O Mistério Da Fera
5 Capítulo 5 - Uma junção de lábios... Com ternura
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo *-*
Boa leitura...
- Acho que você merece saber ao menos algumas coisas sobre mim.
- Vai me mostrar seu rosto?
- Ainda não. – Gisele abaixou a cabeça. – Você pode me perguntar o que quiser.
- Seu nome?
- Bem... Meu nome é Estevão.
- E por que não queria me contar antes?
- Queria evitar que você se interessasse muito em saber sobre a minha vida. E um pouco de mistério me fez parecer mais interessante, não fez?
- Sim. – Ela sorriu, enquanto colocava uma garfada na boca.
- Gostou da janta?
- Adorei! – Estevão sorriu. – Bom...
- O que foi?
- Vou poder te chamar pelo nome?
- Se não me chamar pelo nome, me chamará de quê?
- Eu não sei.
- De fera? – Ele a provocou. Ela abaixou a cabeça, envergonhada. — Eu acho que me deve uma justificativa do porquê de ter me chamado assim.
- Eu estava nervosa por ter que ficar tanto tempo presa aqui. E estava triste porque você não foi mais atrás de mim.
- Acho que te devo desculpas também.
- Eu posso sair para ver meus pais?
- Não! – Ele respondeu sem pensar, sem deixá-la ao menos tomar fôlego.
- E por que não?
- Porque você corre perigo se sair daqui.
- E aqui é seguro?
- Muito mais do que você imagina.
- E por quê?
- Porque eu vou te proteger do que quer que aconteça.
- Você está querendo dizer que é invencível?
- Estou querendo dizer que me comprometi de ser capaz de fazer tudo por você.
Gisele ficou com expressão normal. Não sabia o que dizer, fazer. Aquilo lhe parecia uma declaração, mas ele não parecia ser sincero. Ou talvez era o modo dele de mostrar amor ou ao menos algum tipo de carinho... Mas, se ela descobriu só depois de um mês que o nome da alteza é Estevão, imagine em quanto tempo ela descobrirá o que ele esconde atrás daquele capuz? E em quanto tempo então ela conseguirá descobrir o que se passa na cabeça daquele homem?
- Estou satisfeita. – Gisele parou de comer. Levou mais uns 5 minutos para que Estevão terminasse de comer.
- Terminei também. Gostaria de conhecer melhor a mansão?
- Eu já andei por todos os cantos aqui. Menos o seu quarto...
- Já andou por todo o jardim?
- Na verdade, eu não sei. Ele parece não ter fim.
- Venha comigo. – Ele se levantou e estendeu a mão.
Gisele segurou a mão dele e se levantou da cadeira, com a ajuda de Fernan. Ela sentiu algumas cicatrizes na mão dele. Era menos áspera que uma lixa, porém, muito longe de ser lisa como seda. Aquelas marcas tinham de ter alguma causa na visão de Gisele.
Os dois saíram da mansão e foram até o jardim, deixando Fernan arrumando a mesa, limpando os talheres, as louças, enfim, limpando e organizando.
Gisele não se sentia inibida apesar de estar com as pernas amostra. Ela teria vergonha de mostrar suas pernas somente para um estranho. Mas ali, era como se Estevão não fosse qualquer um.
- Eu sequer te agradeci por ter me salvado há um mês atrás, não é?
- Não me lembro. Não precisa agradecer. – Gisele sorriu. – Você contou há quanto tempo está aqui?
- Conto cada dia. Faltam uns dez dias para completar dois meses que estou aqui.
Os dois andavam sem rumo pelo jardim. Estevão andava de cabeça baixa e observava os pés de Gisele tocarem timidamente o gramado.
- É uma pena que o céu não seja estrelado aqui, não é?
- O ser humano não tem consciência do que faz com o mundo.
- Isso! – Gisele havia ficado feliz mais uma vez com outro pensamento igual dos dois. Eles sorriram.
- Então, você ouve rock?
