O Misterioso: Temporada 2
5 Grande Revelação
Tyler terminou o banho com o corpo ainda tenso. A água quente não tinha conseguido apagar a sensação constante de perigo. Quando saiu do box, o espelho estava embaçado demais para refletir qualquer coisa além de vultos.
Foi então que ele ouviu o grito.
— DYLAN?!
Tyler correu pelo banheiro, mas o chão ainda molhado foi mais rápido. Seu pé escorregou, a cabeça bateu forte contra o azulejo — e tudo apagou.
Dylan acordou primeiro.
O quarto estava escuro. O coração disparou antes mesmo que ele entendesse onde estava. Tentou se mover. Não conseguiu.
— Tyler?! — gritou, descontrolado.
O grito morreu na garganta quando a porta se abriu.
Uma figura entrou devagar.
Capuz. Silêncio. Presença pesada.
— NÃO! — Dylan tentou se soltar, mas mãos fortes o agarraram. Ele foi arrastado pelo corredor, jogado numa cadeira de rodas e preso com fitas adesivas grossas. Tentou reagir.
O chute veio seco.
O impacto no rosto foi a última coisa que sentiu antes de desmaiar.
Quando acordaram novamente, o cheiro denunciou tudo antes da visão.
Ferrugem. Óleo velho. Poeira.
— Não… — Tyler sussurrou.
Eles estavam de volta à antiga fábrica.
O mesmo lugar onde tudo havia começado. Onde Logan morreu.
Levantaram-se com dificuldade e caminharam seguindo os fios espalhados pelo chão, serpenteando pelas paredes, pelo teto — como veias vivas. Pareciam intermináveis.
Até chegarem a uma sala diferente.
Grande. Fria. Iluminada por uma luz vermelha pulsante.
Telões cobriam as paredes.
De repente, todos se acenderam ao mesmo tempo.
A imagem de um estranho de capuz surgiu.
— Foi ele… — Dylan disse, sentindo o estômago afundar.
— Ele quem? — Tyler perguntou, sem desviar os olhos da tela.
— Ele me pegou no hospital. Me colocou no depósito de produtos químicos. Eu vi… eu ouvi ele respirando.
Tyler engoliu em seco.
— Eu lembro dele também. — A voz saiu dura. — Ele começou tudo isso. Tá brincando com a gente… ou quer nos matar.
A imagem na tela se mexeu.
A voz distorcida preencheu a sala:
— Isso começou com suas origens.
— E vai terminar com vocês.
Os telões desligaram.
Silêncio absoluto.
Sem saber o que fazer, eles correram para fora do prédio.
Foi quando o mundo pareceu virar do avesso.
À frente deles, não havia estrada.
Nem cidade.
Nem saída.
Havia água.
Por todos os lados.
— Isso é… uma ilha? — Dylan perguntou, incrédulo.
— Não faço ideia de como viemos parar aqui — Tyler respondeu, girando lentamente. — Mas alguém tá controlando tudo. E isso não vai acabar tão cedo.
Dylan respirou fundo, os olhos queimando de raiva.
— Se querem brincar… então venham!
Cercados, sem comunicação, sem ajuda, decidiram subir em direção a uma montanha no centro da ilha, na esperança de encontrar sinal.
O vento cortava a pele. O silêncio era estranho demais para um lugar aberto.
Foi quando viram alguém.
Uma menina, desacordada, caída perto de uma grande pedra.
— Ei! — Tyler correu primeiro. — Ela tá viva!
Dylan foi logo atrás.
No segundo passo, clic.
Tyler congelou.
— Dylan… — sua voz tremeu. — Eu acho que…
A explosão veio antes da frase terminar.
A pedra ao lado da garota se despedaçou em chamas. Fragmentos voaram pelo ar. Sangue respingou nas rochas, quente, real demais.
Quando a fumaça baixou, não havia mais ninguém ali.
Só silêncio.
E culpa.
— Meu Deus… — Dylan caiu de joelhos. — Era uma armadilha…
Agora estavam sozinhos de verdade.
Sem mapas.
Sem regras claras.
Sem aliados.
Apenas eles dois.
E alguém observando cada passo.
Eles não estavam mais sendo perseguidos.
Estavam sendo testados.
E nesta ilha erros não eram perdoados.
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