O Mistério Da Estrela

1 Prólogo (Arthur's Bane Parte 1)


Notas iniciais
Estou postando o prólogo por enquanto só pra testar, por isso, se quiserem que eu continue, eu preciso que me deixem saber comentando, ok?
P.S.: A história se passa na 5 temporada, então eu vou colocar o episódio em que o capítulo se passa ao lado do título, para ajudar a situar.
ENJOY!

Merlin olhou para o símbolo druida no pulso do homem. Estava morto ou quase isso, ele deduziu. A pele tinha uma coloração cinza quase doentia.
Ele olhou em volta por um segundo. Estava em uma espécie de caverna um pouco afastada do resto da pequena vila de Asgorath. Ele, Arthur e alguns cavaleiros tinham encontrado o lugar enquanto seguiam viagem até Ismere, a infame fortaleza que, diziam, Morgana tinha se estabelecido. Ao procurarem por algum sobrevivente do ataque saxão, Merlin escutara o chamado do homem, e agora ele encarava sua forma quase sem vida.
Um sentimento ruim lentamente começou a se apoderar de Merlin. Claro, o fato de a vila toda ter sido atacada e todos os habitantes terem sido mortos na calada da noite não ajudava a diminuir a inquietação do jovem mago. Mas, desde que encontrara a caverna, a inquietação transformara-se em algo mais poderoso, algo que ele não conseguia definir direito, porém, o que quer que fosse, o aterrorizava.
Subitamente, ele sentiu uma mão se fechar sobre seu pulso, fazendo-o se sobressaltar. O homem tinha aberto os olhos e o encarava firmemente com os olhos muito azuis. Procurando por respostas, Merlin inclinou-se sobre o druida, perguntando rapidamente:
-O que aconteceu com você? Quem fez isso com sua vila?
-Aconteceu finalmente. É só isso que importa. — ele se apressou em dizer, e engoliu uma vez, a voz tornando-se mais sombria — Fui assombrado por este momento por muitos anos. Desde antes de você nascer, Emrys. Aguardei a chegada dele com tristeza em meu coração. — ele confessou.
Juntando as últimas forças, ele se impulsionou para frente, agarrando-se à Merlin, forçando-o a olhar para ele e a entender o que diria a seguir:
-Ao mesmo tempo em que Camelot cresce, também cresce a semente para a destruição dela. Os profetas falam sobre a Ruína de Arthur. Você deve temê-la, pois ela o persegue como um fantasma na noite. — sussurrou — A não ser que aja rápido, Emrys, nem você poderá mudar o interminável ciclo do destino dele. — aconselhou por fim.
A temperatura da caverna pareceu diminuir, e um calafrio percorreu a espinha de Merlin. Ele balançou a cabeça e arregalou os olhos, querendo soltar o homem e ir embora. Simplesmente esquecer as palavras agourentas que saíram de sua boca. Mas ele sabia que era seu dever proteger Arthur, e, se aquele homem sabia tanto sobre as profecias e a que elas levariam, também deveria saber um modo de salvá-lo.
Inclinando-se mais uma vez sobre o druida, Merlin perguntou desesperadamente:
-Certamente deve haver alguma forma de reverter o final da profecia. Se houver alguma forma, alguma chance, por favor, diga-me. — ele implorou.
O homem respirou fundo, recostando a cabeça novamente, exausto demais. Após alguns segundos, ele disse finalmente:
-Uma profecia mais recente fala de uma estrela. Um ser que cairá do céu e que, tomado de compaixão pelo sofrimento trazido pela Ruína de Arthur, resolverá interferir e ajudar a reverter o ciclo do destino de Camelot. — ele sussurrou, olhando Merlin severamente — Mas é preciso que fique atento, Emrys, pois a estrela influenciará o curso dos acontecimentos através daquele que você teme mais. O seu dever é se certificar de que ela tenha sucesso. Caso contrário, tudo estará perdido. — concluiu, sombrio.
E, com uma respiração entrecortada final, o druida fechou os olhos. Sua mão pendeu de lado, seus dedos tocando a água de uma espécie de fonte. Tão logo sua pele entrou em contato com a superfície cristalina, imagens começaram a se formar, chamando a atenção do jovem mago. Franzindo a testa, Merlin se pôs a observar:

Um céu vermelho sangue. Fogo. A cena de uma batalha. Corpos espalhados na grama enquanto o ruído de espadas se chocando corta o ar. Um vulto indistinto move-se calmamente por entre uma bagunça de cadáveres, armaduras e espadas. Um segundo depois aparece Arthur, observando ligeiramente incrédulo o vulto se aproximar. É Mordred, encarando o Rei com um olhar de obstinação e ódio. Este levanta a espada para atacá-lo, mas Arthur defende-se uma vez. Contudo, aproveitando-se do estado ainda estupefato de Arthur, Mordred ataca novamente, perfurando-o com a espada. O Rei cai de joelhos, enquanto um grito feminino e estrangulado é ouvido não muito longe. É uma mulher. A pele alva, os cabelos loiros e muito lisos caindo na metade da costas. Sua expressão é de dor enquanto ela corre até os dois. Ela se joga sobre a forma sem vida do loiro, chorando copiosamente. Levanta o olhar para Mordred, fitando-o numa mistura de tristeza e pena.

