Notas iniciais
Desculpem a demora, gente. Esses últimos dias foram um inferno aqui na minha casa por causa de um guarda-roupa novo. A casa estava - e ainda está - totalmente bagunçada, e não tinha como entrar e ficar no quarto. Minha mãe ficava o tempo todo me chamando e acabei ficando nervosa e estressada na imcopetência da loja em entregar a po*** do guarda-roupa logo, pois toda hora vinha uma peça errada. Resultado: sem inspiração --' #xatiada
Mas tudo voltou aos eixos - embora ainda sem guarda-roupa. Não vai mais demorar tanto. Farei o impossível!
Boa leitura '')

Eu não sabia como nossas emoções não poderiam estar tão notáveis assim. Além do mais, vovó pareceu não ter visto a névoa assombrosa que tomava conta da casa — e que desapareceu logo em seguida, como se fugisse de alguém. Ela não tinha ideia do que havíamos passado há poucas horas. Por outro lado, algo me dizia que, o que quer que fosse essa tal visita, não parecia agradar muito a Vingativa.

E se era algo que assustava até mesmo a própria Vingativa, então tínhamos mais um mistério em mãos.

Nos entreolhamos, verificando se estava tudo bem. Lauren era a única que ainda parecia um pouco atordoada. Steve me deu uma piscadela e sorriu. John se aproximou de mim e disse:

- O que aconteceu enquanto estávamos envenenados?

Engoli em seco. Eu não queria mentir, mas também não queria contar a respeito de Steve. Por isso, exalando, respondi:

- Só Steve e eu não fomos afetados. Fugimos de vocês até que tudo acabou.

Vovô Hector entrou sorridente conversando algo com Lila. Nos vendo parados, vovó disse:

- Por que ainda estão aqui fora? Vamos! Não podemos deixar a visita ao relento!

Obedientes, entramos.

- Entrem, entrem! — vovó, sorridente, sentou-se ao lado de Lila, que me olhou preocupada.

Todos se viraram para ver. A primeira a aparecer foi uma garota. Alta e esguia; parecia uma modelo. Tinha cabelos alaranjados; naturalmente ruivos, e sardas no nariz, além de olhos esverdeados. Vestia uma calça preta apertada e sapatos altos, que faziam barulho no assoalho. Atrás dela, veio um rapaz. Alto e esguio como ela; forte e atlético. Tinha cabelos castanho-claros que iam até os ombros. Ele sorriu ao me ver. Também vestia preto da cabeça aos pés.

- Casa cheia, sra. Arsen — disse a garota, sorridente.

- Minha neta, Valerie — vovó me apontou. — E os amigos. Vieram passar as férias aqui.

- Ah, mas que ótima escolha... — o rapaz deu um sorriso misterioso, e fez um gesto íntimo com a garota.

- Estes são os irmãos Alice e Rony Blake. — vovó os apresentou. — Eles vieram da cidade vizinha. Nossas famílias se conhecem há bastante tempo. Achei que podiam se enturmar.

- Diga-me, Valerie — Rony me olhou, sem tirar o sorriso do rosto. — Por que escolheu Scarabas pra passar as férias?

Por que todo mundo sempre olhava pra mim?

- Ah...bem... — gaguejei, pega de surpresa. — Porque fazia muito tempo que não vinha pra cá.

- Nós também. — a tal Alice falou, e olhou para o irmão. — Temos boas lembranças daqui.

- A fazenda mudou desde a última vez que vieram. — vovó contou. Eles já estiveram ali antes?

- É mesmo? — Rony tirou os olhos de mim e se virou pra vovó. — Gostaríamos de dar uma olhada. Não me lembro de muita coisa de quando tinha 10 anos. — e caiu na risada ao lado da irmã.

Eu não sabia o porquê, mas algo parecia me alertar. Havia alguma coisa estranha neles. Se eu falasse, seria tachada de chata.

- Deixa eu adivinhar — Claire murmurou. — Também não foi com a cara deles.

- Como a vovó os conhece? — cochichou Sara.

- Estão aqui por algum motivo — disse John, ressabiado. — Já os vi antes. Eles são mesmo um tanto misteriosos. Beth era grande amiga dos pais deles.

