O Meu Protetor.

1 Eu não tenho medo do escuro!


Acordei assustado com aquele barulho da máquina de lavar, o outro lado da cama estava frio e percebi que Emilliene não estava mais ao meu lado na cama. A luz que entrava pela persiana acertava-me os olhos me fazendo fecha-los, estava frio e queria poder ficar mais um tempo deitado ali no quentinho, mas sabia que aquilo era algo que nunca teria. Meus pés doeram ao tocarem descalços, o chão de mármore gelado, consequência de uma noite inteira fria. Troquei aquele trapo que chamava de pijama pelo uniforme que usava no dia a dia. Não demorou muito e ouvi a voz de Thompson o mordomo a me gritar.

— Joseph! Joseph! — O velho gordo gritava.

— Estou indo, estou indo Thompson... — Minha voz ecoou de dentro do cômodo.

Thompson era um homem legal, apesar de ser um velho rabugento sempre me ajudava quando a senhorita Margarida, filha mais velha de Cristabella implicava comigo, aquele homem era a coisa mais próxima que eu conhecia de um “pai”.

Encaminhei-me para fora do quarto e o mais velho logo me entregou o dinheiro. É, o dia mal havia começado, mas já era hora de ir a padaria comprar pães frescos e leite. Fazia isso todas as manhãs, nas chuvosas, nas frias, enfim... Em simplesmente todas as manhãs. O trajeto até a padaria não era longo, e eu amava fazer isso. Era sempre uma alegria poder sair daquela casa e ver pessoas, ouvir vozes e fazer o que amava... Cantar! Coisa que não podia fazer dentro da mansão. James o filho mais novo dos patrões, fala que minha voz o irrita, mas Emilliene me diz que é tudo inveja, e eu acredito já que ela é um anjo incapaz de mentir. As pessoas dos estabelecimentos sempre adoravam minha presença por lá. O primeiro lugar em que passei foi na lojinha de rações do sr. Ommar.

— Bom dia senhor Ommar! — Cantarolei no ritmo de uma canção.

— Bom dia meu jovem anjo, como você está? — Respondeu ele cantando, alternando entre tons.

Rimos da situação e recebi um cafuné em meus cabelos cacheados, sai correndo do local e logo estava na loja de chapéus de Brigitte, aquela mulher gorda com voz suave era uma boa amiga, estava sempre a cantar, e eu tenho uma leve sensação de que ela falava com pássaros.

— Olá, como vai você? Não deve estar bem, vejo isso em seus olhos! — Cantarolou a gorda a me ver chegar.

Sentei em um tapetinho em formato de circulo e respondi entoando a leve canção: — Não sei como estou, mas vai melhorar... Eu tenho um anjo sempre a me guiar...

—Eu posso lhe ajudar, segure a minha mão... — Falou terminando com uma nota aguda.

Apenas ri e estiquei a mão para a ruiva. —Eu sei... — Gritei.

Cantamos juntos, esse pedaço da canção, desacelerando o ritmo e andamento da mesma. —Que bons amigos pra chamar de anjo, sempre terei!

Recebi um forte abraço e logo sai de lá, me encaminhei para a padaria e entre na mesma, logo fui recebido por Lenn um belo homem de barba mal feita, que era muito legal comigo.

—Bom dia sr. Lenn! — Falei encantado, sua beleza me fazia delirar, se ele fosse alguns anos mais novo.

—Bom dia pequeno Joseph, está tudo aqui! — Falou me entregando a sacola.

Peguei a mesma e entreguei o dinheiro para o homem, já estava disposto a sair do local, quando o vi sorrir sapeca e tirar de trás do balcão uma bela trufa de chocolate. Ele sempre me dava alguma coisa, era um homem muito bom... Eu apenas não conseguia entender o motivo. Peguei a trufa de sua mão e comi ligeiramente, não poderia chegar a mansão com vestígios nenhum sobre aquele doce, era capaz de ser estrangulado pelo sr. Van Dyke. Ao terminar de comer o doce, sai correndo da padaria e cantando novamente. Ao caminhar de volta pra casa não passei em nenhum lugar como de costume, estava muito frio para ficar com aquelas roupas pela rua.

Logo cheguei em casa e levei tudo para a cozinha, onde Emilliene preparava o café para que as outras meninas fossem servir os patrões, sentei-me em uma cadeira e fiquei olhando como aquela mulher fazia tudo com carinho e perfeição. Eu não faria o mesmo em seu lugar, acho que seria capaz de colocar veneno na comida de Cristabella, mas...

—Então meu querido, logo mais vá se arrumar, Cristabella irá levar os três filhos dela a um evento. — Falou Emilliene devagar.

— A farsa novamente não é? — Sussurrei.

Logo sai da cozinha e me encaminhei para meu pequeno quarto nos fundos da casa, sobre a cama estava uma bela roupa, aquele terno com certeza seria algo velho de James, logo me encaminhei para o chuveiro, o lugar onde me preparava psicologicamente para as armações de minha mamãezinha, que em casa me tratava como escrevo e na rua me usava como o filho mais querido por todos, o pequenino da mansão. Eu apenas queria que todos soubessem a vida infernal que vivo aqui.

Notas finais
Espero que tenham curtido desse primeiro capítulo e que peguem leve comigo nas críticas! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.