O Misterioso
1 Brincadeira Traumatizante
[31 de dezembro de 2013]
— E aí, galera… o que a gente vai fazer hoje? — perguntou Logan, com um sorriso torto, enquanto a música explodia pelas caixas da fraternidade.
— Que tal… fingir uma convulsão? — Dylan respondeu, meio rindo, meio sério.
— Cara… isso não é pesado demais? Ela vai se assustar — Tyler hesitou por um segundo.
— A porta tá ali — Dylan apontou com a cabeça. — Quem estiver com dó, pode sair agora.
O silêncio respondeu.
— Ok… vamos logo — disse Logan, já virando o copo.
Dylan e Logan foram buscar as bebidas. O campus vibrava com a virada do ano, risadas ecoavam pelos corredores, ninguém prestava atenção em nada além da própria euforia. Dentro do quarto, Tyler forçava um personagem que não sentia mais: provocante, confiante, exagerado — tudo para parecer só mais uma noite comum.
Eles entraram, trancaram a porta. Vodka desceu rasgando a garganta. As roupas foram largadas no chão. Minutos depois, o álcool começou a fazer efeito. Tyler se inclinou, começou a engasgar, levou a mão ao peito. Então veio o vômito. E logo depois, a convulsão.
O desespero dela foi imediato.
O que ninguém esperava era a segunda câmera.
Além da que sempre ficava no canto do quarto, havia outra — discretamente posicionada, ligada. Um detalhe que só quem assistia do lado de fora percebeu. E pior: a câmera se mexeu sozinha.
— Vocês viram isso? — Logan murmurou, com o sorriso sumindo do rosto.
No quarto, a garota tentou correr. Puxou a maçaneta, gritou. Foi quando a porta se abriu de vez.
Dylan e Logan entraram rápido demais. Tyler foi arrastado para fora pela porta dos fundos. Ela veio logo atrás, sem entender, tremendo, pedindo ajuda. Ninguém respondeu.
Foram parar em um terreno abandonado, longe das luzes, longe do som da festa. Só o vento, a respiração acelerada e a câmera ainda gravando.
O corpo foi colocado no chão.
— A gente precisa esconder isso — Dylan disse, a voz fria. — Mas onde?
— O quê?! — Logan rebateu. — Você tá falando sério? Ajudar a esconder um corpo?
— Então o que você sugere? — Dylan encarou os dois. — Hospital? Polícia?
— Sim! — Tyler gritou. — A gente precisa levar ela agora!
— E se ele morrer no hospital? — Dylan respondeu, seco. — Vão culpar a gente. Drogas, álcool… acabou pra nós.
Dylan apontou para o fundo do terreno.
— Tem um poço ali.
— Você enlouqueceu?
O barulho do disparo cortou a discussão.
O corpo dela caiu pesado no chão.
Por alguns segundos, ninguém respirou.
Dylan limpou a arma com calma, como se aquilo fosse parte do plano desde o início. Começou a arrastar o corpo. Foi quando Tyler abriu os olhos.
A convulsão tinha parado.
Ele viu o rastro de sangue primeiro. Achou que ainda fosse parte da brincadeira. Até reconhecer o rosto. Até ver o corpo da ex-namorada estendido no chão. Até perceber a arma na cintura de Dylan.
O choque foi imediato.
— NÃO! — Tyler gritou, correndo.
Ele tentou impedir, mas já era tarde. O corpo desapareceu na escuridão do poço. Tyler avançou em Dylan, jogou-o no chão, socos desesperados, cegos, violentos. Só parou quando Logan o puxou, quando o sangue já escorria demais.
Depois… silêncio.
Eles limparam tudo. Apagaram marcas, esconderam rastros, combinaram versões. Saíram do local como se nada tivesse acontecido.
Como se não houvesse testemunhas.
Ou será que havia?
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