O Mistério do Livro

3 Capítulo 3 - A verdade sobre o mundo e a dupla negra


Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo, demorei um pouco pra escrever porque apareceram várias coisas durante o caminho e eu me distrai.

—--Atsushi POV---

Se antes eu já estava confuso, agora eu tenho a certeza de que parte da minha sanidade morreu. O que está acontecendo? Como Dazai-san e Nakahara-san se tornaram os líderes da Máfia?

“Isso é sério? Mas... Mas como isso aconteceu?” a cada segundo que se passava era como se o mundo ficasse cada vez mais bizarro. Era como se eu tivesse ido parar em um mundo de contos de fadas.

“Ninguém faz ideia, eles fizeram questão de apagar qualquer pista que explicasse o que aconteceu.” Lucy respondeu levemente irritada, “Não sabemos se eles vão procurar aquele cara estranho, os informantes disseram que eles estão bem quietos recentemente. Mas caso eles entrem nessa briga... Nós vamos ter que ser muito cuidadosos.”

“Aliás, Atsushi. Você deveria ir indo, não? De acordo com você nós viemos até Yokohama porque precisava se encontrar com seu amigo.” Disse Margaret.

“Encontro?”

“Não me diga que se esqueceu até mesmo disso!! Dez e meia da manhã no porto!!” gritou a ruiva batendo os punhos na mesa.

“Eeek!! Eu já vou indo!” sai correndo o mais rápido que pude dali antes que ela quisesse me jogar no quarto da sua habilidade.

Já nas ruas comecei a correr em direção do meu suposto destino, e por todo trajeto me perguntava quem que eu deveria encontrar. Toda essa situação era muito estranha, parecia até mesmo como a história de ‘Alice no País das Maravilhas’, um mundo estranho e eu sem saber como voltar para casa, e a cada informação nova tudo parecia se complicar cada vez mais.

Um barulho de notificação do meu celular (também encontrado lá no quarto) me tirou dos meus devaneios, era uma mensagem de um número não identificado. Nela dizia ‘me encontre no penúltimo barracão ao leste’, pelo menos a pessoa foi considerativa o bastante em me informar um lugar mais específico... Logo no porto, me dirigi até o lugar indicado, aparentemente era um dia sem serviço ali visto que estava deserto.

Estava aos poucos me aproximando do local e a ansiedade começou a tomar conta de mim, eu não fazia ideia de quem tinha de me encontrar e porquê. Adentrei o barracão com cautela, olhei ao redor a procura de alguém mas só vi caixas e alguns contêineres jogados.

“Er... Olá, tem alguém aí? Eu cheguei.” Fui adentrando o lugar com cautela, sempre olhando aos arredores.

“Você chegou cedo, presumo que a Lucy e a Margaret te expulsaram de lá pra chegar na hora, não?” Essa voz... Não, não, não! Tem algo muito errado aqui!

Me virei lentamente para encarar quem quer que tenha dito isso e meus medos foram confirmados. Em frente a porta estava ninguém menos que Akutagawa Ryunosuke.

“Akutagawa?” Minha voz havia saído tão baixa que me perguntei se ele conseguiu escutá-la.

“Não, sou o papai noel distribuindo ovos de chocolate. Obviamente sou eu, Nakajima.” Acho que agora tenho que certeza que estou num tipo de ‘país das maravilhas’, Akutagawa fazendo piadas? Depois dessa acho que preciso de terapia. “Você me parece estranho, aconteceu alguma coisa antes de vir aqui?” Tirando o fato que acordei num mundo todo bizarro? Acho que de resto nada!

“Ah não é nada, eu só acho que não dormi direito!” inventei qualquer desculpa, mas pela cara dele eu não estava enganando ninguém.

“Tudo bem então... Espero que você esteja preparado, eu consegui algumas informações sobre aquele cara que te infectou.”

“Infectou? Ah sim!” Elas disseram algo parecido antes, mas o que estou realmente surpreso é o fato dele ter ido buscar essas informações para mim.

A expressão no rosto dele estava ficando parecida com a carranca que o Akutagawa que eu conheço vive fazendo. Me distrai nesse momento e senti as presas de Rashoumon em meu ombro e uma dor imensa na parte de trás da minha cabeça e costas.

“Quem é você? O Nakajima que eu conheço não age como você, por mais idiota que ele seja.” Perguntou enquanto se aproximava de mim, tentei me soltar mas só consegui sentir mais presas se prendendo ao meu corpo e me prendendo contra a parede.

“Me solta!”

“Me responda! Quem é você e o que fez com o Nakajima?!” Esse grito me assustou, é como se ele estivesse irritado com o fato de ter acontecido algo de ruim comigo? “Um impostor como você... Eu irei ter certeza de descobrir quem é você e se arrepender de ter mexido com ele!” Nesse instante eu vi Rashoumon mudar sua forma, senti diversos espinhos mordendo meu corpo no lugar onde as presas estavam.

