P.O.V. Klaus.

Vou ser pai outra vez, pai de gêmeos. Hoje estamos todos na casa de Caroline para o chá de bebê.

Fiquei chocado com a reação da minha filha. Assim que ela viu a duplicata começou a se esticar no meu colo e a estender os bracinhos pra ela.

As mãozinhas dela abrindo e fechando desesperadamente. Quando a senhorita Cullen finalmente a pegou no colo ela a abraçou.

—Own! Eu também fiquei com saudades linda. Que tal irmos pular no pula pula?

—Oba!

—Ela não sabe pular.

—Ela não vai precisar.

Estava curioso pra saber como ela faria Hope pular no pula pula e até que era criativa.

—Vamos tirar o sapato pra não sujar. Senta, isso.

Ela levantou e Hope ficou sentada olhando o que ela iria fazer. A Cullen começou a pular o que fazia a minha filha pular também.

Dava pra ouvir a risada delas. Depois de uma hora pulando ela ficou sem fôlego.

—De novo! De novo!

—Eu num guento mais.

—De novo!

—Não dá. Não consigo.

—De novo!

—Fazemos assim, porque não vamos chamar o papai pra ele ficar no meu lugar?

Me ferrei.

—Klaus! Klaus vem ficar no meu lugar!

Ela veio me buscar.

—Eu não aguento mais, é a sua vez papai.

—Eu?

—A filha é sua. Agora vai.

Ela me empurrou lá pra fora e quando Hope me viu bateu palmas dizendo:

—Papai! Pula! Pula papai!

Eu, um híbrido de mil anos de idade, pulando num pula pula infantil. Eu parei e Hope reclamou:

—De novo papai! De novo!

Recomecei a pular e ouvi uma risada familiar.

—Quem diria, Klaus Mikaelson. O híbrido assassino pulando num pula pula infantil. Vou pegar a minha câmera.

Caroline voltou com uma câmera nas mãos e começou a filmar. Ela virou a câmera pra ela mesma e declarou:

—Parece mentira, mas é verdade. Sorria Klaus, porque esse vídeo vai pro facebook.

—O que?!

—Você me ouviu.

—Eu tenho uma reputação a zelar!

—Isso ai é besteira Klaus. É tudo bobagem.

—Pra você é bobagem.

—Tudo bem, se você não quer que eu coloque eu não coloco. Mas, eu acho que devia. É tão bonitinho.

—Sei.

Fiquei pulando lá a tarde toda. Parece idiotice, talvez seja, mas quando eu ouço a risada da minha filha compensa.

—Que tal vocês saírem dai pra comer e depois vocês voltam? Vamos papar galera?

—Vamo! Vamo!

Eu desci do pula pula e quando já estava colocando meus sapatos ouvi a reclamação:

—Tira eu papai! Tira eu!

Eu havia me esquecido que ela não sabia descer sozinha.

—Desculpa querida, eu esqueci.

—Tá dicupado. Você me esqueceu duas vez. No carro tamém.

—Eu sei.

Tirei-a do pula pula e nós entramos pra almoçar. Era engraçado ver a minha filha comer. O macarrão escorregava da colher e mesmo quando Caroline se ofereceu para cortar ela não quis.

Chegou um ponto em que ela desistiu e jogou a colher no chão com tanta força que fez um buraco.

—Caramba!

Ela resolveu o problema. Usou as mãos.

Ficamos chocados ao vê-la meter a mão no prato e começar a colocar o macarrão na boca.

—Isso prova que ela sabe resolver problemas. Temos que sempre ver o lado positivo.

Quando Hope terminou de comer ela fez uma inteligente observação:

—Mão tá suja.

—Vem, a tia Ness vai levar você no banheiro pra lavar a mãozinha.

Renesmee arrastou um banquinho e colocou a Hope nele. Ela abriu a torneira e explicou o que tinha que ser feito.

—Molha a mão, muito bem. Agora passa o sabonete e esfrega uma na outra, passa os dedinhos um dentro do outro. E enxágua. Pronto.

—Seca com a toalha e pronto. Viu? Você lavou a mão sozinha.

—Oba!

—Já tá ficando mocinha.

Ela tirou Hope do banquinho e a colocou no chão, mas ela não queria ir no chão.

—Colo! Colo!

—Tudo bem. Vem cá.

—Tia Ness?

—Fala.

—Você sabe dançar?

—Sei.

—E você toca piano?

—Toco. Meu pai que me ensinou.