- E o que aconteceu com eles? — perguntei.

- Morreram num acidente misterioso — contou enquanto bisbilhotava de relance.

- E que acha que estão fazendo aqui?

John olhou-os novamente, e engoliu em seco. Pareciam distraídos.

- Vamos subir. — sussurrou ele.

- E por que estamos sussurrando? — Sara disse.

- Acreditem em mim — John falou quando fechou a porta do quarto. — Eu os conheço bem.

- Tá, tá — cortou Steve. — Agora diga o que acha.

John deu uma última olhada na janela.

- Eu não sei se é verdade, mas eles nunca aceitaram muito bem a morte dos pais. Sempre alegaram que foi um incidente sobrenatural.

- Como assim? — eu quis saber.

- Tudo o que sei é que, desde então, eles começaram a se interessar por coisas paranormais. — John continuou. — Já ouvi falar que conseguiram solucionar vários casos.

Eu arquejei, mas foi Sara quem emendou:

- E você acha que eles estão aqui por causa da Vingativa?

Silêncio.

- Se for mesmo isso, como vamos pará-la sem que eles se intrometam? — disse Claire.

Sara olhava com desconfiança pra mim e Steve. Ela devia suspeitar e se lembrar de alguma coisa?

- Bem — John suspirou. — Vou pegar e guardar o diário.

Suspirei. Ainda tinha isso. As memórias de Annie tinham alguma informação, mas não consegui captá-la. E haviam os corpos de Drew e Natasha enterrados em algum lugar.

Claire me olhou, escondendo um sorriso.

- O que foi?

- Você não sacou, Valerie? — disse ela. — A Sara tá possessa com essa história de você e o Steve! Ela sabe o que tá acontecendo. Aliás, todo mundo sabe.

- Todo mundo sabe o quê?!

Ela se virou pra mim.

- Valerie, o amor que Steve sente por você é mais forte do que a Vingativa.

- Mas e eu? Por que não fui envenenada também?

Ela sorriu.

- Simples. Porque você está correspondendo.

Abaixei a cabeça.

- Nós nos beijamos no porão. — disse baixinho.

- Vocês o quê?! — ela arregalou os olhos. — Valerie...você sabe o que isso significa? — ela sorriu e seus olhos se iluminaram. — Isso pode ser muito útil!

- Já chega, Claire. — eu me levantei depressa e saí.

Me deparei com a sala de estar vazia e silenciosa. Fui em direção ao retrato de Annie, interrogando a mim mesma o porquê que ela fugiu tão amedrontada. Por que justo ela teria medo de pessoas comuns?

- Expressão séria a dela, não?

Dei um pulo ao ouvir a voz da tal Alice atrás de mim. Ela sorriu ao me ver espantada.

- O que foi? Parece que viu um fantasma.

- Estava...distraída. — retruquei.

Ela desviou os olhos para a foto de Annie.

- Esse retrato sempre esteve aqui. Sabe quem é?

Engoli em seco. Lógico que não contaria nada a respeito da verdade.

- Vovó me disse que é uma história antiga.

Parei e observei sua reação. Por um momento, ela pareceu impassível, mas logo esboçou um sorriso zombeteiro e se virou pra mim devagar.

- Ah...você não me engana, Valerie. — ela disse meu nome com desdém; como se fosse algo vulgar. — Sei sobre a fantasma desse lugarzinho medíocre. A Vingativa. — meu corpo inteiro se arrepiou e minha boca ficou seca. — Não é a única que está encarando isso. Porque meu irmão e eu estamos aqui para acabar, destruir, aniquilar essa maldita fantasma. — ela disse cada palavra com veemência e pura veracidade.

Naquele momento — olhando no fundo de seus profundos olhos ameaçadores -, eu senti medo dela.

Ela percebeu e emendou, sorrindo:

- E você sabe disso, não sabe?

Vendo que ela era sabida o suficiente, eu aproveitei:

- Vocês não têm nada a ver com isso. Se está tão ciente assim do que está enfrentando, deveria saber que é assunto de família. E temos muitas informações e sabemos exatamente o que fazer.

