Notas iniciais
DEMOREI MAIS VOLTEI !!!

Presbyterian Medical Center – Los Angeles

O cheiro de antisséptico impregnava o ar da sala de espera. Tyler permanecia sentado, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas com força. À sua frente, através da divisória de vidro, Dylan dormia sob o efeito de um soro forte, o rosto pálido contrastando com os lençóis brancos do hospital.

Tyler observava o amigo em silêncio, tentando entender onde tudo havia desandado.

A imagem de Dylan quebrando o espelho no banheiro do hotel voltava à sua mente em fragmentos desconexos. Raiva. Culpa. Desespero. Tyler se perguntava se havia falhado como amigo, como protetor, como a única âncora que Dylan ainda parecia ter.

Quando o médico finalmente apareceu, explicou que Dylan receberia alta em poucas horas. Estava fisicamente estável, mas recomendou repouso e acompanhamento psicológico. Tyler assentiu, agradeceu, mas não ouviu metade do que foi dito.

Ele só queria tirar Dylan dali.

Dia Seguinte

Dylan despertou lentamente. A luz branca do quarto do hospital fez seus olhos arderem. Piscou algumas vezes até reconhecer o rosto familiar à sua frente.

— Ei… — Tyler disse em tom baixo. — Você tá bem?

Dylan não respondeu com palavras. Apenas assentiu levemente com a cabeça.

Pouco depois, já fora do hospital, Tyler o guiou até o carro. O trajeto até o hotel foi silencioso demais, pesado demais. Ao estacionar, Tyler respirou fundo antes de falar:

— Preciso sair um pouco. Resolver uma coisa.

Dylan virou o rosto imediatamente.

— Me leva com você.

— Não dá — respondeu Tyler, firme, mas tentando soar calmo. — Vai ser rápido. Me espera aqui.

— Tyler… — Dylan insistiu. — Não me deixa sozinho.

Tyler segurou o olhar do amigo por alguns segundos.

— Nada vai acontecer. Eu prometo.

Dylan não parecia convencido, mas não teve forças para discutir. Tyler saiu, fechou a porta… voltou alguns passos e trancou novamente, conferindo duas vezes.

Dylan ficou sozinho.

Ele se encarou no espelho do quarto. A imagem refletida parecia distorcida — não fisicamente, mas emocionalmente. Sentia raiva de si mesmo, da viagem, de tudo. Pensou em culpar Tyler, mas não conseguiu. Seria injusto. Ingrato. Tyler sempre ficava.

Enquanto isso, Tyler caminhava pelas ruas largas de Hollywood, passando por uma esquina, depois outra, até que o destino começou a se tornar evidente demais para ignorar.

O prédio surgiu à sua frente.

A nova sede da C.D.T.

Vidros espelhados. Fachada moderna. Imponente. Discreta demais para algo tão sujo.

Tyler sentiu o estômago revirar.

Aquilo não acabaria bem — a menos que eles encerrassem aquilo de uma vez por todas.

Hotel

Dylan andava de um lado para o outro. Tentava ignorar o relógio, mas cada minuto parecia uma provocação. A curiosidade venceu o medo.

Ele se aproximou do notebook.

Acessou o sistema do carro.

O GPS revelou o destino de Tyler.

Dylan gelou.

Minutos depois, já estava dentro de um táxi, observando a cidade passar pela janela com uma sensação crescente de pânico.

Sede da C.D.T.

A fachada era maior de perto. Dylan se sentia fraco, vulnerável, mas avançou mesmo assim. Contornou o prédio e virou uma viela nos fundos — e quase colidiu com Tyler.

— O que você tá fazendo aqui? — Tyler perguntou, alarmado.

Dylan não hesitou.

— Eu que pergunto. O que você faz aqui?

Tyler tentou disfarçar.

— Só… dando uma volta.

— Não mente pra mim — Dylan respondeu, firme. — Fala a verdade.

Tyler suspirou.

— Eu fiquei intrigado com aquele crachá no Brandon. Precisava confirmar que ele não tinha ligação com essa empresa.

Dylan sentiu um misto de alívio e medo.

— Isso é perigoso demais, Tyler.

Mesmo assim, entraram juntos.

Foram recebidos por uma mulher de cabelos longos e pretos, elegante demais, sorriso treinado demais. Ela os conduziu até uma sala de espera e pediu que aguardassem.

Cinco minutos se passaram.

Algo estava errado.

Impacientes, saíram da sala — e a visão os fez congelar.

A mulher jazia no chão do saguão, um tiro no peito, o sangue se espalhando lentamente pelo piso polido.

Antes que pudessem reagir, o prédio explodiu em caos.

Homens da S.W.A.T. invadiam o local, gritos ecoavam, funcionários eram evacuados à força, outros neutralizados no chão.

Tyler e Dylan foram empurrados, algemados, conduzidos sem explicações.

Minutos depois, estavam dentro de um helicóptero.

— Silêncio absoluto — ordenou um dos homens.

O voo pareceu interminável.

O sol se punha quando a aeronave pousou em um heliporto isolado.

Uma ilha.

Estranha.

Familiar demais.

Um dos homens retirou o capacete, encarando-os com frieza.

— Agora entenderam o que está acontecendo?

Eles não responderam.

— Estou levando vocês de volta às suas raízes… — fez uma pausa, um sorriso torto surgindo. — Ou melhor: às suas origens.

Ele entrou novamente no helicóptero.

As hélices giraram.

Tyler e Dylan ficaram sozinhos.

Na ilha.

Onde tudo havia começado.