O Meu Mundo Real
3 Capítulo 3
Eu e Thalles ficamos boquiabertos. Apesar de formular o plano e obrigar Thalles a executá-lo comigo não acreditava que daria certo mesmo. Mas deu.
Enquanto minha mãe arrumava as malas, que para ela era como um passatempo, cheguei e falei baixinho pra Thalles:
–Não imaginava que minha mãe gostasse tanto de você! Como pode uma coisa dessas?
–E eu achei que ela não ia deixar. Quando ela concordou achei que tinha ficado maluco, que não tinha escutado direito!
Minha mãe arrumou minhas malas e enquanto eu esperava ansiosamente pelo dia que eu conheceria o acampamento não parava de encher Thalles de perguntas :
– Todos os personagens do livro existem mesmo?
–Sim.
–Jason decidiu ficar no acampamento meio sangue ou voltou pro acampamento Júpiter?
– Ele adora o Acampamento Meio- Sangue. Ficou por lá, mas de vez em quando vai visitar o Acampamento Júpiter.
Fiz milhares de outras perguntas e Thalles sempre me respondia pacientemente. Ele era um sátiro bem corajoso também, e enquanto não íamos para o acampamento ele sempre me protegeu dos monstros que tentaram me atacar.
Uma coisa que me intrigava muito e eu nunca tinha perguntado era por que antes eu via as coisas com névoa e agora não mais.
– Por que desde quando você era pequena sua mente foi sendo treinada para ver as coisas com a névoa. Não sei se você já ouviu isso, mas as pessoas enxergam o que elas acreditam.
–Sim, Grover falou isso.
– Sim. Grande Grover! Sinto falta dele no Acampamento, era muito meu companheiro. — Thalles parou por um momento lembrando do amigo — Enfim. Antes você lia o livro, mas achava que era ficção, por isso não via as coisas. Quando eu cheguei e você descobriu que tudo era real e que os meio-sangues existem mesmo, você passou a enxergar as coisas como são realmente.
Entendi o que ele falou, feliz por ver a verdade.
O dia de ir para o acampamento finalmente havia chegado. Parecia que mamãe estava mais ansiosa que eu, achei que ela estava querendo que eu fosse mesmo, que finalmente ia se livrar de mim. Brincadeira. Minha mãe era meio avoadinha, mas ela me amava muito, disso eu tinha certeza. Ela estava feliz por eu ir com Thalles, o novo xodó dela.
Quando chegamos ao aeroporto e mamãe foi se despedir, deu um abraço em mim e outro em Thalles. Os abraços dela quase nos esmagaram. Depois ela pediu uma foto dos "pombinhos" para ela guardar de recordação. Mas não era uma simples foto. Queria uma foto comprovando que nós estávamos namorando.
– Mãe, não vou beijá-lo na sua frente, nem pensar.
Thalles viu que eu estava bem constrangida e decidiu entrar na onda da minha mãe:
–Por que não, Pâm? Eu não vejo problema!- Ele falou aquilo só para me irritar, claro, porque ele não queria me beijar também — Só um selinho.
–Não! Mãe, vamos nos atrasar para o voo. Te amo, tchau!
Puxei Thalles e fui andando.
– Ficou maluco, é? Entrou na brincadeira da minha mãe?
–Só estava brincando. Claro que eu não ia te beijar, que ideia doida!
– Eu sei que é uma ideia doida! Não sei porque você fez isso!
Thalles abafou uma risada vendo meu estado de indignação.
Nosso voo foi anunciado e entramos no avião. A viagem iria ser longa, bem longa, então resolvi que iria dormir um pouco.
Quando Thalles me chamou já estávamos quase chegando. Não acreditei que havia dormido por tanto tempo, mas acordei num pulo, pois a ansiedade dentro de mim só crescia. Além de mim, vários outros semideuses chegariam ao acampamento, e eu mal podia esperar para começar a viver no mundo ao qual eu sempre pertenci.
No aeroporto vimos Argos nos esperando, com algumas outras pessoas com ele. Deveriam ser outros semideuses. Quis saber como as pessoas enxergavam aquele monte de olhos de Argos. Esperamos mais alguns semideuses com seus sátiros e então partimos numa van que Argos conduzia.
No acampamento fomos anunciados aos semideuses que já viviam lá e fomos avisados que agora havia uma cerimônia, onde os semideuses novos eram reclamados pelos seus pais, e eu estava muito curiosa para saber quem era meu pai.
Os semideuses que foram para o acampamento comigo iam sendo reclamados. Alguns deles eram irmãos, alguns eu já sabia filhos de quem seriam, só pelo pouco que conheci na van. Finalmente chegou minha vez.
Eu estava bastante nervosa. Era tímida e todos olhavam pra mim. Não sabia o que viria agora. Será que eu era irmã de algum daqueles semideuses novos no acampamento? Será que eu era mesmo filha de Hades? Em um segundo mil coisas surgiram na minha cabeça e então o símbolo do meu pai apareceu acima da minha cabeça e foi anunciado:
–Pamela Gomes, filha de Hipnos, deus grego do sono. Chalé 15!
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