O Mistério De Scarabas
18 Deixe-me Entrar
Notas iniciais
Boa leitura '')
– Valerie...o que é que você tem?
Não sei como voltamos de volta à fazenda. Rebecca parecia preocupada, mas permaneci calada. Era como se eu estivesse anestesiada, embora as memórias de Annie jamais tivessem me causado tamanho efeito. Mas dessa vez foi diferente — eu me coloquei no lugar dela. Senti tudo o que ela sentiu.
Fui acordada por Steve depois, e percebi que Alice e Rony não estavam mais no parque. Quando estávamos perto da fazenda, lembrei que todos estavam na cachoeira, mas fiquei surpresa ao notar que haviam voltado pra casa.
– Vovó? — chamei-a da sala e ela apareceu ao lado de Cândida...e Alice, que sorriu descaradamente pra mim.
– Querida, você sumiu na cachoeira. — disse ela, totalmente inerte dos acontecimentos.
Alice deu uma risadinha, e engoli em seco. Com o efeito da hipnose, ela não acreditaria no que eu dissesse contra os Blake.
– Saí junto com Alice, vovó — disse de queixo erguido, tentando ser o mais cínica possível. Iria jogar o mesmo joguinho dela.
– Sim, Beth. — Alice disse, me olhando com jeito meigo e falso. — Valerie e eu...nos conhecemos melhor. — ela arqueou as sobrancelhas e eu cerrei os olhos.
Sabia muito bem o que ela estava fazendo.
– Ah, que bom, queridas! — vovó sorriu, feliz, mas Alice e eu continuamos a nos encarar.
Assim que vovó saiu de cena, dei um passo à frente.
– Você não vai se intrometer — ameacei. — Não vou deixar que conclua seu plano.
Ela sorriu debochando, revelando sua verdadeira face.
– Você é tão amadora, Valerie. Eu sei que o corpo de Annie está aqui. Além disso, não vai demorar para que eu encontre o de Natasha.
Suei frio. Como ela tinha certeza?
– Tremeu na base? — ela riu. — Não pode me deter, Valerie. Vou carregar a Vingativa para o inferno e quem estiver junto dela. — ela sussurrou perto do meu ouvido, saindo em seguida.
Subi as escadas às pressas até chegar no quarto, onde perguntei à Sara:
– Onde está o seu notebook?
Ela remexeu nas coisas até encontrá-lo.
– Aqui. Por quê? — ela quis saber.
– A internet vai ter que funcionar — eu sentei na cama e o liguei. — Temos que saber algo dos Blake; algum podre. Todo mundo tem um.
– E você acha que isso vai tá na internet?
– Espero que sim — suspirei. — Essa Alice é loca. Ela não vai parar.
– Deixa eu ver — Sara olhou as buscas e clicou em uma. — Hm...
– Tem que ter alguma coisa — insisti. — O pai deles era pesquisador, certo?
– Aqui. — ela abriu uma página. — Dooren Blake era o pai deles. Renomado pesquisador físico. Já ministrou aulas em escolas e faculdades. Em 1986, conseguiu um feito jamais visto no campo científico.
– Qual foi? — perguntei, ansiosa.
– A captura de um fantasma — disse ela. — Mas foi rotulado como louco e morreu no mesmo ano. As causas foram...misteriosas. — ela disse a última palavra olhando pra mim.
– Podemos usar isso contra Alice.
– Valerie, calma. — Sara colocou o notebook de lado. — Não sabemos se é verdade.
– Não importa! Ela me ameaçou! Quero acabar com ela!
– Espera aí — ela voltou a olhar o notebook. — Você não vai acreditar.
Me virei para ela, que sorriu e leu:
– As pesquisas de Dr.Blake foram arquivadas, mas uma em particular foi roubada. Essa pesquisa falava acerca de um mundo oculto. O mundo dos fantasmas.
Franzi o cenho.
