brinquedo.
Em seguida, dirigiram-se para a Casa do Terror, um dos brinquedos mais famosos do parque. A fila já estava bem grande quando chegaram.
Ela esfregou os braços com frio, enquanto ele seguiu para comprar os bilhetes. A névoa parecia ter ficado mais forte, e ela até pensou que o tempo fosse fechar. Mas a lua estava tão alta e brilhante no céu...
Balançou os pensamentos ruins da cabeça.
Quando chegou a vez, eles acompanharam um outro casal. O clima no casarão era assustador; como uma verdadeira casa assombrada. Ela riu quando deu um gritinho ao ver uma boneca enforcada, e segurou firme na mão do namorado.
Até que houve um grito.
Correram até avistarem o outro casal. A garota havia se assustado com um zumbi que havia pulado na sua frente. Todos riram da situação, até que ela percebeu.
A névoa havia tomado conta de todo o lugar.
- É falso. — contou o namorado quando ela o cutucou. — Tudo aqui foi criado pra nos dar medo.
- Não sei como você aprecia esse tipo de coisa. — comentou ela, de mau agouro.
A névoa então tocou a sua pele, e ela notou que era fria. Fria como a que se sente quando se está em um cemitério à noite.
Por um segundo, ela viu a névoa se enrolar na sua mão.
Deu um gritinho.
- O quê? — gemeu o namorado.
- Temos que sair daqui. Isso não é normal.
- Eu já lhe disse. É nada aqui é real.
- A névoa...
Ela foi interrompida por outro grito; dessa vez mais alto.
Assim que correram, viram a mesma garota de antes chorando por cima do corpo do namorado ensanguentado.
- Corram! — gritou ela. — Ela está aqui!
Eles ficaram estáticos, sem saber o que fazer. O namorado — antes tão cético — estava pálido. A garota, já suja de sangue, correu em qualquer direção.
- Abaixe-se! — gritou o namorado, puxando-a.
Escondidos, o casal pôde ver a pobre garota correr em qualquer direção. A luz que vinha de fora foi ofuscada com uma escuridão repentina e seguido de um silêncio tenso. Tudo o que se ouviu a seguir foi um baque surdo no chão. Levantaram, tremendo, e viram o corpo da garota rolar, com os pulsos sangrando. De repente, a escuridão sumiu, e um vulto passou por eles.
- É ela! — gritou a menina. — O espírito da vingativa!
- Corra!
Saíram às pressas enquanto sentiam ser seguidos pelas costas. Ela podia escutar o sussurro do espírito que estava ali. Ofegantes, eles chegaram no cemitério, onde tudo pareceu pior ainda.
- Eu disse que era verdade! — lamentou ela. — Tínhamos que ter ido embora! Ela vai nos matar!
Ele a acalmou quando começou a chorar.
- Não tenha medo. Essa...coisa...não virá atrás de nós.
- Você conhece a história! — gritou. — Quantos ela já não matou? O que ela quer?
Escutaram uma risada seca.
Acuaram, esperando somente o momento que ela aparecesse.
Do nada, lá estava ela, saindo da escuridão. De uma só vez, deu um grito horripilante, e agarrou o rapaz pelo pescoço, sumindo em seguida. A garota, então sozinha, gritou:
- Me deixe em paz! Não fiz nada a você!
Ela estranhou quando não houve resposta. O corpo de seu namorado havia sumido. Tudo se aquietou de repente.
Sua expressão mudou, e ela parou de chorar, caminhando até o precipício mais próximo, de onde se jogou.
Tudo o que restou foi o mórbido silêncio fatal.
Notas finais
digam oq acharam nos reviews!! em breve, novo cap!!
até lá! bye
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