“Me escuta, Akutagawa!” Nisso ativei minha habilidade e fiz meus braços e pernas se transformarem, com a força me soltei dos espinhos e avancei sobre ele.

Ele parecia surpreso por algum motivo e por um triz não o atingi com um soco, Rashoumon havia se retraído e devorou o espaço onde meu soco iria atingir. Desviei de um tentáculo negro que mirou em meu tronco e recuei alguns metros.

“Você definitivamente não é ele... O Nakajima nunca conseguiu controlar a habilidade dele... Por acaso essa sua aparência é fruto de outra habilidade? Pois reconheço que essa com certeza é a ‘Besta Sobre o Luar’.” Disse com certa admiração.

“Eu sou Nakajima Atsushi! E eu não estou entendendo nada do que você está falando! Você que está estranho, Akutagawa!” Apontei meu indicador na direção dele. “Tudo está muito confuso... Desde de que acordei aqui...” Murmurei pra mim mesmo, mas logo tive que voltar a me concentrar pois Rashoumon havia avançado novamente.

Pulei para cima de um contêiner e o usei para me impulsionar até a direção dele, se eu neutralizar o Akutagawa as garras do Rashoumon vão sumir. Eu precisava que ele me respondesse algumas coisas, toda essa situação me deixava cada vez mais confuso. Lucy e aquela Margaret não me explicaram tudo o que eu queria saber.

Presas negras vieram na minha direção e eu usei minhas mãos para quebra-los, arrancando uma expressão surpresa dele, ao me aproximar dei de cara com a barreira dele. Forcei meus punhos e quebrei-a. Com livre acesso agora eu o soquei e o vi voar até um caixote, a força do impacto fez com que as coisas empilhadas caíssem sobre ele. Me aproximei rapidamente e subi em cima dele o puxando pelo lenço que ele sempre deixa a mostra.

“Akutagawa, você vai ter que me explicar o que está acontecendo aqui! O que você quer dizer com tudo isso? Informações? Eu não conseguir controlar minha habilidade? O que está acontecendo aqui?” Gritei na cara dele, a expressão surpresa dele não conseguiu segurar as lágrimas de frustração que desceram de meus olhos. “Eu não estou entendendo nada... Por que do nada tudo parou de fazer sentido?”

“Nakajima...?” Senti uma mão fria em meu braço e ergui me rosto, quando eu havia o abaixado? “Você... É o Nakajima....” Disse em voz baixa, como se não acreditasse no que estava falando. “Mas como? Você nunca controlou a ‘Besta Sobre o Luar’, e essa atitude estranha... Mas você... É você?”

Ele parecia estar tão confuso quanto eu naquele momento, eu soltei seu lenço e fiz meus membros voltarem ao normal.

“Nakajima, eu acho que estou tão confuso quanto você nesse exato momento... Que tal... Conversamos sobre isso? Não acho que lutarmos igual a dois monstros irá responder a essas perguntas.” Isso me surpreendeu, Akutagawa querendo resolver as coisas por diálogo e não por lutas? Isso me fez dar um riso leve, sai de cima dele e me sentei ao seu lado.

“Como começar... Tudo começou normal hoje, eu acordei e fui para a Agência e me falaram que iriamos limpar o lugar, mas do nada um livro estranho brilhou logo quando eu o abri e do nada eu vim parar nessa loucura...” Por algum motivo, senti que podia contar sobre isso pra ele, será que se eu conhecesse o Akutagawa por mais tempo conseguiríamos conversar desse jeito? “De repente acordei em um quarto de hotel estranho, Lucy e uma mulher estranha chamada Margaret me disseram que eu era líder da Torre do Relógio... E do nada eu tinha de vir aqui.”

“Esse livro, por acaso ele não seria a habilidade do Edgar Allan Poe? Eu tenho certeza de já ter ouvido sobre pessoas que desapareceram depois de entrarem em contato com a habilidade dele.”

“Habilidade do Poe...? AH! Pode ser que seja! Ele estava por perto quando eu abri o livro e tenho certeza de ter ouvido ele gritar depois que o livro começou a brilhar!”

“Então quer dizer que esse mundo pertence a um dos livros dele?” Choque era visível na expressão dele.

“Digo, se caso for verdade, isso explicaria o porquê tudo me parece tão estranho e todos os outros parecem estar bem com tudo isso!”

“Eu também faço parte disso...?” Ele parecia estar arrasado, por um momento me arrependei de ter o puxado para conversar mas... Eu precisava de respostas.

“Me desculpe, eu acho que não devia ter te forçado a conversar comigo...”

“Não, tudo bem. Isso explica porque você parece com o Nakajima que eu conheço, mas ao mesmo tempo não é ele.”

“Você é bem maduro, não é?” Vi que ele olhou surpreso na minha direção e percebi que havia dito isso em voz alta. “Ah não é isso! É que... Hã... Como explicar, você é diferente do Akutagawa que eu conheço...”