- Ouço. E muito.
- Eu também gosto muito.
- Espera. – Estevão parou de andar e Gisele se posicionou em frente a ele. – Como você sabe o que eu ouço?
- Foi palpite.
- Não foi palpite.
- Acho melhor mudarmos de assunto.
- Você andou me espionando?
- Você ouve música tão alto que eu nem preciso ligar meu rádio.
- Você se incomoda com isso?
- Nem um pouco. — Sorriram
Gisele sempre tentava observar o rosto dele, mas não conseguia. Era como se tivesse um bloqueio.
Estevão estava sentindo algo estranho. Parecia sentir algo a mais por Gisele. Ele não queria e queria sentir aquilo, ao mesmo tempo. Eram confusões de pensamentos e opiniões na cabeça de Estevão, mas creio que os pensamentos dele estavam voltados para querer sentir aquilo.
- Gisele.
- Diga.
Gisele parecia sentir algo de estranho também. Era algo bom para ela.
- Se eu te disser que quero lhe beijar, você faria o quê?
- O quê? – Ela parecia estar anestesiada. Pensou estar sonhando e não acreditou no que ouviu. Estevão se aproximou mais dela.
- Responda.
- Bem... — Ele colocou uma mecha de cabelo de Gisele atrás da orelha dela. — Eu lhe daria permissão porque... Eu também quero isso.
Mais uma vez Gisele havia se saído bem em deixar Estevão constrangido e cada vez mais atraído por ela. Agora era quase impossível voltar atrás com aquele sentimento estranho de Estevão para com Gisele.
- Você não disse que queria? – Gisele disse, lentamente. Mais uma de suas tentativas de não ser grossa.
- E quero.
- E então?
- Preciso que faça um esforço.
- Que esforço?
- Que não abra os olhos ao se aproximar.
- Como?
- Eu não quero que veja meu rosto.
- Se criar muitas condições, acho melhor esquecermos isso.
- E por quê?
- Quando fazemos muitos planos, é provável que não dê certo.
- Isso é coisa da sua cabeça.
- É coisa da sua cabeça! – Gisele tocou, com as duas mãos, o rosto de Estevão.
- Sente essas cicatrizes, Gisele?
- Sinto. Mas não tem motivo para não me deixar ver seu rosto. Eu não lhe farei mal algum!
- Eu não quero que deixe de gostar de mim. Por favor, tenha mais um pouco de paciência.
- Eu posso esperar. – Gisele sorriu.
Agora era a vez de Estevão de tocar o rosto de Gisele. Ela ainda tinha algumas marcas da adolescência. Espinhas, espinhas e espinhas. Não eram marcas absurdamente grandes. Eram pequenas marcas. Gisele ainda era muito bonita, mesmo com aquelas marquinhas.
- Também tenho marcas em meu rosto e você não deixará de gostar de mim por isso, certo?
- Você não entende e dificilmente entenderá.
- Eu posso entender.
- Quando eu comprovar que conseguirá me entender, poderei te contar a minha vida, meu doce.
Gisele tocou as mãos de Estevão, que ainda estavam nas bochechas da moça. Ele a acariciava com seus polegares. Ela não podia controlar seu desejo de beijá-lo, então, ela aproximou seu rosto.
- Espere... – Estevão disse, mas, logo em seguida, foi interrompido.
- Eu não vou abrir meus olhos. – Gisele fechou os olhos. – Eu prometo.
Estevão, por algum motivo estranho, sentiu que podia confiar na menina. Aproximou seus lábios dos dela e se beijaram. Era apenas uma junção de lábios. Nada mais aprofundado. Mas continha ternura. O desejo e a paixão ficavam apenas no interior dos dois. A dificuldade de se controlar conseguia se conter. Os dois interromperam quase que ao mesmo tempo, mas o corpo era como um imã: queria que os dois se aproximassem, novamente, a qualquer custo.
Notas finais
Fique com Deus...
Beeeeeeeeeeeijos :*
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