– Chamado de Campo Espectral — continuou -, é a dimensão onde os fantasmas ficam. Há rumores de que ninguém vivo jamais pisou lá.
– Ah, meu Deus. — murmurei.
– Tá pensando o mesmo que eu? — disse Sara, sorridente. — Valerie. — ela segurou firme meus ombros. — Estamos um passo à frente deles agora.
– Essa dimensão...os fantasmas...a Vingativa — falei, raciocinando. — É onde todos eles estão! E onde podem ficar pra sempre!
– Pra onde você acha que a Natasha ia quando desaparecia? — Sara falou. — Devem estar todos lá!
– E se a Vingativa também perambula por lá, pode ficar presa lá — explanei minha ideia de forma perspicaz. — E assim, todos os fantasmas poderão ser libertos.
Sorrimos, animadas; mas uma ideia me passou pela cabeça. Como faríamos aquilo? Como mandaríamos todos os fantasmas para o túmulo e prendêssemos só Annie? Em um ponto, talvez, Alice estivesse certa: eles eram mais experientes. Eu era apenas uma garota que veio passar as férias com os avós e descobriu um mundo sobrenatural.
– Temos que encontrar logo o corpo de Natasha — concluiu Sara.
De repente, um trovão estourou alto no céu, e a chuva começou a cair. O clima na casa estava estranho com o fato de todos estarem alheios à verdadeira face dos Blake. Alice me olhava como uma leoa que ronda a presa. Olhando para John, Claire e Lauren — antes éramos tão juntos; agora tão distantes. John e eu...bom, talvez pudéssemos dar um jeito quando tudo aquilo acabasse. Ou talvez eu terminasse no Campo Espectral junto com Natasha. Agora que Steve e eu estávamos melhorando, Sara parou de encanar comigo, e virou uma amiga.
Tudo tinha virado uma grande inversão de papéis.
Vovô Hector surgiu da varanda ensopado. Logo depois de pendurar o casaco no cabide, ele me disse:
– A estrada já está quase concertada. E seu pai me ligou e disse que virá buscá-la em breve, Valerie.
Arregalei os olhos e todos olharam pra mim. Alice cruzou os braços e sorriu, satisfeita.
– Não! — surtei de imediato. — Não...quer dizer... — engoli em seco, nervosa. — Eu quero ficar aqui mais um tempo.
– Devia seguir o conselho — Alice disse com falsa modéstia. — Não vai querer gastar seus últimos dias de férias aqui, vai?
Eu a fulminei com o olhar.
– Cala a boca.
– Valerie. — vovó me repreendeu. — Também acho melhor que vá. Não está fazendo bem à você ficar aqui.
Eu a olhei, incrédula.
– Vovó, não percebe? — apontei para Alice. — Estão manipulando vocês! Querem me expulsar daqui!
– Não fale assim, querida — vovó suplicou. — Esse lugar fez mal à você; só lhe trouxe coisas ruins.
– Não é verdade — rebati. — A Vingativa precisa de ajuda.
– Você não vai se meter nessa história! — ela foi dura. — É melhor que vá embora de uma vez e esqueça de tudo! Siga a sua vida longe desse lugar maldito! — e saiu acompanhada dos outros adultos da casa.
Vovó jamais falaria assim. Era algo pior que hipnose.
Ouvi a risadinha de Alice.
– É melhor escolher outra carreira, Valerie. Caça-fantasmas não combina com você.
– Não interessa o que eu vá fazer — sibilei, ignorando-a -, você não vai destruir a Vingativa.
– Salvando o inimigo, Valerie? — ela franziu o cenho, parecendo sincera. — Não entendo. Devia querer que ela sofresse.
Entendi o que ela quis dizer.
– Não sou assim. Vejo as coisas de outra maneira.
Ela riu mais uma vez.
– De que maneira? Tentando ir até o Campo Espectral ou resgatando o corpo de sua querida parente na casa de sua inimiga e executora?
Gelei. Ela havia descoberto.
