O Mistério De Hogwarts
1 A Carta De Dois Destinos
Episódio 1 – A Carta de Dois Destinos
O céu estava cinzento naquele fim de tarde, e o vento soprava com força entre as árvores da pequena vila de Oakmoor, onde morava Arthur Queen. As janelas de sua casa velha rangiam com o sopro constante, como se quisessem falar algo que ninguém entendia.
Arthur estava na sala, sentado no chão, jogando paciência mágica com cartas que se embaralhavam sozinhas e às vezes lhe mordiam os dedos. Estava entediado, como de costume. Desde que seu irmão Jacob desaparecera, há quase cinco anos, a casa se tornara um lugar silencioso, onde os sorrisos se esconderam e a esperança se resumia a não falar do passado.
A senhora Queen, sua mãe, passava o pano na cozinha como se estivesse limpando as memórias. O pai, sr. Queen, vivia recluso em seu ateliê de runas e raramente dizia algo que não fosse "passa a chaleira".
Foi então que a coruja apareceu.
Não foi uma coruja qualquer. Era enorme, cinzenta, com olhos dourados e penas que pareciam polvilhadas de poeira mágica. Ela sobrevoou a casa duas vezes antes de pousar na janela da sala com um baque seco. Arthur se assustou, derrubando as cartas que saíram voando por conta própria.
A coruja estendeu a pata. Amarrado ali, estava um envelope amarelo-velho com um brasão em cera vermelha. Arthur congelou.
"Arthur Queen"
"Sala de estar, nº 9, Oakmoor."
Ele engoliu seco.
— Mãe...? — chamou, com a voz trêmula.
A senhora Queen surgiu na porta, enxugando as mãos no avental. Seus olhos pousaram no envelope. Por um momento, ela não respirou.
— É a carta, não é? — murmurou.
Arthur assentiu. Ela caminhou até ele e pegou o envelope com mãos trêmulas. Observou o brasão de Hogwarts como quem vê um fantasma. Então, sem dizer palavra, entregou a carta de volta ao filho.
Arthur quebrou o selo.
> "Caro Sr. Queen,
Temos o prazer de informá-lo que foi aceito na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts..."
Enquanto lia, seus olhos se encheram de brilho. Algo dentro dele — que estivera adormecido desde o desaparecimento de Jacob — começou a pulsar de novo.
— Eu... eu vou pra Hogwarts — disse, em voz baixa, como se ainda não acreditasse.
A senhora Queen sentou-se no sofá. O silêncio foi pesado. Então, ela falou:
— Foi lá que seu irmão foi. A última vez que o vimos… foi quando ele passou por aquela plataforma maldita.
Arthur fechou a carta com firmeza.
— Eu vou descobrir o que aconteceu com ele.
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Cena 2 – O Beco Diagonal
Dias depois, Arthur e sua mãe foram ao Beco Diagonal para comprar os materiais escolares. Tudo era novo e brilhante, mesmo aos olhos da senhora Queen, que já conhecia o lugar. Arthur ficou encantado com as vitrines da Olivaras, os caldeirões empilhados, os livros flutuantes e o cheiro de pergaminho novo.
Na loja de varinhas, o velho Sr. Olivaras sorriu ao vê-lo.
— Ah… Arthur Queen. Irmão de Jacob. Eu me lembro muito bem da varinha dele. Espinheiro, núcleo de pena de fênix… uma combinação ousada.
Arthur ficou em silêncio. Olivaras estendeu-lhe uma varinha.
— Experimente esta. Carvalho inglês. Núcleo de pelo de unicórnio. Flexível.
No instante em que Arthur a segurou, uma rajada dourada brilhou no ar. A loja estremeceu levemente. Olivaras arregalou os olhos.
— Interessante... muito interessante.
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Cena 3 – A Plataforma 9¾
No dia da viagem, Arthur chegou à Estação King’s Cross sozinho. Sua mãe não suportava voltar ali. Ele empurrou o carrinho em direção à barreira mágica entre as plataformas 9 e 10.
Foi quando escutou:
— Ei! Você também tá indo pra Hogwarts?
Virou-se e viu um garoto ruivo, com sardas, tentando controlar um carrinho que quase atropelava uma senhora.
— Sou o Pedro! Pedro Wheems! Primeira vez também?
— Arthur — respondeu, sorrindo.
— Bora passar junto! Me disseram que é só correr direto. Mas se a gente bater… bom, pelo menos vai ter companhia.
Eles atravessaram e, do outro lado, surgiu o majestoso Expresso de Hogwarts, soltando vapor e apitando como se desse boas-vindas. Era mais bonito do que Arthur podia imaginar.
Já dentro do trem, encontraram uma cabine vazia. Logo depois, a porta se abriu.
— Com licença — disse uma menina de cabelos castanhos volumosos e olhos atentos. — Todas as outras cabines estão lotadas. Posso me sentar?
— Claro! — disse Pedro, com um sorriso. — Eu sou Pedro, e esse aqui é o Arthur. E você?
— Jessica. Jessica Mallory.
Ela olhou diretamente para Arthur.
— Você é o irmão do Jacob Queen, não é?
O silêncio caiu. Arthur hesitou.
— Sou.
Jessica assentiu devagar.
— Ele era brilhante… mas dizem que se meteu com coisas proibidas. As criptas…
— Não sei o que aconteceu com ele. Mas eu vou descobrir.
Pedro coçou a nuca, tentando mudar de assunto.
— Alguém sabe como funciona essa tal seleção? Eu ouvi falar de um chapéu falante!
Jessica ajeitou os cabelos.
— Chapéu Seletor. Ele analisa a mente do aluno e escolhe a casa mais compatível com sua personalidade.
Pedro arregalou os olhos.
— E se ele disser que eu não tenho nenhuma?
Arthur riu pela primeira vez em dias.
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Cena final – A Chegada
O trem parou com um assobio. Do lado de fora, um homem enorme segurava uma lanterna.
— Calouros! Todos os calouros por aqui! Vamos, primeiro-anos!
Arthur, Pedro e Jessica seguiram com os outros alunos até os barquinhos que flutuavam sobre o lago. E então, ele viu…
Hogwarts.
Iluminado sob a luz do luar, o castelo parecia vivo. As torres altas, as janelas brilhantes, as pontes de pedra… Tudo era mágico.
Mas, por um momento, Arthur teve a sensação de ver… uma sombra entre as torres.
Uma figura parada.
Observando.
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Fim do Episódio 1 – A Carta de Dois Destinos
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