O Mistério Da Fera
16 Capítulo 16 - Durante a noite, no jardim... II
Notas iniciais
Espero que gostem!
Boa leitura!
Chegaram em casa e Fernan já foi em direção a cozinha, tentando evitar que Estevão brigasse com ele, o que não estava nos planos da alteza.
- Quer jantar comigo?
- Mas por que você ta perguntando isso? Sabe que não precisa perguntar. Aqui é a sua casa e...
- Eu quero jantar com você no jardim.
- No jardim?
- Ou melhor... Jantaremos aqui dentro, só nos dois, e iremos ao jardim depois. O que acha?
- Você gosta do jardim, é? – Gisele sorriu.
- Você gosta?
- Eu perguntei primeiro.
- Se você gosta, eu até que posso tentar gostar pelo menos um pouco. – Ela sorriu.
- Então, eu aceito. – Sorriu, novamente.
Estevão sorriu de volta.
- Mas como pode não gostar do jardim?
- Não é que eu não gosto. Eu sou indiferente em relação a ele.
- Mas é tão bonito. Você devia gostar. — Ela sorriu.
- Posso fazer um esforço.
Ele foi em direção a Gisele e lhe deu um beijo pausado em sua bochecha.
Ele subiu rapidamente as escadas e a menina estava lá, feito uma boba, com a mão em sua bochecha, idealizando uma noite perfeita.
***
Gisele já estava pronta para o jantar. Ela estava na janela, olhando para a lua, pedindo para que algo de bom acontecesse naquela noite.
Ela havia começado a se arrumar cedo, logo depois de ter acordado daquele doce beijo em sua bochecha. Arrumou-se rápido: vestiu uma blusa preta de alça curta, uma calça jeans e não se preocupou tanto com o que colocar nos pés. Ela ficou muito tempo penteando seu cabelo em frente aquele espelho que Estevão havia lhe presenteado.
Gisele estava viajando em seus pensamentos olhando através daquela janela, quando sentiu a presença de alguém. Antes que pudesse virar para trás, sentiu grandes mãos tocarem seus ombros nus. Sentiu também a respiração quente de...
- Estevão... – Ela se virou para ele.
As mãos dela estavam apoiadas na parte de baixo da janela enquanto as mãos dele seguravam seus ombros.
- Como adivinhou que era eu?
- Quem mais seria? Fernan? – Gisele o observou, com olhar sarcástico.
Os dois riram.
- Vamos jantar? – Estevão estendeu a mão para Gisele.
- Vamos. – Ela segurou a mão de Estevão.
Desceram até a cozinha.
- Onde está Fernan?
- Ele está no quarto dele.
- Entendi. A mesa está bonita. – Ela andou em volta da grande mesa. – Foi você quem a preparou?
- Preciso responder? – Ele fez uma expressão que já respondia “não”.
- Não. – Eles riram.
Os dois se sentaram à mesa.
- A mesa está muito bonita mesmo. – Estevão disse. – Vamos comer. – Ele sorriu e começou a comer.
A menina também começou a se servir. Ela comia com tanto prazer que à vontade de Estevão era parar de comer e olhar para ela. E ele fez isso. Mas será que olhar para ela seria o único motivo?
- Já vai parar de comer?
- Já. – Sorriu.
- Mas você sequer se serviu.
- Coma, meu doce.
Gisele silenciou e terminou de comer. Um momento ou outro, os dois trocavam olhares e sorrisos.
- Terminei. – Gisele limpou os lábios com um guardanapo.
Estevão se levantou e foi até Gisele.
- Vamos passear pelo jardim? – Ele puxou sua cadeira.
- Vamos. – Ela se levantou.
Estevão ia andando um pouco à frente de Gisele, tentando conduzi-la, mas tentando ficar ao seu lado para deixá-la à vontade.
Saíram da mansão e andaram pelo jardim.
- Sobre o que vamos conversar? – Disse Gisele.
Estevão parou de andar e se virou de frente para Gisele.
- Precisamos, necessariamente, conversar? – Sorriu, maliciosamente.
- Podemos apenas observar o céu. – Gisele tentou disfarçar.
- Não se faça de desentendida. Sabe muito bem sobre o que eu estava falando, não sabe?
- Eu preferia dizer que não.
- E por quê? – Se entristeceu um pouco. – Não gosta de mim?
- É por gostar que digo isso.
- Não entendi.
- Você só pensa nisso quando me vê.
- Só penso nisso, Gisele?
- Diga-me algum momento o qual foi diferente.
- Eu não me lembro agora, mas não é assim, Gisele.
- Pelo menos, na maioria das vezes, é.
- Está mentindo. E está me magoando.
- Magoando? Tem certeza? Porque você me magoa com suas intenções.
- Se soubesse o que penso sobre você...
- Pensa a mesma coisa do que várias outras, não?
- Mas é claro que não! Se soubesse o quanto te livro dos meus pensamentos...
- Como assim?
- Você é diferente, eu sei disso.
- Se você sabe, por que não demonstra através de seus atos?
- Você está sendo rude com as suas palavras. Eu demonstro como consigo. Não consigo demonstrar como você quer, pois nenhuma menina foi como você.
- Menina?
- Gisele, você entendeu!
- Nenhuma foi “assim” como? – Fez as aspas com as mãos.
- Única.
- Única? – Ela sorriu.
- Sim.
- Mas não pense que basta você me elogiar para que me convença.
- Eu estou tentando te convencer dos meus sentimentos.
- Não bastam apenas palavras bonitas.
- Gisele, entenda que eu gosto muito de você.
- Muito quanto?
- Não dá pra medir. Acho que você é a pessoa que mais gosto. Estou até em dúvida se eu te amo.
- Se tem dúvida e está tentando certas coisas comigo, é por que é paixão carnal, não é?
- Você não vai entender, né? — Ele abaixou a cabeça.
- Ei... — Ela tocou o queixo dele. — Olhe para mim.
Ele olhou no fundo dos olhos negros da menina. Eram negros como os seus. Finalmente havia achado alguma semelhança entre eles dois. Não era tão feio como pensava, pois, se tinha os olhos de Gisele, tinha grande parte de sua beleza adquirida.
Gisele havia sentido um forte arrepio que vinha acompanhado de uma mais forte ainda vontade de sentir os lábios dele e, então, fez o que sentiu vontade. Sem pedir a permissão de Estevão, ela o beijou.
Notas finais
Fique com Deus...
Beijos!
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