O Misterioso: Morte em Hollywood - Temporada 5

21 Epílogo – O Que Ainda Existe



Tyler saiu da prisão numa manhã comum demais para parecer importante.

Nenhuma câmera. Nenhuma despedida simbólica. Só um portão abrindo, um agente conferindo documentos e um “boa sorte” dito sem olhar nos olhos.

Bom comportamento. Anos reduzidos. Nada apagado.

Ele respirou fundo do lado de fora, como se o ar tivesse mudado de textura. Não tinha planos grandes. Tinha aprendido a não confiar neles.

Andou alguns quarteirões antes de perceber alguém parado do outro lado da rua.

Dylan.

Não parecia surpresa. Também não parecia ensaiado. Era só o momento certo — ou o único possível.

Eles se olharam por alguns segundos, em silêncio. Nenhum dos dois sorriu de imediato. O tempo entre eles não pedia isso.

— Oi — Dylan disse.

— Oi — Tyler respondeu.

Andaram até um banco de praça próximo. Sentaram com espaço entre os corpos. Um hábito novo, aprendido tarde demais.

— Fiquei sabendo que você sairia hoje — Dylan comentou. — Não sabia se vinha.

— Eu pensei em ir embora direto — Tyler disse. — Mas achei que… devia aparecer.

Dylan assentiu. Não perguntou mais nada.

O silêncio entre eles não era desconfortável. Era respeitoso. Como se ambos soubessem que certas palavras, se ditas, quebrariam algo que só existia porque ninguém forçava.

— Como você tá? — Dylan perguntou.

Tyler pensou antes de responder.

— Melhor do que eu merecia. Pior do que eu queria. — Deu de ombros. — Acho que isso é justo.

Dylan sorriu de leve.

— É.

Falaram de coisas simples. Trabalho. Cidade. Gente que ficou pelo caminho. Não falaram de Evan. Não precisavam. O nome estava ali, mesmo quando não era dito.

— Eu não sei se a gente consegue… — Tyler começou, parando no meio da frase.

— Não — Dylan respondeu, com suavidade. — Não consegue.

Tyler respirou fundo, aceitando.

— Mas eu fico aliviado de saber que você tá bem — ele disse.

— Eu também — Dylan respondeu. — De verdade.

Ficaram mais alguns minutos sentados. Depois, Dylan se levantou primeiro.

— Cuida de você — disse.

— Você também.

Eles não se abraçaram. Não prometeram se ver de novo. Não fecharam nada com frases bonitas.

Mas quando Dylan se afastou, Tyler sentiu algo que não sentia há anos: não paz completa, não perdão pleno — mas algo próximo de aceitação.

Do outro lado da rua, Dylan parou por um segundo e olhou para trás. Tyler ainda estava ali, sentado, olhando o movimento da cidade como alguém reaprendendo a existir.

Eles trocaram um último aceno discreto.

E seguiram em direções diferentes.

Não como inimigos.

Não como amigos.

Mas como duas pessoas que dividiram algo pesado demais para carregar juntas para sempre — e ainda assim conseguiram desejar que o outro ficasse bem.

Às vezes, isso é o máximo de esperança que uma história permite.

E, dessa vez, foi suficiente.

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