O Mistério De Scarabas
15 Os Blake
Notas iniciais
Mas tudo voltou aos eixos - embora ainda sem guarda-roupa. Não vai mais demorar tanto. Farei o impossível!
Boa leitura '')
Eu não sabia como nossas emoções não poderiam estar tão notáveis assim. Além do mais, vovó pareceu não ter visto a névoa assombrosa que tomava conta da casa — e que desapareceu logo em seguida, como se fugisse de alguém. Ela não tinha ideia do que havíamos passado há poucas horas. Por outro lado, algo me dizia que, o que quer que fosse essa tal visita, não parecia agradar muito a Vingativa.
E se era algo que assustava até mesmo a própria Vingativa, então tínhamos mais um mistério em mãos.
Nos entreolhamos, verificando se estava tudo bem. Lauren era a única que ainda parecia um pouco atordoada. Steve me deu uma piscadela e sorriu. John se aproximou de mim e disse:
- O que aconteceu enquanto estávamos envenenados?
Engoli em seco. Eu não queria mentir, mas também não queria contar a respeito de Steve. Por isso, exalando, respondi:
- Só Steve e eu não fomos afetados. Fugimos de vocês até que tudo acabou.
Vovô Hector entrou sorridente conversando algo com Lila. Nos vendo parados, vovó disse:
- Por que ainda estão aqui fora? Vamos! Não podemos deixar a visita ao relento!
Obedientes, entramos.
- Entrem, entrem! — vovó, sorridente, sentou-se ao lado de Lila, que me olhou preocupada.
Todos se viraram para ver. A primeira a aparecer foi uma garota. Alta e esguia; parecia uma modelo. Tinha cabelos alaranjados; naturalmente ruivos, e sardas no nariz, além de olhos esverdeados. Vestia uma calça preta apertada e sapatos altos, que faziam barulho no assoalho. Atrás dela, veio um rapaz. Alto e esguio como ela; forte e atlético. Tinha cabelos castanho-claros que iam até os ombros. Ele sorriu ao me ver. Também vestia preto da cabeça aos pés.
- Casa cheia, sra. Arsen — disse a garota, sorridente.
- Minha neta, Valerie — vovó me apontou. — E os amigos. Vieram passar as férias aqui.
- Ah, mas que ótima escolha... — o rapaz deu um sorriso misterioso, e fez um gesto íntimo com a garota.
- Estes são os irmãos Alice e Rony Blake. — vovó os apresentou. — Eles vieram da cidade vizinha. Nossas famílias se conhecem há bastante tempo. Achei que podiam se enturmar.
- Diga-me, Valerie — Rony me olhou, sem tirar o sorriso do rosto. — Por que escolheu Scarabas pra passar as férias?
Por que todo mundo sempre olhava pra mim?
- Ah...bem... — gaguejei, pega de surpresa. — Porque fazia muito tempo que não vinha pra cá.
- Nós também. — a tal Alice falou, e olhou para o irmão. — Temos boas lembranças daqui.
- A fazenda mudou desde a última vez que vieram. — vovó contou. Eles já estiveram ali antes?
- É mesmo? — Rony tirou os olhos de mim e se virou pra vovó. — Gostaríamos de dar uma olhada. Não me lembro de muita coisa de quando tinha 10 anos. — e caiu na risada ao lado da irmã.
Eu não sabia o porquê, mas algo parecia me alertar. Havia alguma coisa estranha neles. Se eu falasse, seria tachada de chata.
- Deixa eu adivinhar — Claire murmurou. — Também não foi com a cara deles.
- Como a vovó os conhece? — cochichou Sara.
- Estão aqui por algum motivo — disse John, ressabiado. — Já os vi antes. Eles são mesmo um tanto misteriosos. Beth era grande amiga dos pais deles.
- E o que aconteceu com eles? — perguntei.
- Morreram num acidente misterioso — contou enquanto bisbilhotava de relance.
- E que acha que estão fazendo aqui?