– Antes de perguntar "como" ou "por quê" — ela começou -, acho que devo informá-la que, quando acessou as memórias de Annie no parque, eu também acessei — e sorriu. — Estava segurando você quando tudo aconteceu. E sabe o que eu vou fazer, Valerie? — ela se aproximou. — Vou queimar o corpo dela e atrair a Vingativa. O próximo passo será entrar pela primeira vez no Campo Espectral e destruir todos os fantasmas de uma vez só — ela disse, venenosa.
– Não vai, não. — rebati, convicta e sorrindo triunfante. — Para entrar no Campo Espectral é preciso estar morto.
Ela mudou de expressão, parecendo ter sido realmente pega de surpresa com algo que não sabia.
– Como sabe? — ela disse, séria.
– Fiz a lição de casa... — falei, irônica, imitando-a.
– Como sabe?! – ela agarrou-me pelos braços, me chacoalhando com força e raiva.
– Li sobre o seu pai — contei. — Sei de tudo também. Estamos quites agora. E sei como libertar todos da hipnose. Vai sair daqui antes de tentar fazer alguma coisa.
Ela urrou de raiva e me jogou no chão, pronta pra me atacar. Em seguida, todas as luzes da casa piscaram em uníssono. Logo depois, piscaram e apagaram, deixando-nos quase que no completo escuro.
– Mas que porra é essa?! — berrou Alice.
Fantasmas.
Só podiam ser eles. Temerosos com a presença de caça-fantasmas, virem tomar satisfações.
Ou tavlez vieram atrás de mim.
Aproveitando-me do escuro, corri de Alice e fui surpreendida pela luz do celular de Steve no corredor.
– Viu isso? — disse ele.
– Precisamos tirar os outros da hipnose. — agarrei na sua mão, puxando-o. — Talvez eles possam ajudar.
– Com o quê?
– Há fantasmas aqui, Steve — contei. — Não tem jeito; Alice sabe de tudo. Ela não pode pegar o corpo de Natasha antes de nós. — Ela quer me usar pra entrar no Campo Espectral. Eu...acho que ela é louca.
– Nunca tive dúvidas quanto à isso. — concordou ele. — Mas..como assim Campo Espectral?
– É onde os fantasmas ficam — contei. — Ela acha que pode entrar lá e destruí-los, além de capturar a Vingativa pra provar que eles existem.
– E onde você entra nessa história?
Suspirei.
– Aí é que está. Só pessoas mortas entram lá.
De repente, uma sombra negra bateu na janela, nos assustando. Ela ficou rastejando, como se quisesse entrar.
– Rápido! — falei. — Não temos muito tempo!
Corremos até a cozinha, onde Lauren, Claire e John estavam. Precisávamos que eles voltassem a ser o que eram antes.
Estalei os dedos.
– Os Blake são uma farsa. — disse. — Anda, vamos!
Por fim, eles cederam.
Mais uma vez, a mesma sombra negra surgiu na janela. E mais um. Mais um...
– Temos que dar o fora. — sugeriu Claire.
Mas eles estavam rodeando a casa inteira:logo tomaram as janelas da sala e o andar de cima.
Os fantasmas iam invadir.
Na sala, Alice e Rony estavam atentos. As figuras sinistras lá fora me distraíram o suficiente para que eu os perdesse de vista logo depois.
– Eles foram atrás dela! — resmunguei. — Eles não podem encontrar o corpo de Natasha!
Corremos em direção à varanda e abrimos a porta para ver os fantasmas sinistros que nos rondavam. Era como se todos os fantasmas dos filmes de terror estivessem ali.
Mas em um ponto eu tinha certeza: se Alice me carregasse viva para o mundo dos mortos, talvez eu nunca mais voltasse de lá.
Então uma ideia me ocorreu.
– John. — eu me virei pra ele. — Você ainda tem aquele mapa com os atalhos?
Notas finais
Já aceito recomendaçoes tambem, viu? :P
Até o proximo capitulo.
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