Alice riu com escárnio.

- Não devia se precipitar tanto. Já lidei com todo o tipo de fantasmas antes, e sei do que são capazes. Nós iremos acabar com a Vingativa.

Cerrei os olhos, sem acreditar.

- Mas por que? O que vão ganhar com isso? Há fantasmas que não precisam ser destruídos! — aleguei, me lembrando de Natasha e de minha mãe. — Apenas querem ajuda. Até mesmo a Vingativa!

Ela revirou os olhos.

- Vamos fazer vingança. Chegou a hora de os vivos mostrarem quem é que manda.

Havia algo extremamente errado na maneira ameaçadora como ela disse isso.

...[...]...

Em pouco tempo, os irmãos Blake haviam conquistado todos da casa — exceto eu. A forma como Alice tinha falado anteriormente foi aterrorizante. E se a Vingativa tinha desaparecido, que dirá os outros fantasmas.

Natasha. Jennie. Minha mãe.

Estavam todos próximo à árvore do descampado conversando sobre um possível banho na cachoeira. Me separei do grupo e fui até a cozinha, onde vovó, Cândida, Lila e Nancy conversavam.

- Valerie! — vovó chamou minha atenção. — Por que não está com os outros?

- Vovó — fui direto ao ponto. — Quem são eles? Por que os trouxe pra cá?

Vovó suspirou.

- Não gosto de ideia de você lidando com a Vingativa, querida. Eles são experientes e vão saber lidar com isso melhor.

- Vovó, eu não corro perigo nenhum — argumentei. — Além do mais, já sei o que fazer. E... — engoli em seco, receosa por admitir. — Eles não me parecem de confiança.

- Oh, mas eles são tão simpáticos! — disse Cândida.

- Sim — Lila concordou. — Por que acha isso, Valerie?

- Também não vejo porque não confiar neles. — Nancy disse.

Até mesmo ela!

- Eles não são o que parecem. Aquela tal de Alice...ela me ameaçou! Disse que vai acabar com a Vingativa!

- E não é isso o que queremos? — vovó contestou.

- Não é assim, vovó, e você sabe! — me assustei com o tom de desespero na minha voz. — Eles estão tramando algo!

Vovó balançou a cabeça e saiu sem dizer nada. Bufei e virei as costas também. Não adiantaria nada se nem mesmo vovó não acreditava em mim.

De longe, vi Alice rir e balançar a cabeça, olhando pra mim, como se debochasse. Vendo Sara e Rebecca sentadas na grama, resolvi me aproximar delas.

- Por que não estão lá com os novos queridinhos? — falei.

- Eles são uns manés. — vociferou Rebecca. Se Rebecca havia concordado comigo...

- Vocês não foram com a cara deles? — Steve se aproximou de nós, sentando-se ao meu lado.

Sara se virou pra ele, parecendo um tanto chateada.

- Eles vão atrapalhar tudo.

- Tá, mas a gente não pode parar agora.

- Steve tem razão — eu disse. — Nem que vovó brigue com a gente. Não vamos sair dessa cidade antes de resolver isso!

- É, mas eles estão dispostos a acabar com a gente... — comentou Sara.

- E o irmão dela? — apontei para o tal Rony.

- O que tem ele? — Steve falou rápido demais, se virando pra mim.

- Talvez ele tenha algo a dizer. Todo mundo tem um podre; uma coisa que ninguém pode saber.

- E por que o cara?

- Alice não é nenhum pouco sugestionável.

- Ouvi dizer que eles vão em algum lugar amanhã. Podíamos seguir eles... — sugeriu Sara, e Rebecca sorriu.

- Deve ser algo com a Vingativa — falei. — Eles não podem fazer isso antes de nós.

- E os outros? — lembrou Steve. — Vamos só nós?

Suspirei.

- É tudo o que temos. Não vai demorar muito para as coisas se complicarem. E sinto que teremos que ficar juntos e sermos unidos até o fim disso.

Notas finais
Mereço reviews mesmo pela demora?
Se ler, deixe sua opiniao. Ficaria muito feliz :)