John olhou-os novamente, e engoliu em seco. Pareciam distraídos.
- Vamos subir. — sussurrou ele.
- E por que estamos sussurrando? — Sara disse.
- Acreditem em mim — John falou quando fechou a porta do quarto. — Eu os conheço bem.
- Tá, tá — cortou Steve. — Agora diga o que acha.
John deu uma última olhada na janela.
- Eu não sei se é verdade, mas eles nunca aceitaram muito bem a morte dos pais. Sempre alegaram que foi um incidente sobrenatural.
- Como assim? — eu quis saber.
- Tudo o que sei é que, desde então, eles começaram a se interessar por coisas paranormais. — John continuou. — Já ouvi falar que conseguiram solucionar vários casos.
Eu arquejei, mas foi Sara quem emendou:
- E você acha que eles estão aqui por causa da Vingativa?
Silêncio.
- Se for mesmo isso, como vamos pará-la sem que eles se intrometam? — disse Claire.
Sara olhava com desconfiança pra mim e Steve. Ela devia suspeitar e se lembrar de alguma coisa?
- Bem — John suspirou. — Vou pegar e guardar o diário.
Suspirei. Ainda tinha isso. As memórias de Annie tinham alguma informação, mas não consegui captá-la. E haviam os corpos de Drew e Natasha enterrados em algum lugar.
Claire me olhou, escondendo um sorriso.
- O que foi?
- Você não sacou, Valerie? — disse ela. — A Sara tá possessa com essa história de você e o Steve! Ela sabe o que tá acontecendo. Aliás, todo mundo sabe.
- Todo mundo sabe o quê?!
Ela se virou pra mim.
- Valerie, o amor que Steve sente por você é mais forte do que a Vingativa.
- Mas e eu? Por que não fui envenenada também?
Ela sorriu.
- Simples. Porque você está correspondendo.
Abaixei a cabeça.
- Nós nos beijamos no porão. — disse baixinho.
- Vocês o quê?! — ela arregalou os olhos. — Valerie...você sabe o que isso significa? — ela sorriu e seus olhos se iluminaram. — Isso pode ser muito útil!
- Já chega, Claire. — eu me levantei depressa e saí.
Me deparei com a sala de estar vazia e silenciosa. Fui em direção ao retrato de Annie, interrogando a mim mesma o porquê que ela fugiu tão amedrontada. Por que justo ela teria medo de pessoas comuns?
- Expressão séria a dela, não?
Dei um pulo ao ouvir a voz da tal Alice atrás de mim. Ela sorriu ao me ver espantada.
- O que foi? Parece que viu um fantasma.
- Estava...distraída. — retruquei.
Ela desviou os olhos para a foto de Annie.
- Esse retrato sempre esteve aqui. Sabe quem é?
Engoli em seco. Lógico que não contaria nada a respeito da verdade.
- Vovó me disse que é uma história antiga.
Parei e observei sua reação. Por um momento, ela pareceu impassível, mas logo esboçou um sorriso zombeteiro e se virou pra mim devagar.
- Ah...você não me engana, Valerie. — ela disse meu nome com desdém; como se fosse algo vulgar. — Sei sobre a fantasma desse lugarzinho medíocre. A Vingativa. — meu corpo inteiro se arrepiou e minha boca ficou seca. — Não é a única que está encarando isso. Porque meu irmão e eu estamos aqui para acabar, destruir, aniquilar essa maldita fantasma. — ela disse cada palavra com veemência e pura veracidade.
Naquele momento — olhando no fundo de seus profundos olhos ameaçadores -, eu senti medo dela.
Ela percebeu e emendou, sorrindo:
- E você sabe disso, não sabe?
Vendo que ela era sabida o suficiente, eu aproveitei:
- Vocês não têm nada a ver com isso. Se está tão ciente assim do que está enfrentando, deveria saber que é assunto de família. E temos muitas informações e sabemos exatamente o que fazer.
