O Mistério de Miwa
3 Capítulo 3 - O Primeiro Resgate
Notas iniciais
Ao chegar ao terreno do inimigo, exatamente ao fim do crepúsculo, ajoelhou-se à beira da janela da cabana e observou a movimentação adversária. Logo avistou a princesa presa em uma espécie de cruz de madeira, que por sua vez estava presa na parede à sua direita. Inconsequentemente, rolou até a porta da frente e a chutou com toda força que tinha em seu quadril, conseguindo, assim, quebra-la. Estando cego pelo ódio de ter sua amada capturada, perdeu a noção de seus golpes e foi facilmente imobilizado, porém não foi ferido. Rendido, porém com sua espada devolvida à bainha em sua cintura, ele foi ajoelhado perante um homem de meia idade, por volta dos 40 anos, vestido de preto e com um olhar assassino o fuzilando.
— Finalmente o grande pequeno samurai prodígio renomado, Doragon Masayoshi, está em meu poder — Sua voz era rouca, como o último suspiro de um corpo prestes a morrer — Me entregue sua espada, e devolver-lhe-ei a princesa.
Doragon o encara, estranhando seu pedido. Porém, sem pestanejar, pegou sua bainha e a jogou aos pés do ninja. Ele aproximou-se da princesa, sacou a espada e a ergueu até o pescoço desta.
— Acho que devo mata-la e benzer esta espada pecadora com seu sangue... O que acham, meus fieis servos?
—Boa ideia, meu amor — Disse uma mulher que surgiu duma penumbra, Doragon demorou a notar, mas reconheceu sua agressora — Faça-o pagar por ter me rejeitado.
— Sem sua espada, ele não é nada — Disse o ninja-chefe — Soltem-no e o façam observar bem a morte de sua amada princesa.
Nesse momento, Doragon libertou todo seu ódio em seus punhos, jogando seus dois carcereiros para longe e buscando um pedaço de madeira em formato de espada, uma shinai, e a empunhando contra o chefe.
— Uma shinai contra uma lâmina extraordinária dessas? Não é nada. Solte-a, renda-se e observe a morte de quem você jurou proteger.
O chefe soltou uma risada maligna estridente, e Doragon, mais calmo e concentrado, aproveitou a chance. Ergueu a shinai e partiu pra cima dele. Por reflexo, o chefe o aparou com o lado cego da lâmina, situação da qual Doragon tirou proveito e chutou-a para longe. Todos os ninjas avançaram e ele os derrotou um a um, até restar apenas o chefe em pé, com o desespero estampado na face.
—Impossível. Sem a espada você deveria ser inútil
— Entenda um fato, seu ser imundo — Disse Doragon, levantando a shinai e a impondo contra o chefe — Minha força não provém de algo tão material quanto minha companheira ágil e afiada. Minha força provém dos meus sentimentos puros e sinceros, despertados pela dama de Tomoyo. Se houver uma próxima vez, na qual você meter-se a besta de mexer com minha amada novamente, não terei piedade e sairão sem nenhuma pele nos corpos impuros de vocês. Saiam daqui.
O chefe, temeroso, largou a espada e sumiu em uma penumbra, pulando pela janela, junto com todos os outros ninjas. Doragon desamarrou a princesa, pegou-a no colo e a impediu de andar e, assim, levou-a até o lar. No caminho, ele se desculpou milhares de vezes.
— Serene teu atormentado coração — Dizia ela, sempre que ele se desculpava, e dava-lhe um beijo na bochecha — Tu me salvaste, apenas isto importa. Não preciso desculpar nada. Obrigada por arriscar-se por mim.
— Sempre lhe protegerei princesa, sempre — Ele respondia. Porém, em alguns instantes se desculpava novamente.
Chegando ao feudo, foram recebidos pelos guardas e a princesa foi diretamente encaminhada à enfermaria, para tratar seus ferimentos, não graves pelos cuidados anteriores de Doragon. E o samurai foi convocado ao salão principal, no qual lhe esperavam seu pai e o senhor Akihiko, com sua espada cerimonial, à qual usava para decapitar os traidores...
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