O Misterioso
3 Revelação
Logan levou um susto tão grande que o copo escapou de sua mão. O vidro se espatifou no chão. Ele tentou se apoiar na pia, mas escorregou no líquido derramado e caiu com força sobre os cacos.
A dor veio imediata. Seus joelhos arderam, o sangue começando a escorrer.
Ele ergueu o olhar.
O Misterioso estava ali, parado, observando. Então começou a se aproximar, devagar demais.
— Nós nos encontramos de novo… não é, Logan? — disse a voz, baixa, quase íntima.
— Quem… quem é você? — Logan perguntou, a respiração falhando.
— Alguém que você conhece. — O Misterioso inclinou a cabeça. — E que sempre te admirou.
O coração de Logan disparou.
— Meu Deus… não… não pode ser… — ele gaguejou, sentindo o chão sumir sob seus pés.
O Misterioso deu mais um passo à frente.
— Me beija. Agora.
Houve um segundo de hesitação. Depois, como se estivesse em transe, Logan se aproximou. O Misterioso levou as mãos ao rosto e retirou a máscara.
Logan reconheceu na hora.
— Derek…?
Eles se beijaram.
Por um instante, tudo ao redor pareceu desaparecer. O medo, a culpa, o peso das últimas semanas. Logan se agarrou a ele, sentindo uma mistura confusa de alívio e prazer, algo que não fazia sentido — e justamente por isso era tão intenso.
A porta da cozinha se abriu de repente.
— AHHH! — Dylan gritou, congelado ao ver os dois quase nus, próximos demais.
— Calma, Dylan! — Logan disse rápido, tentando se recompor.
Dylan apontou, incrédulo.
— Então o Misterioso… aquele que tava nos perseguindo, fazendo a gente enlouquecer, ameaçando contar nosso segredo… é você? O Derek?
O clima virou caos. Gritos, acusações, confusão. Alguém chamou a polícia.
Derek foi preso.
Disseram a si mesmos que ele estava por trás de tudo. Que finalmente tinha acabado. Que agora poderiam respirar.
Mas nada parecia realmente certo.
Mesmo assim, tentaram seguir em frente.
[Duas semanas depois]
O celular de Logan vibrou durante a madrugada.
[SMS]
“Eu gostei do beijo. E você? Será que aguenta algo mais quente?”
Logan sentiu o estômago gelar.
— Como ele sabe meu número…? — murmurou para si mesmo.
— E aí, Logan, tá viajando em quê? — Tyler perguntou, se aproximando.
— Nada… só uma mensagem estranha.
— Deixa eu ver — insistiu Tyler.
— Não é nada demais — Logan respondeu rápido demais.
Naquele dia, chegaram atrasados à aula. Para evitar os monitores, se esconderam no banheiro. O clima ficou estranho, tenso, quase íntimo — até ser quebrado abruptamente quando foram descobertos e levados direto para a diretoria.
Durante a bronca, Logan percebeu algo estranho: alguém entrou na sala de vídeo.
Aquilo não fazia sentido. A sala estaria fechada naquela tarde.
Quando a Sra. Biggles saiu por um momento, Logan puxou Tyler pelo braço.
— Vem comigo.
Eles caminharam pelo corredor em silêncio até a sala de vídeo. A porta estava entreaberta.
Assim que entraram, o projetor ligou sozinho.
Um vídeo começou a rodar.
Imagens tremidas. A fraternidade. O quarto. A bebida. A falsa convulsão.
A noite da morte da ex-namorada de Tyler.
O sangue sumiu do rosto deles.
Então, ouviram o som da porta se abrindo atrás.
O projetor desligou.
E o silêncio voltou.
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