O Mistério do Colar
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Na manhã seguinte, o mordomo Wickham abriu a porta da mansão Número 5 para o detetive Holmes e seu amigo Watson. Os dois homens foram recebidos por Hyacinth, Colin e Anthony, todos vestindo preto de luto.
―Sr. Sherlock Holmes, é um prazer conhecê-lo. ― disse Anthony. ― Mycroft resmunga muito do senhor.
―Então meu irmão fala sobre mim? ― perguntou Sherlock, curioso e divertido.
―Apenas quando o senhor o tira do sério. ― responde o visconde.
―Isso acontece com uma certa frequência, então. ― responde John Watson, sorrindo.
Mycroft Holmes, irmãos mais velho do detetive, trabalha no governo no setor do Serviço Secreto Britânico. Um homem tão inteligente quanto o irmão, talvez ainda mais astuto, porém preguiçoso para investigações de campo. Conhece o visconde Bridgerton por seu trabalho no parlamento, além de beber alguns drinques no Diogenes Club, uma das propriedades de Holmes.
Os homens foram dirigidos para o quarto de Lady Bridgerton e ficaram a sós.
―Então, Sherlock. O que imagina que aconteceu com o colar? ― pergunta John.
―O colar é um presente de um homem a Lady Bridgerton. Não vi o cartão para verificar a caligrafia, mas está óbvio. Tal presente foi dado a ela quando ainda estava solteira ou noiva, ela o guardou por esses anos todos e o escondeu para que ninguém soubesse que ela guardava o presente de outro homem. Pelo que ouvi falar, Violet e Edmund foram muito felizes e fieis um ao outro. ― explicou Sherlock.
―E quanto a quem o tenha pegado? ― pergunta John. ― Quem o roubou.
―Roubo é o mais provável, mas há outras teorias. Desça, John, e peça que o mordomo, a governanta, a arrumadeira e a empregada responsável pelo quarto venham aqui em meia-hora. ― pede o detetive enquanto examina o quarto.
O doutor assente e sai do quarto para cumprir o pedido. Enquanto isso, Sherlock Holmes analisa o quarto. Observa a disposição dos móveis, a janela, o trinco que não fora arrombado, a maçaneta da porta que também não fora arrombada, o armário contendo chave, o esconderijo falso onde o colar havia escondido, a penteadeira, a cama...
Meia-hora depois, o detetive desce as escadas da mansão e encontra Watson acompanhado de quatro pessoas. Conversando em particular com os quatro, ele indaga primeiramente a empregada e depois a arrumadeira, ambas jovens e que ele atestou ser inocente no caso. Mas houve dois fatos narrados pelo mordomo e pela governanta que fez seus olhos brilharem.
―Neste último mês, houve algum pedido especial da viscondessa ou algum fato estranho que ocorreu? ― perguntou Sherlock
―A viscondessa mal saía da cama, queixava-se que os ossos doíam e sentia-se fraca, mal descia para o chá da tarde como sempre gostou de fazer. ― respondeu o mordomo.
―E as cartas? ― indagou o detetive.
―Poucas foram escritas, na maioria das vezes foi para os filhos, algumas por alguns nobres com quem convivia socialmente e... ― o mordomo Wickham pigarreou. ― Houve uma carta para um endereço o qual nunca havia sido destinatário antes.
―Qual endereço?
― Basil Linney Street. O número não me recordo mais.
―E o nome do destinatário? ― pergunta Holmes.
―Não havia nome no envelope.
Sherlock dispensa o mordomo e, por fim, conversa com a governanta.
―Houve algum fato estranho ou algum pedido inédito de Lady Bridgerton no último mês? ― indaga o detetive.
―Não senhor. Pouco se ouvia a voz de Lady Bridgerton em seus últimos dias. Apenas quando seus filhos estavam presentes ou procurava-me para dar ordens sobre a organização da casa. Na maioria das vezes permanecia dormindo.
―Nada ocorreu que a fizesse estranhar alguma ação? Ou alguém no quarto dela?
―Houve um fato, mas acho não tenho certeza se ocorreu ou não.
―Conte-nos, pode ser relevante. ― incentivou Watson que estava em uma mesa, tomando notas dos relatos.
― Alguns dias, antes do falecimento de Lady Bridgerton, eu estava a passar pelo corredor e me detive em sua porta quando ouvi uma voz. De início pensei que fosse o senhor Benedict, o segundo filho e o qual a fazia companhia naquela noite, então, eu continuei meus afazeres, mas depois descobri que o senhor Benedict estava a se banhar e voltei para o quarto de Lady Bridgerton, bati na porta e esperei, bati novamente e então ela deu-me permissão para entrar. Não havia ninguém no quarto a não ser ela e a senhora questionou o porquê acordá-la, desculpei-me alegando que vinha lhe perguntar se queria mais chá, ela negou e voltou a dormir.
―Não podia ser um empregado da casa?
―Tenho certeza que não. Há poucos homens a trabalhar aqui, o único que transitaria no andar de cima seria Wickhan, o mordomo, e este estava na cozinha jantando.
―A janela estava aberta?
―Sim, mantemos a janela abertas por recomendações médicas, ele exigiu um quarto arejado. ― respondeu a governanta. ― Acha que algum ladrão entrou pela janela.
―Talvez. Muito obrigado. ― disse Holmes dispensando a governanta.
***
Naquela tarde, John permanecera em casa. Sherlock havia saído e pediu-lhe que o esperasse em casa, havia uma investigação a ser feita, precisava pensar sobre o caso e fechar sua teoria.
Apenas no final da tarde, quando o sol já coloria o céu em tons alaranjados e as primeiras estrelas começavam a brilhar no céu, é que o detetive chegou em seu apartamento, trajando vestes simples e um pouco sujas.
―O caso dos Bridgertons é tão simples quanto 2+2=4. ― anunciou Sherlock.
―Trajando dessa maneira, suponho que fora disfarçado para investigar. ― disse Watson pousando a pena no tinteiro.
―Watson, você está melhorando a cada dia. ― elogia Holmes, com ótimo bom humor. ― Sim, fui até Basil Linney Street e investiguei as casas e os moradores. Na verdade, é uma rua com poucas mansões e afastadas uma das outras. A primeira, encontra-se a família de um falecido conde, o qual tem duas filhas mais velhas e o título quem herdará é um rapaz que ainda está a estudar em Eton. A segunda é uma mansão a venda. A terceira, meu caro, é a que procuramos, nela mora um barão viúvo o qual descobrir depois que fora muito amigo do falecido Visconde Bridgerton quando estes estudaram juntos em Oxford.
―Então, a falecida Lady Bridgerton mandou uma carta para este antigo amigo do marido?
―Exatamente. ― confirma o detetive.
―Mas o que ele tem haver com o colar de pérolas Holmes? ― pergunta John.
Sherlock adentra no seu quarto, troca de roupa e se recompõe de forma rápida e impecável.
―Vamos, John. Vamos buscar Lady St. Clair e o Sr. Bridgerton para onde o colar está.
Com essas palavras, Sherlock sai do apartamento, sendo seguido por seu amigo.
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