O Misterioso: Morte em Hollywood - Temporada 5

3 Calor, Reencontros e Sinais Vermelhos


O dia amanhecia pesado.


Antes mesmo do sol subir por completo, o calor já se infiltrava pelo quarto do hotel, grudando na pele como um aviso silencioso de que seria um daqueles dias sufocantes. Dylan estava acordado há algum tempo, sentado na beira da cama, observando Tyler dormir profundamente, o peito subindo e descendo num ritmo tranquilo demais para quem carregava tanto no passado.


Depois de alguns minutos, decidiu deixá-lo descansar.


Vestiu-se rápido, pegou o celular e saiu do quarto, descendo até o restaurante do hotel para comer algo. Pensou em voltar logo, em não demorar. Achou — ingenuamente — que nada poderia acontecer em poucos minutos.


Estava errado.


Mal Dylan desapareceu pelo corredor quando a porta do quarto se abriu novamente.


Alguém entrou com passos decididos e, sem qualquer cerimônia, pulou sobre a cama onde Tyler dormia.


— Acorda, dorminhoco.


Tyler despertou assustado, os olhos ainda pesados de sono, o coração acelerado por reflexo. Quando finalmente focou a visão, o choque veio como um tapa.


— Lizzie…?


Ela sorria.


Lizzie era o tipo de garota que parecia doce à primeira vista, mas escondia uma intensidade difícil de acompanhar. Fetichista, provocadora, imprevisível — tudo aquilo que, no passado, tinha sido demais para Tyler lidar. O motivo exato pelo qual ele a deixara.


— O que você está fazendo aqui? — perguntou ele, ainda confuso, passando a mão pelo rosto. — Eu nem sabia que você vinha pra Los Angeles… muito menos ao mesmo tempo que eu.


— Surpresas fazem bem pra relação — respondeu ela, jogando-se ao lado dele. — E o Dylan? Ele tá com você, né? Tô louca pra ver aquele garoto de novo.


Tyler se sentou rapidamente.


— Depois você fala com ele. Agora não é uma boa hora. — Apontou discretamente para a porta. — A gente conversa outro dia.


Lizzie fez um bico, mas não insistiu. Levantou-se, ajeitou o vestido e saiu como se aquela invasão tivesse sido a coisa mais natural do mundo.


Sozinho outra vez, Tyler ficou parado por alguns segundos.


Algo naquele reencontro não fazia sentido.


Lizzie nunca aparecia sem avisar. Nunca. Ainda assim, ele afastou o pensamento, tentou convencer a si mesmo de que Hollywood atraía coincidências estranhas. Tomou um banho rápido e esperou Dylan voltar, decidido a aproveitar o dia como se nada tivesse acontecido.


Mais tarde naquela noite


As luzes de neon iluminavam a fachada do clube de striptease, e a fila já se formava do lado de fora. A noite chegava quente, vibrante, carregada de promessas vazias.


Mesmo sem interesse real, Dylan acompanhava Tyler. Não era a primeira vez que ficava ali apenas pela companhia do amigo. Às vezes, estar presente era o suficiente.


Tyler acabou sendo levado para uma área mais reservada, atrás de cortinas espessas, enquanto Dylan ficou no bar. Pediu uma vodka, bebeu de uma vez, sentindo o líquido queimar a garganta.


O tempo passou devagar.


Quando Tyler voltou, havia algo diferente em seu olhar — uma mistura de euforia e estranhamento.


— Cara… — começou, mas parou no meio da frase.


Dylan percebeu que ele precisava de espaço e voltou a atenção para o balcão. Foi então que notou o estranho ao seu lado.


— Primeira vez aqui? — perguntou o rapaz, sorrindo.


— Não exatamente — respondeu Dylan. — Só… esperando alguém.


— Eu também — disse ele. — Sou o Brandon.


A conversa fluiu fácil demais. Riram, trocaram histórias, dividiram drinks. Havia uma conexão imediata, daquelas raras, que surgem sem esforço.


Em determinado momento, acabaram se afastando do bar, buscando um pouco de privacidade em um dos corredores do clube. O ambiente era abafado, silencioso demais para um lugar como aquele.


Os olhares diziam mais do que qualquer palavra.


O resto da noite aconteceu longe dos olhos curiosos — íntima, intensa, marcada por uma entrega que Dylan não sentia há muito tempo. Quando tudo terminou, havia um sorriso cansado, mas sincero, em seu rosto.


Talvez aquela viagem estivesse começando a fazer sentido.


Mas não durou.


Ao retornarem ao salão principal, o caos explodiu sem aviso.

Homens armados invadiram o clube, gritos cortaram o ar e os primeiros disparos ecoaram. Um deles atingiu Brandon, que caiu no chão com um impacto seco.


— Brandon! — Dylan gritou, instintivamente avançando.


Tyler o puxou com força.


— Não! — gritou. — Vem comigo!


Eles se jogaram atrás do balcão enquanto os tiros continuavam. Garrafas se quebravam, pessoas corriam, o pânico se espalhava rápido demais.


Dylan tremia.


O sangue no chão não deixava dúvidas: aquela noite, como tantas outras em suas vidas, tinha cruzado um limite sem volta.


E, em algum lugar, alguém observava.

Notas finais
O CLIMA SÓ ESQUENTA...