-Ele está vivo? — a voz de Arthur se fez ouvir, tirando Merlin bruscamente de sua visão, ainda ofegante e assustado.
Percebendo o estado do servo, Arthur franziu a testa, e se aproximou:
-O que houve?
Atordoado, Merlin desceu o olhar mais uma vez para a água, como se para se certificar de que a visão de fato acabara. Balançou a cabeça simplesmente, sem conseguir articular uma palavra.
-Vamos lá, Merlin, você já viu mortos antes. — Arthur tentou confortá-lo — Assim que enterrarmos essas pessoas, seguiremos. — informou, e virou-se em direção à saída da caverna.

***

À noite, Merlin não conseguia dormir. Fechava os olhos, tentando conter os pensamentos. Porém, a cena na caverna de Asgorath insistia em permanecer em sua cabeça, preocupando-o, enchendo-o de dúvidas. Afinal, seria garota da visão a estrela que o druida havia mencionado? Era uma possível explicação. Se fosse, como seria possível ela assumir a forma humana? E agiria através de quem?
Merlin jamais ouvira falar de algo como aquilo. Talvez Gaius saiba de algo, ele pensou. Depois lembrou-se com amargura do tempo que levaria até ter a oportunidade de perguntá-lo.
Com um suspiro de desistência, ele se levantou e afastou-se sorrateiramente do acampamento. Precisava de respostas, e precisava naquele instante. Encontrando um local suficientemente afastado, Merlin usou seus poderes para invocar Kilgarrah.
-Eu preciso saber sobre um símbolo druida. — ele exigiu, assim que o grande dragão pousou à sua frente — Um espiral negro com um adorno amarelo dentro.
-É a marca de um Vates. Um druida vidente. — o dragão respondeu prontamente — Onde o encontrou?
-No caminho até aqui. Ele me advertiu sobre a Ruína de Arthur. — Merlin contou.
-A sua Ruína? — a criatura perguntou.
O jovem assentiu:
-Então me mostrou uma batalha. Uma batalha terrível. Arthur lutava pela vida. Eu o vi sendo ferido, o vi cair. — ele lembrou-se da estrela e acrescentou rapidamente — Ele também me falou sobre uma nova profecia. Falou-me de uma estrela, uma ser que cairia e que ajudaria a reverter o destino de Arthur. — Merlin continuou.
-Uma estrela? — o dragão parecia surpreso e pensativo por alguns instantes — Se o que fala é verdade, jovem mago, então deve se considerar com sorte. As estrelas são um símbolo de esperança. Contudo, são raros os relatos de estrelas que caem e resolvem interferir nos assuntos humanos. Geralmente elas preferem assistir, sem tomar partido. Apenas algumas que se compadecem do sofrimento humano vêm à Terra. É perigoso demais para elas. Além dos que cobiçam seu poder divino, há o risco de acabarem se corrompendo. As tentações humanas às vezes são fortes demais. — Kilgarrah comentou — O que mais sabe? — estreitou os olhos para o garoto, analisando-o.
Merlin hesitou, abaixando o olhar e franzindo o cenho:
-Ele falou que ela agiria através daquele que eu mais temo. O que isso quer dizer?
-Difícil dizer, isso é algo que você descobrirá com o tempo. Por tudo o que sabemos, a estrela ainda não caiu. — o dragão procurou acalmá-lo.
-Tem mais uma coisa. — ele se apressou em dizer — Eu acho que a vi. Na batalha. Mas era estranho, porque ela tinha a forma humana. Isso é possível?
-Sim, é a forma que elas assumem para melhor se misturarem e interagirem com os humanos. Faz parte de seus poderes. — Kilgarrah esclareceu.
-Então esta batalha realmente vai acontecer? — Merlin resolveu perguntar por fim, a dúvida o incomodava.
-Não sei, jovem mago, mas o poder das profecias Vates são inigualáveis. Nem mesmo por Sumas Sacerdotisas. Uma coisa é certa: esse não foi um encontro acidental.
-Você acha que eu devo dar atenção a esse aviso? — Merlin perguntou, incerto.
-Houve um tempo em que as palavras dos Vates eram uma dádiva.
-Então por que parecem um fardo? — o jovem retorquiu amargamente.
-Um sábio não se intimida por conhecimento, Merlin. Ele o usa para guiá-lo. — o dragão censurou.
-Como?
-Só você pode decidir. Mas lembre-se, o Vates escolheu você por uma razão. — avisou — Agora, mais do que nunca, somente você pode manter Arthur em segurança.

Notas finais
Comentem se quiser que eu continue, ok? :)