Alice riu com escárnio.
- Não devia se precipitar tanto. Já lidei com todo o tipo de fantasmas antes, e sei do que são capazes. Nós iremos acabar com a Vingativa.
Cerrei os olhos, sem acreditar.
- Mas por que? O que vão ganhar com isso? Há fantasmas que não precisam ser destruídos! — aleguei, me lembrando de Natasha e de minha mãe. — Apenas querem ajuda. Até mesmo a Vingativa!
Ela revirou os olhos.
- Vamos fazer vingança. Chegou a hora de os vivos mostrarem quem é que manda.
Havia algo extremamente errado na maneira ameaçadora como ela disse isso.
...[...]...
Em pouco tempo, os irmãos Blake haviam conquistado todos da casa — exceto eu. A forma como Alice tinha falado anteriormente foi aterrorizante. E se a Vingativa tinha desaparecido, que dirá os outros fantasmas.
Natasha. Jennie. Minha mãe.
Estavam todos próximo à árvore do descampado conversando sobre um possível banho na cachoeira. Me separei do grupo e fui até a cozinha, onde vovó, Cândida, Lila e Nancy conversavam.
- Valerie! — vovó chamou minha atenção. — Por que não está com os outros?
- Vovó — fui direto ao ponto. — Quem são eles? Por que os trouxe pra cá?
Vovó suspirou.
- Não gosto de ideia de você lidando com a Vingativa, querida. Eles são experientes e vão saber lidar com isso melhor.
- Vovó, eu não corro perigo nenhum — argumentei. — Além do mais, já sei o que fazer. E... — engoli em seco, receosa por admitir. — Eles não me parecem de confiança.
- Oh, mas eles são tão simpáticos! — disse Cândida.
- Sim — Lila concordou. — Por que acha isso, Valerie?
- Também não vejo porque não confiar neles. — Nancy disse.
Até mesmo ela!
- Eles não são o que parecem. Aquela tal de Alice...ela me ameaçou! Disse que vai acabar com a Vingativa!
- E não é isso o que queremos? — vovó contestou.
- Não é assim, vovó, e você sabe! — me assustei com o tom de desespero na minha voz. — Eles estão tramando algo!
Vovó balançou a cabeça e saiu sem dizer nada. Bufei e virei as costas também. Não adiantaria nada se nem mesmo vovó não acreditava em mim.
De longe, vi Alice rir e balançar a cabeça, olhando pra mim, como se debochasse. Vendo Sara e Rebecca sentadas na grama, resolvi me aproximar delas.
- Por que não estão lá com os novos queridinhos? — falei.
- Eles são uns manés. — vociferou Rebecca. Se Rebecca havia concordado comigo...
- Vocês não foram com a cara deles? — Steve se aproximou de nós, sentando-se ao meu lado.
Sara se virou pra ele, parecendo um tanto chateada.
- Eles vão atrapalhar tudo.
- Tá, mas a gente não pode parar agora.
- Steve tem razão — eu disse. — Nem que vovó brigue com a gente. Não vamos sair dessa cidade antes de resolver isso!
- É, mas eles estão dispostos a acabar com a gente... — comentou Sara.
- E o irmão dela? — apontei para o tal Rony.
- O que tem ele? — Steve falou rápido demais, se virando pra mim.
- Talvez ele tenha algo a dizer. Todo mundo tem um podre; uma coisa que ninguém pode saber.
- E por que o cara?
- Alice não é nenhum pouco sugestionável.
- Ouvi dizer que eles vão em algum lugar amanhã. Podíamos seguir eles... — sugeriu Sara, e Rebecca sorriu.
- Deve ser algo com a Vingativa — falei. — Eles não podem fazer isso antes de nós.
- E os outros? — lembrou Steve. — Vamos só nós?
Suspirei.
- É tudo o que temos. Não vai demorar muito para as coisas se complicarem. E sinto que teremos que ficar juntos e sermos unidos até o fim disso.
Notas finais
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