Inverno — Terça-feira

02:24

— Alô? Quem tá falando? — a voz de Tyler tremia enquanto segurava o celular com força demais.

— É… a Rosemary… — respondeu a voz do outro lado, fraca, entrecortada.

— Rosemary? O que aconteceu? — Tyler sentiu o coração acelerar.

— Meu carro… capotou. Eu tô presa aqui dentro… e tem alguém aqui comigo… — ela disse, gemendo de dor.

Tyler fechou os olhos, tentando manter a calma.

— Onde você tá? Você consegue me dizer?

— Não sei… tá tudo escuro… — ela respirava com dificuldade. — Eu tô sentindo cheiro de gasolina. Meu cinto tá preso… eu não consigo sair.

— Calma, Rosemary. Tenta soltar o cinto devagar. Não faz força brusca — Tyler disse, engolindo o pânico. — Chama uma ambulância. Agora.

— Eu… eu acho que vou morrer… — a voz dela falhou.

— Não fala isso! — Tyler respondeu rápido demais. — Fica comigo. Liga pra emergência, por favor.

O silêncio caiu por alguns segundos longos demais.

Tyler entrou no carro e contou tudo a Dylan, que ligou o motor com as mãos tremendo. Eles começaram a dirigir sem rumo certo, apenas tentando chegar mais perto de onde achavam que ela estava.

O celular de Tyler vibrou novamente.

Mas não era Rosemary.

— Escute o estrondo… — disse uma voz masculina, calma demais.

— …e queime.

— O quê? — Tyler mal conseguiu responder.

Então veio o som.

Um estrondo distante, abafado pelo vento.

Depois… nada.

Tyler desligou o celular, o rosto completamente pálido.

— Dylan… eu acho que… — a voz falhou. — Acho que a Rosemary morreu.

Dylan soltou um grito sufocado e começou a chorar enquanto dirigia, o carro acelerando sem controle.

— Dylan, para! — Tyler gritou. — Você não tá bem, troca comigo! Para o carro!

Mas era tarde demais.

No escuro da estrada, Dylan não viu a rampa do guincho estacionado à margem. O carro bateu com força, perdeu o controle e capotou violentamente.

Vidro quebrando.

Metal retorcendo.

Gritos sendo engolidos pela noite.

E, no meio da estrada congelada, mais uma tragédia era adicionada à lista.

Em algum lugar, longe dali, alguém escutava tudo em silêncio.

E sorria.