—Porque o meu pai nunca me ensinou nada?

—Sei lá. Vai ver ele é tímido.

—Papai não é tímido. Ele gosta de se aparecer.

—É mesmo?

—É.

Ela obviamente não sabia que eu estava escutando.

—Porque acha isso?

—Porque ele tem uma frase preferida.

—E qual é?

—Eu sou o híbrido original e eu não posso morrer. Ele fala isso umas mil vezes por dia.

—Posso imaginar.

—Vamos perguntar pro papai se ele toca piano?

—Vamos.

Elas vieram na minha direção e a Hope perguntou:

—Paiê, você toca piano?

—Toco.

—Me ensina.

—Posso tentar.

—Oba!

Me sentei de frente para o piano na sala de Caroline e comecei a ensinar á ela as notas musicais.

—Toca. Uma música bem bonita.

—Eu não sei qual. Não me lembro de nenhuma.

—Posso?

—Claro.

Me levantei e a duplicata tomou meu lugar. Ela tocou uma das músicas mais difíceis de serem tocadas. Nem eu sabia tocar aquela música e ela não errou uma nota se quer.

—Por Elise. De Betwoveen.

—Muito bonito. Nem eu sei tocar essa música.

—Eu sei disso. Ouço seus pensamentos.

Todos os convidados da festa pararam para escutá-la tocar. E quando ela acabou recebeu uma salva de palmas.

—Obrigado. Muito obrigado.

Ela até prestou uma reverência.

Decidi procurar por Caroline e ela estava sentada no mesmo lugar. Ela passou a festa inteirinha sentada numa poltrona, nem se mexeu.

—Não está se divertindo?

—Estou. Só que eu estou gorda, inchada e feia. O meu corpo todo parece um balão e dói á beça. Tenho dor nas costas, nos joelhos, os meus pés estão inchados como pães e estou cansada o tempo todo.

—Estar grávida é horrível então?

—Com certeza. E estar grávida de gêmeos torna tudo pior. Esqueci de mencionar que não consigo mais me levantar sozinha, tenho que fazer xixi de cinco em cinco minutos já que tenho dois bebês híbridos mutantes pressionando a minha bexiga. E as vezes quando eu sinto cheiro de alho me faz vomitar assim como mata lobos me dá dor de cabeça.

—Mata lobos te dá dor de cabeça?

—Uma enxaqueca terrível! Você não faz a menor ideia.

—Coitadinha.

—Agora, já que está ai me ajude a levantar. Tenho que fazer xixi.

Puxei-a e ela veio. O jeito dela andar era muito engraçado, parecia uma pata.

Fiquei pensando em como ela se levantaria do vaso sanitário sozinha, mas ela conseguiu.

—Então você consegue se levantar sozinha?

—Tenho que me apoiar na parede e ou segurar em alguma coisa ou alguém.

—Esse seu vestido é lindo. Todo florido, é tão... você.

—Obrigado.

Quando ela sentou ela teve um orgasmo.

—Não diga nada. Isso acontece de vez em quando.

—Porque?

—Porque agora eu tenho quatro vezes mais sangue correndo pelas minhas veias. Me lembro a primeira vez que isso aconteceu, paguei o maior mico.

—Porque?

—Porque eu estava em um ônibus. No que eu sentei, aconteceu isso.

—Coitadinha.

Me sentei ao seu lado e ela nem se dignou a me olhar.

—Estou ficando com sono de novo. Eu já não tenho energia pra fazer nada!

—Caramba! A coisa é séria.

—Você nem imagina.

Ela bocejou e no segundo seguinte estava dormindo. Dormiu sentada em plena festa que ela mesma planejou.

—Caroline? Acorda Caroline.

Ela nem se mexeu.

Cutuquei-a e ela nem se mexeu.

—Caroline!

Nada. Parecia até que tinha morrido.

—Niklaus, a sua filha está te chamando.

—Tá bem. Eu já vou Elijah.

—O que houve com Caroline?

—Dormiu. Dormiu sentada. Tentei acordá-la mas, ela nem se mexeu.

—Não acha melhor levá-la para a cama? Ela vai ficar com dor nas costas dormindo nessa posição.

—Boa ideia.

Peguei-a no colo e senti o peso. Ela estava bem mais pesada que da última vez.

—Caramba! Como ela pesa.

—Claro, está grávida. E está esperando dois bebês.

Deitei-a na cama. E ela virou do outro lado.

—Bons sonhos love.