“Bom, você mesmo disse, se esse é outro mundo e todos lhe parecem diferentes, isso me parece meio óbvio. Aliás, já que você disse que veio de outra versão desse mundo, me diga sobre ele. Você sendo ou não de fora ainda corre o perigo que o ‘você’ desse mundo corria.”

“Eu acho que tudo bem pra mim te explicar...”

Ficamos ali sentados por algumas horas, eu disse pra ele sobre como fui expulso do orfanato e encontrado pelo Dazai-san, acolhido pela Agência e tudo mais que havia ocorrido desde então. E em troca ele me disse o que sabia sobre esse mundo.

Esse Akutagawa era um fugitivo da Máfia do Porto, foi acolhido pela Agência e havia feito amizade comigo durante uma das missões de quando ainda pertencia a Máfia. O cara estranho que todos pareciam falar era um procurado internacional, um usuário de habilidade que tinha poder de infectar organizações inteiras e exterminá-las em uma noite se bem quisesse.

“E esse cara... Você tinha dito que conseguiu informações sobre ele não era?”

“Sim, eu consegui. Por isso eu tinha pedido para o ‘você’ desse mundo vir o mais rápido possível até Yokohama para te contar. Não podemos nos arriscar e sermos rastreados por alguém.”

“Ora ora parece que nosso caro Ryunosuke amadureceu um pouco, você não acha?” Outra voz familiar ecoou no barracão e logo nos levantamos em direção a ela.

“Não acho que depois de tantos anos conosco ele iria esquecer tão rápido das coisas, sua cavalinha enfaixada!” Ouvi um barulho de algum tipo de impacto.

Ao conseguirmos sair de trás dos caixotes, senti meu sangue congelar, e visto pela expressão de Akutagawa ele sentiu o mesmo. Ali parados no meio do barracão estavam a dupla mais perigosa de toda Yokohama, Soukoku.

“Infelizmente, creio que seus esforços foram meio em vão, Ryunosuke. Afinal, você devia saber que eu sempre consigo rastrear quem eu quiser.” Disse Dazai com um sorriso perigoso enquanto passava a mão na parte de trás da cabeça. “Chuuya! Precisava me dar um tapa tão forte?”

“Hah! Como se isso fosse te quebrar! Vamos logo acabar com isso, ‘ela’ está nos esperando afinal de contas.” Disse o ruivo.

“Hmm... Verdade né, ‘ela’ está esperando. Bom, vocês ouviram o baixinho! Então por favor venham conosco.” Cantarolou, ignorando o olhar raivoso de seu companheiro.

Eu havia ido em uma missão com ambos, e eu sabia que estávamos em apuros. Eles eram muito fortes juntos, e toda aquela horda imensa de inimigos que avançaram sobre eles naquela vez, todos eles foram massacrados como se não fosse nada! Akutagawa parecia estar bem nervoso, recuamos alguns passos enquanto os outros dois avançavam lentamente.

“Vocês sabem que deveriam se render logo, não sabem? Caso queiram sair inteiros daqui essa é a melhor opção!” Nakahara-san havia dito isso e num piscar de olhos desapareceu do lado de Dazai-san.

Nós dois entramos em estado de alerta e começamos a tentar encontrá-lo, mas essa distração nos fez esquecer da presença de Dazai-san, e ele nos socou com força no estômago de nós dois. Ambos fomos ao chão com a força do golpe, desde quando Dazai-san era tão forte?

“Bem, eu disse que se render era a melhor opção...” Disse o moreno enquanto nos observava no chão. “Mas parece que vocês não escutam...”

Akutagawa havia se recuperado e vi que ele tentou atacar com Rashoumon, mesmo que seja em vão. Dazai nem ao menos se mexeu quanto as garras quase o atingiram para se dissiparem no ar, eu aproveitei essa chance e tentei dar um soco nele com uma das garras de tigre. Mas ele foi mais rápido e agarrou meu pulso, desfazendo a transformação e me jogando em direção dos caixotes novamente.

Ouvi Akutagawa gritar por mim, mas logo quando ergui meus olhos eu vi Nakahara-san vir de cima para cima dele, eu tentei gritar mas já era tarde demais. Ele pousou com força em cima dele e usava a gravidade para prender Rashoumon no chão.

“Ora, Chuuya. Você ainda estava ai?”

“Pff, claro que sim seu idiota. Você que me disse pra me esconder no teto!” Quando eles haviam dito isso? Eu já havia visto que eles tinham uma sincronia incrível, mas isso já me parecia loucura demais!

“Bem, acho que isso não importa. Que tal levarmos eles logo?”

“Concordo com isso.”

Ambos haviam tirado uma seringa de seus casacos e se aproximavam de nós dois, eu ainda estava meio zonzo com o impacto pois tinha batido com força. Senti Nakahara-san pegar meu braço e injetar o líquido em mim, enquanto Dazai-san fazia o mesmo com Akutagawa.

Em pouco tempo eu só vi o escuro, e perdi minha consciência.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.