O Mistério da Pintura em Vermelho
3 Capitulo 3
Notas iniciais
A noite foi longa, Julia estava inconsolada, o Zeck tentava ser forte por ela, mas eu sei que ele também estava acabado. Eles tiveram de passar a noite na minha casa, pois o local do crime estava sendo investigado pela polícia, mas mesmo com toda essa confusão eu pude notar que Joe estava com os tênis sujos de terra e algo me diz que ele não estava dormindo na hora do crime. Então resolvi ir para fora ver se os policiais têm alguma pista sobre o que aconteceu ontem à noite.
–Detetive Órion! – disse me aproximando – vocês têm alguma idéia do que aconteceu aqui?
–Não, mas a vítima com certeza conhecia o assassino. Não há nenhuma evidencia de arrombamento ou roubo e a única pista que temos são algumas migalhas de rosquinha, as mesmas que foram encontradas no lago. – disse o detetive aflito.
–Então quem fez isso também matou aquele garoto no lago, mas por quê?
–Eu não sei, mas quero descobrir.
–Órion, venha aqui! – chamou um dos policiais.
–Com licença, mas tenho que ir. – disse se retirando.
–Ruth, o que aconteceu? – disse Bob vindo na minha direção – por que tantos policiais na casa da Julia?
–Oh Bob, a filha da Julia foi assassinada à noite, pela mesma pessoa que matou aquele garoto no lago.
–Que coisa horrível! – disse espantado – ela deve estar devastada.
–É ela está. – disse notando que ele carregava uma caixa nas mãos – o que é isso que está segurando?
–Ah isso são só rosquinhas – disse mostrando a caixa –são minhas preferidas, mas onde a Julia se encontra? Gostaria de ver como ela está.
–Ela dormiu lá na minha casa, deve estar na cozinha com o Zeck. – disse vendo ele se dirigir para lá.
Depois que a Julia e o Zeck foram para a delegacia saber mais sobre o caso, eu fui para o quarto do Joe, tinha de resolver aquela situação de uma vez por todas.
–Joe, posso falar com você? – disse enquanto entrava.
–Claro o que houve? – disse se virando.
–Eu quero que você me responda com sinceridade, onde você estava ontem à noite? – perguntei séria.
–Dormindo ora, onde mais. – respondeu sem me olhar.
–Não minta para mim, eu sei que você saiu, os seus tênis estavam sujos de terra. – acusei.
–Tia, você não acha que foi eu que matei a Jesse, acha? – disse chocado.
–Não sei, se você não matou, então porque o livro de ocultismo de seu irmão está debaixo da sua cama? — perguntei secamente.
–Você entendeu tudo errado — disse se aproximando.
–Não se aproxime – disse me afastando – o que eu poderia entender errado? O que mais você iria querer fazer com esse livro?
–TALVEZ ESTIVESSE TENTANDO ACHAR RESPOSTAS! – gritou nervoso – eu acho que o Carlos não é o verdadeiro culpado pelas mortes dos meus pais, existe mais alguém por traz disso e eu sei quem, por isso saí ontem, para procurar o...
–Joe!– interrompo-o — não existe ninguém por traz do que aconteceu, o único culpado da morte deles foi seu irmão!
–Isso não é verdade, se você não quer acreditar em mim, então eu vou atrás do culpado sozinho! – disse e saiu batendo a porta.
–Joe, VOLTE JOE! — gritei, mas não adiantou.
Foi quando percebi que tinha caído alguma coisa quando ele bateu a porta, ao pegar vi que era um diário e que estava meio sujo de terra como se tivesse sido enterrado.
–Esse é o diário do Carlos – percebi enquanto o lia.
–Meu Deus, Joe estava certo! – disse pasma – ah não! Ele foi sozinho atrás daquele monstro, preciso ir atrás dele!
Depois que lê o que estava escrito no diário tudo começou a fazer sentido, Carlos não matou os pais e se eu estiver certa sei exatamente quem matou e é pra lá que estou indo.
Ao entrar na cabana a primeira coisa que vi foram as várias armas penduradas na parede, facas canivetes, revólveres e outras que armas que não consegui distinguir, pareciam uma imagem saída de um filme de terror.
–Vejo que você me encontrou, não é Ruth! – disse uma voz na escuridão.
–Isso mesmo... Bob! – vendo sua figura sair da penumbra.
–Eu estou curioso, como você descobriu quem eu era – disse me rodeado.
–No diário de Carlos, ele conta tudo. Desde quando ele conheceu esse cara novo na cidade, e em como ele estava se sentindo perseguido por causa desse plano que você queria que ele participasse, então quando ele não aceitou você matou os pais dele e fez com que ele levasse toda a culpa. – disse secamente.
–Tenho que dizer que foi muita esperteza dele escrever tudo nesse diário, mas já é tarde demais!– disse ele puxando algo atrás de mim.
– Tia! – disse Joe assim que Bob tirou a fita de sua boca.
–Como vê eu já tenho a última peça que precisava para completar meu plano de trazer meu senhor para esse mundo. – disse ele rindo enquanto apontava uma arma na cabeça de Joe.
–Seu bastardo fique longe do meu sobrinho! – gritei me aproximando.
–Nem mais um passo. –disse apontando a arma para mim.
–Você não vai sair dessa. – disse enquanto ele se aproximava.
–Temo lhe dizer, mas eu vou sim! – disse rindo cinicamente.
–Agora! – gritei para Joe, já levantado, que rapidamente bateu nele com um pedaço de madeira.
Ele deixou a arma cair, e aproveitei a chance para me jogar em cima dele impedindo-o de recuperá-la. Entre socos e arranhões ele pegou a arma de volta, então já em pé começamos a brigar até que...
BANG!
Ouvisse um barulho de tiro, por um momento vi minha vida inteira passando pelos meus olhos enquanto Bob caía morto aos meus pés.
– Tia Ruth, você está bem? – disse Joe correndo para me ajudar.
–Sim, estou bem! – disse meio aérea.
–E agora, o que faremos? – perguntou.
–Agora nós vamos para casa, arrumar nossas coisas– disse saindo da cabana – está mais do que na hora de sairmos dessa maldita cidade!
–Mas para onde vamos? – perguntou me seguindo.
–Para o mais longe desse lugar!
E esse foi o final de um dos maiores crimes que já aconteceram em Vilen Vill, mas esse com certeza não foi o último, pois essa cidade tem mais mistérios do que a própria vida pode contar.
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