O Meu Mundo Real
9 Capítulo 9
Aquela noite não tive sonhos. Apenas ouvi uma música muito bonita. Uma menina cantava com uma voz muito doce acompanhada de uma melodia de piano.
Queria chegar até o lugar de onde vinha o som, mas só escutava o som vindo do breu total.
Acordei e encontrei nico indo para o refeitório. Chegando lá tivemos que nos separar pois ele sentava na mesa do chalé 13 e eu na do chalé 15, naturalmente.
Aproveitei que ainda era bem cedo e fui sozinha para a sala de instrumentos musicais. Sentei no piano e comecei a tentar lembrar dos acordes da música e reproduzi-los. A cada acorde e verso da música que eu lembrava, ia fazendo as anotações no meu caderninho de partituras.
Da janela vi a movimentação dos semideuses começar a aumentar, olhei para o relógio e então segui para minha aula de esgrima.
Confesso que era uma negação total com espadas. Adagas e facas eram mais fáceis de manusear, mas isso não importava muito. Também não prestei muito atenção no treino pois minha próxima atividade seria aula de Mitologia, oque significava que era o horário que eu iria praticar minhas habilidades.
Saindo do esgrima fui encontrar Nico.
– Uau. Muito pontual. senhorita Gomes!
– Digo o mesmo, senhor Di Ângelo.
– Pronta?
Hesitei um pouco. A dor que eu sentira na noite passada fora forte e Nico disse que quando fazíamos aquilo por nós mesmos a dor era ainda pior, e só depois nos acostumávamos.
– Estou com medo. A dor... Eu não sei.
– Vamos começar assim. Eu te ajudo a viajar pelas sombras, até vocÊ se acostumar com a dor. A medida que você for criando resistência aumentamos um pouco a intensidade até chegar ao ponto em que você consiga levar outras pessoas com você em sua viagem.
–Certo. Acho melhor assim.
–Vamos treinar para um lugar próximo e fácil de ir. Que tal o campo de morangos?
Adorava aquele campo. Concordei com a cabeça. Então nos dirigimos para uma sombra e Nico pegou minha mão. Seu toque frio dava uma sensação boa.
– O que faço agora?
–Feche os olhos e se concentre. Pense no campo de morangos e em segundos estaremos lá.
Fiz o que Nico disse e então o peso no meu estômago e a dor de cabeça começaram. Foi um pouco mais fraca do que na noite anterior. Acho que se devia por estarmos viajando para um lugar perto.
Mesmo assim, quando chegamos minha cabeça ainda doía e minha visão estava um pouco turva.
Me sentei no chão e Nico se sentou ao meu lado. Apoiei a cabeça em seus ombros e ele passou o braço envolta de mim. O seu toque frio me fez sentir arrepios novamente.
– Você está bem?
– Só um pouco de...dor de cabeça. É normal, não é?
– Sim. aos poucos ela vai diminuindo até virar um incômodo quase imperceptível. Está cansada?
– Demais! Gastamos tanta energia assim?
– Sim. É o que eu disse. É muito exaustivo, e olha que fizemos uma viagem bem curta. — Nico me ajudou a levantar, ainda com os braços me envolvendo. — Vem, vou te levar para seu chalé, para descansar um pouco. Como te disse é demorado o processo, mas vamos treinar até você estar expert no assunto.
No chalé 15 Nico me fez comer um pouco de ambrosia e pediu pra que eu me deitasse para descansar.
–Venho te chamar quando as próximas atividades forem começar, não se preocupe.
Assenti com a cabeça e fechei meus olhos.
Nico me deu um beijo na testa, e senti o frio de seus lábios correrem mais uma vez por todo o meu corpo. Sorri e então ele saiu do chalé.
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